Thursday, July 21, 2011

um crítico corajoso e viril

Um dos maiores cronistas políticos do país, em texto especialmente notável pela virilidade e coragem intelectual com que toca na chaga moral e política da corrupção. Um texto que, lembrando que nem tudo é lixo no que se escreve hoje em dia, traz alívio para meus pulmões atordoados pelo ar infecto das lacraias polêmicas do opinalpinismo contemporâneo.
-Unzuhause- 

FERNANDO DE BARROS E SILVA

Por que não reagimos?

(Folha de S. Paulo, 20 junho 2011)

Por que os brasileiros não reagem à corrupção? Por que a indignação resulta apenas numa uma carta enviada à Redação ou numa coluna de jornal? Por que ela não se transforma em revolta, não mobiliza as pessoas, não toma as ruas? Por que tudo, no Brasil, termina em Carnaval ou em resmungo?
A pergunta inicial não foi feita por um brasileiro -o que é sintomático. Foi Juan Arias, correspondente do jornal "El País" no Brasil, quem a formulou num artigo recente. "
Es que los brasileños no saben reaccionar frente a la hipocresía y falta de ética de muchos de los que les gobiernan?". Y entonces???
Não existe resposta simples aqui. Em primeiro lugar, a vida de milhões de brasileiros melhorou nos últimos anos, mesmo sob intensa corrupção, e apesar dela. Ninguém que leve o materialismo a sério pode desconsiderar esse dado básico.
Além disso, o PT, na prática, estatizou os movimentos sociais. Da UNE ao MST, passando pelas centrais sindicais, todos recebem dinheiro do governo. Foram aliciados. São entusiastas e sócios do poder, coniventes com os desmandos porque têm interesses a preservar, como o PR de Valdemar e Pagot.
Há ainda um terceiro aspecto, menos óbvio, que leva muita gente progressista a se encolher diante da corrupção. É a ideia introjetada de que qualquer movimento político ou mobilização contra a bandalha acaba sendo uma reedição do espírito udenista, coisa da direita ou que serve a seus propósitos. O lulismo soube explorar esse enredo, como se estivesse em jogo no mensalão uma disputa entre Vargas (o pai dos pobres nacionalista) e Lacerda (o moralista a serviço das elites).
Lula nunca moveu uma palha para mudar o sistema político podre que o beneficiou. Com a corrupção sob seu nariz, preferiu posar de vítima da imprensa golpista. Enquanto isso, seus aliados, no PT ou à direita, golpeavam os cofres da Viúva, exatamente como sempre neste país. Está aí a gangue dos Transportes, na estrada há 10 anos.

Monday, July 18, 2011

Manual do Picareta Pensante (II)

6)O cenário intelectual contemporâneo parece premiar esse tipo de adaptação darwinista: a lacraia camaleônica,  duas caras, cordeiro papal nas suas aulas eméritas de "ciências" da fédefake e lorde cética pra inglês ver; bem típico da podre geléia pós-moderna de que surgem, comem e engordam parasitas dessa laia. O ceticismo manipulado - eco em epígonos pós-modernos de uma tática da Contra-Reforma- virando pretexto subreptício de domesticação do intelecto. De esvaziamento da ação. De retorno do desejo que não ousa dizer o seu nome: a fédefake, depois de devidamente humilhada a razão, reduzida a refém e "serva da teologia", como na Idade Média. De conservação do mundo administrado, em sua alienação e corrupção. De
 colaboracionismo dos cordeiros papais ante o holocausto societal e ecológico em curso.
-x-


1) "Afinal, como diz (fulano)..." - macete de uma cachola falta em pensamentos próprios. Faça uma meleca de citações no liquidificador e remexa e resvale com a ponta de seus dedinhos (sem precisar ler nada, sendo esse tipo de picareta quem é: um vagabundo do trabalho obsessivo) até chegar à marca de autoridade que te pareça mais conveniente arrotar, a mentira marqueteira que convenha a cada momento, que "abafe o caso". E, para além da circunstância de ocasião, uma dica passe-partout: se você é um ignorante (o que não é não saber, mas se encastelar no não-saber), pinceladas céticas lhe cairão bem como gramática de sua afetação bichola. Um bom "ceticismo" contra-reformista te ajudará a manter no Armário, nem que lhe chutando a porta pelos calcanhares e com riso amarelo, os seus déficits de conhecimento, de amor ao conhecimento, e de realização intelectual efetiva.


