Monday, October 31, 2011

tempus fugit (fim de mais um mês de nossas vidas..)




O Show Deve Continuar
QUEEN

Espaços vazios...
Pelo que nós estamos vivendo?
Lugares abandonados
Eu acho que já sabemos o resultado
De novo e de novo, alguém sabe o que nós estamos procurando?
Um outro herói, outro crime impensável
Atrás da cortina, na pantomima
Segure a linha, alguém quer segurar um pouco mais?
O show deve continuar
O show deve continuar, sim
Por dentro meu coração está se partindo
Minha maquiagem pode estar escorrendo
Mas meu sorriso permanece...
O que quer que aconteça, eu deixarei tudo à sorte
Uma outra melancolia, um outro romance fracassado
De novo e de novo, alguém sabe pelo que nós estamos vivendo?
Eu acho que estou aprendendo (estou aprendendo, aprendendo)
Eu preciso me aquecer agora
Em breve estarei virando (virando, virando, virando)a esquina agora
Lá fora está amanhecendo
Mas dentro da escuridão estou ansiando para ser livre
O show deve continuar
O show deve continuar, sim, sim
Por dentro meu coração se parte
Minha maquiagem pode estar escorrendo
Mas meu sorriso permanece...
Yeah yeah, whoa wo oh oh

Minha alma é pintada como as asas das borboletas
Contos de fada de ontem vão crescer mas nunca morrer
Eu posso voar - meus amigos
O show deve continuar(continuar, continuar, continuar) sim sim
O show deve continuar (continuar, continuar, continuar)
Eu irei enfrentar tudo com um grande sorriso
Eu nunca irei desistir
Adiante - com o show
O show deve continuar (sim)
O show deve continuar
Oh, eu vou dar um lance maior, eu vou superar
Eu tenho que achar vontade para continuar...continuar com o show...continuar com o show
O Show - o show deve continuar
Continuar, continuar, continuar, continuar, continuar
Continuar, continuar, continuar, continuar, continuar
Continuar, continuar, continuar, continuar, continuar
Continuar, continuar, continuar, continuar, continuar
Continuar, continuar...

Sunday, October 30, 2011

Resenhas para a Folha


DIÁRIO DE LUTO

Para além da "simples generalidade edipiana" ou da "generalidade ainda mais estereotipada e vulgar do homossexual que mora com a mãe", a relação com sua mãe, para o crítico e semiólogo Roland Barthes (1915-1980), foi" um amor totalmente pessoal, um amor de grande autonomia e plenitude nos conteúdos imaginários que desdobrava". Esse testemunho do discípulo Éric Marty, num livro de memórias, ajuda-nos a vislumbrar o tamanho da dor de Barthes com a perda de Henriette Binger. Um pesar, diz Barthes numa das notas deste "Diário de Luto", que é "caótico, errático, e (que) assim resiste à ideia corrente –e psicanalítica- de um luto submisso ao tempo, que se dialetiza, se desgasta, 'se arranja'". O diário começa um dia após a morte, e vai de outubro de 1977 a setembro de 1979 (ano anterior à partida do próprio Barthes, morto por atropelamento). Sem concessões melodramáticas, nos abre acesso ao dilaceramento pessoal mas também à força de um pensamento que, ante o horror solitário da morte, exige a mesma autenticidade, portanto voz própria existencial, à luz da qual desmontara, em horas mais felizes, os mitos e signos da vida de rebanho na sociedade contemporânea: "Não posso suportar que reduzam – que generalizem – Kierkegaard- meu pesar: é como se o roubassem de mim".

