Wednesday, December 19, 2007

rumo ao Natal


"O drama da vida de Cristo nos dá uma descrição, através de imagens simbólicas, daquilo que se passa tanto na vida consciente como na vida que está além da consciência do homem, o qual é transformado por seu destino mais alto"
C. G. JUNG
in: Interpretação Psicológica do Dogma da Trindade
Até mesmo um ateu ferrenho como Jean-Paul Sartre, quando prisioneiro dos nazistas, em 1940, reconheceu a força do simbolismo natalino: criou uma versão pessoal do nascimento de Jesus, com a qual pôde camuflar e alegorizar o sentido político que tinha em mente, isto é, seu protesto contra a ocupação "romana" (alemã) da terra dos judeus (a França), e seu chamado à Resistência. Assim escreveu, dirigiu e atuou na montagem, em pleno campo de prisioneiros, do seu primeiro texto teatral, Bariona.
A emoção que Sartre viu estampada no rosto de seus companheiros de prisão, cristãos e não-cristãos, o convenceu de que o teatro autêntico é um ritual, segundo ele, "religioso" - uma re-ligação de todos com todos, para além das diferenças de cada um, num Todo que celebra e con-sagra a experiência da liberdade.
Esse acontecimento foi crucial para os rumos tomados por Sartre ao voltar do cativeiro, tanto na vida como na obra, que, nele, não se dissociavam. Sartre deixou de lado o antigo individualismo e indiferença política, percebeu que de nada vale o homem ser essencialmente livre, se não concretiza essa liberdade historicamente, se a História persiste sendo o reino da alienação e da opressão.
Liberdade não é um estado dado de uma vez por todas, mas sim contínuo processo de se libertar. Processo que implica, por um lado, certa separação dos outros -só com independência pessoal descobrimos quem somos ou queremos vir a ser-, mas, por outro lado, nos leva ao engajamento público, "político" (não necessariamente partidário). Em termos técnicos, diríamos: o sujeito é Para-si, mas também Para-Outro, sendo ambas as dimensões um só e igual chamamento à libertação radical. E igualdade das liberdades é fraternidade, o que nos traz de volta à tríade da Revolução Francesa, este salto de consciência da história da humanidade.
Ao meu ver, o episódio que contei sobre Sartre ilustra também a diferença entre um culto cristão apenas convencional e reservado aos "bonzinhos, " e a experiência do Cristo interior, de mil nomes possíveis e inominável, a Luz divina que quer sempre de novo nascer, no centro de nós mesmos e nas periferias marginalizadas do mundo- portanto, nas manjedouras da existência humana, mas não em meio a vaquinhas de presépio, e sim como inspiração de sujeitos fortes, singulares, conscientes de si e crentes de todos os credos (sempre cremos em algo, ainda que em nada). Cristo, como Buda, ou Krishna, ou tantos outros deuses imaginados pelo gênio religioso da espécie humana, é símbolo da Individuação, isto é, do congraçamento entre consciente e inconsciente na auto-realização, na evolução rumo ao Ser que somos.
Que o Bom Velhinho das crianças nos alegre e nos presenteie muito rs, mas não esqueçamos da Criança que, ela sim, vem para as crianças de todas as idades, como o presente adulto e maior: o amor e crescimento existencial. Feliz Natal para todos.

4 comments:

SUzuca said...

Cordeiro, vou dizer logo q vc sabe q eu digo logo.. nao li tudo não! (rs)
fiquei meio perdida e preferi pular para o parágrafo finale! grand finale! (rs)
Feliz Natal, homi! Que o Papai Noel te visite durante o ano todo que vêm..
beijo no coração

Nita said...

Hoje não sei se é feliz Natal ou feliz Capital o que devo desejar aos meus caros amigos... Fica para vc me responder o que devo dizer a vc nesta data.
Beijooooooooooooooos

Alma Tuga said...

Dá que pensar...
Feliz Natal para ti, Bom começo de 2008! Muita paz e liberdade, dentro dos possiveis e limitas que nos são impostos.

Unzuhause said...

misteriosa alma tuga rs,
Feliz Natal pra ti tb, e um lindo Ano Novo! sim, a liberdade é um embate com o que a nega, é negação da negação. muita liberdade, felicidade e paz em 2008. beijos