2) Generalidades banais -outro antídoto não para a ignorância, que pena!, mas para o aparentar ser ignorante. Afinal, ser é aparecer, nesse tempo de imbecilidades ambulantes de batina, microfone e coroa de Gaya. Esconda-se em enunciações principistas, generalistas, que caberiam como shorts de todos os tamanhos, para o leitão em solidão estéril como para o piolho desempregado do careca.


3) Macho man gay - essa é velha, mas muito atual. Se não pode possuir mulheres, as ironize, mexa com o brio delas, se for de seu interesse comercial, até porque a maioria de nosso público leitor é feito delas e de interessados nelas (a maioria, eu disse). Se não pode vencer o seu homossexualismo, junte-se a ele pelo "avesso", a construção da figura do macho man gay, de calcinha de sereia mas bíceps de marinheiro, arroto e cuspe na calçada. Não que eu acredite em curas ou vitórias contra o homossexualismo, nem torça por algo do gênero. Qualquer modalidade de expressão sexual, desde que não se fira a si e ao outro (com exceção dos adeptos do sado-masô, claro) é bela e trágica como todas as outras. O ser gay só é um mal -de um mal que os macho men gays adooooram lembrar, sombrios e niilistas como são- para os homofóbicos (que nisto confessam serem mal-resolvidos) ou, e esse é caso aqui, para os homofílicos niilistas, para quem o "nada sei" é (vã) ilusão de disfarce para não-querer-saber de seu próprio desejo "maligno" indisfarçável; a agonia íntima do macho man gay é um caso comovente de natureza cruel, de benévola mãe Gaia convertida em terrível madrasta Gaya, coroa e dom natural que se oferecem a ti o tempo todo, com generosidade, mas são impiedosamente rechaçados pela educação e religião que forjaram e judiaram do coitado do enteado de Gaya.

4) Cala-te boca para salvar algum cargo, quando sentir que seus blefes publicitários de intelectual passaram da medida de sua auto-promoção barata, e já não te promovem, mas te revelam.

5) Faça de seu medo, de sua covardia hipocondríaca a pletora de palavras defensivas de aplicação projetiva para os outros, não para você - "fracasso" do humano enquanto você quer desesperadamente aparecer e ser possuído pelo seu macho, seu chefe, o tesão de aparentar sucesso. Sucesso fora, nas perucas. Nas línguas forjadas. Na identidade forjada, sua papisa satã, leitoa fecunda da idiotia da produtividade, leitoa de merda.

(continua)

-Unzuhause-

Wednesday, July 13, 2011

Foucault, a USP, a Revolução


Leiam a Cult deste mês, dedicada especialmente a Michel Foucault. Participo com dois textos, um sobre Foucault na USP, ouço testemunhas e analistas relevantes acerca das visitas do filósofo à nossa universidade. O outro é um breve convite à leitura de um livro que traz detalhes do amor filosófico e político suscitado em Foucault pelo levante islâmico no Irã entre 78 e 79, a revolução popular e urbana que pôs no poder o aiatolá Khomeini. Mais uma vez, a contradição: uma luta anti-totalitária conduzindo a um novo totalitarismo, confirmando o que nossos olhos retrospectivos não se cansam de apontar como "paradoxo das consequências" (Max Weber) e tragédia da vida histórica.
Um terceiro aspecto legal da minha participação na edição é de bastidor, não entrou no texto por não ser o foco da pauta: minha descoberta da presença de Foucault -após interromper o curso na USP, em protesto contra a repressão- na célebre Missa Ecumênica na Catedral da Sé, celebrada por Dom Paulo Evaristo Arns, em homenagem a Vladimir Herzog, jornalista "suicidado" nos porões da ditadura.
A missa da Sé, a coragem evangelística do Cardeal Arns: um dos momentos críticos da resistência ao regime. Entrou para os anais também como um dos mais lindos (e efêmeros, claro) instantes de reintegração mítica da Igreja, na História, ao seu Mestre e Mensagem revolucionários. Entre Dom Paulo e Khomeini, a delícia e o perigo, a pureza franciscana e a sombra fundamentalista, 
que pairam sobre o sonho imorredouro da espiritualidade política revolucionária.
-Unzuhause-

Tuesday, July 12, 2011

da era do caniço à do picareta pensante..


