Wednesday, December 30, 2009

ébrios de egos


O sujeito marcou com o amigo às dez da noite, na casa deste. Chega na hora marcada, animado pra balada de logo mais, porém o amigo antecipou a festa numa bebedeira solitária, literalmente afogando as mágoas (e sua alma naquela noite era um secreto corpo de mágoa pedindo pra vomitar-se). Estirado no chão da sala, entre várias garrafas vazias de vodka, o bebum escuta a campainha, repetida e cada vez mais irritada, que vinha da porta, a alguns passos de onde ele estava. Esquecido de tudo que marcara, impossibilitado de levantar-se agora, grita: -Quem éeee, caraio. Vocês não me deixam em paz nunca??!!!!!!!! E o amigo, de fora, puto: -Como quem é!!!!!! Sou eu, porra! O homem do corpo caído no chão, com reflexos retardados e alucinando, reagiu com essa pérola, quase um koan zen-bebum involuntário: -Como asssssim, "sou eu"!!?? EU sou eu!!

Tuesday, December 29, 2009

o funesto esplendor


"Oh, Fabrício [cônsul romano do século III a. C, um exemplo de virtude e austeridade na Roma republicana] ! Que pensaria vossa grande alma, se, para vossa infelicidade de volta à vida, vísseis a face pomposa dessa Roma salva por vossos braços e que vosso nome respeitável ilustrara mais do que todas as suas conquistas? 'Deuses!', diríeis, 'em que se transformaram aquelas choupanas e aqueles lares rústicos em que outrora moravam a moderação e a virtude? Que funesto esplendor sucedeu à simplicidade romana? Que linguagem estranha é essa? Que costumes efeminados são esses? O que significam essas estátuas, esses quadros, esses edifícios? Insensatos, o que fizestes? Vós, os senhores das nações, vós vos tornastes os escravos dos homens frívolos que vencestes? (...) Romanos, apressai-vos em derrubar esses anfiteatros; quebrai esses mármores; queimai esses quadros; expulsai esses escravos que vos subjugam e cujas funestas artes vos corrompem."