AVALIAÇÃO – ÓTIMO


O DUPLO

Disse Dostoiévski numa carta que a duplicidade "é o traço mais comum das pessoas não inteiramente comuns". Vemos assim a dimensão auto-biográfica latente ao romance "O Duplo" (1846), que sai no Brasil pela primeira vez com tradução direta do russo, e com as ilustrações expressionistas de Alfred Kubin. Anterior ao ciclo das suas obras-primas, a partir de "Memórias do Subsolo" (1864), o livro ainda assim é, no dizer do tradutor Paulo Bezerra, um "laboratório do gênio". Relata, em chave próxima a E.T.A. Hoffmann e o Gogol de "O Nariz", o naufrágio na loucura –com a emergência de um "Dopplegänger" (sósia)- de um funcionário público estagnado, que cobiça a ascensão social, simbolizada por uma pretensão amorosa e uma festa da alta sociedade de que ele quer participar como penetra. A orientação psicologizante de "O Duplo" desagradou críticos que o haviam saudado pelo realismo do livro de estréia, "Gente Pobre". Mas nisto a obra se revela menos de sua época do que da nossa: a era pós-Marx e Freud. A pobreza (termo subjacente à etimologia do nome do protagonista) não é mais vitimizada e romantizada pelo escritor russo, escondendo as mesmas complexidades, desejos, obstáculos universais da existência numa sociedade que se darwiniza cada vez mais, explicitando (no que parece as suspender) as barreiras de classe e acirrando o desencontro interior e a luta pelo lugar ao "Sol" do reconhecimento alheio e da posse (ilusória mas funcional) de si.

AVALIAÇÃO – ÓTIMO

INTELIGÊNCIA SENCIENTE

Nem só de Unamuno e de Ortega y Gasset se faz a filosofia espanhola do século 20. Menos conhecido do grande público, Xavier Zubiri (1898-1983) nos legou uma obra tão densa quanto os interlocutores com que ela dialogou pessoal e teoricamente, de Einstein a Husserl e Heidegger. E sua identidade própria, como fica patente nesta trilogia "Inteligência Senciente" se define por uma crítica e radicalização do programa fenomenológico do "voltar às coisas mesmas", bem como do diagnóstico existencialista de que o homem do século 20 padece de uma solidão radical, sem "mundo" (suas ideias decaíram em arbítrio, capricho e infidelidade ao real), sem Deus e na superfície de si mesmo. Uma "reforma do entendimento", e um novo conceito de inteligência –calcada no sentir como apreensão primordial do mundo- parecem então se impor não por capricho pernóstico, mas para nos livrar da decadência e seus sintomas, como a "enxurrada de discurso e propaganda" com que a vida intelectual, segundo Zubiri, se fez uma nova sofística de logorreia marqueteira e frívola, pose, (im) postura.

AVALIAÇÃO - ÓTIMO

HISTÓRIA E PSICANÁLISE: ENTRE CIÊNCIA E FICÇÃO

Foi como historiador que Michel de Certeau (1925-1986) alcançou seu grande renome profissional. Mas o que este "História e Psicanálise: entre Ciência e Ficção" deixa claro é que se trata de autor de uma inteligência prodigiosa, que transcende fronteiras, absorvendo também influências da filosofia, da psicanálise e da teologia. De Certeau discute nesses ensaios o conflito entre verdade e ficção na historiografia ocidental, a qual tem por função precípua falar "em nome do real", sim, mas às custas da negação, da desmistificação de outras versões. O historiador existe menos para dizer o verdadeiro do que para derrotar a falácia do resto, dos "mitos" sobre o que se passou entre os homens. Já a psicanálise –e ele dedica páginas valiosas ao gênio de Freud e de Lacan, além de Foucault- se singularizaria por admitir certo aspecto de "ficção" –no sentido da explicitação do lugar subjetivo de quem diz e interpreta a memória, individual e filogenética- interna ao seu discurso.

