Monday, July 15, 2013

Lua do meio-dia


"Anglômano, míope, cortês, fugidio, vestido de escuro, reticente e familiar, cosmopolita que predica o nacionalismo, investigador solene de coisas fúteis, humorista que nunca sorri e nos gela o sangue, inventor de outros poetas e destruidor de si mesmo, autor de paradoxos claros como a água, vertiginosos: fingir é conhecer-se, misterioso que não cultiva o mistério, misterioso como a Luz do meio-dia, taciturno fantasma do meio-dia português, quem é Pessoa? Pierre Houcarde, que o conheceu no final de sua vida, escreve: 'Nunca, ao despedir-me, me atrevi a voltar-me para trás; tinha medo de vê-lo desvanecer-se, dissolvido no ar'. Esqueço-me de algo? Morreu em 1935, em Lisboa, de uma cólica hepática. Deixou duas plaquettes de poemas em inglês e um baú cheio de manuscritos. Todavia continua por publicar a sua obra completa!"
Octavio Paz,
Signos em Rotação