segunda-feira, setembro 30, 2013

síndicos da Torre de Babel


Para celebrar o Dia do Tradutor, eu proponho um brinde à Palavra, a seus mistérios, a suas potências e reentrâncias, que fazem a graça por exemplo da etimologia; recomendo, a propósito, este site sobre a "origem da palavra":
http://origemdapalavra.com.br/
Síndicos da Torre de Babel, os tradutores nos colocamos numa posição de serviço e de humildade, primeiro para com a língua alheia, depois pelo papel de intermediários, qual Hermes, tentando remediar a bagunça e a discórdia das línguas com regras de convivência agradáveis o bastante para que a língua migre de um lado a outro da ponte sem perder o sentido, sem se desconectar de sua fonte-raiz, que no fundo é a mesma nessa ou naquela florescência fugaz.
E como não sou um, mas dois, como o Nº 1 e o Nº2 de Jung, o solar e o lunar, o racional e o místico, aproveito para dar também a palavra a esta outra dimensão do profundo, além da etimologia profana -e de técnicas de etimologia da alma como a psicanálise-, que é a busca da sabedoria primordial, anterior, segundo Blavatsky, a todas as dogmatizações culturais que não senão formas exteriores, "materializadas", quando não enrijecidas, de uma mesma Fonte que só se pode acessar uma espécie de ver -escutar (vid, em sânscrito), com a mente suficientemente aquietada pela prática meditante a sós, em contato com quem nos soerguemos como tradutores menos traidores da linguagem dos primórdios de nós mesmos, leves como as notas das harpas dos anjos e dos poetas. Humildes como os síndicos que todavia guardam até de si mesmos a identidade secreta de filhos do proprietário do prédio enquanto não retornam ao fim do dia para o Castelo do Pai que kafkianamente "é' porque não existe. 
Tradutor e etimólogo de mim mesmo para o mundo, e do mundo para mim, e de ambos para e em Deus, que no princípio era a Palavra - eis o que somos e o que devemos nos tornar, ao longo das encarnações ou reedições corrigidas, aumentadas, simplificadas (uma amiga me lembrava esse dito espirituoso: "perdão, não tive tempo de escrever um texto mais simples") do Livro aberto de nossa vida.
A esse respeito complemento a oferenda do brinde e do link com a reflexão de uma discípula de Blavatsky, falando a respeito das limitações da língua profana, no caso, do inglês em que HPB expõs a "doutrina secreta", e da necessidade de, dessa falta, fazer brecha de avanço, com humildade e paixão, para além dos sentidos imediatos e dos discursos que oprimem, mais que pelo erro,  pela burrice de pararem antes da hora, caso por exemplo de todo cientificismo que não vê que a razão ceticamente levada ao extremo se volta como uroboros para comer a cauda da própria razão e nos devolver para o grande silêncio, não mais como mutismo catatônico mas como plenitude de intuição.
(...) devemos sempre captar o sentido mais profundo das palavras, perceber o que o termo externo significa. Devemos, a todo momento, buscar a profundidade do sentido. Devemos procurar o que está oculto na palavra. E somente através de uma mudança na consciência, ou seja, uma mudança em que a mente não mais analise, mas passe para uma nova percepção, nós podemos vir a compreender a Doutrina [de Madame Blavatsky]. É demasiado fácil ater-se aos aspectos exteriores, preocupar-se com rondas, raças e globos... Descobrir que cadeia planetária é esta; se Marte e Mercúrio pertencem ou não a esta cadeia. Ater-se àquilo que eu chamo de 'as tecnologias da mente inferior'. E, então, perdemos a essência do que é apresentado (...)
Joy Mills,
O Despertar de uma Nova Consciência - Ideias Centrais de 'A Doutrina Secreta'
-Unzuhause-

