
Capa de Corintiano Graças a Deus, livro de Dom Paulo Evaristo Arns
Festa da Fiel
Festa da FielAo contrário do que mostra a foto acima, seremos poucos hoje no Beira-Rio, que segundo promessa de um ilustre vagabundo da alta cúpula do Internacional, será um "inferno" para nós. O mesmo ilustríssimo que tratou de antecipar o inferno com manobras absolutamente condenáveis para pressionar a arbitragem do jogo de hoje. Mas de Inferno nós conhecemos. Morremos e renascemos tantas vezes ao longo da nossa história, e sempre sob o estigma do Sofrimento. Se Jesus Cristo não fosse corintiano (e é!! rs), apóstolos maravilhosos dele, como Dom Paulo Evaristo Arns, trataram de sê-lo, nada mais lógico. Não por acaso somos a "Fiel Torcida", a "Gaviões da Fiel". Fiéis como os devotos da missa, dos santos. Há time mais "cristão" em termos de identificação com as massas, com os pobres e com a dor de existir? Com a dor da "paixão" ??
Não há redenção possível sem a dor. Felix culpa, disse santo Agostinho: feliz culpa de Adão, que nos tornou necessitados de redenção tão deliciosa como a de Cristo. Feliz culpa de nascer gauche na vida, loser, humilhado e ofendido, fudido mesmo, para merecer tão simbólica remissão no amor ao Coringão. Não como quem goza com o pau dos outros, mas como quem reencontra no inconsciente coletivo a própria fome de fuder reprimida no inconsciente pessoal.
Voltando à foto, ela mostra um instante de êxtase que daria em seguida lugar à perda: ganhamos ano passado o primeiro jogo da final da Copa do Brasil, contra o Sport, por largos 3 a 1. Mas perdemos o segundo por 2 a 0, o suficiente, dizia o regulamento, para o título ficar em Recife. Hoje a decisão não é lá "em cima", é embaixo: num frio e chuvarento Rio Grande do Sul. E o script começou parecido: ganhamos bem o primeiro jogo.
Por que não um repeteco da tragédia hoje? É a questão e o desejo da segunda maior nação do Brasil (a dos anti-corintianos; a primeira é a dos corintianos). Sim, pode acontecer. O time do Inter é fortíssimo, e mostrou isso inclusive na derrota por 2 a 0 aqui no Pacaembu. Mas quer saber? Estou me lixando. Embora inadmissível para os parâmetros lógicos e éticos de nossos dirigentes (como o imbecil do Internacional), o futebol tem que ser visto como processo, como estrutura, não na mera contingência de resultados pontuais. E o Coringão vive hoje um processo bacana, construtivo, após o desastre do rebaixamento. Esse processo, essa estruturação, é o que mais importa, e tem que continuar, independentemente de ganhar ou perder esta noite. E se ganhar, por favor, nada daquela obsessão babaca de Libertadores (para a qual o vencedor de hoje estará classificado). Sem querer cair em contradição com o que acabei de dizer sobre a importância do processo, não do fortuito, penso que ao invés de se prender a cobiças futuras, importa viver o momento, na derrota ou na vitória. Vivê-lo plenamente, ou seja, corintianamente, no gozo doído das vitórias e derrotas. Claro que será legal ser campeão da Libertadores no ano de nosso centenário (2010), mas o objetivo não pode ser inflacionado a ponto de esmagar o percurso. Título algum pode ser maior do que já somos, nada supera a grandeza essencial de ser Corinthians.
Seremos poucos no Beira-Rio, como dizia no início. E seremos vaiados, hostilizados. Um inferno. Mas o inferninho do Beira-Rio é uma boate vagabunda perto do Inferno que é habitual ao time do povo (quando é que o povo também será um "time", terá consciência de classe?). E é de nosso Inferno, a "beira-rio" do Aqueronte, onde até o Redentor desceu quando de sua "paixão", morte e ressurreição, que estamos torcendo por você, Timão. E o esperando de braços abertos, na vitória ou na derrota, depois de mais uma página linda, gloriosa e sofrida de nossa História, a ser contada e vivida hoje à noite.
VAAAI CORINTHIANS!!!!!!!!!!!!!!!!!!
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