Thursday, June 30, 2011

canta e caminha! (II)



Fantasia
Chico Buarque
Composição: Chico Buarque


E se, de repente

A gente não sentisse

A dor que a gente finge
E sente

Se, de repente

A gente distraísse

O ferro do suplício

Ao som de uma canção

Então, eu te convidaria
Pra uma fantasia

Do meu violão

Canta, canta uma esperança
Canta, canta uma alegria

Canta mais

Revirando a noite

Revelando o dia

Noite e dia, noite e dia

Canta a canção do homem

Canta a canção da vida

Canta mais

Trabalhando a terra

Entornando o vinho

Canta, canta, canta, canta

Canta a canção do gozo

Canta a canção da graça

Canta mais

Preparando a tinta

Enfeitando a praça

Canta, canta, canta, canta

Canta a canção de glória

Canta a santa melodia

Canta mais
Revirando a noite

Revirando o dia

Noite e dia, noite e dia

canta e caminha!


Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (Norte de África) e doutor da Igreja


Sermão 256 para a Páscoa


«E se o Espírito d'Aquele que ressuscitou Jesus de entre os mortos habita em vós, Ele, que ressuscitou Cristo de entre os mortos, também dará vida aos vossos corpos mortais» (Rm 8,11). Agora é um corpo humano natural; depois será um corpo espiritual. Pois, «o primeiro homem, Adão, foi feito um ser vivente e o último Adão um espírito que vivifica» (1Cor 15,45). Eis a razão pela qual «Ele dará a vida aos vossos corpos mortais, por causa do Espírito que habita em vós».
Ah! Que feliz aleluia cantaremos então! Que segurança! Já não haverá adversário, nem inimigo; não perderemos nenhum amigo. Aqui na terra cantamos os louvores de Deus no meio das nossas preocupações; no céu, cantá-los-emos numa perfeita tranquilidade. Aqui cantamo-los em face da morte; no céu, teremos uma vida que não acaba. Aqui, na esperança; no céu, na realidade. Aqui, somos viajantes; lá, estaremos na nossa pátria. Cantemos portanto, desde agora, irmãos, não para saborear o repouso, mas para aligeirar o nosso trabalho. Cantemos como o fazem os viajantes. Canta, mas sem parar de caminhar; canta para te reconfortares no meio das fadigas. [...] Canta e caminha!
O que quer dizer caminha? Segue em frente; faz progressos no bem. [...] Vai em frente, caminhando para o bem; avança na fé e na pureza de costumes. Canta e caminha! Não te extravies; não voltes atrás; não fiques parado. Voltemo-nos para o Senhor.

Tuesday, June 21, 2011

uma pessoa elegante é..

quem te faz se sentir melhor do que antes deste contato com ela.
(Soror Bertha, sempre elegantíssima irmã de alma, reproduzindo palavras do Ronnie Von. Ah, e que delícia foi recitar contigo a linda prece-poema, "Salve Rainha")
-Unzuhause-

Monday, June 13, 2011

trem da alegria do viajante incompetente

Viajante incompetente, nos turismos e na existência, é quem não sai do lugar mesmo que o banquem para macaquear o magistral mascate do saber, e que, uma vez sendo viajado,  ao invés de viajar, nada vê, só repete o que já "leu" -e leu numas- do comentador do comentador da tradução da tradução escondida (mas adulteremos estes detalhes né, nobre philosophus, aperucada miniatura philosophal).
-Unzuhause-

Sunday, June 12, 2011

Unzuhause na Cult


Irmãos,

Minhas escritas unzuhauseanas chegam à belíssima revista Cult a partir deste mês, edição 158, link aqui: http://revistacult.uol.com.br/home/.
Unzuhause estréia com dois textos, um sobre a agonia e morte de Immanuel Kant, segundo Thomas de Quincey, o provocativo "comedor de ópio" adorado por Baudelaire, e o outro sobre o conceito de ansiedade e angústia na história da filosofia, com destaque para Pascal, Kierkegaard, Heidegger e Sartre.. Leiam, repercutam, critiquem, e sobretudo gostem! rsrs Ahhh.. o escritor é mesmo um eterno carente, desejando espalhar seu desejo pelo mundo, e também, nos melhores casos, metabolizar seu"synthome" com o mundo. Não na forma de vírus como o idiota que se apossou de meus emílios deseducados esses dias, não abram nada em meu nome! Só a revista e o coração! rs
-Unzuhause-

