Wednesday, August 07, 2013

ativismo jesuíta


Arregaçar as mangas e abrir alas à fantasia. São verbos do homem e da mulher de Igreja segundo o cardeal Bergoglio,  antes e depois de se transformar em papa Francisco, o primeiro dos jesuítas a chegar ao trono de Pedro. Jesuítas cujo ativismo, santidade "prática' e aposta no livre arbítrio e no dinamismo humano de autoconstrução,  com a graça de Deus,  diferem de outras expressões da fé católica, universal e total já no seu nome; entre elas o jansenismo, importante corrente com quem sempre viveu às turras, dado o radical pessimismo à la Pascal, sentimento do mundo quase sempre atraído pela contemplação e autocentramento introspectivo do homem e da Igreja. 
Já a Igreja de Francisco, o de Assis e o de Roma, e dos jesuítas ordenados ou não, é missionária e excêntrica, isto é, que sai do centro de si mesma e vai às periferias do mundo. Claro que assim se expõe a riscos, tensões de ameaça de morte, por exemplo, a um sacerdote que trabalhava nas "villas miserias", isto é, nas perigosas favelas de Buenos Aires - reação do cardel na época foi não recuar no desejo de levar o Evangelho como meio de cura da doença social que é o binômio miséria (material, moral e espiritual) e violência. Ele institui um vicariato espiscopal para a pastoral das favelas, e profere uma dura homilia contra "los mercaderes de las tinieblas". "Porém se a a Igreja permanece fchada em si mesma, autorreferencial, envelhece. E entre uma Igreja acidentada que sai pelos caminhos e uma Igreja doente de autorreferencialidade, não tenho dúvidas em preferir à primeira". 
Noutro contexto, falando sobre o bispo (e, no fundo, sobre todo soldado de Cristo, sacerdote ou leigo) necessário para a Igreja no novo milênio, ele não deixa de descrever um modelo o que todos viam encarnado no próprio Bergoglio:  "Homem de Deus a caminho com o seu povo, homem de comunhão e missionariedade, homem de de esperança, servidor do Evangelho para a esperança do mundo. Sabemos que o mundo inteiro anseia por essa 'esperança que não decepciona' [Rm 5, 5], por isso o bispo não pode ser senão pregador da esperança que nasce da cruz de Cristo"  A passagem bíblica evocada diz: "Nós nos gloriamos também nas tribulações, sabendo que a tribulação produz a perseverança, a perseverança a virtude comprovada, a virtude comprovada a esperança. E a esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado". 
À luz desses pressupostos de ativismo, descida da montanha contemplativa, pisar forte no caminhar pelas trevas do mundo, nossa compreensão se amplia ao deparar com a ênfase missionária de Francisco, reiterada na notícia a seguir (vide link), sobre a mensagem do papa para o Dia Mundial das Missões, que deveria ser todo dia.


-Unzuhause-