Friday, May 28, 2010

per crucem ad rosam (I)



Nostalgia Bem AventuradaNão o digas a ninguém, exceto aos sábios,
Pois a multidão está sempre pronta para ridicularizar.
Eu quero louvar o ser vivente
Que aspira morrer na chama.

No frescor das noites de amor,
Onde recebes e doas tua vida,
Um sentimento estranho te arrebata,
Quando brilha o archote imóvel.

Não mais permaneces encerrado
Na tenebrosa sombra;
E um desejo vivo te arrebata,
Rumo a mais elevados esponsais.

Nenhuma distância te faz hesitar,
Tu acorres a voar, fascinado pela chama.
E, finalmente, amante da luz,
Ó borboleta! – Eis que és consumida!

Enquanto não tiveres compreendido
Este “Morre e transforma-te!”
Não passarás de um obscuro passante
Sobre a terra tenebrosa.


GOETHE

Monday, May 24, 2010

no patinete de Antunes Filho


Seguem, abaixo, palavras que me foram confidenciadas por dileta amiga, que convive de perto com Antunes Filho, e que, em sua jornada mitológica pessoal, está sendo chamada a novos feitos, e se lançando a novos vôos, ou melhor, a novos passeios de patinete, seguindo na trilha da linda metáfora do velho Mestre. Despojamento sempre! Fidelidade apenas ao essencial das coisas, ao númeno da vida, sem a obsessão que por si mesma é sempre sujeição aos fenômenos passageiros do Teatro da Grande Ilusão. 
-Unzuhause-
***
" Odeio ter 80 anos. Odeio a velhice. O que eu gosto não é da experiência teatral, é da experiência humana que tenho por causa do teatro. Não me interessa nem o teatro. Teatro é um meio, não um fim. A vida para mim é tudo, é fundamental. Adoro o movimento da vida. O teatro é só o veículo que eu encontrei, é o meu patinete."

ANTUNES FILHO

Wednesday, May 19, 2010

a traição dos intelectuais


Luiz Gonzaga Belluzzo, presidente do "Parmera"

Fico triste -é sincero! rsrs- com o que está acontecendo com o Palmeiras. Desde os tempos de jornalzinho amador que eu grudava na porta do quarto do meu tio, para azucriná-lo em dias (tão frequentes rs) de derrota de seu "Parmera", eu sei bem o quanto é gostosa a rivalidade, quando vivida com humor, com honestidade, com o sentimento de que no rival não está a imagem do que nos mata, do que nos ultrapassa, nos "derrota", mas sim a realidade que nos acrescenta, eu diria outrora, nos "completa", mas começo a cansar de meus sonhos de completude... Faltoso sou e sempre serei, por mais amores e ódios que a vida me ofereça.
Voltando às vacas, ou melhor, aos porcos magros, estou triste com o Palmeiras. Esse caos, essa anomia (Durkheim), essa incompetência, essa eterna repetição já tediosa de certa falta de criatividade, e falta de motivação até para copiar (os incompetentes que copiem, se não podem criar...), para se grudar por osmose em virtudes alheias, xeretar o que fazem de tão bom clubes como São Paulo e Internacional de Porto Alegre.
Mas fico ainda mais triste pelo fato de a devastadora gripe suína estar queimando o filme de um cara que sempre admirei, Luiz Gonzaga Belluzo, economista talentoso, homem íntegro, que imaginei que traria para as estruturas arcaicas do futebol brasileiro um novo alento moral e gerencial.
Nada disso! Não é Belluzzo que saneou o futebol, é o futebol (o sistema-futebol) que o está descaracterizando. Nervoso, ansioso, até em alguns momentos tolo, agindo de improviso, errático, sem comando nenhum sobre seus comandados, ele é o despreparo em pessoa para este cargo, total incapacidade para honrar as tradições do alviverde imponente, ultimamente alviverde impotente e sem Viagra que dê jeito!
"Esqueçam o que escrevi"? Belluzzo parece ecoar, em escala evidentemente menor (ainda que o futebol não seja parte, e sim síntese da alma nacional) o velho bordão de outro grande intelectual que me decepcionou quando passou de estilingue a vidraça, em escala federal. Maldita distância entre teoria e prática, entre pensamento e realidade, numa época, a nossa, em que toda "filosofia de vida" parece, com raras exceções, se degradar em miséria, contrafação e esconderijo de fracos e canalhas.