Thursday, June 09, 2011

ao encontro de Bento, o primeiro


O documento fundamental do monasticismo ocidental -A Regra de São Bento- é repleto de tesouros de sabedoria, válidos não só para os religiosos dos séculos V e VI, mas para o monge de hoje, o aventureiro espiritual da odisséia da sua própria individuação, o místico pós-crente, que sabe suportar o quanto for preciso de purificação e expurgo interior, inclusive desespero e perda de fé, no caminho para as águas mais profundas (inconscientes) onde paira e venta o Espírito criador, inominável e sombrio. Começo a partilha de trechos da célebre Regra, segundo o calendário da leitura anual recomendada aos beneditinos. O trecho em questão é parte de um capítulo dedicado à "Humildade". O que essa palavrinha tão desgastada e desprezada nos consegue dizer ainda hoje? Podemos ainda escutá-la, nós, atores "liberados",  "autônomos" e "céticos" (pra não sermos rotulados de crentes idiotas)? Não seriam coisas distintas e imiscíveis, a humildade e esta era das miniaturas pessoais e efêmeras feito formigas vaidosas em torno do açúcar do ser Celebridade, esse sedutor e disfarçado caixão vazio, aberto à peregrinação de candidatos a seus 15 minutos de fantasias-de-fama de miseráveis criaturas presas de sua própria "auto-estima" forjada ou projetada, o babaca "riso" (pra manter a metáfora do trecho a seguir) midiático da beleza, do poder, do dinheiro, do sucesso?
-Unzuhause-

"O décimo primeiro degrau da humildade é quando o monge, ao falar, o faça de maneira suve e sem riso, humildemente, com seriedade e poucas palavras, diga coisas razoáveis e também não fale alto demais, conforme está escrito: 'O sábio se manifesta com poucas palavras'".

Regra de São Bento, 09 de junho

Monday, June 06, 2011

linda! descida até mim, esta madrugada, pelas asas da TV do Monastério..




Evangelho segundo S. João 16,29-33.



Disseram-lhe os seus discípulos: «Agora, sim, falas claramente e não usas nenhuma comparação.
Agora vemos que sabes tudo e não precisas de que ninguém te faça perguntas. Por isso, cremos que saíste de Deus!»
Disse-lhes Jesus: «Agora credes?

Eis que vem a hora e já chegou em que sereis dispersos cada um por seu lado, e me deixareis só, se bem que Eu não esteja só, porque o Pai está comigo.

Anunciei-vos estas coisas para que, em mim, tenhais a paz. No mundo, tereis tribulações; mas, tende confiança: Eu já venci o mundo!»




Da Bíblia Sagrada

Comentário ao Evangelho do dia feito por :


São Columbano (563-615), monge, fundador de mosteiros



«Anunciei-vos estas coisas para que, em Mim, tenhais a paz»

«Deixo-vos a paz, deixo-vos a Minha paz» (Jo 14,27). Mas de que nos serve saber que esta paz é boa, se não cuidamos dela? O que é muito bom é, habitualmente, frágil; e os bens preciosos reclamam maiores cuidados e uma protecção mais atenta. Muito frágil é a paz, que pode ser perdida por uma palavra ligeira ou uma ferida mínima feita a um irmão.

Ora, nada agrada mais aos homens do que falarem fora de propósito e ocuparem-se com o que não lhes diz respeito, proferirem discursos vãos e criticarem os ausentes. Portanto, que os que não podem dizer: «Deus meu Senhor deu-me língua de discípulo para que eu saiba dizer ao abatido uma palavra de alento» (Is 50,4) se calem; se disserem uma palavra, que seja uma palavra de paz. [...] «A caridade é o pleno cumprimento da Lei» (Rom 13,10); que o nosso bom Senhor e Salvador Jesus Cristo, o autor da paz e o Deus do amor, Se digne inspirar-nos.

