Ressurreição de Jesus Cristo: símbolo arquetípico de uma redenção do espírito e da carne
Isaac Newton segundo o olhar de William Blake: ambivalência entre a atenção do espírito e o encapsulamento do corpo"Em profunda escuridão caem aqueles que seguem a ação. Em profunda escuridão caem aqueles que seguem o conhecimento".
Esse verso dos Upanixades pode ser iluminador para aqueles que se debatem com a difícil relação entre teoria e prática na vida de todos nós, e dos intelectuais em especial.
Tanto a ação quanto o conhecimento, se isolados, são caminhos estéreis, de "profunda escuridão". A ação sem conhecimento se move na ignorância repetitiva, o conhecimento sem ação se degrada numa erudição vazia.
Em nível metafísico, conhecer, para os hindus, implica a negação do mundo, na medida em que os pólos opostos se anulam e o véu de Maya se rompe. Ora, agir é sempre agir no mundo, e nesse sentido é uma afirmação de algo e de si.
Esse verso dos Upanixades pode ser iluminador para aqueles que se debatem com a difícil relação entre teoria e prática na vida de todos nós, e dos intelectuais em especial.
Tanto a ação quanto o conhecimento, se isolados, são caminhos estéreis, de "profunda escuridão". A ação sem conhecimento se move na ignorância repetitiva, o conhecimento sem ação se degrada numa erudição vazia.
Em nível metafísico, conhecer, para os hindus, implica a negação do mundo, na medida em que os pólos opostos se anulam e o véu de Maya se rompe. Ora, agir é sempre agir no mundo, e nesse sentido é uma afirmação de algo e de si.
De modo que temos aqui uma unidade paradoxal entre a renúncia e a participação no mundo. Como ensina a Tradição, o Samsara (mundo ilusório, a roda das reencarnações) já é o Nirvana (cessação, extinção, beatitude atemporal), e o Nirvana já é o Samsara. No mar sem se emaranhar. Estar no mundo sem mais esquecer que não se é do mundo.
Nesta tensa relação repousa a possibilidade de evitar, entre outras coisas, as idolatrias que coreografam na forma de símbolos alienantes uma Unidade ainda não vivenciada por inteiro, uma evolução sempre invisível e duvidosa, sempre a caminho e posta em questão.
Nesta tensa relação repousa a possibilidade de evitar, entre outras coisas, as idolatrias que coreografam na forma de símbolos alienantes uma Unidade ainda não vivenciada por inteiro, uma evolução sempre invisível e duvidosa, sempre a caminho e posta em questão.
Daí que meu espanto com as graves denúncias (pedofilia) que foram levantadas esta semana, contra Júlio Lancelotti - uma figura importantíssima da Igreja Católica de São Paulo e um dos padres mais ligados à causa da promoção dos excluídos- possa trazer um aprendizado já válido em si, ainda que ao final se comprove a inocência do acusado.
Aprendizado de certas obviedades fáceis de se esquecer, por exemplo, a fragilidade brutal de todo ser humano, sobretudo dos funcionários papais do Bem absoluto; assim também a felicidade e a urgência de uma redenção espiritual que não represente a negação , e sim transfiguração gloriosa, do corpo, pois violência só gera violência: não são só os menores de rua de Júlio Lancelotti que viram criminosos numa sociedade agressiva e injusta, também os nossos "menores" inconscientes -as pulsões desnutridas, esfomeadas, largadas na esquina do deus-não-dará- se armam até os dentes para se vingarem de um estilo de vida repressivo, unilateral, inatural, caso desta regra eclesiástica do celibato obrigatório.
Aprendizado de certas obviedades fáceis de se esquecer, por exemplo, a fragilidade brutal de todo ser humano, sobretudo dos funcionários papais do Bem absoluto; assim também a felicidade e a urgência de uma redenção espiritual que não represente a negação , e sim transfiguração gloriosa, do corpo, pois violência só gera violência: não são só os menores de rua de Júlio Lancelotti que viram criminosos numa sociedade agressiva e injusta, também os nossos "menores" inconscientes -as pulsões desnutridas, esfomeadas, largadas na esquina do deus-não-dará- se armam até os dentes para se vingarem de um estilo de vida repressivo, unilateral, inatural, caso desta regra eclesiástica do celibato obrigatório.
Tais impasses teriam, provavelmente, melhor encaminhamento se a teoria e a prática estivessem mais irmanadas: desse modo a renúncia ao mundo, pela graça de Jesus Cristo, pelo estado búdico, pelo êxtase do xamã, ou como quisermos chamá-la, alcançaria a nobreza que merece, não se confundiria com um tolo, hipócrita, moralista e, subterraneamente, criminoso embotamento dos sentidos.
-Unzuhause-
4 comments:
Gostoso ver que o que você me conta vc escreve, é bom saber que você dá realmente importancia para as coisas q fala.
Mariana,
Nosso papo sobre a necessidade de que as pessoas se escutem mais (a si mesmas e umas às outras), que desliguem um pouco seus walkmen mentais, foi muito importante para esse texto. Continuei "escutando" nossas palavras por muito tempo, e elas frutificaram aqui.
acho complicado comentar seus textos, são bem religiosos..
mesmo assim, registro minha visita e deixo meu beijo no coração.
Suzuca,
Sempre uma honra recebê-la por aqui. Penso que não escolhemos tanto nossas questões quanto ELAS nos escolhem rs. beijos
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