Sunday, April 26, 2009

o chicotinho de Lou Salomé


Lou Salomé (de chicotinho), Paul Rée e Friedrich Nietzsche

Num 26 de abril como hoje, só que de 1881, Nietzsche e Lou-Andreas Salomé se encontraram pela primeira vez, em Roma: "De que estrelas caímos para nos encontrar?", disse então o filósofo, mostrando o grau de seu entusiasmo, não só "filosófico", com a fêmea que tinha ante seus olhos. "Uma fêmea pensante?!", indagou-se com seu machismo indisfarçável rs.
De fato, Nietzsche logo percebera estar diante de alguém de uma inteligência excepcional, comparável à sua própria, o que lhe atiçou a expectativa de que sua maldita solidão pudesse então estar chegando ao fim. Teria afinal seus desejos dionisíacos tirados do papel! Construiria enfim a "sociedade secreta" de livres-pensadores à margem do mundo estúpido do rebanho e da universidade corrompida. Porém Nietzsche não podia supor que aquele 26 de abril era o marco não de sua redenção, mas de sua ruína final. Sim, encontrara alguém que materializava, e dava coxas e seios (ainda que pequenos, ao que consta), aos seus devaneios de gênio. Mas isso não significava que dois gênios em si semelhantes estivessem fadados a serem homem e mulher um para o outro.
"Fou de Lou" (louco de Lou, brinca em francês o filósofo Botul), perdidamente apaixonado, miseravelmente barrado em seus anseios de "mysterium coniunctionis" com sua Anima imaginária. Chegou a pedi-la em casamento, isto é, pediu que seu amigo Rée a pedisse em casamento por ele.. estranha estratégia! claro que deu tudo errado, gerou-se um estranho triângulo amoroso, e pior, foi Rée, e não Nietzsche, quem teve a sorte grande de fruir dos favores afetivos daquela destruidora de corações, sobretudo de corações intelectuais.
O insucesso com Lou foi um dos componentes, sem dúvida, da crise que anos mais tarde precipitaria o autor de O Nascimento da Tragédia à demência e ao retorno ao lar e às mulheres que, estas sim, estavam inscritas em seu destino: a mãe e a irmã. Que destino inglório para o Super-Homem da filosofia!
O amor, ou melhor, o desamor, foi sempre sua kriptonita...
Lembro da cena de Super-Homem (o do filme), quando o herói Clark Kent decide abandonar seus superpoderes, tornar-se um mortal comum, para poder casar e ter uma vida "normal" com Lois Lane (Lois? Lou? Loulita? Lolita??). Não dá certo. O mundo precisava era do herói, Lois também o desejava como o herói, e o ex-herói apanha miseravelmente de um bêbado qualquer num boteco, enquanto em Washington os vilões rendiam o presidente dos Estados Unidos. Ao vestir de volta a fantasia, Clark estava fadado a vestir também seu simbólico "cinto de castidade", sua impossibilidade de levar uma vida afetiva e sexual plena. Tem mesmo que ser assim?
Não sei.. mas a tragédia nietzscheana me comove demais. Eu o amo, é um de meus super-heróis, não só na potência de seu ser, mas também na impotência de sua vida. E gostaria muito que ele tivesse tido sorte melhor com Lou.. Que ao invés de sublimar e imaginar que ambos haviam caído de "estrelas", ele deixasse o desejo se levantar literalmente, falicamente, se levantar da terra, e atraísse Lou para, como diz um velho amigo da USP, o saciamento das "necessidades primárias", resolvesse primeiro a perturbação do tesão, pra que depois fosse possível a conversa mais lúcida rsrs. A mulher tende a ser um perigo, e o sexo, um demônio sedutor e fatal, sobretudo para os padres do deserto, não só nos desertos cristãos..

Thursday, April 23, 2009

por que me ufano deste país

"Gilmar Mendes: Vossa Excelência não tem condição de dar lição nenhuma a ninguém aqui.

Joaquim Barbosa: E nem Vossa Excelência. Vossa Excelência me respeite. Vossa Excelência não tem condição alguma. Vossa excelência está destruindo a Justiça deste país e vem agora dar lição de moral em mim! Saia à rua, ministro Gilmar. Saia à rua, faço o que eu faço.

Gilmar: Eu estou na rua.