AVALIAÇÃO – ÓTIMO

força, Lula

Difícil distinguir ou isolar nossas vidas puramemente privadas do efeito imaginário suscitado por idéias e figuras de grande importância coletiva. Daí o impacto da notícia sobre o câncer de Lula, como se o horror estivesse aqui, não mais "lá fora", fosse tragédia familiar. Ilusão de achar que há alguma tragédia na vida que não nos seja "familiar". Os sinos dobram por nós, sempre. Tristeza, perplexidade e profundo mal-estar me acometeram ao tomar conhecimento do fato neste sábado, dia de Saturno,o velho deus das notícias tristes. O "irmão asno", como a mística cristã se referiu certa vez ao corpo, volta a mostrar seu poder destrutivo, que é indiferente a ideologia, classes sociais, caráter moral, status, poder. "Pega um pega geral, também vai pegar você".. Bem verdade que num câncer de laringe as "causas" (fumo, álcool) parecem mais identificáveis, o que mitiga um pouco, aparentemente, o pior dos horrores de ser humano,  ser animal consciente e precisar dar sentido à sua anima-lidade mortal. Sem falar que a cultura hipocondríaca, da hipermedicalização, fetichização da saúde e criminalização dos "dissidentes" (como os fumantes) se sente ainda mais premiada de razão em sua sanha de vigiar e punir (Foucault). Lula, teu exemplo, teu sucesso, tua vida até tornam supérfluo que eu te desejasse força, que tenho certeza que terás de sobra nesta nova provação, das tantas que provocaram a irrupção e expressão de teu gênio. Mas fica ainda assim esse voto de força, pra você e pra sua família. Família que no fundo, vai bem além de teus parentes, se estende Brasil afora, a família de teus milhões de admiradores, tu que és maior que Vargas, maior que JK, líder amado "como nunca antes na história deste país" . 
-Unzuhause- 

Friday, October 28, 2011

inteligência da vida é um milagre sem dogma..

28/10/2011 - 08h31
-UOL-

Paraplégico volta a andar na Bahia após tratamento inédito

Em Salvador

Nove anos após sofrer uma violenta queda durante uma viagem em família, que lhe causou um trauma raquimedular - lesão que causa comprometimento da função da medula espinhal -, que tirou a sensibilidade e os movimentos das duas pernas, o major da Polícia Militar Maurício Borges Ribeiro está andando novamente. Por enquanto, Ribeiro ainda precisa ser amparado por um andador e por uma órtese no tornozelo, por causa da atrofia muscular sofrida em suas pernas em nove anos de imobilidade. Mas as perspectivas são boas.
"Estamos fazendo um trabalho de fortalecimento muscular, para que o paciente possa, futuramente, se sustentar em pé e andar sem a ajuda de aparelhos", afirma Claudia Bahia, a fisioterapeuta e pesquisadora da Clínica de Atenção à Saúde (Casa), do Centro Universitário Estácio da Bahia (Estácio-FIB) - onde o policial realiza as sessões de fisioterapia uma vez por dia. "Há pouco tempo, ninguém acreditava que seria possível que um paciente paraplégico com lesão completa pudesse voltar a andar. É uma conquista imensurável".
Ribeiro foi o primeiro homem a participar de um tratamento experimental, desenvolvido por cientistas da Fundação Oswaldo Cruz na Bahia (Fiocruz-BA), com o apoio dos hospitais Espanhol e São Rafael e de universidades baianas, para melhorar a qualidade de vida de pacientes que, como ele, tiveram ruptura total da medula espinhal por causa de traumas - e, com isso, perderam completamente a sensibilidade, o controle e os movimentos de quadris e pernas.
O tratamento consiste na aplicação de células-tronco mesenquimais, retiradas da medula óssea da bacia dos próprios pacientes, diretamente na região onde ocorreu o trauma. O procedimento começou a ser estudado em 2005 e foi testado inicialmente em animais domésticos, a partir de 2007, com melhorias em graus diferentes em todos os casos.
Depois de Ribeiro, mais cinco pacientes foram submetidos ao tratamento - e outros 15 devem passar pelos mesmos procedimentos até o fim do primeiro semestre do ano que vem. "Até agora, todos os pacientes tiveram algum nível de melhora e não houve nenhuma intercorrência médica", comemora um dos coordenadores da pesquisa, o neurocirurgião Marcus Vinícius Mendonça. "Em alguns, por enquanto, há apenas melhoras de sensibilidade, em outros, há avanços na parte motora. Um dos objetivos desta pesquisa é saber por que um paciente responde melhor que outro", disse.
Mendonça afirma que, depois que os 20 primeiros pacientes passarem pelo procedimento, serão colhidos os dados relativos aos testes para que sejam realizados mais estudos sobre o tratamento. "O período estimado de pesquisas é de cinco a dez anos", explicou. Para o policial militar, porém, o tratamento já pode ser visto como bem-sucedido. "Depois de nove anos, você perceber que pode se sustentar sobre as próprias pernas é uma sensação muito boa", afirma. "Já estou muito feliz, mais ainda porque meu progresso traz esperança para outras pessoas que passam pelo mesmo problema", acrescentou.