Friday, May 07, 2010

são Francisco cura o gavião ferido




Desde há muito, mais exatamente desde antes da conquista da Copa do Brasil e classificação para esta Libertadores, repetidamente este monastério preto e branco vinha alertando para os efeitos de uma obsessão desmedida com relação ao "título da Libertadores no ano do Centenário". Não estive assim de todo vulnerável à frustração que se confirmou nesta quarta-feira. O título a ser celebrado nesse centenário é o próprio centenário. O que há de melhor a ser comemorado, nesta gloriosa efeméride, mas que não passa disso, efeméride, senão o mais glorioso ainda Sport Club Corinthians Paulista, em si, suas vitórias e derrotas, seus apogeus e agonias, euforias e fracassos, tão intensos, tão marcantes e retumbantes, incomparáveis a qualquer outro time? Vida que segue, Timão. Claro que houve erros, como o desmantelamento da forte equipe do ano passado, as contrataçõs discutíveis (gente velha e sem pegada), o pênalti patético no Maracanã, o ridículo da atuação do time todo naquela triste noite etc. Mas o fundamental é que você continue nesse caminho de relativamente maior -ainda mais se comparada com as trevas recentes- seriedade administrativa, competência, equilíbrio e ambição de crescimento sempre, o resto a Fiel garante, o resto a Fiel suporta, porque a Fiel te ama. Alegria, meus irmãos! Juntem-se os cacos, fechem-se as cicatrizes. O Timão completa vetustos 100 anos e continua a nos fazer adolescentes: vibrar, rir, sofrer , padecer auto-afirmações postergadas, afundar na fossa mais preta, saltar às nuvens mais brancas, e entalar de volta na jaca mais densa, sonhar libertações adiadas e "libertadores" impossíveis , se desiludir pra sempre até o minuto seguinte, quando tudo recomeça, uniforme branco e preto vestido, chuteiras calçadas, de volta à arena dos sonhos, correndo e torcendo, eterno rito de iniciação à puberdade! Um centenário Puer Aeternus...
-Unzuhause-
***

São Francisco afirmava: «Contra todas as maquinações e ardis do inimigo, a minha melhor defesa continua a ser o espírito da alegria. O diabo nunca fica tão contente como quando consegue arrebatar a alegria à alma de um servo de Deus. Ele tem sempre uma reserva de poeira que sopra na consciência através de qualquer orifício, para tornar opaco o que é límpido; mas em vão tenta introduzir o seu veneno mortal num coração repleto de alegria. Os demônios não podem nada contra um servo de Cristo que encontram repleto de santa alegria; enquanto uma alma desgostosa, melancólica e deprimida se deixa facilmente submergir pela tristeza ou absorver por prazeres enganosos.»Eis por que ele mesmo se esforçava por manter sempre o coração alegre, por conservar esse óleo da alegria com o qual a sua alma tinha sido ungida (Sl 44, 8). Tinha grande cuidado em evitar a tristeza, a pior das doenças, e, quando sentia que ela se começava a infiltrar na sua alma, recorria imediatamente à oração. «À primeira perturbação, dizia ele, o servo de Deus deve levantar-se, pôr-se em oração e permanecer diante do Pai até que Ele lhe faça recuperar a alegria própria daquele que foi salvo» (Sl 50,14). [...]Com os meus próprios olhos o vi eu por vezes apanhar do chão um pedaço de madeira, colocá-lo sobre o braço esquerdo e raspá-lo com um pau como se tocasse com o arco na viola; assim, fazia de conta que acompanhava [com música] os louvores que cantava ao Senhor em francês.
Tomás de Celano (c. 1190-c. 1260), biógrafo de São Francisco e de Santa Clara -
Vita Secunda de São Francisco, §§ 125 e 127 (a partir da trad. de Debonnets et Vorreux, Documents, p.430)

Saturday, May 01, 2010

vaiiiiiiii coringão

Povão lotando treino do Corinthians na manhã deste sábado

01/05/2010 - 10h11
Três mil corintianos apoiam equipe por virada e pedem raça e coração
do UOL

O Parque São Jorge virou um “mini Pacaembu” na manhã deste sábado. Cerca de três mil torcedores foram ao treino do Corinthians demonstrar apoio à equipe a quatro dias da partida de volta contra o Flamengo, pelas oitavas de final da Libertadores. Com rojões, bandeiras e cantando sem parar, os fiéis reforçaram o incentivo ao time, mas também pediram raça e coração.
As principais organizadas do clube convocaram seus sócios ao treino deste sábado. A intenção era deixar claro ao elenco que o apoio será irrestrito na próxima quarta-feira, no Pacaembu. Mas com uma condição: o time precisará “suar sangue”, como resumiu o zagueiro William na última sexta-feira. "Não vamos aceitar falta de raça, empenho e compromisso", dizia uma das faixas.
O Corinthians perdeu o primeiro duelo com o Flamengo por 1 a 0 no Maracanã, na última quarta-feira. Agora precisa vencer por dois gols de diferença para avançar às quartas de final da Libertadores sem depender da disputa de pênaltis, o que acontecerá se devolver o 1 a 0.
A torcida já deu demonstração parecida de apoio em treino neste ano. No pior momento do Corinthians na temporada, logo após a derrota para o Paulista na Arena Barueri, os alvinegros foram ao Parque São Jorge incentivar o time na véspera do clássico com o São Paulo. O time retribuiu com uma vitória por 4 a 3 sobre o arquirrival e engrenou uma série de seis triunfos consecutivos.
Mas neste sábado a presença do público foi maior. O momento é de maior intensidade. A possibilidade de sofrer uma eliminação precoce na Libertadores preocupa torcida, diretoria, elenco e comissão técnica.
Diversas músicas foram cantadas durante a movimentação. "Não para, não para, não para... Vai pra cima Timão" e "Vamos jogar com raça e com o coração, é o time do povo, é o Coringão" foram as mais frequentes, assim como o hino corintiano.
Em campo, Mano promoveu primeiro um treino de posse de bola. Depois, fez os jogadores aprimorarem as finalizações. O time treina em dois períodos neste sábado, folga no domingo e volta a trabalhar na segunda-feira.