Joaquim: Vossa Excelência não está na rua não. Vossa Excelência está na mídia, destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro. É isso. Vossa Excelência, quando se dirige a mim, não está falando com os seus capangas do Mato Grosso, ministro Gilmar. O senhor respeite.

Gilmar: Vossa excelência me respeite. Eu te respeito.

Joaquim: Eu digo a mesma coisa. Digo a mesma coisa.

O diálogo acima, travado diante das câmeras, na
sessão vespertina do STF, deu ao plenário da mais alta corte do país uma atmosfera de "boca de fumo".

O Judiciário é uma coisa. A boca de fumo, outra. O Judiciário é a lei. A boca de fumo, o triunfo da ilegalidade.

A ninguém é dado o direito de confundir as duas instituições. Mas os ministros Joaquim Barbosa e Gilmar Mendes permitiram-se fazê-lo.

Os ministros pertencem ao mundo do direito, não ao universo extrajurídico. Porém...

Porém, propiciaram à platéia, na tarde desta quarta (22), uma cena que não condiz com a atmosfera austera do Supremo.

Portaram-se como se trouxessem as barrigas encostadas num balcão de boteco e as mãos no 38.

Reza o bom senso que ministros do STF devem àqueles que lhes pagam os vencimentos, entre outras coisas, um mínimo de compostura.

Se desejam enveredar para o linguajar da boca de fumo, que ao menos abandonem o tratamento cerimonioso.

Doravante, nada de Vossa Excelência. Que se chamem de “você”. Ou, se preferirem, que adotem a nomenclatura própria do meio imprório.

Nos morros, como se sabe, os mandachuvas da ilegalidade chamam-se pelos apelidos: Uê, Flávio Negão, Cabeleira, Metranca, Beira-mar e por aí vai...

Câmara e Senado estão de joelhos. O Supremo flerta com a autoflagelação. Lula deve estar rindo de orelha a orelha".

fonte: BLOG DE JOSIAS DE SOUZA

http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/arch2009-04-19_2009-04-25.html

Tuesday, April 21, 2009

alcova da cova



"Nemo me impune lacessit [Ninguém me provoca impunemente], que aprendi na escola, ecoa ainda nos meus ouvidos. Os antigos sabiam que Eros é um deus inexorável".
SIGMUND FREUD, carta a Jung, a 01/01/1907

"Segundo testemunhos bastante coincidentes de homens e de mulheres orgasticamente potentes, as sensações de prazer são tanto mais fortes, quanto mais lenta, mais doce e harmoniosa é a fricção entre os parceiros, o que pressupõe uma grande capacidade de identificação entre ambos. (...) Num como no outro sexo, o orgasmo é mais intenso quando os máximos das duas excitações genitais coincidem. Isto acontece muito frequentemente nos indivíduos que podem concentrar num companheiro a sua ternura e a sua sensualidade e nele encontram eco; é a regra quando as relações amorosas não são perturbadoras nem a partir do interiores, nem a partir do exterior. (...) A capacidade de concentração momentânea de toda a personalidade na experiência genital, e isto apesar de numerosos obstáculos, tal poderia ser a definição fenomenológica da potência orgástica”.
WILHELM REICH
A Função do Orgasmo (1927)


Alcova, a cova, acordo, a corda, pescoço, sufoco, suplício, sumiço, feitiço, omisso, o poço, sem fundo, do luto, do esforço, sem rumo, destino, desato, desabo, desfeito, defeito, o feito, sensato, as fezes, o peido, escroto, o corpo, fracasso, chumaço, o chumbo, no limbo, deslizo, aliso, carícia, malícia, o medo, rechaço, opaco, o mesmo, ausência, difere, que fere, descuido, escuro, escola, descola, vermelha, o gesso, da nota, calado, alado, no vento, no seco, da mata, incêndio, aceso, da casa, mercúrio, ambíguo, libido, vontade, sentido, a coisa, inerte, inalo, veneno, eu morro, renasço, caminho.

