segunda-feira, julho 22, 2013

homem de verdade


Comovente, do angulo pessoal, e invejavel, como furo jornalistico, a entrevista de Anderson Silva ontem para a Marilia Gabriela no SBT.
Gabi no mais pleno dominio de sua tecnica, por assim dizer, `psicojornalistica` (conduzir o entrevistado a reentrancias animicas que a revelam enquanto pessoa para alem do oba oba da `celebridade`). Ja Anderson debrucado sobre a falha tecnica, segundo ele, responsavel pela perturbadora derrota da semana passada. Rebateu as criticas de que teria desprezado o adversario, mas ja para o fim da entrevista, no `bate bola, jogo rapido`, respondeu sintomaticamente que `maior inimigo`, para ele, era o excesso de autoconfianca. 
Ja os rumores de que teria entregue a luta, em virtude de inconfessaveis interesses economicos por detras do business do MMA (mercado de apostas etc), pouco precisou de palavras de refutacao, sua expressao magoada (com os ofensores) dizia tudo, assim como sua dor de ex campeao, de monstro sagrado derrotado.
Achei bela a agudeza com que Anderson soube meditar, nesse pouco tempo da ressaca, fatores imediatos e mais profundos envolvidos no desastre. Conforme se podia esperar, Anderson estava farto da opressiva aura de imabativel. Se sentia, literalmente, sugado pelo que eu chamaria de `homens esgoto` de dissipacao da energia alheia, multidao de gente menor que se encosta na solitaria pessoa diferenciada para, mais ou menos conscientemente, explora`la, fazer dela, ou do status de amigo do amigo do amigo do Anderson, pretexto para lucrar e muito.
Anderson se disse desapontado consigo mesmo nao so pela decepcao que causou a sua entourage, que com ele malhou mais esses quatro longos meses em preparacao para a luta, e aos brasileiros em geral. Sua decepcao alcancava as profundezas que so um mestre da existencia `e capaz de sondar: a divergencia entre imagem externa e a indole interior. O dar as costas aos valores essenciais de um `artista marcial`, nas palavras do grande lutador.  Valores de humildade, concentracao, desapego e entrega total, inviolavel pelo burburinho mediocre dos que fazem do esporte mera mercadoria e espetaculo, invertendo meios e fins. Claro, nao se trata aqui de um santo do deserto que se viu cercado sem saber pela corja da urbe corrupta. Anderson se sabe integrante e protagonista de uma engrenagem de interesses economicos. O que por si so nao seria problema, desde que, como o toureiro de Mitra precursor das touradas espanholas e matriz psiquica remota, quica, dos combatentes do deus Marte (os artistas marciais), saiba se afirmar como encarnacao pessoal, na figura do heroi,  das grandes virtudes diferenciadoras do individuo forte e vencedor, a comecar da disciplina e autocontrole que, junto com soberania tecnica, levam o consciente a prevalecer sobre o inconsciente cego, o espirito sobre a materia, o guerreiro humano sobre a animalidade do campo de hostilidade que o antepoe ao adversario e da multidao ensandecida. 
Belo exemplo de virtu capitalista (marketing) voltado ao cultivo da virtude moral, alias, o proprio Anderson nos deu em recente campanha em que empresta sua imagem a um cartaz com os dizeres de que `homem de verdade nao bate em mulher`.
Homem de verdade, mais do que nunca, Anderson se mostrou ao saber perder tao maravilhosamente bem quanto vencer nas tantas vezes que venceu. Venceu como homem ao perder como fachada, como espelho dos Imortais que se deixou momentaneamente empoeirarar dos graos mediocres mas infinitos da ilusao, venceu no perder e no mergulhar na nekya da dor, limpando o sangue do queixo (sangue que alias Anderson, mais um sinal de sua mestria, nunca deixa que lhe arranquem em luta) , curando o olho roxo, levantando se tremulo nas cordas e preparando se para a revanche.
*Unzuhause*