Freud, Schreber e as flores de almodóvar


Neste sábado acompanhei o curso "As Psicoses - Chaves de Leitura para o Seminário 3 de Jacques Lacan", no Ipla, Instituto da Psicanálise Lacaniana, presidido por Jorge Forbes.  Das cinco aulas de nosso longo e interessante percurso, vou destacar aqui a primeira, da psicanalista Dorothee Rüdiger. 
Ela tratou do mais importante psicótico na história da psicanálise, apesar de, paradoxalmente, não se tratar de um paciente psicanalítico: Daniel Paul Schreber, destacado jurista da Alemanha de fins do século XIX e início do XX. O "caso Schreber"é uma construção eminentemente textual, isto é, deriva de uma "análise" por Freud não do próprio Schreber, mas de suas célebres Memórias de um Doente dos Nervos. O texto de Freud é de 1911, mesmo ano em que morria o "presidente Schreber" -assim chamado pelo importante cargo de juiz-presidente da Corte de Apelação da cidade de Dresden. Foi a nomeação para este cargo, aliás, que precipitou o segundo surto de Schreber, em 1893, o que o trancafiou até 1902 em sanatórios desde onde escreveu suas experiências e as "revelações" divinas que devia legar à Humanidade. O primeiro surto, em 1884 decorreu não do aparente sucesso, e sim do fracasso, isto é, o da derrota numa disputa para deputado no Reichstag. Foi então tratado pelo dr. Flechsig, de tanta importância, posteriormente, como vilão em seu sistema delirante. Nos dois casos, porém, uma dificuldade de suportar a notoriedade, seja a positiva seja a negativa (seu nome foi parar nos jornais sob o estigma do fracasso eleitoral).
Reconstruindo o argumento freudiano, Rüdiger nos aportou dados muito interessantes e nem sempre evidentes na leitura meramente teórica e abstrata. Para tanto, se valeu da "sorte" adicional de ser alemã, e assim habitante nativa do universo linguístico e intelectual de Schreber. Ela nos mostrou, por exemplo, a grande importância do pai de Schreber, um médico, pedagogo, político, idealizador de um projeto que concedia terras para os operários cultivarem, o chamado "Schrebergarten", jardim de Schreber.
Além de tudo isso, acrescentou piscando os olhos, um belo homem, de feições másculas, postura altiva, tudo isso concorrendo para o drama que Schreber filho não soube suportar: o amor de tinturas eróticas pelo pai, sublimado em admiração mas contraposto ao ódio a uma figura também tirânica, adepto de uma rígida leitura do lema "mens sana in corpore sano" (mente sã em corpo são). O pai antecipando assim a atual religião do academicismo (não mais o intelectual, mas o da academia enquanto templo do "fitness"). cultuava o corpo ereto, as formas ideais, a beleza rija. Desenvolveu aparelhos ortopédicos para crianças, sendo que os experimentava nos próprios filhos -o irmão de Schreber, que seria esquizofrênico, segundo Freud, se suicidou. 
O primeiro surto, que o fez ser internado por seis meses (duração longa, para a época), envolvia o pavor em relação aos alimentos - se recusa a comer para não engordar, uma espécie de "fagofobia" que hoje em dia encontramos muitos em nossas jovens bulímicas. Uma primeira indicação de preocupações patologicamente "femininas" de Schreber para com a integridade corporal que, mais tarde, degenerou nos pavores hipocondríacos e sensações de ter sido mutilado. Daí a categoria lacaniana crucial no caso Schreber: o empuxo-à-Mulher, que se consumará nas ruminações sobre como deveria ser maravilhoso ser copulado (termo tomado do juridiquês da época, mostrou Rüdiger) em posição feminina; o delírio principal do presidente Schreber será a certeza (dimensão decisiva, segundo mostrou a palestra seguinte, para demarcarmos o devaneio neurótico do delírio psicótico) de que foi designado para fecundar, numa cópula com o Deus tirano (imago da faceta negativa de seu pai), uma nova raça humana, pura, que redimirá o mundo degenerado (ressonâncias nazistas avant la lettre?).
Estamos já em pleno "Inferno" (nome de novela de Strindberg que trata também, em registro autobiográfico, da irrupção da psicose), onde Schreber inventará seu "céu": o delírio como escapatória do conflito inconsciente e tentativa de autocura.
Após as pinceladas biográficas, Rüdiger frisou os aspectos mais importantes do sistema paranoide de Schreber: entre eles, o desejo de ser a mulher de Deus, numa transformação ou transsexuação que comparou, ao final, com o filme "A Pele que Habito", de Almodóvar. Analogia interessantíssima, que mostra, a meu ver, a dimensão histórica ( óbvia a qualquer leitor de Foucault) da loucura de Schreber. Ela, ou ao menos o fardo de ser vivido enquanto sofrimento atroz e ruína, se liga evidentemente a um contexto cultural em que enredos "almodovarianos" seriam impensáveis, cravados de um estigma da abominação, na arte ou na vida. Uma pessoa do público chegou a indagar se o atendimento psicanalítico poderia ter "salvo" Schreber ao convidá-lo a simplesmente sair do armário. A pergunta causou risos gerais e uma resposta evasiva, algo desconfortável, da professora e psicanalista. 
Outros elementos destacados foram a figura do Deus zombador, tirano, cúmplice de uma megaconspiração da qual Flechsig era também destacado participante: o "assassinato de alma", nome hoje de uma banda de rock alemã, prova de uma força poética (apesar de Lacan considerar o discurso das Memórias privado de metáforas, portanto de poeticidade, um puro fluxo metonímico) e política: o movimento antipsiquiátrico reivindicaria Schreber como uma espécie de mártir da psiquiatria autoritária e surda à alma que pretende medicar, eletrocutar e silenciar. 
Na objetividade da nosografia psicótica, tema de palestra seguinte, do meu analista Ariel Bogochvol, porém, estamos diante de uma modalidade clássica da paranoia: delírio de perseguição, articulado, no sistema schreberiano, com o delírio de reparação (o sujeito que se considera imaginariamente "lesado" por alguém e no direito de ser ressarcido) e, claro, o delírio de grandeza, patente nestes devaneios messiânicos de en-viado de Deus.
Rudiger mostrou, com Freud e Lacan, o quanto o drama de Schreber, para além da questão da repressão sexual, brotava da tentativa de uma reparação interna para as feridas abertas de seu processo de sexuação, notadamente a tendência homossexual, cuja recusa é fator decisivo para a irrupção da paranoia como forma de defesa e acobertamento do que não pôde ser simbolizado e que por isso retorna diretamente do real. 
Dizer "sexual-ação" implica dizer, com a psicanálise (e contra etologistas darwinianos), que o sexual nos humanos não é dado de nascença, é uma ação no tempo e na história, construção que advém segundo as regras e "desvios" da socialização de cada sujeito.
Schreber em seu empuxo-à-Mulher mostra-se inconformado com o que o sexual tem de seccional. Sexuar é cindir, decair da androginia originária (vide o mito platônico que lastreia nossas buscas românticas da "cara-metade"), decair do reino do Gozo puro, típico da simbiose da criança com a Mãe e o desejo materno, para os rigores da Lei paterna. Pelo menos a sociedade quer assim. Talvez menos hoje, em tempos de flores de almodóvar. Mas o social e suas regras de simbolização e de maniqueização (certo ou errado, verdadeiro ou falso, e , por que não, delírio ou realidade) são cosmos erigidos por sobre o caos, são "cosméticos" (termo derivado de cosmos) para recobrir e selecionar da totalidade do corpo uma imagem dignificável, uma pele habitável. 
Os transgressores do social pela via psíquica, de Schreber a Joyce, têm por destino, respectivamente, os sanatórios e /ou as prateleiras de livrarias,  ou as galerias de arte e demais espaços em que o sofrimento humano devém obra de arte e o homem vence, por sublimação, impondo-se à cultura que, de partida, o forçava ao degredo dos enjeitados.
Daí, arrematamos com Rudiger, a qualidade de "inconsciente a céu aberto" da psicose, que nos fascina pela abundância selvagem de suas imagens e palavras, e  por aquilo em que se distingue de nossas misérias neuróticas do dia-a-dia, nossas "soluções de compromisso" (sintomas) via repressão e hipocrisia. Nos salvamos da foraclusão (rechaço) do Nome-do-Pai, como diria Lacan,  pactuamos, como o genial e paranoico Rousseau anteviu, o contrato social, somos domesticados pelo simbólico e vamos levando essas vidinhas de súditos algo sensatos e algo frustrados, algo espertos e algo covardes.
-Unzuhause-

