segunda-feira, janeiro 31, 2011

meu igual, meus irmãos (Karamazov)


"A simpatia de Dostoiévski pelo criminoso é, de fato, ilimitada; vai muito além da piedade a que o infeliz tem direito e nos faz lembrar o 'temor sagrado' com que os epilépticos e os lunáticos eram encarados no passado. Um criminoso, para ele, é quase um Redentor, que tomou sobre si próprio a culpa que, em outro caso, deveria ter sido carregada pelos outros. Não há mais necessidade de que alguém mate, visto que ele já matou, e há que ser-lhe grato; não fosse ele, ver-nos-íamos obrigados a matar. Isso não é apenas piedade bondosa, mas uma identificação com base em impulsos assassinos semelhantes -na realidade, um narcisismo ligeiramente deslocado. (...) Este pode talvez ser, de modo bastante geral, o mecanismo da simpatia benigna por outras pessoas, mecanismo passível de se discernir com facilidade especial no caso extremo de um romancista dominado pela culpa. Não há dúvida de que essa simpatia por identificação constituiu um fator decisivo na determinação da escolha de material de Dostoiévski. Ele tratou primeiramente do criminoso comum (cujos motivos são egoístas) e do criminoso político e religioso, sendo somente ao fim da vida que retornou ao criminoso primevo, ao parricida, e utilizou-o, numa obra de arte, para efetuar sua confissão".


SIGMUND FREUD
"Dostoiévski e o Parricídio"

Morcega Olímpia me questionava, dias atrás, sobre a dualidade entre rezas e pragas rsrs, neste confessionário público. Pois bem, linda rainha, encontro nessas páginas de vosso mestre vienense-estou em temporada dostoiévskiana intensa e apaixonada, e o artigo de Freud foi devorado neste sábado- um insight sobre tal incoerência íntima. Santidade e violência estão longe de ser contradições absolutas. E nem precisamos aqui bater na tecla já tão batida de Inquisições e que tais.. penso em um nível de fenômeno mais prosaico, individual, que nas fogueiras da História terá macro-expressões contingentes. Posso ser impelido à santidade e assediado pela tentação de que algum desafeto morra. Posso ser  o homem espiritual, Crístico (Búdico), votado à pureza e comunhão universal, não sem o sobrepeso do homem natural (o homem "psíquico", segundo o apóstolo Paulo) a me murmurar, de tempos em tempos, que é simplesmente insuportável a presença de determinado pobre-diabo no mundo, sobretudo quando sentimos sinais de que esteja próximo de nós, nos vigiando, nos agourando e roubando feito "absorvente OB" de filosofastro travesTi-Ti-Ti o que os outros digam sobre seu picaretismo intelectual e existencial ..  Sobretudo, no meu caso, se a figura odiada faz lembrar -com exceção da falta de virilidade da versão atual- a imago paterna funesta que trago de minhas experiências infantis. A "santidade", nisto, me remete ao dobrar-se masoquista da agressividade sobre si mesmo, em se faltando a exteriorização prática que se gostaria de encontrar através de um criminoso redentor. Mas não só. A santidade é uma aspiração de alturas que só podem ser almejadas por aquele que escarafunchou no fundo do lodo de seus desejos de baixo. É o que Dostoiévski vivenciou também, vejo com Freud. Que nos fala, sobre o gênio russo, de um sentimento de revolta antipaterna mesclada a profunda culpa e necessidade de auto-punição, daí por exemplo a adesão ideológica, tipo "síndrome de Estocolmo", ao Pai-Czar, antigo algoz, e a seus braços clericais. Adesão "numas", pois Dostoiévski é grande demais, múltiplo demais, pra se encaixar em rótulos teológicos de que os imbecis dependem em suas adulterações do mundo, em suas perucas ridículas de aristocratas, digamos, "delicados", gays-jids utiliOTários em maquiagem blasé. Filosofastros TravesTi-Ti-Tis, que fazem "fama" por suas fofocas maliciosas na janela de casa tipo tiazonas entediadas, mal-casadas e mal-comidas. Arrastam-se da janela ao sofá e vice-versa, e a cada ida e vinda nesse eterno trajeto de resmungos Pioristas (de Cristã Pior), nessa passarela miserável, sonham-se num rodopiar orgulhoso do rabo na passarela da Fashion Week. Literalmente, divertimentos para complexados do complexo do "Mal-amado". Na minha república ideal -e here we go para perto demais do cheirinho funesto das fogueiras inquisitoriais, num rastilho que brota das moções do fígado e ameaça de chamas as utopias mais nobres do espírito humano-, na minha polis febril, eu dizia, esses seriam os primeiros a perder a peruca e a fantasia de delicados bobos da Corte e a ir para junto dos camponeses pegar no pesado, como queria a Revolução Cultural do grande Mao, e se não regenerados o bastante, iriam direto para o paredón, que não seria esse de telefonezim de programa de TV idiota.
Devaneios estéreis, sei, mas reflexos parciais, "psíquicos", deste monge Unzuhause, ser fictício fadado por seu criador a uma existência torturada pela vontade do crer límpido como Aliócha (pneuma), mas assombrado por dentro pelo descrente intelectualismo infeliz de Ivan (ratio), não sem a impulsividade carnal (hylé) de Dmítri e o asco destes dois dos irmãos Karamazov pelo "pai" podre, desprezível e maldito, compensação dos infernos para o sublime stáretz Zóssima. 
Resta, a essa unidade trina de "pessoas" de minha alma, espelhada no zodíaco dostoiévskiano da Rússia interna de todos nós, contar com o "quarto elemento", o irmão bastardo, o Ato puro da epilepsia ontológica da vida, convulsiva força das coisas que faça por nós o serviço sujo que limpa..
-Unzuhause-

domingo, janeiro 30, 2011

Veni Sancte Spiritus


VENI SANCTE SPIRITUS!