Wednesday, October 26, 2011

sobre os espirituais ambíguos



Tenho sido cada vez mais sensível ao que antes pra mim era verdadeiro horror: o cristianismo neopentecostal. Falar nos "crentes" já não me vem com a carga de preconceito que antes tinha -lembrava deles mais pelas manchetes negativas e pelo transtorno do trânsito de São Paulo nos dias de "parada para Jesus".. Pois bem, não escondo de ninguém meu ressentimento e orfandade e tristeza com os rumos da Igreja pós-tudo, de pós-Paulo VI, no plano da História, ao pós-doce e saudoso padre Pedro, na minha querida paróquia de formação. Basta ligar na "Rede Vida" pra ver os efeitos de um gigante lobotomizado... Sem reducionismos simplórios, diria que este quadro não foi causa, mas tem "afinidade eletiva", como diria Max Weber, com o aumento de curiosidade pessoal pelo que têm a dizer nossos irmãos herdeiros da Reforma, da qual estão muito afastados em nível de erudição e radicalidade teológica, mas não em termos de intensidade de fé. Não me detenho em nenhuma confissão -meu temperamento gnóstico e espiritualmente "guloso" me impede de rejeitar as outras-, mas me interesso aqui e acolá. Da Renascer, gosto das músicas -foi por elas que me aproximei também da Igreja Católica anos atrás. Foi pelas músicas e pelas garotas do coral da paróquia rs. E hoje em dia, meu Deus, quantas garotas bonitas cantando "gospel".  Mas gosto também do casal Hernandes, não ignorando as polêmicas, como a prisão vergonhosa na alfândega dos Estados Unidos, com dólares escondidos na cueca, ops, misturei os escândalos, escondidos na Bíblia (!). Aí que está: sou fascinado pela forma lógica do paradoxo, pela forma psíquica da ambivalência, pela forma espiritual e moral da ambiguidade. Um exemplo é quando gosto de uma tal pessoa por "x" motivos, quando me irrito com ela por "y" motivos, e quando x e y são quase os mesmos motivos! Tenho vários exemplos que não viriam ao caso aqui rs. Acho o apóstolo Estevam um homem  forte, de inegável unção, seu sangue espanhol, já sonhei certa vez estar num templo de tipo "maçônico", como um neófito que ouvia do auto-intitulado apóstolo (que pretensão histórica, meu Deus!) brados fortes, voz de comando espiritual, um Pai de fé. Contei isto numa primeira consulta com analista (lacaniana!) e ela já veio tachar tudo aquilo de desejo homossexual camuflado! hahaha Meus sais, diria minha mestre Vampira (e grandíssima analista!) , um analista, sobretudo na clínica, não é quem parte de certezas prontas, mas as descontrói (analysis= dissolução!). Mas tô nem aí. Gosto do apóstolo, gosto da bispa, gosto da filha também bispa, sem celibato nem patriarcalismo, pra que esperar dos papas a aceitação da obviedade de que mulher entende muito mais de fé e de pregação do que nós? Me comove também a ironia trágica de  que o casal líder da Renascer, "uma igreja de milagres",  tem um filho hospitalizado e em coma profundo há anos..  e gosto e muiiito das belas garotas de seus corais, como também das de outros corais -não por acaso, minha antipatia pela Universal: eles não cantam, aliás nem pregam propriamente a Palavra, ao menos na TV. Não pus a planta dos pés (uma das tantas fórmulas repetidas no discurso evangélico) em nenhum templo de ninguém, não tenho dinheiro nem diposição pra faculdades particulares, quanto mais igrejas particulares, isto é, de mensalidades (dízimos) em troca de diplomas no céu ou na terra, e me assusto ainda de imaginar terríveis lavagens cerebrais no dia a dia de uma igreja.. e também me incomodo com a insistência no milagrismo -serei eu também um espiritual ambíguo?! rs muito paralisante, hamletiano ser ou não ser..
-Unzuhause-