sábado, setembro 28, 2013

resenhas para a Folha de S. Paulo


FOLHA DE SÃO PAULO
GUIA FOLHA - LIVROS, DISCOS, FILMES
-CAIO LIUDVIK-
CINCO PEÇAS E UMA FARSA
Nessa coletânea, Otavio Frias Filho transita entre o registro sociopolítico, o conflito existencial e os afetos entre quatro paredes –não poupando os costumes intelectuais tupiniquins, tema de "Rancor",  esta sátira de nossas panelinhas,  paranoias e outras misérias, não sem lugar de honra (mefistofélico) para a imprensa.
Em "Tutankáton", Frias Filho toma o fracasso da "primeira das revoluções conhecidas" –a imposição do culto monoteísta ao Sol, no Egito antigo– como metáfora da derrota comunista e do ingresso num pós-modernismo que reatualiza o politeísmo de crenças e interesses. 
O drama hamletiano do faraó faz eco à crítica conservadora (Tocqueville, Burke) à “hybris” trágica das ideologias revolucionárias.  Mas tal crítica aqui passa longe do moralismo tradicional. "Utilidades Domésticas", única comédia do livro, aborda o amor entre duas mulheres e, na farsa "Breve História de uma Perversão Sexual" (co-autoria de Marcelo Coelho), a primeira palavra pronunciada na horda primitiva é, simbolicamente, o "não" da fêmea arisca a um assédio sexual masculino.
E se a ascensão feminina deixa os homens perplexos, seu contraponto é a atávica competição entre mãe e filhas de "Típico Romântico" –que o dramaturgo sugere que seja montada conjuntamente com a peça seguinte, "Sonho de Núpcias".
AOS 7 E AOS 40
Para usar uma das tantas belas imagens desse pequeno romance, se a grandeza dos méritos fosse uma prova de salto em altura, João Anzanello Carrascoza "passarinhou" alto e venceu. A prosa eivada de poesia segue, em certos capítulos, quebras de frases que lembram a formatação gráfica dos hinos bíblicos, em edições como a Bíblia de Jerusalém. 
Mas o sagrado no mundo ficcional do cotidiano não tem essa antiga monumentalidade nem dogmas, deita raiz no miúdo dos detalhes, pequenos gestos e situações em que a vida se revela uma decisão de campeonato a cada dia (um dos trechos mais empolgantes reporta uma noite em que a cidade estava parada, de novo, para assistir a mais um título do Corinthians). 
O jogo dos opostos está no título e na trama toda, vide o índice, composto de seis capítulos em tensão dois a dois: Depressa e Devagar, Dia e Noite, Silêncio e Som, entre outros. A filosofia hermética do "mistério das conjunções" (Jung) paira aqui, discreta como o vizinho de nome Hermes, lição personificada de generosidade para com homens e pássaros, criaturas dignas de amor e compaixão também por sua fragilidade. 
Uma (auto)biografia ficcional em dois tempos, o da infância, em primeira pessoa, e o da meia-idade, quando o narrador se descola (cisão subjetiva trazida pelo tempo) e sua voz relata as peripécias de "o homem".
AVALIAÇÃO – ÓTIMO
 AS MINIATURAS
A beleza do nome da autora de "As Miniaturas", Andréa Del Fuego, embute um dado precioso para acessar o labirinto de sonho e imaginação em que o livro trafega. O sobrenome é pseudônimo que a escritora –brindada com o prestigiado Prêmio Saramago- adotou na época em que escrevia contos eróticos e tinha uma coluna para tirar dúvidas de leitores sobre este ígneo universo das pulsões. Pois em "As Miniaturas" o inconsciente também aflora, no registro de um realismo mágico que todavia não parece tanto rasgar de transcendência o cotidiano brutal da grande cidade, e sim se articular às suas engrenagens de sociedade administrada (Adorno), pautada pela dessublimação repressiva e a colonização do imaginário. 
A situação proposta é a de um prédio "no Centro" (eixo do mundo) de São Paulo, Edifício Midoro Filho – alusão a Artemidoro de Daldis, maior autoridade na Grécia antiga sobre a interpretação dos sonhos, tendo inclusive influenciado Freud. Uma arquitetura asséptica e funcional para pacientes à espera de mais uma sessão com os "oneiros", esses burocratas de uma organização kafkiana e analistas às avessas, que ao invés de escutar induzem sonhos, recorrendo para isso a esculturas plásticas em miniatura.
AVALIAÇÃO- ÓTIMO

MITOS DO ESTADO ARCAICO
Professor de antropologia em Michigan e especialista na arqueologia mesopotâmica, Norman Yoffe teria todas as condições para não derrapar, como derrapou, numa ideia empobrecida de mito como mentira, falácia, ilusão ou delírio. Ideia alheia à acepção que esse conceito passou a ter quando passamos a escutar melhor os povos originários e os aborígenes de nosso tempo –mito não é factoide que "pegou", é realidade plena e saturada de significado e valor. 
Afora esse deslize, seu livro se reveste de grande interesse por enfrentar uma questão monumental: a origem da civilização, o nascimento do poderio e obediência entre os homens e, em especial, as regras da "evolução", isto é, crescente complexificação, das sociedades primitivas para as nossas modernas. 
Evolução é um termo tabu desde que grandes antropólogos do século 20, como Lévi-Strauss, denunciaram o evolucionismo social como uma quimera biologista (melhor que "mito") a serviço do racismo, da colonização e do esnobismo eurocêntrico. Yoffe, com prosa densa mas agradável, quer resgatar o evolucionismo em novas bases, combatendo  nele especificamente a ideia de "Estado arcaico" marcado pelo domínio de déspotas sobre vastas extensões territoriais e súditos inermes.
AVALIAÇÃO – ÓTIMO

o veneno cético e a perspicácia incompetente


Já Montaigne, na obra-prima "Apologia de Raymond Sebond", se valia de um procedimento clássico do ceticismo: não o combate frontal a essa ou aquela ideologia, mas o arrolamento de várias e várias opiniões de diferentes autores sobre as questões essenciais da filosofia, como a natureza de  Deus, da alma, da verdade, da realidade. Criava assim no seu leitor um efeito de vertigem do qual se sai com a "certeza" de que todas aquelas opiniões díspares nada mais eram que isto, opiniões. A razão sucumbe à própria razão, e confessa sua inanidade, quando volta para si seus instrumentos críticos e descobre o abismo intransponível entre o Ser e o discursos humanos. Nesse vácuo nada mais podemos intentar do que - e isso faz de Montaigne o pai do gênero ensaístico- "essais", ensaios, tentativas, esboços, mais sobre nós mesmos do que sobre alguma objetividade e totalidade, mais sobre nossa imensidão de paradoxos e insuficiências, de desejos e "impressões" (categoria que substitui as certezas dogmáticas). Nascia assim a subjetividade moderna, que testemunha e provisória sobrevivente ao veneno cético que nos corroi não por capricho, mas pela insistente demonstração de que o mundo é um caos, uma ordem estilhaçada e fora dos gonzos, no dizer trágico do herói shakespeariano. Somos, sobretudo os intelectuais modernos (os que aceitam a provação e o veneno céticos) todos "Hamlets" na indecisão, indefinição, na agonia entre ser e não-ser sem mais quaisquer respostas para o Mistério, senão.. opiniões. 
Esse modo cético de raciocínio se repete na seguinte reflexão do grande escritor francês Guy de Maupassant. No prefácio de Pierre et Jean, em 1887, ele assim demonstra a falsidade da pretensão de dogmatizar a "verdadeira natureza" do romance. Sendo historicamente o gênero da liberdade, da possibilidade permanente da inovação formal e temática, o romance é também poderosa expressão desta subjetividade "livre", desbussolada (termo do psicanalista Jorge Forbes),  fragmentária, perpassada de afetos, pulsões e impressões, não de certeza, de dogma, de mapa, de porto seguro de respostas inquestionáveis sobre o mundo e sobre nossos poderes (inclusive os romanescos) de representá-lo eficazmente: 
"Ora, o crítico que , depois de Manon Lescault, Paul et Virginie, Dom Quixote, Ligações Perigosas, Werther, As Afinidades Eletivas, Clarisse Harlowe, Emílio, Cândido, Cinq-Mars, René, Os Três Mosqueteiros, Mauprat, O Pai Goriot, La Cousine Bette, Colomba, O Vermelho e o Negro, Mademoiselle de Maupin, Notre-Dame de Paris, Salambô, Madame Bovary, Adolphe, M. de Camors, L' Assomoir, Sapho, etc. que ainda ousa escrever: Isto é romance, isto não o é', parece-me uma pessoa dotada de uma perspicácia que lembra muito a incompetência".
-Unzuhause-