Abençoa esta semana que se inicia , concede-nos o frescor da renovação, move-nos tu que és o dínamo da alegria , inspira-nos tu que és o oceano dos peixes de sonho, ampara-nos tu que és os braços fortes da justiça e misericórdia, e o coração terno da solidariedade com os injustiçados e deserdados da maldade do mundo e dos homens, nos liberta de toda letargia e complacência , irrompe do beco escuro do tédio, repetição, desânimo e desespero, abrindo montes e vales com o vento da coragem da ida para o mundo, multiplica o vigor e inspiração para viver e levar Evangelho a toda criatura. Sacrifico a teus pés todo espírito coletivo e individual de medo, de ira, egotismo e vaidade, chumbos opressivos que queimem e ardam em incensos e hosanas de Libertação.
 
VENI SANCTE SPIRITUS!

-Unzuhause-

and iiiiiiit' s TIIIIMEEEEEEEEEEEEEEEEEE


sábado pra domingo que vem, uma hora da manhã, canal Combat..

segunda-feira, janeiro 24, 2011

janelas abram-se ao sol

"Conforme a expressão de Giordano Bruno, a alma humana possui janelas que ela pode fechar hermeticamente. Fora, o Sol brilha, a luz é constante.
Mas, é necessário que as janelas se abram para que o Sol entre triunfante. A luz de Deus vem bater nas janelas de todas as almas humanas e, quando estas janelas a deixam entrar, a alma fica iluminada. Deus jamais se altera, mas o homem muda a cada instante, e sua vontade deve permanecer livre; de outro modo, a Vida divina que nele reside ficaria entravada em sua evolução regular."

Annie Besant

sexta-feira, janeiro 21, 2011

Kyrie eleison


"Apenas conseguiremos observar a diferença de estado no qual podemos estar após termos repetido 1.000 vezes Kyrie eleison ou 'Senhor, tenha piedade'... Se traduzirmos Kyrie eleison por 'Senhor, tenha piedade', se formos exatos quanto aos termos, não estaríamos alterando seu sentido pleno? A palavra 'piedade' adquiriu uma nuance ligeiramente pejorativa na nossa língua. Dizemos 'ele me dá pena' com comiseração e podemos vir a recusar a piedade de alguém, sinal de orgulho ou presunção ou, ainda mais grave, de incapacidade de amar: 'não quero sua piedade'. Para os antigos, a piedade de Deus é o Espírito Santo, o dom do seu amor, 'Senhor, tenha piedade', quer dizer: 'Tu que És, envie sobre mim e sobre tudo teu Sopro, teu Espírito, e tudo será renovado; que tua misericórdia e tua bondade estejam sobre mim, sobre todos; não olhe para a minha incapacidade de te amar, de respirar em ti; faça florescer meu desejo, transforme meu coração de pedra em coração de carne...'"

Jean-Yves Leloup

quarta-feira, janeiro 19, 2011

o miau da fantasia

Quem é mais linda: Anne Hathaway ou o nome dela? Um dos dilemas que tenho quando penso nessa morena phodástica, que conheci, se não me engano, pelo trabalho em "O Casamento de Rachel", excelente, aliás. E agora vem essa notícia -ela foi escolhida a nova Mulher-Gato de Hollywood- digna de estremecer as estruturas unzuhausianas de minha travessia do fantasma: pois a Mulher-Gato é um antigo fetiche, sobretudo por uma cena de gibi que não me sai da cabeça nos últimos séculos: um conflito entre Mulher-Gato e Homem-Aranha (mas ela não é a vilã do Batman??), num museu de Nova York, tarde da noite. O Aracnídeo tinha se desdobrar para salvar não só a própria pele, mas as obras de arte que ela impiedosamente ia desarrumando (room, Raum: espaço..) e desequilibrando. Impiedosas também suas artimanhas de sedução, com o seu corpão, malícia e sensualidade felinas. Uma troca de frases entre eles me marcou: "Não estou disposto a trocar de papel com você", diz o Homem-Aranha. "Nem eu", replica ela. Falavam, acho, dos papéis de vilã e herói, opostos que nas grandes obras de arte são tão limítrofes.. Como na maioria dos meus materiais psíquicos residuais, meu olhar crítico aqui tende a rebaixar, desqualificar, chamar de bobagem -isso me torna dificílimo, por exemplo, seguir programas como o Diário de Sonhos, pois fico sempre à espera de grandes "epopéias" simbólicas, quando contudo o significativo pode estar no avesso disto tudo, ou seja, no "insignificante". A subjetividade que emerge de rastros, restos e bobagens. Os não-tolos erram, les non-dupes errent, diria Lacan, frase que em francês soa igual a le nom du pére, Nome-do-Pai, estrutura fundamental da constituição psíquica do homem. E bobagem correlata nesta minha fantasia sobre a noite de Mulher-Gato contra Homem-Aranha (mas não teria de ser o Batman???) está na fixação pelo contorno perfeito das pernas dela (meu fetiche maior, os caros leitores já sabem disto) e de sua bunda, e de suas costas, na escuridão do uniforme da vilã e do ambiente sombrio do confronto com o herói que sempre foi o que mais adorei..
Enfim, Anne Hathaway e Mulher-Gato, agora, uma só pessoa: fantasias do passado e do presente que se juntam, num só miado de arrepiar as entranhas dos meus "fantasmi d' amore", como diria aquela linda canção.
-Unzuhause-

http://cinema.uol.com.br/ultnot/2011/01/19/anne-hathaway-interpretara-a-mulher-gato-em-novo-filme-do-batman.jhtm
19/01/2011 - 16h03



Anne Hathaway interpretará a Mulher Gato em novo filme do Batman

da Redação
Segundo o site Hollywood Reporter, a atriz Anne Hathaway ("O Casamento de Rachel") foi a vencedora do teste de atrizes para ganhar o papel de Mulher-Gato. Estavam na disputa Jessica Biel e Keira Knightley. O papel já foi vivido no cinema por Michelle Pfeiffer e Halle Berry.
A Warner fez o anúncio sobre o elenco na manha desta quarta-feira (19) e também confirmou o papel de Tom Hardy. Ele será o vilão Bane, um brutamontes que fica mais forte graças a substâncias químicas. Tom Hardy já havia trabalhado com o diretor Christopher Nolan em "A Origem".
"Estou contente em trabalhar com o Tom novamente e animado para vê-lo dar vida à nossa nova interpretação de um dos inimigos mais formidáveis do Batman", disse Christopher Nolan em nota.

segunda-feira, janeiro 17, 2011

dia do "Primeiro Monge" do cristianismo

«Santo Antônio, o Grande»



(†356) – abade

Comemoração no dia 17 de Janeiro

Tropário (4º tom)

Imitador do zelo de Elias,
pelo teu gênero de vida
e seguindo os retos caminhos do precursor,
tu povoaste o deserto e consolidaste o mundo.
Em tuas orações, ó Santo Antônio, nosso Pai,
roga a Cristo nosso Deus
pela salvação de nossas almas!