Sunday, October 23, 2011

vocação apostólica

"Enquanto prosseguiam viagem, alguém lhe disse na estrada: 'Eu te seguirei para onde quer que vás'. Ao que Jesus respondeu: 'As raposas têm tocas e as aves do céu, ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça'. Disse a outro: 'Segue-me'. Este respondeu: 'Permite-me ir primeiro enterrar meu pai'. Ele replicou: 'Deixa que os mortos enterrem seus mortos; quanto a ti, vai anunciar o Reino de Deus'. Outro disse-lhe ainda: 'Eu te seguirei, Senhor, mas permite-me primeiro despedir-me dos que estão em minha casa'. Jesus, porém, lhe respondeu: 'Quem põe a mão no arado e olha para trás não é apto para o Reino de Deus'".
(Lc 9, 57-62).

Saturday, October 22, 2011

renato da culpa, nome e sobrenome

Guercino (1591-1651), "Uma Cena Mitológica: Cronos Admoesta Eros na Presença de Afrodite e Ares"

Eu precisaria da sutileza de um Marcelo Coelho pra converter as palavras em pincel e bem analisar os objetos e representar minhas impressões ao longo da exposição do Masp ontem.. aliás quero revê-la, fui atrás de uma e deparei com duas: além de "Madonas e Deuses", outra excelente, dedicada ao Romantismo.. meu Senhor, que par de Livros Vivos, livros gigantes em forma de paredes e quadros, de que pude entrar e sair com leveza de alma e olhos maravilhados.. Imersão profunda. Uma das cenas que mais me cativaram foi esta, quadro em que um carrancudo Cronos (Saturno) repreende o menino Eros, ante o olhar dos amantes Ares (deus da Guerra) e Afrodite.. Três tempos da vida: o menino sapeca, "arteiro" e inocente, o casal jovem, acasalando virilidade e tesão além de toda proibição, e o Senhor do Tempo e da Melancolia, de asas e de muleta, "educando" o moleque, envolto na rede, a parar de ser causa de tanto desejo (le petit a?) e de tanto transtorno no Reino de Deus..
Mais de um motivo para me identificar tanto com a imagem. Com a criança e o ancião. Não sei se porque, desde minha doce infância, meu verdadeiro pai, no fundo, foi meu avô -nada "saturnino" comigo, e muito generoso. Mas até hoje minha psique se sente à vontade entre a infância e a velhice, numa curiosidade temerosa e alheia aos amores responsáveis (por si mesmos) da idade adulta - quando os busquei Cronos veio me punir.. o olhar de Ares -no museu isto ficava ainda mais nítido- me remetia à consistência do homem bélico, heróico, corajoso na acepção nobre, daquele que não se angustia porque fadado a envelhecer, adoecer e morrer, macheza que nada tem a ver com as grosserias contemporâneas, que foram também as de meu pai "empírico". Minha virilidade se desativou, no nível superegoico, da cobiça de sangue e de sexo de Ares. Eu envelheci, adoeci e morri antes do tempo, mas na hora absurda (Pessoa) do cronômetro de Cronos, póstumo renato da culpa, sem porém os prazeres pagãos do deus e da deusa da idade adulta?
-Unzuhause-

Vicente, Andrés: dois presidentes de um sonho (post "solicitado" em sonho esta madrugada)

Thursday, October 20, 2011

mais que isto, não há nada..



Eu podia sentir na época,
Não havia nenhum modo de saber:
Folhas caídas na noite
Quem pode dizer para onde elas estão soprando?
Tão livres como o vento,
E esperançosamente aprendendo
Porque o mar durante a maré
Não tem nenhum modo de voltar...
Mais do que isto - você sabe que não há nada...
Mais do que isto - me diga uma coisa...
Mais do que isto - você sabe que não há nada...
Foi divertido por um tempo,
Não havia modo de saber:
Como o sonho na noite,
Quem pode dizer para onde estamos indo?
Nenhuma preocupação no mundo,
Talvez eu esteja aprendendo
Porque o mar durante a maré
Não tem nenhum modo de voltar...
Mais do que isto - você sabe que não há nada...
Mais do que isto - me diga uma coisa...
Mais do que isto - você sabe que não há nada...
Mais do que isto - você sabe que não há nada...
Mais do que isto - me diga uma coisa...
Mais do que isto - não há nada...