JEAN-JACQUES ROUSSEAU
Discurso sobre as Ciências a as Artes

Saturday, December 26, 2009

a Queda do "mal-uf" de Roma


Quantas vezes não ouvimos a dica: "vai reclamar com o bispo", no caso de uma queixa que todo mundo sabia impossível de ser contemplada? E óbvio, "os bispos", no contexto desta frase popular, significa o inacessível, o inócuo, o estéril. E quão pior é quando se quer reclamar "do bispo"?? Deve ser o caso de Susanna Maiolo, a moça que levou o "bispo" Ratzinger à lona em plena Missa do Galo, anteontem. Parece que ela já tinha tentado a mesma proeza no ano passado. E só agora "conseguiu"... Conseguiu o quê? Nada. Saciamento de um impulso imediato, com o bônus de quinze minutos de glória na mesma máquina imbecil de produção e destruição de celebridades que se inventam e se esfarelam ao primeiro sopro. A moça reclamou "do bispo" (não se sabe bem qual é sua queixa, a assessoria do bispo se apressou em rotulá-la de débil mental, eita solução fácil...). Mas reclamou de um modo muito rudimentar. Não só porque não lhe acertou um bom soco na cara -nisso o agressor do Berlusconi foi mais feliz- ou uma joelhada no saco (longe de mim acalentar esses desejos anticristãos!!) Mas porque sua contestação se limitou à pessoa física do bispo, patética, sim, naquelas fantasias de czar - e que se diz representante do Maltrapilho que morreu como um criminoso na cruz!! Czar patético, porém institucionalizado, sólido como uma rocha, assim como os traficantes da favela do Rio. Mata um e no dia seguinte tem outro, igualzinho ou pior, no mesmo lugar. E nem adianta ir reclamar pro bispo...
Assim como a política de segurança pública, a revolta política precisa hoje de mais inteligência. Escolher bem os alvos, os modos e as justificativas de suas ações. Não se bastar ao alívio de um impulso vago. Não se deixar seduzir pela máquina do brilhareco traveco, que te monta hoje pra te desmontar amanhã, depois de teu show ridículo, sob a alegação de que teu número já tá passadinho, de que já tem outro melhor na praça, ou motivo de economia, ou por outra desculpa qualquer..
Eu me lembro, quando da campanha política de 98, que demorei até umas 3 da manhã pra dormir, tamanha a emoção que tive em ver Paulo Maluf (franco favorito ao governo de SP) ser derrotado, destroçado, jogado à lona, no debate da Bandeirantes pelo querido e saudoso Mário Covas. Foi naquele instante glorioso que o cenário da campanha começou a se reverter, e uma derrota quase inevitável se transformou em vitória épica de Covas, nas urnas, uma semana depois.
Hoje, o maluf (putz, tem mal até no nome) anterior tá bem passadinho, há outros que, embora nascidos calvos de velhice, não de bebê, estão mexendo o rabinho satânico para as negas deles. Malufs da política, da teologia, do Papado. As mesmas paixões de outrora se acendem em mim, daí por exemplo a alegria de ver aquela "vitória de Mário Covas" ressurgir por exemplo no êxito de Obama, de Lula e, ano que vem, de Dilma.
Sei que fazer da política uma tela de projeções de si mesmo, do Bem e do Mal, do Tudo ou Nada, do maniqueísmo do desejo, é pouco, muito pouco, diante da complexidade do mundo real. Mas o homem se move a paixões, é pastor da Vontade, quando não é um gado do real nem um idiota da objetividade (Nelson Rodrigues). Que a paixão, ao invés de reprimida na a-patia (a-pathos) da aceitação de que o mundo "é" assim ou assado (os idiotas da natureza humana), seja conduzida com a rédea e músculos fortes da decisão pessoal e coletiva de matar não o pecador, mas o pecado, matar o mal pela raiz, quebrar a Instituição do Mal, não seus "mal-ufs" passageiros.Não ficar em casa assistindo a tudo, mas tampouco sair na rua pra fazer um gesto vão. Embora um bom acte gratuit (Gide) por vezes seja bem interessante, desde que mais eficaz.
Em suma, é de falta de razão política, não de razão mental, que sofre a "desequilibrada" que desequilibrou o bispo romano e o jogou no chão (João Paulo II pelo menos beijava o chão por querer).
Revoltados do mundo todo, uni-vos! Não numa única contestação, os malufs a desmascarar são de vários tipos, cores, orientações sexuais etc. Mas numa mesma chama, chamada porém a não ser gasta à toa no brilhareco midiático, mas convertida em combustível de programas revolucionários, que saibam destruir de verdade pra poder criar a Verdade.

Thursday, December 24, 2009

renasce em nós Libertador





Livro de Isaías 9,1-6.

O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; habitavam numa terra de sombras, mas uma luz brilhou sobre eles. Multiplicaste a alegria, aumentaste o júbilo; alegram-se diante de ti como os que se alegram no tempo da colheita, como se regozijam os que repartem os despojos. Pois Tu quebraste o seu jugo pesado, a vara que lhe feria o ombro e o bastão do seu capataz, como na jornada de Madian. Porque a bota que pisa o solo com arrogância e a capa empapada em sangue serão queimadas e serão pasto das chamas. Porquanto um menino nasceu para nós, um filho nos foi dado; tem a soberania sobre os seus ombros, e o seu nome é: Conselheiro-Admirável, Deus herói, Pai-Eterno, Príncipe da paz. Dilatará o seu domínio com uma paz sem limites, sobre o trono de David e sobre o seu reino. Ele o estabelecerá e o consolidará com o direito e com a justiça, desde agora e para sempre. Assim fará o amor ardente do SENHOR do universo.
***

