Monday, September 27, 2010

Sol oculto



"Os homens do abismo", como a Veja tão belamente intitulou, em edição recente, os mineiros soterrados, é expressão forte por seus ecos arquetípicos: a alma é o homem do abismo, mas esquece as virtudes de sua natureza abismal, sendo apenas vítima de seus fardos, quando soterrada na alienação.
Meu catarismo não é fóbico em relação à matéria, a este outro dom e cifra oculta do Espírito que é a matéria. Portanto não situo como vilão do soterramento, como agente da alienação, a corporeidade. Carcereiro e carrasco de si é o próprio "eu- como se o "eu" fosse uma entidade homogênea e unitária, mas vá lá mais esta ilusão antropomórfica, como do gosto dos jesusólogos tabajara, que fazem das metáforas do "Povo Eleito" ou do "Filho do Homem" pretexto burro para o racismo da espécie, o "especismo", fugindo da divindade de luz e fúria que pulsa em cada grão de "eu" do Universo.
Sim, o eu é o agente, ou melhor, o agente-paciente, além de presídio, banheiro e ração, do soterramento, quando sucumbe a hábitos que podem ter sido úteis à vida noutro estágio, mas que, como tudo o que é vivo no tempo, perde o cabelo, vê amolecidos os dentes e ganha apenas em rugas o que gostaria que fosse lido pelos outros como ganho de "experiência". Experiência o cacete, você ficou é velho.
O eu é um manto encardido, uma casa carcomida, quando fecha a janela para o Sol que nasce, quando está alheio ao prazer do camponês que pode abrir as persianas e dizer que "a tempestade acabou agora", como canta a linda música que acabei de conhecer, esta manhã, pelo Sol da TV, à falta do Sol de se ver. A TV tem sido, entre outros primeiros-socorros espirituais, piedosa companhia de cárcere nesses tempos de obrigações pessoais inadiáveis e de saco cheio me arrastando, ralentando os gestos de sempre (embora ameaçando gerar por si próprio um novo "gesto de sempre", velha sina dos hábitos) e impedindo de tolerar nem que por minutos de contágio a sarna dos passeios vazios, travecas ontológicas encardidas profissionais e amontoados humanos monstruosos.
Por isso o vídeo a seguir me tocou tanto. Não como uma agenda de turismo futuro (aliás, por que não?), mas lembrança platônica de que um Sol invictus sorri lá fora do cárcere, oculto dos olhos carcomidos, mas vistoso e exibido rs, chamando a todos, lá no alto do penhasco, à espera impaciente da coragem do eu brotar em flor no abismo, do pavio acender, das pernas decidirem ascender, mas sabendo também ser a coragem de descer, o abismo é quem manda, e somos nós, a seu serviço, quem devemos morrer e renascer a cada tempo, como as células velhas e novas do corpo, como os indivíduos-personagens das estórias alegres e tristes, modorrentas, cruéis e compassivas, que embalam os sonos diuturnos do Grande Sonhador Universal.
O vídeo:

Tuesday, September 21, 2010

a síndrome da boneca de vento: mais que uma patologia conservadora


Nego enchendo o saco pra ser notado já é uma aberração. Nego enchendo o saco, fazendo palhaçada, só pra sentir o bafo da hostilidade alheia e, nessa medida, se sentir existente e significativo, à falta de amor e felicidade sexual, não é só patologia conservadora, termo muito chique pra esses coitados (aliás, amo, sempre amei a leitura dos grandes conservadores, como de Maistre e Auguste Comte). É sim um caso clínico-trágico, até divertido de se acompanhar. Confesso que é um hobby meu nas horas vagas, como a literatura bas fond, quando rasgo meus diplomas e me divirto vendo vídeo de swing no Multishow, programa da Gimenez e do Datena, que aliás acho muito engraçado e corajoso no seu jeitão tosco de ser, etc).
Mas tudo tem seu limite, tem hora que fico cansado, não dos "bons selvagens" do meu amado bas fond, que ao menos é honesto naquilo que se propõe, mas com esses caras constrangedores, esses embustes da civilização artificialesca tão deplorada por Rousseau, que se acham mais do que são e escancaram sua dependência da raiva alheia, tipo boneca de vento de posto de gasolina. Saco. Vão comer feijão pra se segurar por si mesmos em pé, suas bonecas de vento de posto de gasolina!
-Unzuhause-

