
Antes de se revelar como nudez da alma ante suas falsas identificações, o nirvana foi em mim vestimenta pro corpo: a vestimenta grunge de um fã ensandecido de Kurt Cobain e seu grupo de rock rs. Essa semana matei um pouco a saudade dessa época, graças a um excelente documentário do canal a cabo GNT. Imagens raras, depoimentos dos ex-companheiros de Cobain (que se matou em 1994), comentários de especialistas, nada faltou. E eu, cá com meus botões, fui curtindo em tudo aquilo uma deliciosa viagem no tempo e um reencontro dos tempos: uma misteriosa sinfonia de síntese e harmonia entre as notas musicais de um e outro dos "nirvanas". Pois a trajetória, som e poesia de Cobain exprimem uma estética de revolta, estética autêntica, para além dos clichês de um jovem encucado com o "sistema". E o nirvana filosófico é, também ele, uma re-volta: re-torno às fontes primeiras da vida, um alegre, jovem e "grunge" resgate da Superalma (Atmã) que vive nas águas profundas do Ser, a muitas léguas seja da praia do recreio, seja da cidade da labuta. O Nirvana do Atmã é a Criança Eterna nadando livre no oceano do inconsciente coletivo, criança ainda não fisgada pela ditadura do dinheiro, como na capa do clássico "Nevermind" do Nirvana de Cobain.


