Tuesday, August 20, 2013

tocando o terror


Sonhei que estava na Livraria Cultura e fui convidado por um segurança a me retirar, por precauções que remetiam de algum modo a uma paranoia racial, como a dos americanos com árabes. Fui confundido com um "árabe" (ou algum estigmatizado desses), e "pra piorar" não tinha meu CPF comigo. Na porta da rua, comento com outro segurança o absurdo que fizeram comigo, eu que sou talvez o frequentador mais assíduo, quanta ingratidão etc. Esse segurança parece concordar ou se solidarizar comigo, mas não o bastante para reverter a situação. Com a autopiedade típica de meus momentos de melancolia, vago pelas ruas, parece que agora no centro da cidade. Deparo com um amiga -essa realmente existente, e que me marcou recentemente pelo engajamento nas jornadas de junho. Ela, no sonho, fica furiosa com a notícia de minha expulsão, e diz que, se é pra ter culpa, que haja crime: joga uma bola de fogo no primeiro bar da esquina e sai em disparada, claro que vou junto. Sentimento libertador e travesso. O ambiente agora é fechado, estamos eu, ela e mais algumas pessoas, algo assim como um grupo de estudo. Minha amiga, em pé, tenta formular algumas ideias sobre gnosticismo (heresia cristã), eu percebo a dificuldade e me candidato a trazer semana que vem um seminário estruturado sobre a questão. Rapaz ao lado parecia querer algo parecido, e disse excitado que trará notas sobre textos gnósticos, lembro de alguma referência a texto apócrifo de São João. Clima conspiratório, esses estudos pareciam diretamente ligados ao interesse de protesto político e sua tradução no gesto de atear fogo.
-Unzuhause-