sexta-feira, setembro 27, 2013

o leitor mediúnico


Comecei a tratar da arte secreta da Sedução e um paradoxo de cara me grilou: mas não é secreta quando divulgada! Não é bem assim. O "secreto" de doutrinas não depende da ocultação histérica, medrosa de que mãos impuras a roubem de nós os "puros". É a natureza interna de revelações que continuam seladas por mais que o olhar vulgar as assedie. Isso porque a sabedoria, já dizia São Paulo, é espírito guardado na letra como o vinho na garrafa, e de nada adiante ficar olhando pra garrafa se ela continua "hermeticamente" (advérbio muito sugestivo neste contexto) fechada pela rolha das provas iniciáticas que ainda estão por vir. Os mais grosseiros perdem logo a paciência se levantam e quebram a garrafa, para ter a sensação rudimentar de que puseram as mãos no licor do desejo.
No ocultismo como um todo vale esta regra de segredo que não exprime outra coisa senão o "vestibular" a se atravessar a cada câmera obscura (vestíbulo) que queiramos adentrar na busca de crescente intimidade com o real.
Vide A Doutrina Secreta, clássico teosófico de Helena Blavatsky. Já insisti muito em assediá-la com os métodos de "fichamento" que usaria para um Hegel, na FFLCH. Conclusão é que eu me irritava e quebrava a garrafa, indo embora encharcado e sangrando de fracasso e de indignação por "perder meu tempo" com Blavatsky sendo a vida tão curta para ler Hegel!
O impasse persistiu enquanto não entendi o método (termo que quer dizer caminho) próprio para o texto de Blavatsky, que não difere muito do método de "sutra": uso de um texto aforístico com comentários para causar uma transformação da consciência. É isso o que Joy Mills explica na série de conferências que deu em 1988 na celebração do centenário da Doutrina Secreta. E Mills resume o desafio dos sutras, e portanto de H.P.B (as iniciais da misteriosa sacerdotisa russa do renascimento ocultista): "Viva a vida se você quiser atingir a sabedoria". Auto-ajuda no mais nobre sentido do termo! O que não rebaixa o oculto, antes eleva a auto-ajuda, que não é um mero gênero editorial entre outros, é uma instância pela qual todo grande pensamento passa, se quiser, como entre os gregos, se traduzir em termos úteis à felicidade do sábio. Saco cheio de nego posando de triste com citações eruditas. 
Por mais que se leia, a verdade não se faz presente se a consciência de quem lê não esteja apta a receber e compreender o que está lendo. E a compreensão surge de uma em-patia, de um sentir dentro, sentir junto, um pouco como irmãos de uma fraternidade entre nós e o livro, fundindo as barreiras, já não há escritor "e" leitor, nos tornamos um continuum psíquico. Regra elementar do que eu chamo de presença mediúnica como leitor e escritor no mundo.
-Unzuhause-

quinta-feira, setembro 26, 2013

rumo à arte secreta da Sedução

Mystery (Erik von Markovic) e Style (Neil Strauss)

O post anterior, sobre Neil Strauss, me reabriu a curiosidade sobre sua "Bíblia da Sedução" e sobre os preceitos desta arte secreta. Fui atrás do livro, e do folhear despretensioso do Caio, mais um cidadão engarrafado da metrópole de kriptnonita,  fui sendo arrastado à ferocidade intelectual do Super-Unzuhause, a me exigir o mergulho a sério na Filosofia e Psicologia da Conquista das Mulheres. Decidi então reler "O Jogo", e ir dialogando com ele em comentários que por vezes retomam, outras vezes expandem e transformam as histórias e conceitos deste livro de grande sucesso nos Estados Unidos. 
Não me deterei no lugar de resenhista, como filósofo, psicólogo e "coach" de Sedução considero que é meu dever assumir a voz própria de meus pensamentos a esse respeito. Um Artista da Sedução deve ser tudo, menos matraca dos outros. A subserviência é um dos sintomas de que, ao contrário de mago, se é "trouxa" (no sentido de pessoa não-iniciada no mundo de Harry Potter), loser e aleijão no obscuro mundo das paixões. Muitos infelizes no amor mostram um espírito de subserviência para com a vida que é terrível para este ofício específico, porque faz do coitado um cara legal, bonzinho, demasiado gentil com as mulheres. Sem pegada.
Mystery, um fascinante personagem central em "O Jogo", considerado o maior artista da sedução do mundo, diz, entre outras pérolas: "Eu não ignoro as mulheres feias, eu não ignoro os homens; eu só ignoro as mulheres que eu quero comer". Ele se refere, no caso, à dinâmica que adota em abordagens em boate: escolhe a mulher, normalmente acompanhada de um círculo de amigos, e trata de cativar os amigos dela (com os truques de mágica, já que desde os 11 anos o garotinho canadense corria atrás do sonho de se tornar um novo David Copperfield; seus sucessos não o livraram de uma vida social de isolamento, sendo a  virgindade um estigma até os 21 anos). "Ignora" cuidadosamente a sua vítima, se distingue da maioria dos caras que, num lugar e contexto assim, lambem as botas e comem com os olhos e cospem asneiras sobre as mulheres que nos interessam as de "nota 8 pra cima". O Artista da Sedução deve ser exceção nisto como em tudo. Seu mundo não é o do "todo mundo". 
De olhar penetrante, "aquele brilho insano nos olhos e uma incapacidade absoluta para fazer algo para si mesmo", segundo  Strauss, que tanto testemunhava isso nas estrelas de rock com que convivia; seu corpo de 1, 95m de altura normalmente se mostra impávido e ereto, Mystery usa roupas "de pavão", como ele mesmo denomina um de seus conceitos: trajes propositadamente chamativos e alegres.
 Expressão aberta, sem carranca, postura confiante e positiva. Tom de voz "modelado" (termo da PNL) a partir do famoso palestrante motivacional Anthony Robbins. Vários se proclamavam o melhor. Mystery superava todos, resume Strauss, que nos dois anos de sua "observação participante" no campo adotou, como um neófito de sociedades secretas, um cognome: Style. Todos lá usam cognomes, nunca nomes reais. Como que demonstrando que o mundo da sedução é uma realidade paralela, um videogame em vida, uma brincadeira sem leis de gravidade e demais seriedades debilitantes da vidinha mequetrefe das pessoas comuns.  
Falando de sua vida pregressa, como Neil Strauss, Style se define como um cara profundo, desses que releem Ulysses de tempos e tempos, por diversão. Um "cara legal", que entre os sedutores, eu sinto assim, é pior do que ser chamado de viado. Mas se arrependia de ter se divertido pouco com as mulheres, um defeito de sua biografia, uma ferida de sua auto-estima e um prejuízo para seu desenvolvimento, porque desperdiça tempo demais pensando nas mulheres. Nem mesmo ter chegado ao New York Times, e conviver de perto com o mundo dos rock stars lhe trouxe sorte melhor no amor. Então disse chega! Buscaria pela técnica o que tantos pareciam conseguir por dom natural. E se livraria do estigma que considera a marca dos personagens literários que ele tanto ama, os Leopold Bloom de vida frustrada, crise perpétua, existencialismo na veia e bolsos vazios e camas solitárias.
Vamos ver como se deu essa jornada de autotransformação (Style veio a se tornar um dos caras mais reconhecidos no meio, após o começo loser, bem ao gosto da narrativa norte-americana de fracasso e redenção). 
Nessa odisseia, que teve Mystery por mentor dele e nossa, vamos aprender mais sobre um jogo que, ao contrário do senso comum, não depende de beleza física nem de ser ricaço. Muitos têm esses atributos e ainda assim são um desastre de gente enfadonha, insegura e desinteressante. 
-Unzuhause- 


quarta-feira, setembro 25, 2013

bíblia da sedução da bíblia


"Turn! Turn! Turn!"

