
Henrique Matos, Ruptura (1991)
"Todo pensamento que se deixa surpreender por um novo questionamento, a partir de um acontecimento íntimo ou exterior, demonstra uma capacidade de recomeço"
PIERRE KLOSSOWSKI
O homem moderno, acomodado que é ao eterno presente do tempo mecanizado e industrializado, preza muito o novo, mas rechaça a transformação. Tem muita curiosidade e informação, pouco apreço à formação e ao saber. Muito individualismo e pouca singularidade. "Existem portanto duas potências: a niveladora, do pensamento gregário, e a erétil, dos casos particulares" (Klossowski). Falando no "erétil", nosso tempo é verdadeiramente brochante rs..
Tais considerações me perseguem nesses dias de "festejo" pela entrada em 2008. Claro, vale sempre comemorar o fato de estarmos vivos, e a consumação e recomeço dos ciclos da vida. A questão é, ao meu ver, não deixar que tal celebração se esgote nos ruídos ocos de fogos de artifício, deixando calado o fogo íntimo e revolucionário que é de todos e cada um de nós, e que faz a história andar, "voar" não como pulga, mas como águia.
É preciso estar atento à potência especial dos acontecimentos , são eles o empuxo que nos arranca ao sonambulismo contente e nos põe na rota insatisfeita mas criadora dos sujeitos que se fazem tarefa, questão para si mesmos.
Ruptura, meu povo! rs Que a mudança não seja apenas da folhinha do calendário. Que pensamento e corpo experimentem o vento da inovação intensiva, da convicção que transforma. "Existem provavelmente muitos homens nos quais um impulso não se tornou soberano: neles não há convicções" (Nietzsche). Precisamos de menos fanatismo e mais convicção: de menos recalque e mais tesão. De menos superego estagnado e mais impulso soberano adiante.
5 comments:
Meu caro Unzuhause,
A potência do acontecimento provém do fato dele não ser histórico e, portanto, não ter datas, as datas deveriam denotar acontecimentos e não fatos. Nesse sentido, elas são mera ficção. Em nome disso, o convido, como você mesmo sugere, a celebrarmos todo o ano de 2008 e não só a virada histórica, mas o devir!
Belíssima colocação, Veronica. E convite aceito! rs Um brinde por um 2008 intenso em acontecimentos.
beijos
Caio lindo, acho que estou precisando de tudo isso que vc disse no final do texto. Até estou em busca de mudanças com passos longos, mas me sinto presa..
em menos de um mês, terminei com o Pablo, vim passar férias na AUS e por aqui ficarei.. a partir do dia 20 de janeiro, estarei um tempo sem meu pai, embora ficarei com meu tio.. minha cabeça está um nó!
sei que preciso disso, sei que é bom e importante pra mim, mas já sinto falta da minha casa, do meu quarto, dos meus bichos..
me sinto Unzuhause nesse momento..
Love,
Para Nietzsche, em A Gaia Ciência, o velho é o bem pois não rompe com a velha tradição e costume. o mal é o novo...
Para Freud, o novo sempre traz resistências...
Quebre as resistências para além do bem e do mal...
Boa sorte.
beijoooooooooooooooooos
Caro Unzuhause
Chamo-me Henrique Matos e sou o pintor do quadro "A Ruptura"
e quero agradecer o facto de ter identificado devidamente a minha pintura presente no seu blog. A ruptura com o materialismo é necessária para se poder atingir a eternidade. Continuação de bons textos filosóficos. Um abraço
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