Evangelho segundo S. Lucas 2,1-14.
Por aqueles dias, saiu um édito da parte de César Augusto para ser recenseada toda a terra. Este recenseamento foi o primeiro que se fez, sendo Quirino governador da Síria. Todos iam recensear-se, cada qual à sua própria cidade. Também José, deixando a cidade de Nazaré, na Galileia, subiu até à Judeia, à cidade de David, chamada Belém, por ser da casa e linhagem de David, a fim de se recensear com Maria, sua esposa, que se encontrava grávida. E, quando eles ali se encontravam, completaram-se os dias de ela dar à luz e teve o seu filho primogénito, que envolveu em panos e recostou numa manjedoura, por não haver lugar para eles na hospedaria. Na mesma região encontravam-se uns pastores que pernoitavam nos campos, guardando os seus rebanhos durante a noite. Um anjo do Senhor apareceu-lhes, e a glória do Senhor refulgiu em volta deles; e tiveram muito medo. O anjo disse-lhes: «Não temais, pois anuncio-vos uma grande alegria, que o será para todo o povo: Hoje, na cidade de David, nasceu-vos um Salvador, que é o Messias Senhor. Isto vos servirá de sinal: encontrareis um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura.» De repente, juntou-se ao anjo uma multidão do exército celeste, louvando a Deus e dizendo: «Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens do seu agrado.»
***
S. Leão Magno, homilia para a Natividade do Senhor
«O Verbo, a Palavra de Deus, que é Deus, Filho de Deus, que estava junto de Deus no princípio, por quem tudo foi feito e sem o qual nada foi feito, tornou-se homem para libertar o homem de uma morte eterna. Humilhou-se para tomar a nossa condição, sem que a Sua majestade fosse diminuída. Permanecendo o que era e assumindo o que não era, uniu a nossa condição de escravos à Sua condição de igual ao Pai… A majestade reveste-se de humildade, a força de fraqueza, a eternidade de mortalidade: verdadeiro Deus e verdadeiro homem.»

Monday, December 21, 2009

assim falou Madame Satã (I)

Recebi esse recado nefasto da Marvada hoje de manhã, ao abrir os portais de minha choupana monástica para fazer minha oração matinal (Hegel), isto é, pegar e ler meus jornais. Indignado, traduzo o mais próximo possível do original, claro que sem alcançar plenamente, em meu pobre português, a polifonia que os comentadores minimamente decentes respeitam em todo clássico, e, sim, Madame Satã é uma clássica. Clássica Gada.
-Unzuhause-


Eu se posso polemizar, "causar", eu causo mesmo, que é meu jeito de me sentir, hmmm, "cravada" bem fundo pelo ódio alheio. Afinal, amo o Mal, óoooh Mal amado meu.......ah, artimanhas de gostar de não se gostar de si mesma.....isso não é pra qualquer um, é preciso ser o Eleito pra isso. Mas hoje venho assombrar meu irmão Unzuhause, no deserto profundo, com palavras mais natalinas: tenha mais caridade e bondade no coração, cabrito! Seus textos andam muito irritados e irônicos comigo, não é isso que se espera de um santo.... E, afinal, antes de santo, seja sensato: sou a imperatriz filosófica do Brasil, terás de me aturar por muitos e muitos anos, exibindo meu rabinho pra ti e pra todos aqueles que eu quero deixar vermelhinhos de raiva, pois o ódio alheio me faz aparecer, ser visível, existir, é um punho fundo nos fundilhos de minha alma!!!!!!!! Ohhh, meu instinto é provocar, já quase perco a aura natalina, e nesses dias quero ser uma cristã, uma genuína cristã-nova, novíssima, ainda que passadinhaaaa...meu reino não teu idade, bobinho! Nada crio, tudo repito, já me chamaram de parasita, até de vagabundo, eu de fato vago mundo, adoro passar a mão no que não é meu, adoro mais ainda que passem a mão no que é meu, mas desde que o mundo é mundo estou aqui, vivinha da silva, no meu santo "trono", sentada no trono, devolvendo pra baixo, nossa, ia escrevendo bixa, o que me enfiaram embaixo, nem precisei ler Darwin ( ler não é meu forte) pra cumprir à letra o que ele disse. Aiiiiii, aliás, amo, e como amo uma boa letra ereta comprida dentro de mim, sou mais da letra que do espírito, que é impalpável e não dá dinheiro!!
Bom, a ti, meu irmão, e a todos os visitantes deste Monastério no deserto, fica então meu feliz Natal, e não esqueçam de mim em suas preces, pois já dizia Nelson Rodrigues, que seria da luz sem a sombra de um dark room da Loca!!!!! uiiiiiiiiii