To everything - turn, turn, turn There is a season - turn, turn, turn And a time for every purpose under heaven A time to be born, a time to die A time to plant, a time to reap A time to kill, a time to heal A time to laugh, a time to weep To everything - turn, turn, turn There is a season - turn, turn, turn And a time for every purpose under heaven A time to build up, a time to break down A time to dance, a time to mourn A time to cast away stones A time to gather stones together To everything - turn, turn, turn There is a season - turn, turn, turn And a time for every purpose under heaven A time of war, a time of peace A time of love, a time of hate A time you may embrace A time to refrain from embracing To everything - turn, turn, turn There is a season - turn, turn, turn And a time for every purpose under heaven A time to gain, a time to lose A time to rend, a time to sew A time to love, a time to hate A time of peace, I swear it's not too late!
Faço parte da mala direta de um cara que admiro muito, Neil Strauss, escritor e jornalista.  E recebi a preciosidade que transcrevo a seguir, depois de ter lhes oferecido uma música inspirada na sabedoria trágica, na visão cíclica da vida, do Eclesiastes. Quem canta é o grupo "The Byrds". Eu não a conhecia e me apaixonou descobri-la, nesse texto de Strauss que infelizmente está em inglês, e que não tenho tempo agora para traduzir.
Especializado na cobertura da cena musical, é colaborador do New York Times e da Rolling Stone. Mas o que ele realmente fez pela minha vida foi me premiar com horas de gargalhadas, sobretudo as melhores -as voltadas para nós mesmos, mostrando o tanto de nós que seria trágico se não fosse mesmo é cômico. Refiro-me às minhas trapalhadas com o sexo oposto. Sempre me senti perdidaço nesse território, muito por "culpa" da criação mimada e do excesso de livros, de biblia-oteca interpostos entre mim e a realidade.
 Strauss traça esse mesmo cenário auto-biográfico ao explicar os segredos da arte da sedução, num livro delicioso, chamado, simples assim, "O Jogo". O subtítulo é mais sugestivo: "A Bíblia da Sedução - Penetrando na Sociedade Secreta dos Mestres da Conquista". Uma narrativa, certamente romanceada, da experiência de Strauss nos subterrâneos de uma febre norte-americana e mundial: grupos que, virtualmente, em workshops ou "em campo" (boates, principalmente), estudam e praticam as regras para abrir o coração e -para os menos idealistas- as pernas das mulheres. 
Ri muito por, com os óculos deste jornalista da grande imprensa, nerd,  amante de Joyce e Dostoiévski, "cara legal" mas um desastre com as mulheres, rever minha trajetória de sonhador donjuanesco e constatar o quanto sou distante da eficiência dos Artistas da Sedução, mas próximo do espírito deles, como em espírito sou próximo a quase tudo rs. 
Como pisciano com ascendente em Áries e também Vênus (outro mestre da sedução fala em "artes venusianas" do amor, por analogia com as artes marciais da guerra) em Áries, além de Marte em Aquário, tenho sim os ímpetos e, por que não, talentos do Jogador, e mais encanto até pelo jogo do que pela sua consumação final, de tão "católico" (e encucado) que me criei para as delícias e perigos do sexo. 
Nada mais excitante no sexo do que a culpa bíblica que o torne inacessível e perigoso. Por isso meu interesse pelas artes maquiavélicas da conquista, aliás historicamente cunhadas pelas mulheres, como contraponto à força bruta do homem, mas hoje necessárias para todos, em tempos de mercado agressivo em tudo, com vínculos instáveis, competição de todos com todos (e pior para nós, as gostosas descobrindo as delícias de outras gostosas) e tesão precocizado e enviagrado para todos nós, dos 8 aos 80, no mínimo.
Mas "O Jogo", tratado de sedução ou "Ligações Perigosas" da vida contemporânea, e que certamente vai virar filme, é tão libertino que torna fascinante o avesso de si: a religiosidade. Vemos ao longo do texto, entre técnicas de PNL para o ataque e relatos de orgias, espocarem aqui e ali arrependimentos e conversões; sedutores que descobrem a superficialidade da vida que levavam, jogadores viciados como quaisquer outros, na droga não do amor, mas do poder sobre o outro, seja este outro a mulher em si, ou os concorrentes masculinos e o "loser" que puxa a perna do sedutor artificial toda noite embaixo da cama melada de mais uma trepada.
O sexual latente no espiritual, e vice-versa: jogo eterno dos opostos, à espera de uma conjugação hermética, sapiencial, que o email a seguir aponta onde está: no reconhecimento, que vem do Eclesiastes, da vanidade de tudo (mais que vaidade no sentido tolo do pavão vaidoso, vanidade como o ser vão, a fenda e fragilidade irreversível, no tempo que é cíclico, de tudo o que respira e logo fenece), no cultivo da sabedoria, da honestidade consigo e com os outros, e na sorte (construída com muito afinco, também) de descobrir uma mulher para amar, um trabalho e um lugar pra estar e uma vida a viver.
-Unzuhause-


Hey Caio,

In the spirit of the times, I wanted to share with you all the most
pretentiously titled email I've ever written to you. A few of
you may have seen a draft of it on the website.

What I enjoy about this list is that it's a way for me to speak
directly to you. It's something I've never gotten to do
before. Because whether writing for Rolling Stone or completing a
book, I've always been forced to cleave closely to a defined
structure and to carefully iron every idea, paragraph, phrase, word.

The following has no structure.

It has not been ironed.

You've been warned...

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THE MEANING OF LIFE AND THE SECRET TO HAPPINESS
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When I was in high school, I had a teacher who gave us a reading
list of the best works of literature in the world. Number one on
that list was the Bible. So during summer break, I decided to read
the good book as literature. And one small section really struck me
at the time: The Book Of Ecclesiastes.

It is the famous book in the Bible that begins "vanity of
vanities, all is vanity," something that should be posted over
the entranceway to all L.A. clubs. It's been heavily quoted in
timeless songs, such as "Turn Turn Turn."

And it's basic philosophy is this, at least in my
interpretation:

Work hard at your life and yourself. Be a good person, and enjoy
everything there is under the sun. The author writes: "I
searched in my heart how to gratify my flesh with wine, while
guiding my heart with wisdom...I made my works great, I built
myself houses... I became great and excelled."

But, in his old age, he surveys his labors: "I looked on all
the works that my hands had done and on the labor in which I had
toiled, and indeed all was vanity and grasping for the wind."

No, this is not a sermon. Keep reading. Neither is this a Buddhist
message about renouncing the material world. Because, in the end,
the speaker in the Book of Ecclesiastes decides: "Eat your
bread with joy and drink your wine with a merry heart... Let your
garments always be white and let your head lack no oil... Live
joyfully with the wife whom you love... Whatever your hand finds to
do, do it with all your might, for there is no work or device or
wisdom in the grave where you are going."

So what God is saying here is get drunk. It's totally cool.
Just clean up afterward.

Actually, the message is this (in my crude non-scholarly analysis):
Find a life to live, find a woman to love, find a place to
work--and live to your fullest, love to your greatest capacity,
work your hardest, and be a good person. Then die knowing nothing
will have really made a difference in the overall scheme of things.

