Thursday, August 08, 2013

a chacina e o teste de Rorschach


Além de terrível, muito esquisita essa chacina da família dos policiais. O fato em si e as diferentes interpretações, nego tentando ver o que sua ideologia lhe pede: psicólogo falando de suas teses sobre a relação entre videogames violentos e condutas violentas; gente de direita atacando o direito dos mano e falando da polícia como vítima, gente pró-direito dos mano demonizando a polícia (ainda mais com as suspeitas que começam a correr, de que a mãe do menino fizera denúncias de colegas) e vendo no fato mais um motivo para desmilitarização. E a mídia televisiva, claro, faturando de todos os lados com o consensum ominium de sangue, tanto quanto o sexo, vende, e incha os ibopes que contam na vida cotidiana. Vamos assim levando vidinhas medícres, tomando "posição" sobre amigos e inimigos imaginários de nossas crenças irrefletidas com que, assim como o garçom no seu teatro de garçom, reiteramos a cada dia, pra nós mesmos, os papeis que identificam.
Fatos assim se prestam a um verdadeiro teste de Rorschach sociológico, em que cada qual identifica no objeto o que vai na alma de quem vê, ou do grupo social que, cego, porque abstrato,  vê através de quem (individualmente) vê. 
A prudência, nesse momento, convida a que nós da opinião sejamos como os trabalhadores da informação e da investigação deveriam ser, com relação ao sentido desse fato, enquanto apurado (e mesmo depois): abertos a todas as possibilidades. Não como Stálin, que informado de que o metrô não era viável em dada região de Moscou acusou o terreno de ser "contrarrevolucionário" (!). Somos stalinistas da percepção sempre que a envenenamos da imaginação no sentido ruim: só perceber e tolerar no solo do mundo o que se encaixe no dever ser de uma cartilha sistemática qualquer, esteja ou não isso acontecendo de fato, sejam ou não nossos sonhos compatíveis com o chão. 
-Unzuhause-
PS: na Wikipedia, lemos que: 
O teste de Rorschach, como todos os testes projetivos, baseia-se na chamada hipótese projetiva. De acordo com essa hipótese, a pessoa a ser testada, ao procurar organizar uma informação ambígua (ou seja, sem um significado claro, como as pranchas do teste de Rorschach), projeta aspectos de sua própria personalidade. O intérprete (ou seja, o psicólogo que aplica o teste) teria assim a possibilidade de, trabalhando por assim dizer "de trás para frente", reconstruir os aspectos da personalidade que levaram às respostas dadas7 .
A hipótese projetiva baseia-se no conceito freudiano de projeção: um mecanismo de defesa, através do qual o indivíduo atribui de maneira inconsciente características negativas da própria personalidade a outras pessoas (projeção clássica). Apesar de a projeção clássica carecer de confirmação empírica e ser assim alvo de controvérsias, há ainda um outro caso de projeção que conta com uma relativa unanimidade entre os estudiosos: a projeção generalizada ou assimilativa. Esta é a tendência de determinadas características da personalidade, necessidades e experiências de vida de influenciar o indivíduo na interpretação de estímulos ambíguos. De acordo com os defensores do uso de testes projetivos, tais testes possuem duas grandes vantagens em comparação aos testes estruturados: (a) eles "enganam" os mecanismos de defesa do indivíduo e (b) permitem ao intérprete do teste ter acesso a conteúdos não acessíveis à consciência do indivíduo testado7 .