Ensinamentos de Santo Antônio, o Grande:


‡ A maior obra dos homens é esta: ser capaz de manter seus pecados diante de Deus e estar preparado para a tentação até o último suspiro.

‡ "Quem não tiver sido tentado não poderá entrar no reino do céu. Se suprimires a tentação, ninguém se salvará."
‡ Aquele que senta-se em solicitude e quietude escapou de três batalhas: ouvindo, falando e vendo. Mas mesmo assim ele tem uma constante guerra: no seu próprio coração.
O demônio teme a humildade, o bom trabalho e o jejum. Ele não consegue impedir a minha boca de falar contra ele. A ilusão do demônio logo desvanece especialmente, se o homem se arma com o Sinal da Cruz. O demônio treme ao Sinal da Cruz do Nosso Senhor, porque Ele triunfou sobre ele e o desarmou.
‡ Segundo o Santo Antão, as tentações são manifestamente uma condição indispensável para se entrar no céu. É através das tentações que o homem obtém um faro do Deus verdadeiro. Sem tentação o homem estaria no perigo de apoderar-se de Deus e torna-lo inofensivo e inócuo. Pela tentação, porém, o homem experimenta existencialmente a sua distância de Deus, sente a diferença entre o homem e Deus. O homem permanece em luta constante, enquanto Deus repousa em si mesmo. Deus é amor absoluto, enquanto o homem é continuamente tentado pelo maligno.
‡ Se ouvirdes atentamente a minha voz e guardardes a minha aliança, sereis minha propriedade especial entre todos os povos, porque minha é a terra, e vós constituireis para mim um reino de sacerdotes e uma nação santa. Ex. 19,5-6.
‡ Aproximai-vos de Cristo, pedra viva, eleita e estimada por Deus, também vós, como pedras vivas.
Vinde formar um templo espiritual para um sacerdócio santo, a fim de oferecer sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus por Jesus Cristo.
Sois uma estirpe eleita, sacerdócio real, gente santa, povo trazido à salvação, para tornardes conhecidos os prodígios dAquele que vos chamou das trevas para a luz admirável. 1Pd. 2, 4-5
Caríssimos, não descuidemos de nossa salvação. Sabei que se alguém se entrega a Deus de todo o coração, Deus tem piedade dele e lhe concede o Espírito de conversão.
‡ Sabemos que desde as origens do mundo, os que encontraram na Lei da Aliança o caminho do seu Criador foram acompanhados por sua bondade, sua graça e seu Espírito. Mas os homens, incapazes de exercerem sua inteligência segundo o estado da criação original, inteiramente privados de razão, sujeitaram-se à criatura em vez de servir ao Criador.
‡ Eu vos suplico, irmãos, penetrai-vos bem da maravilhosa economia da salvação.
‡ Todo ser dotado de inteligência espiritual, aquele para quem veio o Senhor, deve tomar consciência de sua própria natureza, isto é, deve conhecer-se a si mesmo.
‡ Seja-vos dado tomar bem consciência da graça que Ele vos deu. Não é a primeira vez que Deus visita as suas criaturas. Ele as conduz desde as origens do mundo e, de geração em geração, mantém cada uma desperta pelos acontecimentos de sua graça. Não negligenciemos, pois, chamar a Deus dia e noite. Fazei violência à ternura de Deus. Do céu Ele vos enviará Aquele cujo ensinamento vos permitirá conhecer o que é bom para vós.
‡ Filhos, é certo que nossa enfermidade e nossa humilhação são dor para os santos e causa das lágrimas e gemidos que oferecem por nós diante do Criador do Universo.
‡ Compreendei bem o que vos digo e declaro: Se cada um de vós não chega a odiar o que é da ordem dos bens terrestres e a isso não renunciar de todo coração, assim como a todas as atividades que daí dependem, se não chega a elevar as mãos e o coração ao Céu para o Pai de todos nós, não é para si a salvação. Mas se fazeis o que acabo de dizer, Deus vos enviará um fogo invisível, que consumirá vossas impurezas e devolverá vosso espírito à sua pureza original. O Espírito Santo habitará em vós, Jesus permanecerá junto de nós e poderemos adorar a Deus como é devido.
‡ A todos os meus irmãos muito amados, a todos vós que vos preparais para vos aproximardes do Senhor, saúdo nEle, irmãos caríssimos, vossa natureza espiritual.
‡ Que Deus abra os olhos de vosso coração para que percebais os múltiplos malefícios secretos, lançados todos os dias sobre nós no decorrer do tempo. Faço votos que Deus vos dê um coração clarividente e um espírito de discernimento a fim de vos apresentardes a Ele como uma vítima pura e sem mancha.
‡ Persuadi-vos bem que vosso ingresso e vosso progresso na obra de Deus não são obra humana, mas intervenção do poder divino que não cessa de vos assistir.
‡ Sede, pois, vigilantes, caros filhos, não permitais que vossos olhos durmam nem que vossas pálpebras dormitem, mas clamai dia e noite a vosso Criador para que vossos pensamentos se firmem no Cristo.
‡ No Senhor eu vos suplico, caros filhos, deixai-vos penetrar bem pelo que vos escrevo. Voltai vossa alma para vosso Criador. Perguntai a vós mesmos o que seria possível retribuir ao Senhor por todas estas graças. É tão grande a sua bondade que Ele quis que o próprio Sol se ponha a nosso serviço nesta habitação de trevas, assim como a Lua e as estrelas, para sustentar fisicamente um ser cuja fraqueza o condenaria a perecer. Não sofreram por nós os patriarcas? Não nos dispensaram os sacerdotes os seus ensinamentos? Não combatiam por nós os juízes e reis? Não foram mortos por nós os profetas? Não sofreram os Apóstolos perseguição por nós? E não morreu por todos nós o Filho bem amado? Agora é a nossa vez de nos dispormos a ir ao nosso Criador pelo caminho da pureza.
Meus caríssimos no Senhor, a vós que sois co-herdeiros dos santos, rogo que desperteis em vosso coração o temor de Deus. Preparemo-nos, pois, santamente, e purifiquemos nosso espírito para sermos puros a receber o batismo de Jesus e a nos oferecermos como vítimas agradáveis a Deus. O Espírito Consolador, recebido no Batismo, nos conduzirá a nosso estado original.
‡ Caros irmãos, chamados a partilhar da herança dos santos, agora estais próximos de todas as virtudes. Todas elas vos pertencem se não vos embaraçais na vida carnal, mas permaneceis transparentes diante de Deus. É a pessoas capazes de me compreender que escrevo, a pessoas em condições de se conhecerem a si mesmos. Quem se conhece, tem a obrigação de adorar a Deus como convém.