Monday, September 20, 2010

o furo da Papisa Satã

A véia Madame Satã, nova papisa filosófica do Brasil, abre as asas gosmentas rumo à consagração definitiva; mais um e último furo espetacular da respeitabilíssima e (re) finada Revista dos Jesusólogos Tabajara, os maiores Jesusólogos do Brasil, de revista que adorava dar o furo, antes de tomar outra e maior e mais urgente utilidade enfeitando e cobrindo furos no "trono" da Papisa Satã


HABESMUS PAPAM!!!!!!!!!!!!!!!!
FONTE: REVISTA JESUSÓLOGOS TABAJARA, ÚLTIMA EDIÇÃO, ÚLTIMA MESMO, ELA JÁ NÃO SERVE PARA MAIS NADA, APESAR DE A GRANDE CONGREGAÇÃO, MAIOR DO BRASIL, A DOS JESUSÓLOGOS TABAJARA, CONTINUAR AVANTE E BEM, MUITO MUITO BEM OBRIGADO!!! ATÉ QUANDO? BOM, A REVISTA EXISTIU ATÉ ONDE FOI ÚTIL À NOSSA PAPISA SATÃ, A VÉIA MADAME SATÃ DOS TEMPOS DE PORCA MAGRA E CABELO NA CABEÇA. AO FIM DOS TEMPOS DE DURA TRAVESSIA NO DESERTO, A PAPISA ESTELAR, DA CARECA DE UM BRILHO QUASE PORNÔ DE TÃO ESPLENDOROSA, E CABELO CONCENTRADO NO QUEIXO FORMOSO, DEVIDAMENTE "INICIADA" E PRONTA PARA SUA VOCAÇÃO PAPAL, DE FARISEU CAGADA AUTO-CHAMADA DE DEUS, PASSOU A DAR O FURO SOZINHA ALÇANDO SUAS ASINHAS GOSMENTAS RUMO AO ALTAR DEFINITIVO QUE TANTO ALMEJAVA, NO "TRONO" (PRIVADA) DO SÉTIMO CÉU; MAS TUDO TEM FINAL FELIZ, SE NÃO FOI FELIZ NÃO FOI FINAL, E A REVISTA JESUSÓLOGOS TABAJARA, MORTINHA, COITADA, PODE IR PARA O CÉU (BOA MENINA QUE ELA ERA) E AGORA SERVIR CUIDAR MAIS DE PERTO, DIRIA INTIMAMENTE, NO TRONO, COMO BOM PAPEL HIGIÊNICO, DOS EFEITOS MATERIAIS INTELECTU "A" NAIS DOS FUROS, INSIGHTS FENOMENOLÓGICOS E IMENSA REPERCUSSÃO DA PAPISA SATÃ, COMO PAPISA SATÃ TANTO SONHOU ENQUANTO EXAURIA-SE A VIDA , BROXAVAM-SE AS FORÇAS, ESCANCARAVAM-SE OS FUROS E CAÍAM PRO QUEIXO FORMOSO OS CABELINHOS DA PAPISA SATÃ.

Saturday, September 18, 2010

nosso lar


"Coloca na cabeça do livro a cepa de vinha que te desenhamos [a imagem acima reproduz o desenho que teria sido feito originalmente pelos espíritos para Allan Kardec para ser divulgado no seu livro, marco fundador do espiritismo], porque ela é o emblema do trabalho do Criador; todos os princípios materiais que podem melhor representar o corpo e o espírito nela se encontram reunidos: o corpo é a cepa; o espírito é o licor; a alma ou o espírito unido à matéria é o grão. O homem quintessencia o espírito pelo trabalho e tu sabes que não é senão pelo trabalho do corpo que o espírito adquire conhecimentos."


Allan Kardec,

O Livro dos Espíritos

Friday, September 17, 2010

São Paulo


Amado Dom Paulo Evaristo Arns, que fez 89 anos neste dia 14, dia consagrado pela Igreja à festividade da "Exaltação da Cruz de Cristo".



"Ninguém liberta ninguém, ninguém se liberta sozinho. Os homens se libertam em comunhão".-Paulo Freire (1921-1997)-