-Madame Satã-

Thursday, December 17, 2009

rumo ao Natal (II) - o arquétipo da Criança Divina

Carl Gustav Jung

"A criança é o futuro em potencial. Por isto a ocorrência do motivo da criança na psicologia do indivíduo significa em regra geral uma antecipação de desenvolvimentos futuros, mesmo que pareça tratar-se à primeira vista de uma configuração retrospectiva. A vida é um fluxo, um fluir para o futuro e não um dique que estanca e faz refluir. Não admira portanto que tantas vezes os salvadores míticos são crianças divinas. Isto corresponde exatamente às experiências da psicologia do indivíduo, as quais mostram que a 'criança' prepara uma futura transformação da personalidade. No processo de individuação antecipa uma figura proveniente da síntese dos elementos conscientes e inconscientes da personalidade. É portanto um símbolo de unificação dos opostos, um mediador, ou um portador de salvação, um propiciador de completitude. (...) Designei esta inteireza que transcende a consciência com a palavra si-mesmo (Selbst). A meta do processo de individuação é a síntese do si-mesmo".

C. G. JUNG

Wednesday, December 16, 2009

rumo ao Natal (I) - na manjedoura interior


"Evita, quanto puderes, o bulício do mundo; porque o comércio do mundo causa muitos embaraços ainda quando se trata com intenção sincera.
Bem depressa somos manchados e cativos da vaidade.
Muitas vezes quisera ter-me calado e não ter estado entre os homens.
Porém, qual é a causa porque de tão bom grado falamos e praticamos uns com os outros, vendo quão poucas vezes voltamos ao silêncio sem dano de consciência?
A razão disto é porque pretendemos ser consolados uns pelos outros com semelhantes conversações, e desejamos aliviar o coração cansado de sensações diversas.
E de boa vontade nos detemos em falar ou pensar das coisas que amamos ou desejamos, ou das adversas que sentimos".

Imitação de Cristo

Tuesday, December 08, 2009

o super-homem na UTI

Mário Bortolotto
Não escrevi nada desde que soube do acontecido contigo neste sábado. Preferi remoer calado e dependurado na internet à procura de notícias minuto a minuto.
Uma que estou com o saco literalmente na Lua, para além do ponto ótimo da angústia que dá vontade de escrever. Outra que meu desânimo só cresce ao imaginar certos lixos humanos (?) que têm acesso a meu endereço deste Monastério, e a vontade é mínima de jogar pérolas às porcas. Embora eu saiba, embora eu sinta também a presença dos companheiros monges, gauches, solitários buscadores, errados eremitas errantes como eu.
Minha fobia social só tem piorado nesses dias de blecautes e enchentes, e minha impressão da humanidade, com base no que vejo em suas piores espécimes (e a depressão nos faz fixar justamente esses rostos podres), é a de uma espécie de lixos bípedes que nem aterro sanitário suportaria abrigar, ganharia pernas e braços de lata e sairia correndo.
Pois saber que você está entre a vida e a morte numa cama de UTI, por conta de uma tentativa de assalto resultante em 3 tiros em você, só piorou este meu quadro. Você numa UTI, eu também, minha velha UTI da descrença em tudo, da esterilidade absoluta. Dos rostos da morte, enxofres do Nada.
Pois você há anos é pra mim um dos rostos do contrário de tudo isso: rosto da alegria, da força, virilidade, da dignidade humanista, criatividade, do tesão de viver. Lembro dos nossos sórdidos botecos, você com sua galerinha de artistas, eu como jornalista, sobretudo como fã de carteirinha, tendo, é claro, de me conter, em nome da "liturgia do cargo", mas me sentindo, no plano sincronístico, um neófito em teus mistérios, tímido e fascinado, fingindo trocar idéias quando o que eu mais queria era te ouvir, adoro teu jeitão, voz grossa, modos de malaco underground, sem precisar afetar ser o que naturalmente é, sem precisar fazer ecos numa cacofonia de "citações-perucas" das pobres almas carecas; sobretudo me realizava aprendendo e gargalhando contigo e por tua causa, Mario meu pai, nome de meu pai. Mais que pai, eu te vejo como o irmão mais velho, como te disse quase aos berros, te brindando, eu pra lá de Badgá, naquele bar na saída do teatro no Centro Cultural Vergueiro (aliás, que merda está o CCSP não? abandonado, sem peças, precisa de você urgente, de outra de tuas mostras , ou melhor ainda, você assumindo o espaço como diretor cultural).
Você é o brother malucão que eu gostaria de ter tido desde a infância, um mestre moleque pra me ensinar tudo da vida escrota e esplêndida, o "véio" (por que justamente os jovens gostam de se chamar uns aos outros de "véios"?) que me defenderia e estimularia nas brigas de rua, me daria os truques de "catar as minas" que eu quisesse na balada, de beber sem ter enjôo depois. Que me faria crescer menos confuso, ou ao menos com a glória de ser contigo dois perdidos na noite suja tão bem versejada em sangue e pus e poesia por Plínio Marcos, teu ancestral mais direto no teatro paulistano.