Sunday, April 19, 2009

PRA CIMA DELES CORINGÃO


O jogo começará daqui a cerca de meia hora. A bicharada sem dúvida virá louca pra cima da gente, afinal se trata da gente, e ainda por cima elas estão ressentidas com nossa vitória de domingo, com os dedos de Christian (de fato um gesto que não foi legal, uma arma dada ao inimigo) e com o machucado do Rogério. E inventaram essa porra de regra dos cinco por cento de ingressos pra torcida visitante. São Paulo já era o túmulo do samba, querem fazer daqui o túmulo da bola? Nesse mesmo domingo Maracanã vai estar lindo, elétrico, dividido por duas paixões : o Mengão, parente carioca do Timão pela força do povo, e o Fogão, que tem com a gente a afinidade do sofrimento. E aqui não. A bicharada sozinha no estádio, como se não fosse um clássico que divide a cidade (divide não né, nossa torcida é maior que os bambis e os porcos somados).
Não acordei numa vibe legal (vide o post abaixo), e além disso qualquer jogo do Corinthians me deixa tenso. Que prazer, porém sem graça, ver o jogo de outrem... Pra mim, com a idade, assistir ao Timão foi ficando cada vez mais desgastante emocionalmente. Fazer o quê, meus apetites místicos e passionais são mesmo sem limite, quando encontram no real elementos em que se espelhar. Ou melhor, é do próprio real que acabam vindo os limites, muitas vezes na forma da frustração. Como diria Lukács, o saudável corretivo da realidade sobre os apetites tirânicos da imaginação (muito conhecidos dos filósofos...).
Enfim! Haja o que houver, doendo mais ou doendo menos (e sempre dói mais), estou contigo, amado Timão. Pra cima da bicharada!

enigma


O que leva um vizinho imbecil a tomar o sábado e o domingo não só de si próprio (que se exploda o que ele fizer com todo o seu tempo medíocre), mas os meus e os de todo um prédio? O que o inspira a acordar com a careta de inteligência e de "atitude" para iniciar umaa bosta de uma "reforma" da sua merda de apartamento, reproduzindo no meu teto o lixo de som urbano que tortura os espíritos dessa cidade durante todos os dias da semana, e que supostamente deveria ter no espaço doméstico um alívio momentâneo até o reinício da sessão de tortura "legal" (isto é, até a próxima segunda-feira)?

Thursday, April 16, 2009

prazer em conhecer



Dr. Drauzio Varella

"Um professor de filosofia foi ao sr. K e lhe mostrou sua sabedoria. Depois de um momento, o sr. K. lhe disse: 'Você está sentado de modo incômodo, fala de modo incômodo, pensa incomodamente'. O professor se irritou e disse: ''Não era sobre mim que eu queria saber, mas sobre o conteúdo do que falei'. 'Não tem conteúdo', disse o sr. K. 'Vejo que anda grosseiramente, e não há objetivo que alcance ao andar. Você fala obscuramente, e nada esclarece ao falar. Vendo sua postura, não me interessa o seu objetivo".

Bertolt Brecht
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Belíssimo o encontro de ontem, na livraria Cultura, entre Gilberto Dimenstein, Drauzio Varella e Miguel Nicolelis, a propósito do lançamento do livro Prazer em Conhecer, de que os três são autores. Um livro dedicado a mostrar como o conhecimento pode ser prazeroso e libertador, quando transmitido de uma forma viva, alegre e concreta. O avesso, claro, do que ocorre nas escolas brasileiras.
Não tô a fim de resumir ou reportar o que quer que seja, apenas registrar uma vez mais a minha admiração por essa figura imensa e profunda, que é o dr. Drauzio. Como bem notou Dimenstein, é o maior educador em saúde pública na história do Brasil, até pelo alcance inédito dos meios de comunicação com que o dr. Drauzio conta (tribunas como o maior jornal e a maior rede de TV do país).
Médico ateu militante, para mim um padre do Deus além de Deus... Missionário da vida contra as forças da morte, tem o mesmo olhar dos sacerdotes que fazem de fato pelo bem da humanidade-essa é outra aguda observação de Dimenstein, que estava inspiradíssimo.
Não o vejo como um santinho (não teria alcançado tamanha projeção pessoal se não tivesse pelo menos um pouco do "pecado" da vaidade). Tampouco escuto nele a menor sílaba de blablablá teológico leigo ou religioso, cético ou carola. Blablablá teológico ou "talmudismo" (Reich) seriam todas as formas de fuga do mundo pela conversa fiada.
Dr. Drauzio é um exemplo do que diz o título do seu novo livro, prazer em conhecer. E em levar o conhecimento, estimulando os homens à tomada de consciência contra parasitas criminosos do saneamento básico ou da indústria do cigarro. Ele é um apaixonado da humanidade não "por Cristo", mas enquanto uma causa sem véus, sem ilusões, sem promessas e esperanças abstratas, sem qualquer laivo de tragedismo paralisante, crítico do horror de ideologias que advogam pureza moral mesmo que ao preço da morte de inocentes (discurso do papa Bento XVI sobre Aids na África). Em suma, um apóstolo da vida apesar do sem-sentido dela. Um autêntico e doce dr. Rieux dos nossos amargos tempos de peste.

