Wednesday, October 20, 2010

não nos deixeis descansar em "paz" nunca, mestre

José Ângelo Gaiarsa, 1920-2010

Chico Xavier previa que seu passamento ocorreria em um dia marcado por grande alegria do povo brasileiro. E não deu outra: partiu em pleno domingão da conquista do pentacampeonato da "Seleção Brasileira". Já Gaiarsa, outro grande mestre, da mesma cepa dos avatares espirituais que caminham entre nós como cristos e budas anônimos, acaba de nos deixar, mas em dias não de alegria e sim de inquietação: dias que confirmam a olho nu tudo o que Gaiarsa denunciou e combateu sobre a peste emocional da humanidade, que nasce na família e vira religião política do rebanho e de seus tutores (ou candidatos parvenus a serem tutores do que quer que possam). Que espetáculo risível de oportunismo e baixeza estamos assistindo nestes tempos eleitorais! Como pode ser medíocre o ser humano quando se faz aproveitador da religião como santo sudário  para embalar suas mentiras, inseguranças e seus desejos mais ridículos de poder e de prestígio pessoal. Confirmação, na superfície do legível, de um câncer que apodrece o corpo social. A sociedade da privada, depravada, privatista, é uma usina de neuroses que usufrui da sua energia envenenada para seguir "trabalhando" pela e lucrando com sua própria destruição. Que bom que o golpe, de tão canhestro e patético, esteja já escancarado, e devidamente avaliado pelas pessoas intelectual e moralmente capazes: perucas ao chão, seu caveirão,  eleição fica pra outra encarnação! Vai tomar um bom prozac pra se acalmar de mais um insucesso, e assista apaziguado (a "paz" entre aspas, tudo entre aspas, coisa pra gente como você) a vitória de Dilma e do campo popular-democrático que ela hoje representa, suprapartidário, tão lindamente retratado no evento de ontem no TUCA (teatro da PUC de São Paulo), em apoio à candidata do PT.
Frei Betto, Chalita (que energia tem esse "rapaz"! fiquei bem impressionado, acho que ele vai longe), Erundina (muito, muito ovacionada; amo você, guerreira arretada), Eduardo Suplicy, Marta, Mercadante, Ana Maria Araújo Freire (mulher de Paulo Freire) e tantos outros grandes. O teatro histórico do TUCA superlotado. Uma festa de religiosidade política (toda religiosidade é política) no sentido bacana do termo, o sagrado imanente à alegria, à solidariedade e ao sentimento da Libertação, que vai muito além das instâncias do poder (na verdade é o oposto do poder, como nos ensina o anarquista Nazareno), mas que passa sim, culturalmente, pelas mediações institucionais da sociedade vigente. Vamos à luta, vamos à vitória! Sem descanso nem paz, como Gaiarsa, mestre da política da alma, e das guerras de Libertação da libido, certamente gostaria e espera de nós, de onde estiver nos vendo com seu sorriso maroto e seu boné de eterno moleque insubordinado à peste que envelhece e encaveira os homens mesmo quando, supostamente, e sempre entre aspas, se consideram ainda  "vivos".
"É DILMA, É DILMA SIM, PORQUE EU NÃO PENSO SÓ EM MIM" (criação de Chico Buarque em ato pró-Dilma anteontem, no Rio, e ontem também  entoado com muita empolgação)
"OLÊ OLÊ OLÊ OLÁ, DILMA, DILMA"

Monday, October 18, 2010

entre aspas, ecce homo (ssexual)