sábado, janeiro 15, 2011

Jung do jazz ao bilhete de metrô


Dentro de instantes parto para mais uma descida aos infernos da cidade grande, para a convivialidade deturpada oferecida pelos corpos antropóides aglomerados e se irritando mutuamente no metrô. Há quem suporte tal provação amarrando-se às ali trêmulas linhas de revista de fofoca a bíblias a tiracolo. Ora, se são as linhas grosseiras que balançam, não são seus significados sutis que emergirão para conosco dançar. Quanto a mim, levo, se não "a Palavra" do Louco Dançarino, ao menos algumas das palavras de um de seus santos, o psiquiatra porém nem um pouco menos insano Carl Gustav Jung. Algum de seus livros. Não para lê-lo, pois autores desse naipe, diferentemente dos picaretas, merecem atenção plena, dançando versículo a versículo, ao som de um bom jazz, coisas que só em meu sagrado retiro posso me permitir. Mas levo-o mesmo assim, cumprindo um pequeno rito de magia: a caminho da ida ou já no da volta, ponho dentro do livro o bilhete de metrô que será usado naquela viagem. Meu pedido de provisão de energias especiais para o difícil momento de "digestão" espiritual exigido pelo corpo-a-corpo banal com os profanos banais - não pelo que são, mas pelo modo como estão (estamos!) jogados às traças em metrôs, condomínios fechados ou ruas "abertas" desta cidade em que até os anjos do Senhor devem usar máscara para não morrer de tossir na poeira infecta dos picaretas e picamurchas.
-Unzuhause-

PS: Leiam mais este tesouro de Leonardo Boff, falando especificamente sobre meu Bem-Amado Mestre suíço:
  
C. G. JUNG E O MUNDO ESPIRITUAL
por Leonardo Boff

Coordenei junto à Editora Vozes a tradução da obra completa do psicanalista C.G. Jung (18 tomos), o que o tornou um dos meus principais interlocutores intelectuais.
Poucos estudiosos da alma humana deram mais importância à espiritualidade do que ele.
Via na espiritualidade uma exigência fundamental e arquetípica da psiqué na escalada rumo à plena individuação.
A imago Dei ou o arquétipo Deus ocupa o centro do Self: aquela Energia poderosa que atrái a si todos os arquétipos e os ordena ao seu redor como o sol o faz com os planetas.
Sem a integração deste arquétipo axial, o ser humano fica manco e míope e com uma incompletude abissal.
Por isso escreveu:
“Entre todos os meus clientes na segunda metade da vida, isto é, com mais de 35 anos, não houve um só cujo problema mais profundo não fosse constituído pela questão da sua atitude religiosa. Todos em última instância estavam doentes por terem perdido aquilo que uma religião viva sempre deu, em todos os tempos, a seus seguidores. E nenhum curou-se realmente sem recobrar a atitude religiosa que lhe fosse própria. Isto está claro. Não depende absolutamente de uma adesão a um credo particular, nem de tornar-se membro de uma igreja, mas da necessidade de integrar a dimensão espiritual.”
A função principal da religião, melhor, da espiritualidade é nos religar a todas as coisas e à Fonte donde promana todo o ser, Deus.
Esse é o propósito básico de seu grandioso livro Mysterium Coniunctionis (Mistério da Conjunção) que Jung considerava seu opus magnum.
Pois nele se trata de realizar a coniuntio, traduzindo, a conjunção do ser humano integral com o mundus unus, o mundo unificado, o mundo do primeiro dia criação quando tudo era um e não havia ainda nenhuma divisão e d iferenciação.
Era a situação plenamente urobórica do ser.
Esclarecendo: uroboros era a serpente primigênia, enrolada sobre si mesma e engolindo a própria extremidade, arquétipo que representa a unidade originaria antes das diferenciações entre masculino e feminino, corpo e espírito, Deus e mundo.
Essa fusão é o anseio mais secreto e radical do ser humano e o permanente chamado do Self.
Espirtualidade signfica vivenciar esta situação na medida em que é permanentemente buscada, mesmo que não se deixe apreender e se desloque sempre um passo a frente.
O drama do ser humano atual é ter perdido a espiritualidade e sua capacidade de viver um sentimento de conexão.
O que se opõe à religião ou à espiritualidade não é a irreligião ou o ateísmo mas a incapacidade de ligar-se e religar-se com todas as coisas.
Hoje as pessoas estão desconectadas da Terra, da anima (da dimensão do sentimento profundo) e por isso sem espiritualidade.
Para C. G. Jung o grande problema atual é de natureza psicológica. Não da psicologia entendida como disciplina ou apenas como uma dimensão da psiqué.
Mas psicologia no sentido abrangente dado por ele como a totalidade da vida e do universo enquanto percebidos e referidos ao ser humano seja pelo consciente seja pelo inconsciente pessoal e coletivo.
É neste sentido que escreveu:
“É minha convicção mais profunda de que, a partir de agora, até a um futuro indeterminado, o verdadeiro problema é de ordem psicológica. A alma é o pai e a mãe de todos as dificuldades não resolvidas que lançamos ao céu.”
A Terra está doente porque nós estamos doentes. Na medida em que nos transformamos, transformaremos também a Terra.
Jung buscou esta transformação até a sua morte. Ela é um dos poucos caminhos que nos pode levar para fora da atual crise e que inaugura um novo ensaio civilizatório, assim como o imaginava Jung, mais integrado com o todo, mais individualizado e mais espiritual.
C. G.Jung se mostra um mestre e um guia que nos traça um mapa apto a nos orientar nestes momentos dramáticos em que vive a humanidade.
Como acreditava profundamente no Transcendente e no mudo espiritual, será seguramente o capital espiritual, agora colocado no centro de nossas buscas, que nos permitirá viver com sentido a fase nova da Terra e da Humanidade, a fase planetária e espiritual.
Leonardo Boff é teólogo





sexta-feira, janeiro 14, 2011

bonitinha mas ordinária


14/01/2011 - 06h04
http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2011/01/14/sarah-palin-atica-blogsfera-com-alusao-ao-anti-semitismo.jhtm

