
Me sinto como Jonas no ventre da baleia: mas sem deuses a que rezar por salvações. Como diz a Bel rs, Deus sou eu, os eus de D-eus: plenitude e horrores do Ser. A baleia também sou eu: a preguiça no sendo. Todos os confortos que me protegem e embalam são também modos de fugir da vida, da cidade da profecia. Algo em mim quer o pasto do conformismo e do anonimato.
Farejo fora da baleia mas tudo o que minhas narinas vêem é um mar poluído, superpovoado de vazios, repleto de solidões que se acotovelam e ligam suas células e celulares a jogos vãos e esperas estéreis.
Restos de outdoor sorridentes são o único rastro de luz na praça infecta da atlântida arruinada.
Por que quando caminho no desejo sinto dar voltas, no mínimo elipses, em torno a algo opaco, inseguro e insuficiente, em mim, em todas as linhas retas do que eu fale, pense e aspire? Por que um caminho tão instável? Fraqueza do desejo, como quer o padre na margem de cá, ou fraqueza no desejar, como berra o beberrão na margem de lá? E a terceira margem? E o sim sem imagem?
Jonas, sai da baleia, a mãe é mais um orixá! Corta o cordão das bolsas temporárias do Canguru eterno! Lennon já avisou, o sonho acabou, junto com o tempo incestuoso dos sonhadores de Bertolucci, rumo agora são exogamias da alma, tempo de despertar, hora de pegar em armas e lutar.
1 comments:
Não assinei contrato nenhum, mas estou preso dentro da baleia. As correntes cujos elos nós mesmos unimos são as mais difíceis de quebrar… besides, this here whale belly is damn confortable!
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