
"Ars totum requirit hominem! (a arte requer o homem inteiro!), exclama um velho alquimista. Justamente é este 'homo totus' que se procura [na psicoterapia]. O esforço do médico, bem como a busca do paciente, perseguem esse 'homem total' oculto e ainda não manifesto, que é também o homem mais amplo e futuro. No entanto, o caminho que leva à totalidade é infelizmente feito de desvios e extravios do destino. Trata-se da 'longissima via', que não é uma reta, mas uma linha que serpenteia, unindo os opostos à maneira do caduceu, senda cujos meandros labirínticos não nos poupam do terror. Nesta via ocorrem as experiências que se consideram de 'difícil acesso'. Poderíamos dizer que elas são inacessíveis por serem dispendiosas, uma vez que exigem de nós o que mais tememos, isto é, a totalidade. Aliás, falamos constantemente sobre ela - sua teorização é interminável-, mas a evitamos na vida real. Prefere-se geralmente cultivar a 'psicologia de compartimentos', onde uma gaveta nada sabe do que a outra contém."
JUNG, C. G.
PSICOLOGIA E ALQUIMIA
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