"O homem insuficiente.. áihia! este picareta pensante"..
(titia foucault do brasil, "relendo", aspas, Pascal)

Monday, July 11, 2011

Manual do Picareta Pensante (I)


Minhas segundas-feiras de manhã, apesar da má fama de que este dia priva em geral, têm sido realmente divertidas. Inspiradoras. Por algum motivo minha pobre alma se vê aguçada e revigorada para iniciar mais um périplo de Sísifo semana e trabalho adentro. Antes mesmo de eu acordar os influxos aparecem. Hoje por exemplo: recebi em sonho, já quase na hora de levantar, uma revelação, uma tábua da lei de fariseus,  o "Manual do Picareta Pensante". Será um work in progress. Mera coincidência qualquer fio de cabelo de semelhança com papisas empíricas do picaretismo contemporâneo, tá?
Acho que as segundas-feiras serão dias particularmente, astrologicamente, ecologicamente favoráveis a essas revelações, pelo que meu Anjo do sonho deu a entender, não me perguntem a razão. Afinal, como diz... espere, isso já me instiga a revelar a primeira regrinha. Vamos lá:

1) "Afinal, como diz (fulano)..." - macete de uma cachola falta em pensamentos próprios. Faça uma meleca de citações no liquidificador e remexa e resvale com a ponta de seus dedinhos (sem precisar ler nada, sendo esse tipo de picareta quem é: um vagabundo do trabalho obsessivo) até chegar à marca de autoridade que te pareça mais conveniente arrotar, a mentira marqueteira que convenha a cada momento, que "abafe o caso". E, para além da circunstância de ocasião, uma dica passe-partout: se você é um ignorante, pinceladas céticas lhe cairão bem como gramática de sua afetação bichola. Um bom "ceticismo" contra-reformista te ajudará a manter no Armário, nem que lhe chutando a porta pelos calcanhares e com riso amarelo, os seus déficits de conhecimento e de realização intelectual efetiva.
2) Generalidades banais -outro antídoto não para a ignorância, que pena!, mas para o aparentar ser ignorante. Afinal, ser é aparecer, nesse tempo de imbecilidades ambulantes de batina, microfone e coroa de Gaya. Esconda-se em enunciações principistas, generalistas, que caberiam como shorts de todos os tamanhos, para o leitão em solidão estéril como para o piolho desempregado do careca.
3) Macho man gay - essa é velha, mas muito atual. Se não pode possuir mulheres, fale delas, até porque a maioria de nosso público leitor é feito delas e de interessados nelas (a maioria, eu disse). Se não pode vencer o seu homossexualismo, junte-se a ele pelo "avesso", a construção da figura do macho man gay, de calcinha de sereia mas bíceps de marinheiro, arroto e cuspe na calçada. Não que eu acredite em curas ou vitórias contra o homossexualismo, nem torça por algo do gênero. Qualquer modalidade de expressão sexual, desde que não se fira a si e ao outro (com exceção dos adeptos do sado-masô, claro) é bela e trágica como todas as outras. O ser gay só é um mal -de um mal que os macho men gays adooooram lembrar, sombrios e niilistas como são-  para os homofóbicos (que nisto confessam serem mal-resolvidos) ou, e esse é caso aqui, para os homofílicos niilistas, para quem o "tudo é nada" é (vã) ilusão de disfarce para o seu próprio desejo "maligno" indisfarçável; a agonia íntima do macho man gay é um caso comovente de natureza cruel, de benévola mãe Gaia convertida em terrível madrasta Gaya, coroa e dom natural que se oferecem a ti o tempo todo, com generosidade,  mas são  impiedosamente rechaçados pela educação e religião que  forjaram e judiaram do coitado do enteado de Gaya.
4) Cala-te boca para salvar algum cargo, quando sentir que seus blefes publicitários de intelectual passaram da medida de sua auto-promoção barata, e já não te promovem, mas te revelam.
5) Faça de seu medo, de sua covardia hipocondríaca a pletora de palavras defensivas de aplicação projetiva para os outros, não para você - "fracasso" do humano enquanto você quer desesperadamente aparecer e ser possuído pelo seu macho, seu chefe, o tesão de aparentar sucesso. Sucesso fora, nas perucas. Nas línguas forjadas. Na identidade forjada, sua papisa satã,  leitoa fecunda da idiotia da produtividade, leitoa  de merda.