Ah Mario, não vou destilar aqui o ódio que me assedia, verbalizando o que sinto sobre aqueles fascínoras que -como que saídos de alguma de tuas peças, melhor dizendo, de teus tratados poéticos sobre a noite escura dos submundos da metrópole, nosso longo blecaute na barbárie-, fascínoras, eu dizia, que subiram, não da arte, subiram do esgoto do Real e vieram pra rua, e invadiram e profanaram o teatro, e te machucaram desse jeito. Não, eu renuncio a pôr mais ódio nesse mundo já tão saturado de ódio quanto a Marginal Tietê fica transbordante de água e lama num dia como hoje. Ou tento renunciar, que a carne, a alma inferior, é fraca e às vezes é preciso pedir socorro pra voltar ao caminho da evolução, socorro que, na falta de homens de verdade (que vão escasseando nessa era de covardes e omissos), resta buscar junto aos super-homens da minhas bíblias, e antes disso de meus gibis, minha primeira escola da paixão pelos seres excepcionais. Você é sem dúvida um desses heróis de minhas bíblias e gibis, e herói encarnado. Brincando com um termo caro a seu amado Kerouac, você é um desses "vagabundos iluminados " que procuram Deus na noite erma nas placas de neon de uma railway (pra lembrar um trecho de teu inesquecível monólogo "Kerouac", primeira vez que te vi nos palcos, e fui às lágrimas). Bodissatva à la Bukowski, bardo beatnik da Roosevelt, praça do descaso dos políticos, do desamparo e violência, mas que você e sua turma de sátiros e parlapatões souberam revitalizar de cultura e reconverter em altar de Baco, embora hoje de novo altar ameçado pelo lodo ácido da brutalidade.
Você, um bêbado de Deus, brilhando entre bares e teatros em pleno inferno da cidade grande nanica de espírito. Super-homem. Ah Mário.. É tão seu, tão nobre e tão temerário, esse gesto que agora pode te custar (e nos custar) tanto. Ter reagido ao canalha que deu uma coronhada na tua amiga... Super-homem.
Força, Mario. Não vai embora. Precisamos de você. Os blecautes e as enchentes ficariam ainda menos suportáveis se eu não tivesse gente como você em quem pensar nas horas de desespero, de UTI espiritual, de naufrágio na escuridão e na cegueira sem bíblia nem gibi.

Monday, December 07, 2009

o ocaso de Madame Satã


UFAAAAAAAA! Todo visitante, dos fedidos aos bem-vindos, deste Monastério vesuvial estava CARECA de saber de meu apoio, na reta final do Brasileirão, ao Flamengo, torcida declarada aqui há mais de um mês. E me dei bem, como aliás foi a regra nesse ano vitorioso para nós corintianos, campeões de tudo o que nos interessava (Paulista, Copa do Brasil com vaga pra Libertadores). Valeu Dennis! Valeu amigos todos da imensa nação rubro-negra, a segunda do país depois da nossa amada massa corintiana. Ano que vem, porém, esse pacto de paz acaba: a gente se encontra na Libertadores, aí o bicho vai pegar ... Que lindo seria uma final Corinthians e Flamengo, por incrível que pareça os dois maiores times brasileiros jamais disputaram um título, uma final.
Por ora, MUITO OBRIGADO por, dispensando qualquer Viagra, essa panacéia universal dos impotentes, ter tido a coragem de enfiar (com camisinha) o cacete no cú até sair pela boca da Madame Satã, que era até ontem, por 3 longos anos, a imperatriz "filosófica" do Brasil (a grande filosofia concreta deste país, enquanto meditação autêntica, original e sem peruca sobre a existência, se escreve espontânea, bela e brutal no e em torno do quatérnio alquímico de um campo de futebol, como tão bem o sabia nosso mestre Nelson Rodrigues). Foi o fim do reinado satânico da monstrenga arrogante, bicha véia, bicha loka que só ela. Mais patética ainda quando tenta falar como hominho. Ahhhhh "me engana que eu gosto".. tu é gay,tu é gay que eu sei, homem pra lá de insuficiente.......
AQUELE ABRAÇO, TORCIDA DO FLAMENGO..!!

