Johann Carl Loth, Júpiter e Mercúrio hospedados por Filêmon e Báucis (1678)Certo dia, Zeus (Júpiter), o rei do Olimpo, acompanhado de seu fiel e misterioso servo e mensageiro Hermes (Mercúrio), veio visitar o rude mundo dos homens. Mais especificamete, eles foram à Frigia, disfaçados como meros andarilhos.
Bateram de porta em porta, esperando ser acolhidos com uma das maiores virtudes da Grécia antiga, a hospitalidade. Não foi o que aconteceu: os frígios os trataram com indiferença, desprezo, hostilidade.
Quase já desistindo da empreitada, chegaram a uma pobre cabana, morada, há muito tempo, de um casal de velhinhos. Ele, Filêmon. Ela, Báucis.
Ao contrário dos demais, os dois anciãos foram muito atenciosos com os forasteiros, sem saber que se tratava de deuses. Ofereceram água, pão, bolachas e repouso, dizendo que podiam lá ficar quanto quisessem, se, é claro, não se incomodassem com a pobreza do lugar.
Zeus e Hermes então se transfiguraram diante dos olhos atônitos dos velhinhos. E revelaram a condição divina ocultada. E lhes deram, em retribuição, uma oferta: podiam fazer um pedido, qualquer que fosse.
Como se amavam e como sentiam que, mortais, o tempo deles na Terra estava acabando, Filêmon e Báucis pediram apenas isso: que ficassem juntos até o fim, e que morressem juntos, para assim nenhum deles ter o desgosto da morte do outro e da solidão.
Os deuses então os transformaram em duas árvores, que se erguiam, lado a lado, diante do templo em que –por obra dos deuses também- foi convertida a pobre cabana.
Já para os outros frígios, a furiosa recompensa divina foi um dilúvio destruidor, que só poupou aquele novo templo e aquelas duas árvores, sinais do amor eterno de Filêmon e Báucis.
1 comments:
se eu fosse alguma deusa, jamais teria vontade de visitar o mundo subhumano..
bjux
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