(continua)

-Unzuhause-

Friday, July 08, 2011

repugnante mascate da banalidade do mal

A nota a seguir lembrou-me muito o clássico Eichmann em Jerusalém - um Relato sobre a Banalidade do Mal, de Hannah Arendt, em especial as passagens do julgamento de Nuremberg em que o Eichmann, carrasco nazista, declara que nunca pensou nem questionou as ordens sanguinárias que recebia dos seus chefes: ele apenas "fazia o seu trabalho", exatamente como os mascates de hoje, tempo em que vejo até vítimas de outrora se fazendo de nazistas pra lucrar com isto e camuflar a vergonha de seus complexos de inferioridade. Que chato ver os olés que tomam dos intelectuais de verdade, mas mesmo assim nunca desistem, nem tiram férias, nem olham pra casa, e seguem dando tudo pra subir na garupa de alguma citação "bombástica" ou piada imbecil. Pena que esse cretino da notícia de hoje não tenha uma ombudsman pra lhe dar um belo de um cala-boca, como acontece em outras instâncias de mais cidadania na sociedade contemporânea..
-Unzuhause-

Alvo de um pedido de abertura de inquérito policial do Ministério Público de SP por suposta apologia e incitação ao estupro, Rafinha Bastos, do "CQC", disse à coluna que não pensa nada sobre a investigação. "Faço o meu trabalho", afirmou. Em suas apresentações no Clube da Comédia e em uma entrevista à revista "Rolling Stone", o humorista disse que a mulher vítima de estupro é feia e que quem cometeu o ato era merecedor de um abraço. A reportagem apurou que o caso será enviado à 3ª Delegacia Seccional de SP na segunda. Se for condenado, Rafinha Bastos pode pegar de três a seis meses de prisão por incitar estupro e pelo mesmo período por apologia ao crime.

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/zapping/940719-faco-o-meu-trabalho-diz-rafinha-bastos.shtml

Thursday, July 07, 2011

assemelhação

Segue abaixo o melhor comercial que vi neste ano pobrinho da outrora pujante publicidade brasileira. Excelente zombaria marqueteira contra os clichês de esquerda contra a era do marketing.. contra os do contra, negação da negação, em pastiche da dialética.. Interessante por nos permitir ver de dentro da fábrica -não de fora de nós- o quão a criatividade da indústria cultural opera como nossas torturadas mentes individuais: buscando "lucro"  mesmo se for necessário evocar e "assimilar" -tornar símile, semelhante- o elemento discordante, o ímpar de que falava Michel Foucault. Mais um sintoma do quão o capitalismo, assim como toda Mentira que prospera por progresso e repetição nas rodas eternas da História, se reinventa o tempo todo por "assimilação" dos discursos contestatários -desde que reduzidos a isto mesmo, meros discursos..
-Unzuhause-


Tuesday, July 05, 2011

o verde e a cruz -crítica e profecia em língua autêntica

Crise terminal do capitalismo?
por LEONARDO BOFF


Tenho sustentado que a crise atual do capitalismo é mais que conjuntural e estrutural. É terminal. Chegou ao fim o gênio do capitalismo de sempre adaptar-se a qualquer circunstância. Estou consciente de que são poucos que representam esta tese. No entanto, duas razões me levam a esta interpretação.