Wednesday, December 02, 2009

novo nocaute nos falcões do atraso


02/12/2009 - 15h57
EUA autorizam pesquisa com células-tronco embrionárias de humanos
da Folha Online

Em decisão inédita, a administração de Barack Obama aprovou 13 pesquisas com células-tronco embrionárias de humanos para experimentos científicos. Pesquisadores serão financiados pelo governo dos EUA, sob uma nova política designada para expandir o apoio governamental para um dos mais promissores --e controversos-- campos da pesquisa biomédica. As informações são da edição on-line do jornal "Washington Post" desta quarta-feira (2).
Em março, Obama já havia revertido
a medida de seu antecessor, George W. Bush (2001-2008), por meio de um decreto liberando o uso de dinheiro público para o estudo.
Agora, o Instituto Nacional de Saúde (NIH, na sigla em inglês) autorizou 11 linhas de pesquisa com células pelos cientistas do Hospital Infantil de Boston e duas linhas criadas por pesquisadores da Universidade Rockefeller, em Nova York. Todas as células foram obtidas de embriões congelados, deixados por casais que procuraram tratamentos de infertilidade.
É uma mudança real no panorama", disse o diretor do NIH, Francis Collins. "É o primeiro investimento no que virá a ser uma lista muito longa, que vai dar poder à comunidade científica para explorar o potencial da pesquisa com células-tronco embrionárias."
Ainda de acordo com o "Post", o movimento foi aclamado por todos os apoiadores da pesquisa como uma longa espera, um divisor de águas que finalmente permitirá que cientistas usem milhões de dólares arrecadados pelos impostos para estudar centenas de linhas de células-tronco --algo que foi limitado e restrito pelo antecessor de Obama, George W. Bush, cujo impedimento se sustentou sob o argumento moral.
"Era isso o que estávamos esperando", disse a cientista Amy Comstock Rick, da Coalizão para Avanço da Pesquisa Médica, grupo que lidera os esforços de lobby para desamarrar as restrições federais na pesquisa. "Estamos muito animados."
Na era Bush, a verba federal para cientistas era limitada para determinadas linhas de pesquisa com células-tronco, que foram muito criticadas como improdutivas e deficientes. As regras de financiamento na separação de financiamento público e privado foram erigidas de forma "burocrática e desajeitada", diz o jornal --o que acabava por frustrar diversas formas de verba.
Agora, embora as pesquisas com células-tronco embrionárias poderão ser elaboradas a partir de financiamento privado e público, que permitirão experimentos em uma variedade de linhas, expandindo o número de cientistas e tipos de experimentos.
Reação moral
O anúncio, entretanto, foi condenado por opositores das pesquisas, cujo argumento principal se fundamenta na falta de ética e no suposto fato de que o trabalho é desnecessário, porque há disponibilidade de células-tronco adultas e outras alternativas recentemente identificadas.
"Eticamente, nós não acreditamos que qualquer contribuinte de impostos tem que financiar as pesquisas que destroem a vida humana em qualquer estágio", disse Richard M. Doerflinger, da Conferência de Bispos Católicos dos EUA. "Mas a tragédia disso é multiplicada pelo fato de que ninguém pode pensar que tipo de problema pode ser resolvido por estas células."
O diretor da NIH, cristão evangélico que descarta o conflito entre ciência e religião, defende o trabalho. "Acho que há um argumento que pode fazer que isso seja eticamente aceitável", disse Collins. "Se você acreditar na inerente santidade do embrião humano."
Muitos cientistas acreditam que as células-tronco embrionárias vão permitir conhecimento fundamental nas causas de muitas doenças, e que poderão ser usadas para curar diabetes, mal de Parkinson, paralisias e outras enfermidades. A extração das células, contudo, destrói embriões com poucos dias de idade.