This may not necessarily be my belief, or yours, but here's the
takeaway: if all is vanity, then stop making yourself
miserable--just keep busy and be happy.

That, of course, leaves the question: What should we be doing with
this time, and how do we stay happy?

So let's leave the Bible and return to the present age.

First of all, don't expect to be happy all the time. If
you've ever had a pet, you'll notice that the pet
doesn't complain when it's hurt or in pain. The human
animal is the only one that says, "Why me?" -- as if it
is our birthright to be happy all the time.

Sometimes we're sad or angry or depressed. But if rather than
fighting against it, like it's wrong and some kind of disorder,
you just relax into the emotion and ride it through until it's
over, it doesn't have to be a gut-wrenching experience.
It's good to experience these extreme emotions: it lets you
know you're alive and feeling.

Of course, we'd all like to stay positive and happy and content
as much as possible. It's especially useful to be in this state
when interacting socially, because it's the best way to attract
other people to you.

So how does one stay in this state?

My secret: Balance.

Even if you love your work, you can't spend the entirety of
every day working. You can't spend it partying or sarging
either, as fun as that may be. However, you'll find that if
each day, you productively do something in each of the following
areas, your mood and confidence and charisma and happiness and
inner game will skyrocket:

1.Work

2.Physical (exercise, running, swimming, a sport)

3.Social (and, yes, that can include Rules Of The Game missions)

4.Creativity or Education (whether it's writing, making music,
cooking, programming, taking classes, or learning another language)

5.Relaxation, whether it's reading a book or watching TV or
playing Plants vs. Zombies or staring at the wall and contemplating
life or lying in the sun and thinking about nothing.

So, your mission:

Make a list of the specific things that make you happy and balanced
in each of these categories, and then make an effort to comfortably
fit them all into your schedule at least five days a week. Most of
these areas don't need to take more than half an hour each day.
And chances are you're doing at least two of them a day anyway.

If you find that days are passing by and you're not exercising
or socializing, for example, you may need to actually write out a
daily schedule for yourself and then stick to it.

And, finally, if you're one of those people who says they have
no time, chances are that the problem may not be time but time
management. Start keeping track of exactly what you do each day and
for how long. Actually write it down on a sheet of paper: how much
time you spend eating breakfast, how much time you spend checking
emails, what you're doing with your time at work. Then see
where the inefficiencies are and eliminate them.

And then, of course, die. It's all vanity anyway. But it's
fun, you get one chance, and you might as well start making the
most of it right now, before it's too late.

Yours,
Neil Strauss

terça-feira, setembro 24, 2013

auto-ajuda de alto nível: atitudes vencedoras


O ano que já acena seu fim parece, se não acontecer mais nada de mais, muito surpreendente, não na mediocridade novidadeira do dia-a-dia mequetrefe, mas nas placas tectônicas do inconsciente coletivo. Um novo Papa que trouxe novo espírito libertador para a maior Igreja do mundo; no Brasil. o abandono, pelos mais corajosos dentre nós, da farsa do país do futebol, da palhaçada e da pasmaceira, pelo menos do nosso consentimento subjetivo com o mero reproduzir dessas misérias sem padrão Fifa. Ruas de rebeldia se entreabrindo para cidadãos não mais engarrafados. Em nível pessoal, contudo, tudo vai muito mais lento do que eu gostaria, embora com prazeres como poder exibir, em trajes primavera-verão, o troféu em forma de um corpo resgatado, nesses meses de academia e disciplina alimentar. Em termos de discursos teóricos, me afastei da escola de psicanálise (na qual meu desajuste me fazia ter uma irritação equivocada com a própria psicanálise), e engatei namoro com livros de auto-aperfeiçoamento, PNL, marketing e coaching. Um desses livros, dos mais legais, aliás, é o "Atitudes Vencedoras", do renomado Carlos Hilsdorf. Para os interessados, gostaria de compartilhas algumas das formulações que ele, com auto-ajuda de bom nível, bem nutrida de saberes filosóficos e psicológicos latentes, ali apresenta. Pra começar, vejamos essa classificação de nossas formas pessoais de encarar o mundo do trabalho. Onde vc está?
A pessoa-emprego: triste, carrancuda, aborrecida mesmo. Só está porque precisa do emprego. Prazer, satisfação, realização, estilo de vida, nada disso tem a ver com o que ela faz no seu arrastado dia após dia.
A pessoa-função: já tem mais alegria no semblante, certo brilho. Mostra-se concentrada no exercício de sua função, mas só é feliz nesta função, gosta especificamente disto, depende desta rotina, não quer nem pensar na possibilidade de ser removida desse cargo, dessa atividade. Se a própria atividade desaparecer (o que não é muito difícil na atualidade), torna-se forte candidata a desempregado funcional, aquele para quem os empregos e funções acabaram.
A pessoa-carreira: é a que tem o brilho do futuro no olhar. Não está preocupada com o emprego atual, com a remuneração inicial ou a função que terá de exercer; para ela o que importa é o projeto que a move, o "lá adiante" que só ela já enxerga, e em função do qual ela maneja e assimila as oportunidades que a vida lhe oferece.É aqui, evidentemente, que Hilsrdorf situa seu conceito de "atitudes vencedoras", que define como "toda e qualquer escolha que contribua com o nosso crescimento pessoal, com a expansão das nossas possibilidades, com a plena utilização das nossas potencialidades e do nosso talento. São atitudes que nos trazem benefício na esfera da integração do ser, tornando-o pleno, completo, realizado". Seu oposto são as atitudes limitadoras, isto é, formas de exteriorização das nossas escolhas subjetivas marcadas por estagnação, desânimo, desperdício, rendição ao medo. Na ideia de atitude como exteriorização de nossas escolhas mentais, a auto-ajuda aqui se apropria não só das terapias cognitivo-comportamentais, mas de um respeito à pessoa humana, à sua potência positiva, muito difundida, inclusive no senso comum, pelo existencialismo chique dos anos 40 e 50;  não impora o que fazem de nós, mas o que fazemos do que fazem de nós. A psicanálise nessa medida, com sua pregação sobre castração, estruturas psicopatológicas, falta, inconsciente,  infância tirana, complexo de Édipo, seria a esse olhar uma pletora de atitudes limitadoras, na medida em que tira de nós o protagonismo sobre nossas decisões no aqui-agora.

 -Unzuhause-

Servo do Grande

O poeta indiano Kabir, do século XV d. C.

