Romário comemora a conquista do tetracampeonato mundial da Seleção, em 1994, nos EUACorintianos como eu não têm tido lá muitos motivos para se lembrar de que futebol existe. Afinal, assim como noutras esferas, o que predomina neste microcosmo (um dos times mais populares do país) é, por um lado, um princípio da realidade constituído de imbecilidade, falsidade, incompetência, corrupção e ruindade e, por outro lado, um princípio do prazer traído por todas essas abominações.
Mais amplamente, o brasileiro que ama futebol (isso é quase uma redundância rs) passa maus bocados na atualidade. O que se lhe apresenta cotidianamente é um esporte carente de craques (vendidos como a cana, o ouro, o café de outras épocas desta colônia eterna), times que são caricatura de suas gloriosas tradições, campeonatos chatérrimos; confesso, a propósito, que detesto essa fórmula de pontos corridos do Campeonato Brasileiro, torneio que está para começar e se arrastará até o fim do ano, e pior, sem o tesão das grandes finais. Seja ao assistir bobagens como o Big Brother, seja ao criar mitos como o do Juízo Final, o homem ama a tensão, a dúvida , a incerteza das grandes decisões! rs
Em meio ao marasmo futebolístico todo, uma miragem resta: Romário e seu milésimo gol, que está para acontecer (ontem, contra o Flamengo, o vascaíno chegou ao gol 999). Miragem não pelos resmungos dos idiotas da objetividade (Nelson Rodrigues), que tentam a todo custo desmerecer o que chamam de "as contas do Romário". Cacete, Romário não disse que está comemorando mil gols ao longo de sua carreira?? Então porque ficar martelando que tantos gols foram em amistosos ou em jogos amadores, "desimportantes" para esses nobres juízes?
Falo em miragem, isso sim, pela iminência de mais este craque partir, derrotado pelo único adversário que nenhum craque, nas quatro linhas e fora delas, consegue ludibriar para sempre: o Tempo. Está chegando a despedida do Baixinho. Com ele, se vai não só seu talento descomunal, sua fome de gol. Perderemos mais um pouco do que fazia deste país um lugar legal, apesar da merda que também é: a irreverência, a malandragem sadia, a alegria tipicamente carioca. Só ficará a merda? Os "artilheiros", os "matadores" que nos restam são esses romários abortados que viram craques do tráfico, do seqüestro, do assassinato, da monstruosidade. Jovens que poderiam estar no Maracanã , no Pacaembu, no Mineirão alegrando multidões, estão nas ruas nos fazendo sangrar no medo e na impotência. Por tudo isso e por muito mais (lembremos a importância do Baixinho na campanha do tetra) , MUITO OBRIGADO ROMÁRIO!
Falo em miragem, isso sim, pela iminência de mais este craque partir, derrotado pelo único adversário que nenhum craque, nas quatro linhas e fora delas, consegue ludibriar para sempre: o Tempo. Está chegando a despedida do Baixinho. Com ele, se vai não só seu talento descomunal, sua fome de gol. Perderemos mais um pouco do que fazia deste país um lugar legal, apesar da merda que também é: a irreverência, a malandragem sadia, a alegria tipicamente carioca. Só ficará a merda? Os "artilheiros", os "matadores" que nos restam são esses romários abortados que viram craques do tráfico, do seqüestro, do assassinato, da monstruosidade. Jovens que poderiam estar no Maracanã , no Pacaembu, no Mineirão alegrando multidões, estão nas ruas nos fazendo sangrar no medo e na impotência. Por tudo isso e por muito mais (lembremos a importância do Baixinho na campanha do tetra) , MUITO OBRIGADO ROMÁRIO!