Sarah Palin atiça blogsfera com alusão ao antissemitismo

A ex-governadora do Alasca e estrela do movimento conservador Tea Party, Sarah Palin, é acusada de encorajar atos de violência em seu discurso e recentemente despertou a ira de grupos judeus ao usar um termo que se refere ao antissemitismo.
Acostumada a falar o que pensa - sem filtros -, Palin rompeu seu silêncio na quarta-feira com um vídeo no qual acusa a imprensa de um "libelo de sangue" contra ela ao querer vinculá-la com o tiroteio do último sábado em Tucson.
O tiroteio deixou seis mortos e 14 feridos, entre eles a congressista Gabrielle Giffords, a primeira judia entre os 435 membros da Câmara de Representantes dos Estados Unidos.
"Quando uma tragédia acontece, os jornalistas não deveriam inventar um libelo de sangue que só serve para incitar o mesmo ódio e violência que supostamente condenam", disse Palin, que é cristã.
O vídeo de quase oito minutos foi gravado com um aprazível cenário: na frente de uma chaminé e com a bandeira dos EUA. Olhando fixamente à câmera, Palin critica as "declarações irresponsáveis" após o tiroteio, e logo após, declarou a polêmica frase.
Embora faça parte do vocabulário aceito no idioma inglês para referir-se a uma vítima de falsas acusações, o termo segue tendo, sobretudo, uma alta carga emocional na história dos judeus.
De acordo com o dicionário Oxford de religiões do mundo, "blood libel" (libelo de sangue) se refere a uma tradição na qual os judeus usavam o sangue de cristãos, particularmente de crianças, em seus rituais de Páscoa. Esse hábito aparece em várias publicações antissemitas da Idade Média que atribuem o registro de massacres, mas é considerada um mito pelos pesquisadores.
Também foi um termo amplamente usado na propaganda antissemita durante a Segunda Guerra Mundial.
Basta uma olhada na blogsfera que é possível perceber que Palin não é a única conservadora que utilizou da expressão recentemente, contudo, foi ela que levantou a polêmica e é agora acusada de "ser insensível".
Pelo menos assim acredita a maioria dos grupos judeus dos EUA, que não demorou a repudiar seus comentários.
O líder da Liga contra a Difamação, Abraham Foxman, lamentou que a tragédia de Tucson continue abordando a retórica incendiária que "corrói nosso sistema político" e atinge o ambiente dentro e fora de Washington.
"Palin não é culpada da tragédia, mas desejaríamos que tivesse usado outra frase, em vez de uma que traz tanta dor à comunidade judaica", disse Foxman.
O Conselho Nacional Judeu Democrático acredita que Palin conseguiu exacerbar um momento já difícil para o país.
"O uso do termo por parte de Palin para atacar seus supostos inimigos dificilmente ajuda a melhorar a cultura política do país", acrescentou o grupo.
Outros esperam que Palin reconheça seu erro, ofereça desculpas e se comprometa a escolher palavras mais adequadas.
Por outro lado, os blogueiros conservadores, no entanto, defendem a ex-governadora, insistindo em dizer que o "escândalo" sobre a frase surgiu de "oportunistas do massacre de Tucson".
Palin tirou do ar o mapa que continha 20 círculos eleitorais assinalados com um alvo e a lista de 20 congressistas democratas considerados inimigos políticos de Sarah Palin, entre eles Giffords.
Apesar dos protestos, o vídeo sobre o "libelo de sangue" continuava disponível na sua página do Facebook na noite de quarta-feira.

quinta-feira, janeiro 13, 2011

de grimórios pessoais e enchentes antropocênicas


Primeiros minutos num táxi ontem à tarde, pela região da Paulista. Aquela coisa de puxar assunto, e o assunto vai das enchentes às mulheres. Uma boazuda atravessava uma rua próxima, em nossa mão direita. Raciocínio rápido do taxista em saltar da "sujeira" que fica a cidade com as desgraças do verão,  para um dos poucos consolos, ou divertissements pascalianos, dessa estação outrora feliz, as mulheres provocantemente (des) vestidas, em seus shortinhos e outras quitudes.O raciocínio do cara, "impublicável" na íntegra, falava da impossibilidade de limpeza da cidade, cotejada com a necessária "limpeza" das, digamos, áreas ecológicas mais naturais (o que não quer dizer virgens) do corpo feminino para os passeios do bosque encantado do desejo masculino.  
Tudo isto foi divertido de ouvir e de participar. Ainda mais por ser um dos raros momentos de exteriorização de mim, ou de irrupção aqui dentro do mundo de além de minha concha acústica pisciana de fluxos de palavras e de imagens que só fazem sentido para mim. E que, quando "reencontro" ditas pelos outros, fazem deles, enfim, algo mais do que mera murmuração verbal e vibrátil, mero  pano de fundo do qual me chegam, mesmo quando a distância física é pouca, sinais tênues como de alguém que estivesse falando dentro de uma cabine telefônica, com a porta indecisa entre abrir e fechar, estando eu no terceiro lugar da fila na calçada. Vivo num mundo paralelo, as coisas e fatos corriqueiros têm de atravessar uma parede acústica bastante espessa quando querem ou têm a potência para ser algo mais do que cifras  de  minha própria gramática ou melhor (melhor? não sei.. a mixture blessing), como diriam os bruxos, de meu grimório pessoal. Forma de "autismo" no imaginário, critico-me, ou no linguajar psiquiátrico que mais me encanta, o da escola de Zurique (Jung, Bleuler), forma aguda, dir-se-ia "esquizóide", de introversão.  
Meu Grimório é regido por arcontes angelicais e demoníacos (redundância teológica, sabemos serem os demônios nada mais que um tipo de.. anjos) que, quando não brotam da profundeza da minha própria mente, eu tomo pra mim de personagens do real (o que é o real?) que me fascinem por sua tragédia, suas virtudes, beleza ou, mais comumente, por seu grotesco, farsesco, seu ridículo, sua desgraça, excelentes prenúncios da graça, a desgraça levada ao fundo do abjeto é teofórica, portadora de Deus. Ou dos deuses, para fazer mais jus à realidade polifônica da alma. No meu caso, sobretudo deusas. Meu panteão é pagão, portanto matriarcal, no peso pra baixo (pleonasmo da física e da metafísica..) exercido pela força do tesão. E é cristão na leveza para o alto das renúncias indispensáveis ao processo ou aos instantes de ascese e ascensão.
Bom, quero no fim dessas desconjuntadas conjecturas propor a leitura mais que oportuna de um grande mestre contemporâneo, Leonardo Boff, falando da desgraça "demensfórica" (o homo sapiens sabe ser tão "bem" seu próprio homo demens) que os antropóides urbanos, coletivo rei dos animais, têm sido para si e para a Terra. Algo dramaticamente evidente nestes dias de enchente, destruição e morte,  pesadelos de uma longa noite de verão que ainda mal começou.
-Unzuhause-