Amados,

Conforme prometido semana passada, inicio uma breve rememoração de certos comentários pretéritos do boletim do Monastério, apenas por uma questão de economia de tempo e de saco: ante a repetição tediosa, no "mundus imundus", do strip-tease de travecas-papisas cuja calcinha niilista (que esconde o pingolim da crendice ególatra) pede pra ser puxada sem dó, estou sem paciência de ficar redizendo noutras palavras o que já foi dito. Não vejo necessidade de apelar pra eufemismos apotropaicos que funcionem como repetitivas "neutralizações" verbais da Verdade (a careca ontológica sente um frio na nuca e corre pra peruca, até que o vento bata de novo na testa, e dá-lhe nova peruca, e mais vento etc). Mas por que, neste flashback, começar justamente pelo relato evangélico do nascimento da Papisa Satã?
Claro que vai aqui um gesto de marketing: estamos falando nada menos do que da Papisa Satã, meus amados, aquela que é capaz de abalar céus e terra, Monarquias sacrossantas e Repúblicas democráticas, com o peso de sua sapiência pegajosa e gordurosa feito graxa !! Alguém Phd, alguém da Elite!!   
-Sabe com quem está falando? [pergunta a Mestra-papisa impotente, digo, imponente.. trovões parecem irradiar de seus o-Cu-linhos fashion, fome de rainha Richarlyson sendo expulsa todo jogo pra provar que é macha, ainda que em suas chuteiras róseas]
-Eu sei, eu sei [eu diria com um tímido dedo indicador pra cima, sorriso no canto da boca, olhar penetrante]
-Cala a boca, a aula acabou.
E do nosso Vaticano tabajara correm rumores de que Papisa Satã está lançando sua tão aguardada autobiografia intelectu-anal, que virá elucidar finalmente o mistério de sua genialidade, suas fontes ancestrais, heróis intelectu-anais de cabeceira, o momento decisivo (abraâmico, dir-se-ia) da Escolha Divina entre aspas (tudo nessa rainha Richarlyson das "faculdades-de-privada" é entre aspas, tudo o que ela pensa e mente e caga com suas faculdades intelectu-anais na privada é entre aspas); ela foi eleita, entre aspas, o "pai", entre MUUUUITAS aspas,  da verdadeira fé e Papisa da bugrada tabajara, Jesusóloga senior dos jesusólogos tabajara com mensalidade e bolsa de pesquisa pra decifrar a mortalidade dos homens e o sexo predileto dos anjos. O da Papisa senior eu já sei! e sem muita bibliografia de apoio rs.. 
O "Ecce Homo (ssexual)" da Porca Beata -que bom se fosse beata de verdade, e não essa fé-demais fedorenta-, suas Confissões, eu dizia, ao que parece, trarão detalhes das guerras palacianas contra os padres hostis, a histórica resistência solitária (junto com a turma dos tabajaras-mirins da jesusologia), a atual luta de morte contra as forças parisienses-uspianas (em que o Herodes de pole-dancing de A Lôca suspeita que possa ter nascido a Criança rebelde, o novo Rei, e luta agora como Cronos para matar no nascedouro quaisquer rebentos da reviravolta, os Filósofos-filósofos, não infectados de mistificação).
Esta é uma história emocionante, meus amados. No que puder oferecer meu humilde auxílio, desde os recantos obscuros de meu Monastério, contem comigo. Pra começar, rememoro o que os evangelhos apócrifos dizem sobre o NASCIMENTO DO MITO: como Papisa Satã veio ao mundo? Será um avião, um pássaro, não, será a mulher do corvo, o corvo feito mulher, será o  "Super-Homem", entre aspas???? Estas e outras descobertas sensacionais estão nos evangelhos recém-desenterrados, e ainda em vias de tradução do medieval arcaico. Como ponto de partida então, que rememoremos, para alegria da bugrada tabajara, o que já se sabe da gênese da grande Papisa Satã.
O post é de meados deste ano, como se segue. Boa (re) leitura!
-Unzuhause-


Falava em solidão dias atrás, e Deus,ou meu diabinho (daimon), já começa a semana me dando, mal acordei, um tapete vermelho (ou casca de banana) como passarela rumo à vigília: palavras de meu maior amódio filosófico, o meu caro e solitário Friedrich Nietzsche, em reflexão sobre a sina do grande espírito que é algoz dos covardes mas também presa deles . Muito da grandeza - e da tragédia- do Super-Homem da filosofia talvez se deixem ver nestes dizeres profundamente "auto-clínicos", que comovem por mostrar justamente o oposto do que dizem: a desproteção de quem esbanjava energia mas não a guardava para sua própria proteção e sanidade, um "péssimo administrador doméstico" de si mesmo, a fragilidade de uma alma que amava se odiar e fugir de si, como vemos em seu mal-estar e cismas em relação a suas maiores paixões ideais, espelhos dele mesmo, e que ele precisou bombardear para, quebrando-se, encontrar unidade no seu próprio estilhaço: recalcava o que mais o perturbava e o instigava, a mulher (Lou), o santo (Schopenhauer), o gênio romântico (Wagner). Não por acaso sua solução e condenação: solidão. E a rendição a ideais substitutos, claramente "reativos", pra usar sua própria expressão.



Sempre somos auto-clínicos, apesar e por causa de todas as perucas desesperadas que compremos, nos vestuários e perucários socialmente disponíveis da linguagem coletiva, para a nudez culpada de adão broxa comedor de Erva (ele não era muito chegado na gostosa da Eva, preferia ficar estudando com suas ervas, as comendo e as cagando; Eva, então, sempre segundo relatos apócrifos, teve de se socorrer da serpente, não por acaso a raça de homens-víboras com as quais presenteou a Terra Santa, um dos quais "iniciou" vibóricamente o próprio Adão na resolução de seus pecados broxas de antes; assim Adão se fez Madame Satã). A calvície moral e libidinal assolando os sótãos e baratas até dos travecos filosofastros mais consagrados na arte de falar merda, de fazer merda, de ser merda. Merda Mérdieval.


Não seríamos mais belos assumindo e justificando esteticamente nossas carecas, como os metrossexuais (homossexuais sublimados, segundo os maldosos, eu discordo!) que fogem da calvície justamente se raspando todinhos, e até fazendo uma barbicha charmosérrima, compensações que embelezam o destino cruel como se fosse uma questão de escolha e style?