Timão na Copa

20/10/2011 - 14h05


Copa do Mundo começa com jogo da seleção no Itaquerão; Rio abriga a final


(UOL)

A Fifa anunciou nesta quinta-feira, em sua sede em Zurique, o calendário da Copa do Mundo de 2014. Como esperado, a cidade de São Paulo receberá a partida de abertura (entre a seleção brasileira e outra equipe), no dia 12 de junho, e a semifinal no estádio do Itaquerão, além do Congresso da Fifa. A final acontecerá no Maracanã, Rio de Janeiro.
O anúncio foi comemorado no Itaquerão. O presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, e o ex-jogador Ronaldo, vibraram com a confirmação do estádio corintiano no Mundial. Eles farão em breve pronunciamento no centro do futuro campo do Corinthians.
“Só ouviu São Paulo. Depois comemoramos. Não ouvimos mais o resto”, comentou Ronaldo, em entrevista à TV Globo.
Assim, a capital paulista, que passou por uma crise e chegou a ser ameaçada de ficar fora do Mundial, ganhou papel de protagonista, já que o evento de abertura recebe autoridades dos 32 países participantes. A outra semifinal acontecerá em Belo Horizonte. A abertura e a semifinal acontece às 17h (horário de Brasília). A disputa do 3º lugar será em Brasília.
O ritmo nas obras do futuro estádio do Corinthians, conhecido como Itaquerão, têm agradado o comitê executivo da Fifa, e por isso a escolha – levando-se em conta o poder econômico e a infraestrutura de uma das maiores cidades do mundo.
O Corinthians e a construtora Odebrecht contam com incentivos públicos para erguer a arena, como R$ 420 milhões em isenção fiscal e mais R$ 400 milhões de financiamento do BNDES.
Além disso, para atingir o público de 68 mil pessoas, capacidade necessária para o jogo inaugural, será necessário um investimento de R$ 70 milhões do Governo do Estado de São Paulo. O clube alvinegro acredita que o Itaquerão ficará pronto até setembro de 2013.
A montagem da tabela, de acordo com o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, não foi nada fácil.
É uma tarefa árdua [construir a tabela], tivemos 57 versões dessa tabela da Copa. Teremos apenas 1 jogo no dia de abertura. Poderemos ter as melhores seleções em todas as cidades sede, para não ter os melhores jogos apenas para as maiores cidades. Não podemos adiantar todos os jogos porque não temos todas as cidades-sede ainda. O jogo de abertura será em Brasília, semi em Belo Horizonte e Fortaleza e a final no Rio de Janeiro. Esses são os jogos que podemos anunciar hoje. Teremos apenas um jogo no dia de abertura da Copa", destacou.

Wednesday, October 12, 2011

piscadas e vertigens

afora o desânimo que, como agora, muitas vezes me abate e cega a faca pontiaguda que as palavras devem ter para que as mereçamos, esse computador tá nas últimas.. a cada clique do mouse são umas três piscadas, mais ou menos demoradas, e embaçamento geral da tela.. minha consciência unzuhause, que é sobretudo virtual num mundo de cujas misérias reais foge o mais que puder, se inquieta e se solidariza com o bichinho impotente que agoniza, como que orgânico, antes do mecânico ou do descarte: esse campo "mental" das piscadas e vertigens será uma prefiguração do que sucede à consciência quando do doce (segundo Freud, dizendo o que sentiu em um dos desmaios decorrentes do medo de perder Jung) assédio da morte?
-Unzuhause-

Saturday, October 01, 2011

a "Pequena Via" de Santa Teresinha do Menino Jesus

Santa Teresinha do Menino Jesus, virgem, doutora da Igreja (+ Lisieux, França, 1897) - 01 de outubro



O que é a Pequena Via de Sta. Teresinha?http://giselle.cfn.blog.br/?p=1157
por Giselle Maia

A característica principal da espiritualidade deixada por Santa Teresinha é a “pequena Via” ou pequeno caminho, que nos conduz de um modo mais simples ao Céu.Mas a pequena via é algo tão belo, tão cheio de virtudes que muitos ficam sem saber ao certo como vivê-la e do que se trata de fato.