O grande índice de leitura que verifiquei acerca do post anterior deve ter sido estimulado pela força do título, que se inspira no poeta hindu-muçulmano Kabir Das, nome que concilia ecumenicamente as duas religiões num espírito de submissão reverente ao Mistério divino; onde há mística há esse relacionamento amoroso com o Mistério, isto é, com o que ultrapassa os limites de nosso entender, de nosso querer e de nosso ser. Kabir é termo árabe para "Grande"; Dasa significa "Servo", em sânscrito. Servo do Grande, como o poema a seguir mostra em sua consumação arrebatadora, isso após meditação que parece antever e responder à nossa revolta moderna, sintetizada em Nietzsche, contra as posturas pseudorreligiosas que mentem e oprimem ao postergar a felicidade para o "outro mundo", ao sublimar as frustrações desta vida numa pretensa recompensa depois da morte.  
Não, diz Kabir. O místico -o devoto do Mistério- não tem condições sequer de imaginar o que venha ser "outra" vida que não a de agora e do aqui, e é no instante que se nos oferece o anfiteatro da arte e da guerra esotéricas em busca de nossa libertação. Além disso, o poema aponta para uma Teologia do Nome ("Imerge no nome veraz") e do Mestre ("Entrega-te ao guru verdadeiro") que, como contava também no post precedente, são de alguma forma recolocados, no anfiteatro da minha existência, pelo fascínio que a figura do Papa desperta em mim, relembrando as sensações do abraço de Cristo, fisicalidade do Nome sagrado em nome e nas asas de Quem sou aquilo que sou,  que pude desfrutar no abraço que meu pároco trouxe para minha história, minhas angústias juvenis e minha vontade de ser Servo do Grande. 
"Ó amigo!
Busca enquanto vives! Encontra enquanto vives!
Pois é na vida que a liberdade habita.
Se tuas amarras não forem rompidas em vida,
Que esperança de libertação terás na morte?
Não é mais que um sonho enganoso
Crer que a alma suba a Deus só por deixar o corpo.
Se o alcançares agora, o alcançarás depois.
Se não o alcançares, ficarás retido na cidade dos mortos.
Para encontrá-lo, aqui e além,
Imerge no nome veraz! Entrega-te ao guru verdadeiro!
Kabir diz: É o espírito da busca que liberta
De tal espírito sou escravo"
-Unzuhause-

segunda-feira, setembro 23, 2013

escravos do espirito que liberta

Como gosto de repetir, somente um catolico muito superficial entra e sai da Igreja segundo suas opiniões pessoais `batam com o santo` do paroco de plantao, em sua propria paroquia ou no longinquo Vaticano. Mas este papa chega a me assustar do tanto que gosto dele. Um post de poucos minutos apos sua posse, no histoirico 13 de marco, aqui no blog, ja atestava pela simpatia inciipiente o amor que foi me avassalando a cada vez que vejo e escuto mais de sua pessoa, de sua trajetoria, dos jesuitas, dos franciscanos. (link para o post aqui: http://unzuhause77.blogspot.com.br/2013/03/jeito-de-sol-nascente-para-igreja.html). E agora la vem ele mexer com a obviedade (mas as verdades mais insuportaveis sao as mais evidentes) de que a Igreja, se quiser fazer frente aos seus rivais no campo evangelico  e  do  secularismo  ateu, precisa  do Gênio  Feminino  liberto da  garrafa da repressão (veja noticia a seguir)

Não me iludo de que `a Historia`esteja mudando nessa ou naquela direcão pomposa e definitiva. Ela è sempre conflitual, polissêmica, cicilica, e não devemos contar com ela como uma Mestra hegeliana do Progresso. Ela não tem a santidade de nossos ideais mais nobres, ela num terremoto absurdo nos leva embora mulheres da nobreza de uma Zillda Arns e nos deixa na mira de escrotos que sò por Deus (minha recente crise de simpatia direitista teve como flanco aberto de atracão meu odio aos canalhas da criminialidade urbana) não fazem a gente se indignar pela inexistência, no Brasil, de pena de morte outra que não as decretadas pelo acaso ou pela Providencia insondavel.  A historia me tirou tambem, rapidamente demais, segundo os criterios de meu amor egoista, o padre pelo qual um adolescente perdido e confuso que eu era  se sentiu abracado por Cristo pela primeira vez, e soerguido de sua miseria para o rito de passagem a um novo estado de ser. A confusao sempre volta, a adolescência não, mas è como se voltasse tambem, por obra deste este velhinho que hoje veste as insignias de Papa, de espirito forte opiniões heterodoxas, que provavelmente ficarao pelo caminho, na maior parte delas (reformas como as que se pedem da Igreja de hoje virao daqui a duzentos, trezentos anos, quando estaremos todos na gloria, assim espero rs). Mas as perdas historicas me fazem conversar com Francisco nao no acodamento novidadeiro das noticias do dia, e sim nas câmaras misticas do supratemporal, onde llhe agradeco todos os dias por ter me tirado do torpor de catolico distante, por ter me contagiado com seu exemplo, e me mostrado o caminho de volta para a pratica, para o Evangelho do dia, isto e, o Dia, o Instante, e nao a Hiistoria, como rasgo de transcêndencia em que rompemos as amarras e cumprimos nosso dever de apostolos e servos. Servos como Kabir, o mistico indiano, que dizia que: 
`È o espirito da busca que liberta
De tal espirito sou escravo`
*Unzuhause*