-Unzuhause-


"Um grande nojo provocaram-me até agora os parasitas do espírito: podem-se encontrá-los, em nossa Europa insalubre, já por toda parte, e deveras com a melhor consciência do mundo. Talvez um pouco confuso, um pouco air pessimiste [ar pessimista]; no principal, porém, voraz, sujo, espalhador de sujeira, sorrateiro, acomodado, ladrão, cheio de comichões - e inocente como todos os pequenos pecadores e micróbios . Eles vivem do fato de que outras pessoas têm espírito e o distribuem a mancheias; eles sabem como isso é próprio da essência do espírito rico, dissipar-se despreocupadamente, sem prudência mesquinha, em pleno dia e mesmo de forma esbanjadora. - Pois [e este é o incipit tragoedia existencial de Nietzsche, re-velado (mostrado e reescondido) em sua própria fala autoclínica] o espírito é um péssimo administrador doméstico e não dá nenhuma atenção para o fato de que tudo vive e se alimenta dele."


Friedrich NIETZSCHE


A Vontade de Poder

Friday, October 15, 2010

Tuesday, October 12, 2010

dulcíssima prisão do amor


Dulcíssima prisão esta que me faz tolerar tanto sofrimento e aborrecimento por ti, Corinthians. Sabendo ser a senda, em preto e branco, sempre mais difícil do que a dos outros, sempre mais dolorosa, sabendo ser a sina de quem nasce corintiano marcada para ser, nesse sentido do fardo redentor, mais "cristã" , diria em alusão festiva a mais este feriadão ex-católico que o Brasilzão brasileiro se permite neste dia 12. Viva!
Isto que acontece agora, bagunça, derrotas, demissão de técnico etc, este Monastério já previra em seu lançar privado de búzios na calada da noite da ansiedade gerada pela saída de Mano Menezes, comprado pelo time da CBF (chamado outrora de Seleção Brasileira, essa ridícula abstração). Vou ter que começar a repetir posts passados pra me poupar trabalho de redizer o que me é óbvio há muito tempo.
Se é verdade que os grandes amores só começam se for na fulminância do instante fundante, "à primeira vista", a mediocridade do mundo por sua vez é também "instantânea", é de um óbvio ululante, como diria mestre Nelson Rodrigues. É de uma evidência cristalinamente burra, embora turva de sua sujeira. Mas -e isso ela tem em comum com o amor, nem sempre sabemos que já estamos amando ou que já deixamos de amar, quando começa ou quando termina a pena da dulcíssima prisão do amor- é uma obviedade que, em cada caso concreto, a gente nem sempre consegue perceber à primeira vista, ou ao primeiro cheiro, mesmo que por muitas vezes um pouco ruinzinho, eita fedozinho..
O golpe da CBF, tomando-nos Mano Menezes, um cara que admiro até pela semelhança física e anímica com meu amado Padre Pedro, de saudosa memória, esse golpe, dizia, se fez sentir por mim como o que era, desde o início: mais uma grave derrota para o futebol brasileiro e para seu maior clube (com o perdão das outras torcidas rs).
Mas o dia é de festa, novo feriadão do Brasilzão brasileiro! Viva!

Wednesday, October 06, 2010

E-terna soberana

MORCEGA OLÍMPIA NITA NIETZSCHE NYX

COM A MÚSICA QUE PRA MIM É SINÔNIMO DE VAMPIRA OLÍMPIA, UMA SINGELA HOMENAGEM A VÓS, RAINHA DAS TREVAS, E-TERNA SOBERANA, PATRONA DESTE REINO QUE VOS RENDE, PELOS SÉCULOS DOS SÉCULOS, LOUCA E PAGÃ E FIEL DEVOÇÃO DE ADMIRAÇÃO, AFETO E AMIZADE KKKKKKKKKKKKKKKKK

OBRIGADO POR MAIS ESTE PRESENTE (A FERRAMENTA DO YOUTUBE) QUE TROUXESTES A UM BLOG QUE SIMPLESMENTE NÃO EXISTIRIA SEM VÓS

BEIJOSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSS

-CAIUS CALÍGULA-

Monday, October 04, 2010

espetacular


Numa eleição tão pobrinha de idéias e de teatro no sentido forte, em termos de emoção aristotélica e criticidade brechtiana, um alívio e alento e rejuvenescimento para quem não abdica do pensar profundo vêm dos artigos na Folha de São Paulo do novo grande nome da filosofia brasileira, Vladimir Safatle, professor do Departamento de Filosofia da Universidade de São Paulo. Um gigante, aliando seriedade e inteligência, erudição e segurança de si. Capacidade. Virilidade. Obrigado professor Vladimir. Você veio para ficar.

Sunday, October 03, 2010

Saturday, October 02, 2010

habentibus symbolum facilis est transitus


"É necessário contar com a magia dos símbolos atuantes, portadores das analogias primitivas que falam ao inconsciente. Só através do símbolo o inconsciente pode ser atingido e expresso; este é o motivo pelo qual a individuação [segundo Jung, o processo de desenvolvimento psíquico e maturação da personalidade, com a integração dos seus componentes conscientes e inconscientes] não pode, de forma alguma, prescindir do símbolo. Este, por seu lado, representa uma expressão primitiva do inconsciente e, por outro, é uma idéia que corresponde ao mais alto pressentimento da consciência".


JUNG, C. G.

O Segredo da Flor de Ouro