Marilena ChauiMinha Nossa Senhora da Filosofia...amo-te tanto, Mulher-colosso, amo-te com a angústia de quem ama, porque quem ama é refém de algo que transborda e escapa de toda reles capacidade de apreensão do amado pelo amador... ao invés de apreender, fico apreendido, fico apreensivo, inquieto, querendo ser Super-Homem o bastante pra parar o tempo, reverter a sina, girar a Terra ao contrário e assim poder estar no banco escolar ou nas barricadas da Maria Antônia, onde fosse, mas ao teu lado, engajado nas tuas lutas, lutas que mais que tuas, são da Humanidade, mas que graças a ti ficam mais belas, mais densas, mais dignas de nosso suor e sangue.
Ao te escutar, me vem à mente um misto de delícia pelo privilégio, mas de carência, que ligo, por livre associação, sem base "científica", à etimologia (que muitos linguistas detestam e contestam) de "aluno" como ente "sem-luz" , segundo o sentido de negação da partícula "a".
Sim, "a-luno" sem luz porque esmagado pelo sentimento de te dividir com sombras de multidões outras de admiradores "alunos"... e como meu amar é egoísta, como meu amar é ciumento e caprichoso!! rsrsrs. Porque os holofotes, não os da vaidade tola, mas os da hosana espinosana da alegria de ser, incidem sobre ti, fazem da tua aula palco, acontecimento, rito, e minha ânsia de ator salta na boca querendo que as coisas que tu dizes se transmutassem em carne, incêndio e ação, e que eu estivesse nesses enredos, enredado ardente nas batalhas e engajamentos que afinal dão sentido e espessura histórica à figura (hoje tão desgastada, banalizada, quando não folclorizada pelo servilismo fácil e chacrinha) do intelectual.
Te assistir é como assistir a Zé Celso Martinez Correa, não é teatro, é "te-ato", me ata, me amarra e me arrasta, mexe com meu corpo, desvela uma cidadania de alma que contudo não é minha, "só" minha, não existe na privatividade do ego privado (privado "de"..., despossuído). Minha interioridade agostiniana sangra no furo da angústia, me descubro fora de mim, numa cena coletiva de que infelizmente nunca dei muita sorte de participar com felicidade, "cidadão" privado que sou num aion pessoal e coletivo de isolamentos, pânicos privados e temíveis massas barulhentas e caóticas de gente e coisas. Entre o estar privado de público e a privada pública, a política é sufocada, degenera na fedorenta politicagem miúda dos pavões apavorados, e com o fim da política se esvai a vocação (chamamento) do ser a se realizar em ato. Te-ato.
Fico então num silêncio e numa virtualidade que correm a descarregar suas tensões no refúgio do mais ler, do mais escrever, calado, até porque qualquer coisa que eu dissesse, no espetáculo de tua presença, seria apofaticamente um desperdício. Fazer "perguntas" a ti numa sala de aula, numa palestra, sempre me parece algo completamente supérfluo, como quem quebrasse o magnetismo do Sagrado. Não por alguma intolerância tua em responder, mas simplesmente porque já nos lançaste, quando chegado o momento protocolar das perguntas, a outra dimensão de questionamentos e perplexidades, que a mera linguagem banal de nossas imaturidades "alunas" só faria apequenar.
Amo-te Marilena. Que Deus te preserve sempre em saúde e pujança de alma e de corpo, e que eu tenha (ou melhor, hospede) o mais possível tais dons pra ser-te fiel, sempre "aluno" ante ti, mas emissário da Luz que és tu mas que não é só tua, e que eu possa fazer pão e peixes das migalhas de sabedoria que eu mereça recolher de ti e deste banquete socrático de que fazes parte junto ao seleto grupo dos grandes da História.
2 comments:
Oi caríssimo, como vai?
Escrevo para comunicar que inseri sua entrevista novamente no blog e creio que agora você conseguirá acessá-la, pois está mais simples. Ela continua no link à esquerda do blog, agora leva seu nome também e no Post sobre o Torrano. Basta fazer uma pesquisa pelo blog que você encontrará...
Bjs
eu acho que vc sente por ela , o mesmo que senti quando vi uma palestra do roberto damatta e uma do thiago de mello! tava dando uma olhadinha aqui e vi tantas coisas por aqui que tambem gosto...
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