A primeira é a seguinte: a crise é terminal porque todos nós, mas particularmente, o capitalismo, encostamos nos limites da Terra. Ocupamos, depredando, todo o planeta, desfazendo seu sutil equilíbrio e exaurindo excessivamente seus bens e serviços a ponto de ele não conseguir, sozinho, repor o que lhes foi sequestrado. Já nos meados do século XIX Karl Marx escreveu profeticamente que a tendência do capital ia na direção de destruir as duas fontes de sua riqueza e reprodução: a natureza e o trabalho. É o que está ocorrendo.

A natureza, efetivamente, se encontra sob grave estresse, como nunca esteve antes, pelo menos no último século, abstraindo das 15 grandes dizimações que conheceu em sua história de mais de quatro bilhões de anos. Os eventos extremos verificáveis em todas as regiões e as mudanças climáticas tendendo a um crescente aquecimento global falam em favor da tese de Marx. Como o capitalismo vai se reproduzir sem a natureza? Deu com a cara num limite intransponível.

O trabalho está sendo por ele precarizado ou prescindido. Há grande desenvolvimento sem trabalho. O aparelho produtivo informatizado e robotizado produz mais e melhor, com quase nenhum trabalho. A consequência direta é o desemprego estrutural.
Milhões nunca mais vão ingressar no mundo do trabalho, sequer no exército de reserva. O trabalho, da dependência do capital, passou à prescindência. Na Espanha o desemprego atinge 20% no geral e 40% e entre os jovens. Em Portugual 12% no pais e 30% entre os jovens. Isso significa grave crise social, assolando neste momento a Grécia. Sacrifica-se toda uma sociedade em nome de uma economia, feita não para atender as demandas humanas mas para pagar a dívida com bancos e com o sistema financeiro. Marx tem razão: o trabalho explorado já não é mais fonte de riqueza. É a máquina.

A segunda razão está ligada à crise humanitária que o capitalismo está gerando. Antes se restringia aos paises periféricos. Hoje é global e atingiu os paises centrais. Não se pode resolver a questão econômica desmontando a sociedade. As vítimas, entrelaças por novas avenidas de comunicação, resistem, se rebelam e ameaçam a ordem vigente. Mais e mais pessoas, especialmente jovens, não estão aceitando a lógica perversa da economia política capitalista: a ditadura das finanças que via mercado submete os Estados aos seus interesses e o rentitentismo dos capitais especulativos que circulam de bolsas em bolsas, auferindo ganhos sem produzir absolutamene nada a não ser mais dinheiro para seus rentistas.

Mas foi o próprio sistema do capital que criou o veneno que o pode matar: ao exigir dos trabalhadores uma formação técnica cada vez mais aprimorada para estar à altura do crescimento acelerado e de maior competitividade, involuntariamente criou pessoas que pensam. Estas, lentamente, vão descobrindo a perversidade do sistema que esfola as pessoas em nome da acumulação meramente material, que se mostra sem coração ao exigir mais e mais eficiência a ponto de levar os trabalhadores ao estresse profundo, ao desespero e, não raro, ao suicídio, como ocorre em vários países e também no Brasil.

As ruas de vários paises europeus e árabes, os “indignados” que enchem as praças de Espanha e da Grécia são manifestação de revolta contra o sistema político vigente a reboque do mercado e da lógica do capital. Os jovens espanhois gritam: “não é crise, é ladroagem”. Os ladrões estão refestelados em Wall Street, no FMI e no Banco Central Europeu, quer dizer, são os sumo-sacerdotes do capital globalizado e explorador.

Ao agravar-se a crise, crescerão as multidões, pelo mundo afora, que não aguentam mais as consequências da super-exploracão de suas vidas e da vida da Terra e se rebelam contra este sistema econômico que faz o que bem entende e que agora agoniza, não por envelhecimento, mas por força do veneno e das contradições que criou, castigando a Mãe Terra e penalizando a vida de seus filhos e filhas.

Monday, July 04, 2011

aí sim, a niilista abre o coração, duela a quien duela, em tradução livre..


"Meu Deus, como sou fraco!", declara titia foucault do brasil, meu personagem "fictício", tá? 
(essa vai pros anais, eu disse, anais de registro histórico, tá?)

