
Túnel, a infância que se despe e se despede, ensurdeço com tropas de fuzilamento e o ruídos do circo das placas de néon na noite escura da alma. Alma? Troço obscuro de corpo, esquisito, algo que cresce como aquilo que entumesce quando vejo a vizinha morena saindo pra passear com seu vestidinho curto preto, vento quente que me sobe e que não sei de onde vem e para onde vai. Nietzscheando horas em que só no silêncio é possível persistir amigo da sabedoria. Schopenhauer falando do homem que é o mais poderoso e mais sofredor dos animais porque é ciente de seu poder e de seu sofrer. Cãozinho atmã pulando revolto e quebrando meu dente.
Eu vejo quadriculado, o portão está trancado e sobe ao céu e eu espero por são pedro descendo de lá e são pedras que fecham o túmulo, quando elas rolarão? o túmulo está oco e o portão só está encostado, o cadeado está aberto, então por que se fazer de tão pequeno, por que não abrir o portão e sair, na tempestade que seja, no temporário do sendo, caindo na vida, deixando o carrinho de rolemã levar aos prazeres e vertigens da verdade do Homem? Carrinho de rolemã por entre corredores de palavras que não bastam, de ditos e ensinos que só me fazem escorregar mais, porque todo jeito de pensar é possível mas nem todo jeito de pensar é pensar, e não ser pensado.
A mulher do café e sua sabedoria de que trabalha para viver e não vive para trabalhar, rindo riso forte da advertência de um orixá. Deus meu, mas é preciso desvestir o personagem. Deus que dança, alma que entumesce, caminho do meio. Do meio do corpo da vizinha morena que quero pra mim quando passa com sua sainha preta e suas coxas torneadas e seu riso maroto. Túnel. Da lua quimérica que brilha luzes emprestadas rumo ao Sol que transborda de si, em si, excitado.
1 comments:
vc sumiu! agora entendo.. vc está brincando de carrinhos com a parceria de uma música linda. amo Enigma e enigmas rs.
love,
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