Thursday, August 20, 2009

20 de agosto, dia de São Bernardo


Recolhi e divulgo abaixo material de internet acerca desta figura extraordinária na história da Igreja cristã, que foi São Bernardo, cuja memória é celebrada a cada 20 de agosto. Se, em seu próprio tempo, a paixão pelo Evangelho se viu culturalmente condicionada a assumir uma forma violenta -Bernardo foi um dos expoentes do movimento das Cruzadas-, ela hoje permite e convida a novos significados e contextos. A intolerância se transmuta na virilidade espiritual, na fidelidade amorosa ao "Nome-do-Pai" que nos protege como a madeira que impede que a boca do crocodilo (a Mãe) se feche e nos engula, para usar a bela imagem de Jacques Lacan. As religiões são elas também criação humana, histórica, portanto ambivalente, sua carga regressiva e repressiva é uma potencialidade má, mas não a única possibilidade; pois seus símbolos arquetípicos, inclusive os de violência, podem ocultar dimensões profundas de paz. Vide o Bhagavad-Gita, cântico sagrado de guerra que, séculos depois, apaixonou e inspirou ninguém menos do que Mahatma Gandhi.
Cristo nos chama, Cristo É chama, fogo sagrado que queima dentro e nos faz insubordinados aos poderes deste mundo. Cristo é um jovem anarquista, é (afora sua dimensão transcendental) um Tolstói da Palestina, ou Tolstói é um Cristo russo, como bem apontado por Nietzsche. Como vemos no filme "Na Natureza Selvagem", o tolstoísmo é extremamente atual e juvenil, não no sentido condescendente que os velhos gostam de nos empurrar goela abaixo ("tadinho, tem ainda as ilusões da juventude, isso passa"). Trata-se isso sim de um espírito libertário essencialmente atemporal, espírito de amor à vida, para além das formas falsas que esta sociedade de merda, e seus papas colaboracionistas, querem -literalmente- vender como verdades eternas. Nessa correnteza libertária das eras entra Bernardo com suas tantas obras e intuições. Com seu ativismo incendiário, que sacudia as estruturas estabelecidas, a Igreja carcomida, e contagiava muitos a seguirem seu caminho novo. Com seu apelo à vida interior -tão necessário em tempos como os nossos, de extroversão doentia na enxurrada de celulares, big-brother, celebridades, msn, orkut, facebook e cacete a quatro. Com seu amor a Deus - para além das idolatrias consumistas que querem nos forçar a pôr no lugar do Criador em nosso coração. E last but not least com sua prática da contemplação espiritual (em sacrifício e superação da subordinação psíquica à mãe pessoal) da Virgem Mãe de Todos.
Bernardo, abençoai-nos e protegei-nos, inspirai sempre novas e mais profundas vocações, amparai-nos como o caule em que podemos nos agarrar sem naufragar, em meio às torrentes e ventanias do tempo em que vivemos.
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O poder de atração deste santo foi extraordinário. Nascido em 1090 no Castelo de Fontaine, próximo de Dijon, o terceiro de seis irmãos, ainda muito jovem decidiu fazer-se monge em Cister. Tescelino, o bom pai de Bernardo, ficou consternado: um após outro, os filhos abandonavam os confortos do castelo para seguir Bernardo: Guido, o primogênito, deixou até a esposa, que também se fez monja. Nissardo, o caçula, também despediu-se do mundo, seguido pela única irmã, Umbelina e pelo tio Gaudry, que despiu a pesada armadura para vestir o hábito branco. Por último também Tescelino pediu para entrar no mosteiro onde estava praticamente toda a família. Um êxodo tão completo como este não se verificou talvez nunca na história da Igreja. E como outros numerosos jovens pedissem para entrar entre os cistercienses, foi necessário fundar outros mosteiros. Disso foi encarregado Bernardo, que deixou Citeaux abraçando uma pesada cruz de madeira e seguido de doze religiosos que cantavam hinos e louvores ao Senhor.O pequeno grupo, após uma longa marcha, fez uma parada num vale bem protegido. O lugar era bom e decidiram se estabelecer aí, após tê-lo batizado com o nome de Claraval. Experientes trabalhadores, como todos os beneditinos, os monges logo levantaram aí cabanas para rezar, para dormir e para comer. A antiga regra beneditina era aí observada com todo o rigor: oração e trabalho, sob a obediência absoluta ao abade. Mas Bernardo preferia os caminhos do coração à rígida norma fixa. “Amemos – ele dizia a seus filhos – e seremos amados. Naqueles que amamos encontraremos repouso, e o mesmo repouso oferecemos a todos os que amamos. Amar em Deus é ter caridade; procurar ser amado por Deus é servir à caridade.” De Claraval, Bernardo expandia a sua luz sobre toda a cristandade. Embora frágil e nunca em ótima saúde, percorreu meia Europa, orientou concílios, pregou uma cruzada à Terra Santa. E depois de laboriosas jornadas retirava-se à cela para escrever obras cheias de otimismo e de doçura, como o Tratado do amor de deus e o Comentário ao Cântico dos Cânticos que é uma declaração de amor a Maria, pela qual tornou-se até autor e compositor, compondo palavras e música, do belíssimo hino Ave Maris Stella. É sua a invocação: “Ó clemente, ó piedosa, ó doce Virgem Maria” da Salve-rainha. Poucos instantes antes da morte, acontecida a 20 de agosto de 1153, assim consolava os seus monges: “Não sei a quem escutar, se o amor dos meus filhos que me querem reter aqui em baixo, ou ao amor do meu Deus que me atrai lá para cima.”Foi chamado por Pio XII “o último dos Padres da Igreja, e não o menor.”

(fonte: http://www.cleofas.com.br/virtual/texto.php?doc=SANTODIA&id=scd0232)

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Ave, Maris Stella

(São Bernardo de Claraval)


Ave, Maris Stella,

Ave, do mar Estrela

Dei mater alma,

De Deus mãe bela,

Atque semper Virgo,

Sempre virgem, da morada

Felix caeli porta.

Celeste Feliz entrada.

Sumens illud

Ave,Ó tu que ouviste da boca

Gabrielis ore,

Do anjo a saudação;

Funda nos in pace

Dá-nos a paz e quietação;

Mutans Evae nomen.

E o nome da Eva troca.

Solve vincla reis,

As prisões aos réus desata.

Profer lumen caecis,

E a nós cegos alumia;

Mala nostra pelle,

De tudo que nos maltrata

Bona cuncta posce.

Nos livra, o bem nos granjeia.

Monstra te esse Matrem,

Ostenta que és mãe, fazendo

Sumat per te preces,

Que os rogos do povo seu

Qui pro nobis natus

Ouça aquele que, nascendo

Tulit esse tuus.

Por nós, quis ser filho teu.

Virgo singularis,

Ó virgem especiosa,

Inter omnes mitis,

Toda cheia de ternura,

Nos, culpis solutos,

Extintos nossos pecados

Mites fac et castos.

Dá-nos pureza e bravura,

Vitam praesta puram,

Dá-nos uma vida pura,

Iter para tutum:

Põe-nos em vida segura,

Ut, videntes Jesum,

Para que a Jesus gozemos,

Semper collaetemur.

E sempre nos alegremos.
Sit laus Deo Patri,

A Deus Pai veneremos,

Summo Christo decus

A Jesus Cristo também,

Spiritui Sancto,

E ao Espírito Santo; demos

Tribus honor unus. Amen.

Aos três um louvor. Amém.

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