O antropoceno: uma nova era geológica
LEONARDO BOFF


As crises clássicas conhecidas, como por exemplo a de 1929, afetaram profundamente todas as sociedades. A crise atual é mais radical, pois está atacando o nosso modus essendi: as bases da vida e de nossa civilização. Antes, dava-se por descontado que a Terra estava aí, intacta e com recursos inesgotáveis. Agora não podemos mais contar com a Terra sã e abundante em recursos. Ela é finita, degradada e com febre não suportando mais um projeto infinito de progresso.

A presente crise desnuda a enganosa compreensão dominante da história, da natureza e da Terra. Ela colocava o ser humano fora e acima da natureza com a excepcionalidade de sua missão, a de dominá-la.

Perdemos a noção de todos os povos originários de que pertencemos à natureza. Hoje diríamos, somos parte do sistema solar, de nossa galáxia que, por sua vez, é parte do universo. Todos surgimos ao longo de um imenso processo evolucionário. Tudo é alimentado pela energia de fundo e pelas quatro interações que sempre atuam juntas: a gravitacional, a eletromagnética e a nuclear fraca e forte. A vida e a consciência são emergências desse processo. Nós humanos, representamos a parte consciente e inteligente da Via-Láctea e da própria Terra, com a missão, não de dominá-la mas de cuidar dela para manter as condições ecológicas que nos permitem levar avante nossa vida e a civilização.

Ora, estas condições estão sendo minadas pelo atual processo produtivista e consumista. Já não se trata de salvar nosso bem estar, mas a vida humana e a civilização. Se não moderarmos nossa voracidade e não entrarmos em sinergia com a natureza dificilmente sairemos da atual situação. Ou substituímos estas premissas equivocadas por melhores ou corremos o risco de nos autodestruir.A consciência do risco não é ainda coletiva.

Importa reconhecer um dado do processo evolucionário que nos perturba: junto com grande harmonia, coexiste também extrema violência A Terra mesma no seu percurso de 4,5 bilhões de anos, passou por várias devastações. Em algumas delas perdeu quase 90% de seu capital biótico. Mas a vida sempre se manteve e se refez com renovado vigor.

A última grande dizimação, um verdadeiro Armagedon ambiental, ocorreu há 67 milhões de anos, quando no Caribe, próximo a Yucatán no México, caiu um meteoro de quase 10 km de extensão. Produziu um tsunami com ondas do tamanho de altos edifícios. Ocasionou um tremor que afetou todo o planeta, ativando a maioria dos vulcões.

Uma imensa nuvem de poeira e de gases foi ejetada ao céu, alterando, por dezenas de anos, todo o clima da Terra. Os dinossauros que por mais de cem milhões de anos reinavam, soberanos, por sobre toda a Terra, desapareceram totalmente. Chegava ao fim a Era Mesozóica, dos répteis e começava a Era Cenozóica, dos mamíferos. Como que se vingando, a Terra produziu uma floração de vida como nunca antes. Nossos ancestrais primatas surgiram por esta época. Somos do gênero dos mamíferos .

Mas eis que nos últimos trezentos anos o homo sapiens/demens montou uma investida poderosíssima sobre todas as comunidades ecossistêmicas do planeta, explorando-as e canalizando grande parte do produto terrestre bruto para os sistemas humanos de consumo.

A conseqüência equivale a uma dizimação como outrora. O biólogo E. Wilson fala que a “humanidade é a primeira espécie na história da vida na Terra a se tornar numa força geofísica” destruidora. A taxa de extinção de espécies produzidas pela atividade humana é cinquenta vezes maior do que aquela anterior à intervenção humana. Com a atual aceleração, dentro de pouco – continua Wilson – podemos alcançar a cifra de mil até dez mil vezes mais espécies exterminadas pelo voraz processo consumista. O caos climático atual é um dos efeitos.

O prêmio Nobel de Química de 1995, o holandês Paul J. Crutzen, aterrorizado pela magnitude do atual ecocídio, afirmou que inauguramos uma nova era geológica: o antropoceno. É a idade das grandes dizimações perpetradas pela irracionalidade do ser humano (em grego ántropos). Assim termina tristemente a aventura de 66 milhões de anos de história da Era Cenozóica. Começa o tempo da obscuridade.