Sunday, June 05, 2011

a buldoguinha de volta (em haicai)

Buldogue lá longe
sendo conduzida ao carro
lágrima me escorre

-Unzuhause-

braços de alface do cacete

Contra Goiás (perda do título brasileiro e da vaga direta na Libertadores)
Contra Tolima (desclassificação vexatória da Libertadores)
Contra a São Bambi Futebol Clube (gol 100 do Rogério )
Contra Santos (frango na final do Paulistinha)
Contra  Flamengo, despedida do Pet, minutos atrás..

FRANGO DO BANQUETE DOS OUTROS, PÔRRA DE BRAÇOS DE ALFACE, FORA DO TIMÃO

para uma buldoguinha que amo de longe


pingo em pelúcia
é sua forma ao longe
a buldoguinha ofegante
conduzida ao carro
pingo de lágrima
é minha forma de perto
subindo a escada
compaixão assombrada
-Unzuhause-

Friday, June 03, 2011

assombração de Xenófanes

"Mas não se esqueça de que se os cavalos soubessem pintar, pintariam seus deuses com cara de cavalo.. os burros idem".
"Mas  justamente porque é o homem que sabe pintar, é que seus deuses, ou seus quadros, podem ser mais do que ele mesmo, ser inclusive o suposto deus-burro dos burros".

-Unzuhause, tuitando com Xenófanes-

Thursday, June 02, 2011

pra uma Jaguncinha unzuhause

Jaguncinha unzuhause, vc me fez lembrar outro filme do mesmo diretor que te filmou hahahahahahaha
Veja que sequência mais maravilhosa, é do "Mar Adentro", atuação espetacular de Javier Bardem. Para os frufrus chegados a brilhareco midiático (dêem a alma ou o que mais precisar para tanto), ele é mais conhecido e /ou desejado como o-homem-de-Penélope-Cruz. Mas que aqui deu -sem perdê-la, diferente dos frufrus- a alma aos deuses e demônios da Arte, pra encarnar a tragédia e a revolta de um homem subjugado por limites inultrapassáveis, e nem por isso menos horrendos e inadmissíveis. Limite e destino de morte -menos mal quando subvertido e apropriado pela consciência humana que assume sua finitude, plenamente, na liberdade para a morte, como diria Heidegger, e como o personagem de Bardem levou (história verídica) ao extremo, ao exigir para si o direito da eutanásia. Para que seguir arrastando a existência, morto do pescoço pra baixo, quando a vida já não passa de uma comitragédia beckettiana? E Nessun Dorma! Como se precisasse de mais glória, a música é, no filme, consagrada a símbolo nietzschiano do ex-tasis (saída de si) do espírito que na música celebra a vitória do desejo sobre os tristes inter-ditos do corpo. Lindo filme!!!! Linda a condição humana! Linda, incompreensível, absurda, heróica!
beijossssssssssss meu amor
-Unzuhause-

Mar adentro, mar adentro,
y en la ingravidez del fondo
donde se cumplen los sueños,

se juntan dos voluntades
para cumplir un deseo.

Un beso enciende la vida
con un relámpago y un trueno,

y en una metamorfosis

mi cuerpo no es ya mi cuerpo;

es como penetrar al centro del universo:
El abrazo más pueril,

y el más puro de los besos,

hasta vernos reducidos

en un único deseo:

Tu mirada y mi mirada
como un eco repitiendo, sin palabras:
más adentro, más adentro,hasta el más allá del todo

por la sangre y por los huesos.

Pero me despierto siempre
y siempre quiero estar muerto
para seguir con mi boca
enredada en tus cabellos."



Poema de Ramón Sampedro


recitado por Javier Bardem


no filme Mar Adentro





Wednesday, June 01, 2011

seriedade desregrada

pode a "seriedade" cotidiana configurar um tipo de vida desregrada, não aquele (que pena! rs) das bebidas e noitadas? um outro, mas igualmente, redundantemente, desregradora dos instintos desarticulados insaciáveis, quais uma "gaviões da fiel" interior cobrando o título dos Libertadores e, pra chegar nisto, mais garra, mais fé e mais obras, em espírito de decisão? literariamente, um outro tipo de "homem do subterrâneo", não o dos abismais já iluminados, mas o do cativo encardido da cela da chata chuva interminável das larvas do instituído -larvas querendo borboletar a alma num cântico novo.. é a questão que Mamãe Unzuhause me fez colocar-me, sábia e provocativa como sempre  ela é, acerca do momento que vivo e não é de hoje!
-Unzuhause-