Monday, July 08, 2013

o ronco da harpa



Me maravilho por esses dias com a leitura da correspondencia de Fernando Pessoa, genio de sabidos acordes esotericos em sua harpa polifonica da vida, e Aleister Crowley, maior bruxo da historia moderna, `Besta 666` segundo sua propria autonomeacao, provocativa e insuportavel a ouvidos felicianos que ainda confundam religiosidade e recalque. Num dos encontros do mago branco portugues e do mago negro ingles (disparidade energetica tao bem retratada na capa do livro, Encontro Magick, organizado por um sobrinho de Pessoa), Fernando Pessoa ficou assombrado pela beleza da Dama Escarlate, titulo fixo para as sucessivas amantes e parceiras magicossexuais de Crowley) da epoca:  Hanni Jeager, a doce `Anu`, nome afetuoso que Crowley lhe devotou em homenagem `a parte do corpo da diva que mais lhe apetecia. O impacto, como nao poderia deixar de ser, virou poema, `Da a surpresa de ser`, que acaba em versos particularmente reveladores da agonia erotica latente ao ascetismo monacal em que Pessoa ocultava (para brincar com a metafora ocultista) seu inferno sexual nao muito bem resolvido (na vida, o que talvez seja a maldicao necessaria `a obra, a certas obras)
`Apetece como um barco
Tem qualquer coisa de gomo.
Meu Deus, quando `e que embarco?
`O fome, quando `e que eu como?`

*Unzuhause*