Para onde nos conduz o antropoceno? Cabe refletir seriamente.

segunda-feira, janeiro 10, 2011

Dostoiévski, gays "jids" e o robocop papal Luiz 2º, Luiz Mott-Pudê dos politicamente incorretos


Uma dica para alpinistas intelectuANais: ao invés de perder seu precioso tempo feito para ganhar dim-dim e para divulgar seus nobres trabalhos de merda, aproveite mais uma novidade do supermercado do marketing do grotesco. Um atalho "javanês" sensacional.Em sendo um analfabeto inconfesso no russo em questão, forje citações de russo e fale meia-dúzia de merda sobre algum autor-cabide útil para sua ideologia ridícula. Isso sem citar a fundo os comentadores, claro. Ou citando comentador no lugar do autor. Tipo assim (deixa eu falar uma linguagem jovem com vc que é um velho que ainda usa tênis, "isso aí, mandou bem, bicho" (ou melhor, bicha)!), fale de mundo moderno sem precisar discutir nem ler Hegel -é o que fazem os analfabetos filosóficos que "refutam" Hegel aconselhando a leitura do que algum outro fulano acha de Hegel.. Ou tipo assim, fale de Dostoiévski sem o trabalho (que seria duro, tens razão, e sei que preferes algo duro de outro tipo) de estudar Joseph Frank.
Em Frank, mais especificamente em Dostoiévski - O Manto do Profeta, tem me impressionado, afora tudo o mais daquele gênio de Petersburgo, o ódio dele em relação ao que chamava, pejorativamente, de os "jids" (judeus). Claro que hoje esse preconceito nos merece uma até fácil rejeição. Ainda mais depois do que tantos judeus concretos passaram nas mãos de quem traduziu concretamente, na Alemanha,  devaneios como os de Dostoiévski sobre o novo homem e a velha Rússia, acima dos judeus.  Mas o que Dostoiévski, maldosamente (discordo dele tá!!) , personifica nos "jids" bem se pode traduzir, e despir de referencialidade étnica específica, como os gananciosos da grana, os putos do pudê e o primo pobre deles na elite, o filistino da cultura. Os amorais, utiliOTÁrios, inescrupulosos, que dão tudo de si, do cú até os cabelos (até os últimos fios que fogem por horror daquelas cabeças imundas, como diria Diógenes), os corrompidos que, na tua empresa, igreja, faculdade, instituição qualquer, fazem tudo pra te passar pra trás, pois têm medo de você, são os Herodes de pole-dancing de sauna gay, assassinos do Messias (não recaio aqui na velha acusação aos judeus, "assassinos de Jesus", nisto sou nominalista, penso em indivíduos ou grupos concretos, não em entidades étnicas genéricas, o assassino de Cristo  alude a uma subjetividade mistico-sexual perversa, canalha e infeliz, que a gente cheira e vê um a um, caso a caso, a qualquer tempo, sem acepção de pessoas nem de etnias, leiam O Assassinato de Cristo, do judeu-austríaco Wilhelm Reich..) .
O que para Dostoiévski eram os demoníacos jids, podemos traduzir como sendo os canalhas da sociedade privatista, da educação da privada. Os fedorentos alpinistas intelectuANais.. ais... aaaaiiiiieah, como num gritinho de Lafond  (rsrs).
Vendo televisão neste fim-de-semana, uma barata passou roçando meu dedinho do pé direito e me trouxe, sem precisar engoli-la, como fez G.H., uma "epifania": uma iluminação. Aliás, barata que é barata -falo da barata niilista- só pode cheirar e "descobrir" em tudo o que toca o cocô niilista que ela própria traz de seus esgotos de origem, no RG de suas patas. Quando morrer, e der uma escapulida do inferno, até no trono do Padre Eterno ela vai farejar cocô. Tenho uma amiga que diz que sempre considerou, na infância, a barata e, mais tarde, o vírus da AIDS, os cocôs vibráteis de Deus. Eu acrescentaria nesta lista os fariseus místicos cagados de Deus.
Fiquei espantado de ver, na TV e na barata da minha sala, confirmados e piorados, em termos de trejeitos afetados e recobertos da maquiagem de opiniões "duras" feitas-pra-chocar, como denuncia uma importante ombudsman, meus mais sombrios diagnósticos: assim como o "espírito santo" chamou um santo papa do Leste europeu pra acabar com qualquer conversa de socialismo na igreja, pode um dia -assim pressenti em meus devaneios "fictícios"- convocar um gay enrustido pra ser o Luiz Mott dos anti-gays. Não dos "gays" gays, nem dos jids jids. Como assim?
Primeiro, que se registre a dignidade e importância histórica de Luiz, o 1º. Combativo defensor de uma minoria humilhada, que precisava sim ser resgatada da opressão, um sentimento de "dever" que nós, niilistas pós-pós-tudo, já nos damos ao luxo de ignorar, mas que devemos às velharias éticas "humanistas e cristãs", essas crenças de ingênuos ou mentirosos (assim os julgamos) que lutavam por um mundo melhor, antes da teologia piorista nos salvar daquele mau caminho do Bem. Será que essa abobrinha anti-humanista seria uma força de resistência ou álibi de capitulação se contada para os prisioneiros de um campo de concentração tipo assim Auschwitz?  A resposta fique a cargo da imaginação e da qualidade de consciência de cada um..
Mas, voltando às "porcas marcas" do niilismo pós-pós-tudo, a história sempre se repete como farsa, e o Luiz 2º, o Luiz Mott pudê de meus pesadelos não foge à regra. Seria um robocop gay dos anti-gays, metaforicamente falando, ou seja,  um gay anti-tudo, se esse "tudo" que o gay anti-gay combate tiver algo a ver com o gayzismo e seus correlatos da alteridade contemporânea, as teses do politicamente correto. Ficou legal o "trabalho" fácil de ir na contra-mão dessas teses. Não das teses, e sim dos clichês barateados pela barata: pois esses leitores barateiros de dicionário bilíngue "russo-javanês" não têm tempo pra discutir teses, isso é muito complexo pra eles. Precisam é de sparrings de clichês, tão imbecis quanto eles, para fingirem estarem "refutando" e "comprovando" algo. UUUUUUAHHHAAARRRGGHHH (imita esse som de vômito também, seu viado! e gaste mais algumas de suas úteis semanas pra mais uma respostinha de merda ao que em uma hora de desprazer eu formulo e te revelo sobre ti próprio.)
-Unzuhause-

sexta-feira, janeiro 07, 2011

o cãozinho de Schopenhauer

Schopenhauer e seu cãozinho de nome "Atmã", termo que designa, na visão hindu, a Super-Alma de todo homem, para além da particularidade do ego individual

