Thursday, July 11, 2013

come chocolates, pequena (versão do facebook)





Pra mim era uma questão de honra e promessa não sair de casa antes de conseguir publicar no diário místico meu estudo-poema com Fernando para a Fernanda. Bloqueios auto-imunológicos do meu pc simplesmente impediam que meu desejo se consumasse. Como minha cachorrinha quando recusa o comprimido que a gente sabe, mas ela não, que ela precisaria tomar para seu próprio bem! Enfim, consegui postar a versão do post anterior. Mas a primeira versão havia sido, dada a paralisação sindical do meu pc contra seu "patrão",  parida no facebook, e quero que o diário místico também a publique, já com alguns acréscimos.
 Fazer-se notar pelo teu saco torrar.. nao, nao se trata de um dos tantos cartazes "criativos" de manifestantes de nosso Brasil vermelho. é meu pc dando uma banana pra minima tentativa q eu faça de navegar quando mais preciso. e preciso pra homenagear o viver impreciso q tenho vivido desde q te descobri, pequenina, me lambuzando de chocolates
"(Come chocolates, pequena,
Come chocolates!
Olha que nã
o há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida)"
Importantíssimo notar que esses versos, da imortal "Tabacaria" de Álvaro de Campos, começam e terminam por parênteses. Sim, no conjunto do poema são versos que, assim como a alusão posterior aos cigarros, destoam do tom desesperado, niilista, derrotado, revoltado do Eu poético que confessa a miséria da existência e a inanidade de todos os sonhos que eufemizam o absurdo. Que procrastinam a tomada de consciência definitiva. Como os cigarros, os chocolates e a pequena remetem ao prazer impensado, porque aliás o pensar repleto não tende senão ao desprazer e à desgraça. Graça, favor imerecido dos deuses que não há, mas que gostaríamos tanto que houvesse! Meu cristianismo é quase ateu, certamente gnóstico, é do Filho mais que do Pai, fadado que sou a esperar como Fernando Pessoa pelo oco Pai sebastiânico enquanto suporto ao lado de trouxas, com maleta de estudos, na beira da estrada, da faixa amarela da estação a vinda do trem das sete antevisto por Raul como redenção nirvânica. Nirvâncio e sabastiânico sigo sem entender a graça que em beija e insufla.
Graça, hoje, de trocar toda a metafísica do mundo pelo comer chocolates com vc, minha pequena!
-Unzuhause-