Tuesday, April 14, 2009

uma rosa respeitosa de um admirador secreto rs

Eu não vou muito com a tua cara rsrs, nem podia, vc cometeu a desfaçatez de ser o maior ídolo da história de nosso mais detestável, arrogante e exibido rival.........Mas secretamente confesso que sou teu fã, pelo bolão que vc bate dentro e fora dos campos. E tenho que confessar também que fiquei muito chateado pela tua contusão de ontem. Que tenhas uma recuperação a mais breve e menos dolorosa possível. Só espero que vc não use de tua inteligência fenomenal para motivar a bambizada domingo contra a gente. Fica em casa, descansa e veja nosso glorioso Timão fazer de novo, como domingo passado (um épico 2 a 1, de virada, aos 48 do segundo tempo, um balaço que vc deve estar procurando a placa ainda agora), o que sempre fez: deixar vocês roxos, ou melhor, rosas de raiva kkkkkkkkk
Um abraço!!

Unzuhause

Sunday, April 12, 2009

contra o zé-nerdismo



O zé-nerdismo é avarento, cobiçoso. O zé-nerdismo é invejoso. O zé-nerdismo é pretensioso, interesseiro. O zé-nerdismo é presepeiro. O zé-nerdismo é malvado, petulante. O zé-nerdismo é sufocante. O zé-nerdismo não é bruxesco, é broxante. O zé-nerdismo é exasperante.
Deus da Vida, Deus libido, neste dia de simbolismos de Ressurreição e Libertação, perdoai-me as tentações zé-nerdistas que são chatos na alma me corroendo e aprisionando, nas horas acomodatícias em que troco o enigma do mundo pela flácida segurança do simulacro de sabedoria.

"Cinzenta, amigo, é toda teoria,
E verde a áurea árvore da vida"
GOETHE

Liberdade
(FERNANDO PESSOA)

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doura
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa.
Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
E mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...

Tuesday, April 07, 2009

mês de São Jorge Guerreiro, o fecha-corpo e padroeiro do Timão rs


Oração ao Glorioso São Jorge (Ogum)

Chagas abertas, Sagrado Coração todo amor e bondade, o sangue do meu senhor Jesus Cristo, no corpo meu se derrame, hoje e sempre. Eu andarei vestido e armado, com as armas de São Jorge.

Para que meus inimigos tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me enxerguem e nem pensamentos eles possam ter, para me fazerem mal.
Armas de fogo o meu corpo não o alcançarão, facas e lanças se quebrarão sem ao meu corpo chegar, cordas e correntes se arrebentarão sem o meu corpo amarrarem.

Jesus Cristo me proteja e me defenda com o poder da sua Santa e divina Graça, a virgem Maria de Nazaré, me cubra com o seu sagrado e divino manto, me protegendo em todas as minhas dores e aflições, e Deus com a sua Divina Misericórdia e grande poder, seja meu defensor contra as maldades e perseguições dos meus inimigos, e o glorioso São Jorge, em nome de Deus, em nome de Maria Nazaré, em nome da falange do Divino Espírito Santo, estenda-me o seu escudo e as suas poderosas anulas defendendo-me com a sua força e como a sua grandeza, do poder dos meus inimigos carnais e espirituais e de todas as suas más influências, e que debaixo das patas do seu fiel ginete, meus inimigos fiquem humildes e submissos a vós, sem se atreverem a ter um olhar sequer que me possa prejudicar.
Assim seja com o poder de Deus e de Jesus e da falange do Divino Espírito Santo.
Amém.

Friday, April 03, 2009

Pôster do dia: ESSE É O CARA!

"O político mais popular da Terra"
(Obama, sobre Lula, ontem na cúpula do G-20)