"Meu Deus, como sou fraco!". Foi isto que Titia Casada da Batina Rosa me confessou hoje no confessionário, num momento de particular comoção e sinceridade.Chega de armário, colegas de trabalho! O primeiro Foucault,  implacável niilista, tem nisto seriamente ameaçadas pela titia foucault do brasil suas críticas niilistas contra o humanismo, contra as ciências sociais e contra o controle social unilateral por parte do padre psicanalista. Afinal, sertão virou mar e a confessora se confessou ao penitente.. "Meu Deus, como sou fraco (a)!" Foi o insight que ela me segredou aos ouvidos, tensa e mal-humorada, crispada de desejo retido, mal acordei, comi meu iogurte com cereais e comecei a me deleitar em gargalhadas com as obras-primas do dia. Ou estaria eu, ainda, em mais um de meus belos sonhos dominicais? Como diria Nelson Rodrigues, é muita verdade pra ser realidade.. Mas em meio a tanta mentira de Armário fechado amarrado na bunda do avião e depois boiando no Atlântico poluído da cotidianidade, uma verdade veio à luz do Sol..
-Unzuhause-

Sunday, July 03, 2011

de seleção brasileira e outras coisas broxantes de uma tardinha de domingo


Assistir seleção brasileira na tv é uma verdadeira alegoria do que o também alegórico domingo da vida (a vida como domingo arrastado) pode ter de broxante e inercial. Hoje parece não ter sido diferente, no melancólico 0x0 do joguinho que acabou há pouco. Digo "parece", pois estive, por várias horas deste domingo,  bem melhor acompanhado de seres de sonho no timão (à falta do Timão, até o Timão eles conseguem tirar do ar) da embarcação que adoro deixar me levar aos mares longínquos do sono. Dizem aliás que o excesso de sono, no adulto, pode ser um dos sintomas de desejo "urobórico", isto é, de retorno ao ventre materno e cósmico original, em reencenação dos prazeres da infância -vide os olhinhos de bebê tão afeitos a estarem fechados por horas e horas a fio.
No meu caso, sim, isto seria coerente com minha resistência obstinada às minhas enzimas diminutivas que insistem em corroer, ante meus olhos abertos, as farsas que não gostaria de ver mas vejo:  seleção vira joguinho, programa vira lazerzinho, idiotas da produtividade, bom, esses viram eles mesmos, em seu arrastar-se sem férias e sem sair do lugar, de uma poeira a outra do Armário do Mesmo de suas afetações covardes e falsárias. Minhas enzimas de desmascaramento não poupam quase nada, em mim ou fora de mim. É como o personagem do delicioso "Meia-Noite em Paris", que o querido, este sem enzima redutora possível,  Marcelo Coelho, me fez ver -como tantos artigos dele literalmente me "fazem ver" ou ouvir, aliás descobri a palavra "orkut", de tanta história e peso pra mim em fins de primeira juventude, graças a ele.. obrigado por essa mixture blessing nada "virtual", ou virtual como tudo de ilusório que a vida é, professor e mestre Marcelo..
Dizia de mim como o personagem do filme, encarnado por um ator de que não lembro o nome mas sei que gosto muito por seus tipos cômicos.. um dos quais, de um filme cujo título também tô sem vontade de ir checar no google, é um cara que depois de várias estripulias vadias,  resolve lançar carreira séria de uma espécie de coach-terapeuta, que propõe o encontro da "ness" de cada pessoa: a Rachelness de uma Rachel, o Johness de cada John: ou seja, a busca da essência de cada pessoa, o ser próprio do indivíduo, sua  substância psíquica e melhor tradutibilidade comportamental (ok, por que descartar as TCCs, meus caros amigos e futuros colegas psicanalistas?).
Bom, fato é que também tô com preguiça de articular mais objetivamente a parecença que vejo entre o protagonista do filme e minha melancolia ante o tempo presente, meu horror do odor fétido da necrópole atual, dos sogros republicanos e burguesões, casamentos de conveniência (parcerias conjugais entre "colegas de casamento"), delicados afetados do falar "sobre", e ante tudo isto, atordoado e querendo dormir, e ele também sonhar, meu sonho da Urspräche, do silêncio primordial, do convívio com os seres de sonho, espécimes arquetípicas de sonos inspirados da humanidade, quando ela ainda sabia dormir e sonhar, sono que arranca do tempo medíocre dos mascates do saber forjado, com suas câmeras de histeria sempre alerta-vigilante, tagarelas do "sobre", Midas de merda, que sujam o que tocam e querem impedir (broxar é com eles) o jorro do gênio. Ahh, que minha "-ness" podia incluir o regresso ao convívio de seres humanos de um tipo que, no filme, toma as legendas de Buñuel, Picasso, Hemingway, Gertrude Stein, a Paris da Idade de Ouro do mito..
-Unzuhause-