Se observarmos a vida de Santa Teresinha veremos que embora ela seja uma santa extraordinariamente encantadora, veremos que ao longo de sua vida, diferente de outros santos, ela nunca fez nada de extraordinário. Uma vida simples, mortificada e silenciosa. Em alguns santos como Sto. Antônio, São Pe. Pio, São João Bosco, e outros vemos vidas marcadas por grandes milagres, pregações fabulosas, bilocações e prodígios, mas na vida de Santa Teresinha veremos que ela buscou o escondimento, o anonimato.

Qual o segredo? Embora Santa Teresinha não fizesse coisas extraordinárias, fazia tudo com imenso amor, e procurava em tudo agradar ao Bom Deus, até mesmo nas menores coisas, deixando com estes gestos o precioso caminho para que também nós, pequenos e miseráveis possamos desfrutar das alegrias eternas que deus nos reserva no Céu.

Vemos assim como traço principal da “Pequena Via”de Santa Teresinha, fazer do ordinário o extraordinário. Nos pequenos serviços de casa, fazer com amor e capricho pensando em agradar ao próximo e a Deus.

Isto é, ela nos ensina que Deus está em todas as partes, em toda situação, em toda pessoa e nos pequenos detalhes da vida.

Seu “Pequeno Caminho” nos ensina que é necessário fazer coisas habituais da vida com extraordinário amor. Um sorriso, uma chamada ao telefone, animar uma pessoa, sofrer em silêncio, ter sempre palavras otimistas e tantas outras ações feitas com amor.

Estes são os exemplos de sua espiritualidade. Uma pequena ação feita com amor, é mais importante que grandes ações feitas para a glória pessoal. Teresa nos convida a unir-nos a sua infância espiritual, isto é, ao seu “Pequeno caminho”.

Que Santa Teresinha interceda por nós para tenhamos a graça de amarmos e fazermos tudo com imenso amor.
***
Passar por baixo do cavalo
http://www.30giorni.it/articoli_id_15241_l6.htm



Muito desanimada, o coração ainda pesado por causa de um combate que me parecia insuperável, fui dizer-lhe: “Desta vez é impossível, não posso passar por cima!” “Isto não me admira”, respondeu-me. “Nós somos muito pequenas para nos pormos acima das dificuldades; é preciso que passemos por baixo”. Lembrou-me então esta passagem de nossa infância: achávamo-nos em casa de nossos vizinhos, em Alençon; um cavalo impedia a entrada do jardim. Enquanto os adultos procuravam um meio de passar, nossa amiguinha10 não achou nada de mais fácil do que passar por baixo do animal. Ela foi a primeira a deslizar; estendeu-me a mão, segui-a puxando Teresa e, sem curvar muito nossa pequena estatura, chegamos ao fim.
“Eis o que se ganha em ser pequena”, concluiu ela. “Não há obstáculo para os pequenos, eles se metem por toda parte. As grandes almas podem passar sobre os negócios, rodear as dificuldades, chegar, pelo raciocínio ou pela virtude, a porem-se acima de tudo, mas nós, que somos pequeninas, devemos precaver-nos contra essa tentativa. Passemos por baixo! Passar por baixo dos negócios é não dar a eles demasiada importância, nem pensar demais sobre eles”11.

(in: Céline Martin (1869-1959), uma das quatro irmãs de Santa Teresinha. Céline, que entrou no Carmelo de Lisieux em 1894 assumindo o nome de irmã Genoveva da Sagrada Face, cuidou pessoalmente, em 1951, da sistematização de suas anotações, provenientes de seu diário pessoal – redigido em parte enquanto Teresa ainda vivia – e de seus depoimentos preparados para os processos de beatificação e canonização. O capítulo que publicamos intitula-se “Espírito de infância” e é extraído dos livros Consigli e ricordi (Città Nuova, Roma 1973, pp.47-59); e Conselhos e lembranças, São Paulo, Paulus, 2006, pp. 41-49).