"A bondade é necessária nos relacionamentos humanos. Quem não é bom não está cumprindo sua principal obrigação.
É preciso que se respeite toda e qualquer pessoa, por mais miserável e ridícula que seja. É preciso que todos se lembrem de que em toda e qualquer pessoa vive o mesmo espírito que vive em cada um de nós".
ARTHUR SCHOPENHAUER,
in: TOLSTÓI,
Calendário da Sabedoria, 7 de janeiro

segunda-feira, janeiro 03, 2011

oração pelo Ano Novo

"Simplesmente imaginar que o objetivo da sua vida é apenas o da sua felicidade -a vida torna-se então uma coisa cruel e sem sentido. É preciso que assuma o que a sabedoria da humanidade, o seu intelecto e o seu coração lhe dizem: que o sentido da vida é o de servir à força que o mandou para este mundo. Então a vida se transforma em uma constante alegria".
TOLSTÓI
Calendário da Sabedoria - 3 de janeiro

Senhor Jesus Cristo,

Reiniciando os trabalhos públicos deste Monastério após breve e produtiva pausa, invoco tua constante presença, proteção e companhia ao longo deste novo ano, não só para mim mas a todos quantos se acheguem de boa-fé com suas solidões em visitação às deste lugar.
Espero que as granadas de sarna do olho gordo, da inveja e da carência espiritual e afetiva fiquem longe, e se possível explodam no colo de seus próprios portadores, não por sadismo meu, mas para o bem deles, a tempo de que voltem pra casa, se banhem e se purifiquem para adentrar de corpo inteiro o recinto do Sagrado, e não só falar sobre ele, pelo telescópio da impotência. O auto-empuxe desta catexia de impedimentos, represamentos e postergações da libido (como o Messias que nunca chega, pois quando chega é assassinado, sempre de novo, vide o Grande Inquisidor de Dostoiévski) intensifica a infeliz auto-felicitação masturbatória da egolatria com seus "consolos" niilistas. Como bem disse (pra vergonha de quem tenha vergonha na cara) uma importante ombudsman da imprensa recentemente, que lamentável é  espaços nobres da vida pública serem empobrecidos pela auto-promoção barata de nêgo que, no lugar da mínima compreensão  do que seja a cidadania, bota sua rudimentar vontade de fama, sua jeca sede de ser "chique". Nêgo (com circunflexo mesmo) que, à falta de qualidade e autenticidade do que tem a dizer de próprio, se vende miseravelmente ao papel de palhaço cripto-acadêmico, secundário como sabe ser,  e papisa do preconceito mesquinho e do falar mal -falar porco, inconsistente, barateador de barata- das vias, momentos e roteiros dos outros. Se isto é uma fachada ridícula de fora, o que se vê dentro desse charco mental então é um infeliz subproduto da insegurança, da carência, da insuficiência de recursos e da desgraça de não ser o Eleito verdadeiro e único,  sinhô feudal que se acreditava um "en-viado" para guardar sabe-se lá onde as chaves do Céu e da Terra.
Já me decepcionei ao procurar de gente menor a superabundância auto-despreocupada de quem vive a alegria e a humildade do sabor dos saberes e da sabedoria, a limpidez e coragem que só se pode esperar de Mestres. Dei com a cara na porta do egoísmo e da mediocridade. Eu pedia apenas sugestões de como avançar em minha vida de retiro e exílio, ouvi um "sim" falso, provavelmente já ruminado entre rancores e temores, e ao contrário, obtive como resposta real a enxurrada dos esgotos do mundo, do mundo da barata niilista. Tive invadida a intimidade deste Monastério-seus painéis de colagens e fragmentos de monólogo interior, feitos para consumo próprio e informal,  mas que eu supunha ofertar a convidados dignos-, invadida, eu dizia, e agourada pelo bafo da côrva do cálculo carreirista, da "fama" melancólica, dos pretensos e pretensiosos saberes arrotados como grife em língua que se finge dominar e que se usa como punhetaria intelectuANal, mensalidade dizimal e marketing pessoal.
Senhor, eu te peço forças pra ir adiante, deixar comendo poeira a agressividade a que tudo isso me incita. Não nego que a mágoa por vezes é uma ferida que se torna deliciosa de ficar coçando e coçando na forma de insultos que vêm prontos da realidade, feitos espontaneamente, sem me dar trabalho nenhum a não ser pescar, guardar e disparar quando bem eu quiser como canhão de peixes de fogo. Parece com os antigos joguinhos de guerra, tipo "War", videogames metralhando os inimigos, explodindo suas instalações de fachada e incinerando seus tigres (nesse caso, tigresas) de papel.
Mas saindo da ficção lúdica para a vida, as vitórias que nascem destes jogos, no fundo, são derrota, porque atestam a rendição à lógica do verdadeiro Inimigo da alma. É sucumbir a uma das tentações do Diabo. A lição tolstoiana da resistência pacífica, ou seja, de não pagar o mal com o mal, de "dar a outra face", é minha prioridade para este ano. Sei que será dificílimo, pela minha impaciência com a mentira, a mediocridade e a cara-de-pau, desprezíveis e dignas de erradicação por quem como nós está condenado a estar no mundo -sem ser do mundo- e fazer com o mundo um campo de missão.
Mas tal meta tolstoiana -que é puro Evangelho- só será exequível, quando o for, se o desprazer que insiste puder ser perspectivado como uma lição dura, amarga mas necessária para que jamais nossa confiança se desperdice em criaturas às voltas com suas próprias sarnas de evolução. Nossa tragédia é que o verdadeiro Amigo é o mais longínquo de todos os seres, porque habita na imediatez de nosso próprio coração, este abismo.. Ser das lonjuras é o homem, como diria Heidegger. Ser "unzuhause".. Os abismais.
Senhor Jesus Cristo, este teu Servo não é nem pretende ser exemplo de nada, apenas um miserável peregrino de tuas sendas e lavrador de tuas messes, expiando minhas próprias culpas e imperfeições, e laborando a musculatura do verbo, do corpo e da alma para ser, cada vez mais, na sempre risível feiúra de criatura decaída, um aprendiz, contemplador e missionário de tua indescritível Beleza.
Amém