Saturday, July 02, 2011

sim-nstante


A Revolução não está garantida pela  História, que não é lá de muitas garantias generosas, a não ser para os surdos que já se regalam no poder com o beneplácito dos cegos tagarelas de baixo clero que querem "chegar lá", sem férias, delicados idiotas que dão tudo para serem vistos como úteis à conservação do dado que eles decidiram "natural". A Revolução como exigência íntima do Arquétipo que brota do homem livre que há até no maior escravo, pois o escravo é livre (separado) de sua liberdade originária, contradição que não pode senão fazer do tempo ocasião kairótica do Acontecimento Apropriativo (Heidegger), ruptura da ordem e da dívida eterna do tu deves pela volúpia do eu quero e posso e faço no SIM-NSTANTE
-Unzuhause-

Livro de 1º Samuel 2,1.4-5.6-8. «Exulta o meu coração no Senhor.
no meu Deus se eleva a minha fronte.
Abre-se a minha boca contra os inimigos,
[não vim trazer paz mas espada, disse o Cristo - a existência do "Inimigo", e a violência contra ele, sobretudo contra o ente satânico que rivaliza em nós mesmos na dialética da iluminação, não devem ser recalcadas como se nossa estadia na Terra fosse a plácida e flácida paz dos acomodados ou o polemismo covarde dos falsos símiles de seu "ego ideal"- itálicos by Unzuhause]
porque me alegro na vossa salvação.
A arma dos fortes foi destruída
e os fracos foram revestidos de força.
Os que viviam na abundância andam em busca de pão
e os que tinham fome foram saciados.
Até a mulher estéril deu à luz muitos filhos
e a mãe fecunda deixou de conceber.
[a subversão da lei natural bruta como metáfora da subversão existencial, social e política do homem que é liberdade e construção do Sentido]
 o Senhor quem dá a morte e dá a vida,
faz-nos descer ao túmulo e de novo nos levanta.
[Reencarnacionistas aqui provavelmente sorriem]
É o Senhor que despoja e enriquece,
É o Senhor quem humilha e exalta.
[Como no Cântico de Maria ou Magnificat (cf. abaixo)]
Levanta do chão os que vivem prostrados,
retira da miséria os indigentes;
fá-los sentar entre os príncipes
e destina-lhes um lugar de honra.


Magnificat
(Evangelho de São Lucas, quando da visitação de Maria a sua prima Isabel, ambas então grávidas, respectivamente, de Cristo e João Batista)


A minha alma glorifica o Senhor *
E o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador.

Porque pôs os olhos na humildade da sua Serva: *

De hoje em diante me chamarão bem aventurada todas as gerações.

O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas: *

Santo é o seu nome.

A sua misericórdia se estende de geração em geração *

Sobre aqueles que o temem.

Manifestou o poder do seu braço *

E dispersou os soberbos.

Derrubou os poderosos de seus tronos *

E exaltou os humildes.
Aos famintos encheu de bens *
E aos ricos despediu de mãos vazias.
Acolheu a Israel, seu servo, *

Lembrado da sua misericórdia,

Como tinha prometido a nossos pais, *

A Abraão e à sua descendência para sempre

Glória ao Pai e ao Filho *

E ao Espírito Santo,

Como era no princípio, *

Agora e sempre. Amen.