Monday, August 26, 2013

Mercurius e a poética da febre


Tem como me expor impunemente a um dos clássicos liudvikianos, digo, membro da seleta galeria de filmes, livros, músicas, peças, pessoas com vocacao de impactar minha existência pra sempre? Revi ontem à noite "Sociedade dos Poetas Mortos" com o mesmo entusiasmo das primeiras vezes. Com o mesmo arrepio e emoção pela cena final antológica. Com a mesma carência paterna esperando por mestres como o professor Keating (Robin Williams, genial). Com o mesmo tesão adolescente à procura do verso certo e da chave-mestra de abrir o coração das mulheres e dar um sossega-leão para este nerd tímido,  fechado em livros, criança pálida em mim que ainda pede socorro e sol.
O mesmo entusiasmo,  como a etimologia da palavra quer dizer, ou seja, arrebatamento, preenchimento pelo espírito divino, não o da dogmática carola e careta como o daquela instituição prisional chamada por hábito de colégio, no filme. Espírito santo de Mercurius como substância indicativa do aumento do calor do corpo, Mercurius arquetipo dos alquimistas (inclusive os da palavra, que chamamos poetas) e ambivalência da febre que desperta as paixões que trazem todo "risco de vida", de paixão e morte, de que uma presença poética no mundo é capaz. 

A Poesia que se mostra não só enquanto a erudição cerebralista de citações de Shakespeare ou Walt Whitman. Mas convite ao pensamento autônomo, que digo, à autenticidade de vida, contribuição com nosso próprio verso ao vasto e vácuo poema dinâmico do Universo, segundo a potente imagem e convite que escuto do professor Keating, provocando os alunos (os "sem-luz", segundo alguns intérpretes dessa palavra) a rasgar o torpor das apostilas mornas, das existências mixas, do eruditismo broxa. 
Pra celebrar a poética ressurreição dos poetas mortos, uma relação dos versos imortais que pontuam no filme o despertar da consciência por que os sem-luz passam não sem travessia do horror - toda individuação, como êxtase (saída de si), é mudança- de-rota para o ego, este nosso cego fardo prosaico.
-Unzuhause-

http://www.dlackey.org/weblog/docs/deadpoetspoems.htm


A list of poems from Dead Poets Society


Walden, By Henry David Thoreau
     “I went to the woods because I wished to live deliberately, to front only the essential facts of life, and see if I could not learn what it had to teach, and not, when I came to die, discover that I had not lived.” Where I Lived, and What I Lived For

     Referred to by Mr. Keating during one of his lessons.

     Read during first class with Keating to introduce "carpe diem."

     Referred to by Mr. Keating during one of his lessons; also a reference to what he suggest the students call him.

     Read by Neil Perry during one of the Dead Poets Society meeting in the cave.

    First poem read by Charlie Dalton (Nuwanda) to the girls he brought to the Dead Poets Society meeting.

    Second poem read by Charlie Dalton (Nuwanda) to the girls he brought to the Dead Poets Society meeting.

     Lines spoken by Neil at the end of the play. He played Puck in A Midsummer Night's Dream. Scroll down to the very end of the page for the speech.