Papa Francisco pode nomear uma mulher cardeal

Juan Arias
http://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/el-pais/2013/09/23/papa-francisco-pode-nomear-uma-mulher-cardeal.htm
Não se trata de uma brincadeira. É algo que passou pela cabeça do papa Francisco: nomear uma mulher cardeal. Quem o conhece, dentro e fora da Companhia, antes de chegar à cátedra de Pedro, afirma que o primeiro papa jesuíta da igreja está destinado a surpreender a cada dia, não só com suas palavras mas também, e sobretudo, com seus gestos. E ele o está fazendo nos primeiros seis meses de pontificado.
Os que pensam que Francisco, com sua simplicidade de pároco de interior, sua linguagem plana e seu sorriso sempre nos lábios, seja um simples ou um ingênuo se equivocam. Este papa, que não parece papa, chegou a Roma da periferia da igreja com um programa bem concreto: mudar não só o aparelho enferrujado da máquina eclesiástica como também ressuscitar o cristianismo das origens.
O simbolismo de seus gestos começou desde que apareceu na sacada central da Basílica de São Pedro, vestido de branco e dizendo-se "bispo", pedindo que as pessoas na praça o abençoassem. Não perdeu desde então um minuto para semear de gestos inesperados seus primeiros meses de pontificado, para espanto de muitos, dentro e fora da igreja.
E o continuará fazendo. Por exemplo, com esse plano de tornar cardeal uma mulher. Ele sabe que o tema feminino dentro da igreja não está resolvido e não pode esperar. Ele o deixou claro com duas frases lapidares em sua última entrevista a "Civiltá Católica": "A igreja não pode ser ela mesma sem a mulher". Não é só uma afirmação. É uma acusação. A frase também pode ser lida assim: "A igreja ainda não está completa porque nela falta a mulher".
Como introduzir na igreja essa peça essencial, sem a qual a igreja "não pode ser ela mesma"? Foi o que disse na mesma entrevista: "Precisamos de uma teologia profunda da mulher".
E essa teologia, o papa dá a entender, não pode ser construída no laboratório do Vaticano, apadrinhada pelo poder. Está sendo construída pelas mulheres dentro da igreja: "A mulher está formulando construções profundas que devemos enfrentar", diz.
Francisco quer resolver esse problema durante seu pontificado porque está convencido de que a igreja hoje está manca e coxa sem a mulher no lugar que lhe corresponderia, que seria nem mais nem menos o que já teve no início do cristianismo, onde exerceu um enorme protagonismo. Pelo menos até que Paulo cunhou sua teologia da cruz e hierarquizou e masculinizou a igreja.
O papa sabe que para levar a cabo a revolução que tem em mente precisa "escutar" a igreja, não só a de cima, mas também a de baixo, onde estão se realizando, por parte da mulher, "construções profundas".
Poderia, entretanto, abrir caminho ele mesmo com alguns gestos que obrigariam a colocar com urgência o tema da mulher sobre o tapete, ou, se se preferir, sobre "o altar". E um desses gestos seria nomear uma mulher cardeal. É impossível? Não. Hoje, segundo o direito canônico, pode haver cardeais que não sejam sacerdotes, basta que sejam diáconos.
Mas, alguém poderia dizer, hoje a mulher ainda não pode ser diaconisa, como o foi há 800 anos e sobretudo nas primeiras comunidades cristãs. Pois essa é também uma das reformas que Francisco tem na cabeça. Não se trata de um dogma. A mulher poderia ser admitida ao diaconato amanhã mesmo.
Como escreveu Phyllis Zagano, da Universidade de Loyola em Chicago, a maior especialista da igreja nesse tema, "o diaconato feminino não é uma ideia para o futuro. É um tema do presente, para hoje". E conta que teria abordado o tema com o cardeal Ratzinger, antes de ser papa, que lhe respondeu: "É algo em estudo". Para Bento 16 ficou na ideia, mas o papa Francisco poderia acelerar o processo. Hoje, as igrejas Apostólica Armênia e Ortodoxa Grega, ambas unidas a Roma, já contam com diaconisas.
Chegada a mulher ao diaconato, o papa já pode, sem mudar o atual direito canônico, tornar uma mulher cardeal com o título de diaconisa. Mais ainda, bastaria mudar a atual norma para permitir que um laico, e portanto uma mulher, possa ser eleita cardeal, já que houve pelo menos dois casos na igreja em que foram nomeados cardeais dois laicos: o duque de Lerma em 1618 e Teodolfo Mertel em 1858.
O cardinalato não pressupõe a consagração presbiterial nem episcopal. Os cardeais são conselheiros do papa, e sua função principal é eleger o novo sucessor de Pedro. Há algum inconveniente em que uma mulher possa dar seu voto no silêncio do conclave? Seu voto valeria menos que o de um homem?
Um jesuíta me dizia: "Conhecendo este papa, não lhe tremeria a mão tornando cardeal uma mulher, e até lhe encantaria ser o primeiro papa que permitisse que a mulher pudesse participar da eleição de um novo papa".
Quando Francisco, em sua longa entrevista, insiste em que não quer fazer as mudanças precipitadamente e que prefere "escutar" a igreja, é porque essas mudanças, algumas surpreendentes, já estão em sua mente, talvez bem enumeradas. Quer apenas apresentá-las com o aval não só da hierarquia, como do povo de Deus.
Com este papa, como dizia Federico Fellini, "la nave va". Com Francisco, os pilares da igreja começam a se mover. E muitos começam a tremer. De medo. Dentro, e não fora da igreja. Fora começam a ressoar as notas do estupor e até da incredulidade. "Com este papa quase está me dando vontade de me tornar católica", escreveu ontem uma leitora neste jornal.
Algo se move, e talvez irreversivelmente na igreja, justamente no momento em que no mundo laico e político, no campo da modernidade, os relógios parecem ter parado, todos ao mesmo tempo.
Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves





quinta-feira, setembro 19, 2013

tem como não amar este mestre?

Religião

Papa critica 'obsessão' da Igreja com aborto e união gay


Pontífice afirma que a religião tem o direito de expressar sua opinião à sociedade, mas reitera que homossexuais devem ser aceitos com “respeito e compaixão”

“A Igreja se fechou muitas vezes em pequenas coisas, em pequenas mentes pensantes. As pessoas de Deus querem pastores, não clérigos agindo como burocratas ou membros do governo” Papa Francisco

Em uma extensa entrevista a uma revista jesuíta publicada nesta quinta-feira, o papa Francisco criticou o que classifica como "obsessão" dos clérigos em pregar contra o aborto e o casamento gay - e afirmou: a Igreja Católica não tem o direito de interferir espiritualmente na vida dos homossexuais. "A Igreja deve ser uma casa aberta a todos, e não uma pequena capela focada em doutrina, ortodoxia e em uma agenda limitada de ensinamentos morais", afirmou o pontífice.
Em entrevista publicada pela revista italiana La Civilta Cattolica (Civilização Católica) e reproduzida em dezesseis línguas, o pontífice destacou que a Igreja tem o direito de expressar sua opinião sobre assuntos do interesse de seus seguidores, mas reiterou que os homossexuais devem ser aceitos com “respeito, compaixão e sensibilidade” pelos religiosos. “A religião tem o direito de expressar sua opinião ao servir as pessoas, mas Deus nos fez livres: é impossível interferir espiritualmente na vida das pessoas”, afirmou.
Francisco recordou o discurso que fez após o término da Jornada Mundial da Juventudeno Rio de Janeiro, quando se reuniu com jornalistas no avião para responder algumas questões. “Se um gay busca Deus, quem sou eu para julgar”, disse, na ocasião. O papa ainda relatou um episódio em que uma pessoa perguntou se ele “aprovava” a homossexualidade. “Eu respondi com outra pergunta. "Diga-me, quando Deus olha para um gay, ele confirma a existência dessa pessoa com amor, ou rejeita e condena esta pessoa? Nós devemos sempre considerar esta pessoa. Aqui entramos no mistério da humanidade”, disse.
“Ao dizer isso, eu falo o que está no catecismo”, acrescentou o papa, que também criticou a insistência da Igreja em abordar temas como o casamento gay e o aborto. “Não precisamos insistir nesses assuntos relacionados a abortos, casamento gay e o uso de contraceptivos. Eu não falei muito sobre essas coisas, e fui repreendido por isso. Não é necessário falar sobre isso todo o tempo”, declarou. Francisco, no entanto, reiterou que não tem todas as respostas para as perguntas dos fiéis, o que, segundo ele, seria uma artimanha de “falsos profetas”. “Os grandes líderes das pessoas de Deus, como Moisés, sempre deixaram a porta aberta para a dúvida. Você deve deixar a porta aberta para o Senhor.”
A entrevista de Francisco, no entanto, decepcionou católicos liberais no que diz respeito à ordenação de mulheres. O pontífice afirmou que a “porta está fechada” para esta questão, mas pediu para que a Igreja não atribua papeis secundários ou inferiores para as mulheres. “O gênero feminino é necessário se nós precisarmos tomar importantes decisões. Mulheres estão trazendo questões profundas que precisam ser discutidas. A Igreja não pode ser ela mesma sem as mulheres e o seu papel”, ponderou.
Pecador – Em outro ponto impactante da entrevista, Francisco surpreendeu ao se dizer um “pecador”. “Eu sou um pecador. Esta é a definição mais precisa. Não é uma figura de linguagem, um gênero literário. Eu sou um pecador”, declarou. Por fim, o pontífice pediu para que a Igreja possa encontrar um novo equilíbrio entre missões políticas e espirituais, o que eliminaria o risco de a instituição “desabar como uma castelo de cartas”. “A Igreja se fechou muitas vezes em pequenas coisas, em pequenas mentes pensantes. As pessoas de Deus querem pastores, não clérigos agindo como burocratas ou membros do governo”, encerro

patos e patetas


Deixei de roer as unhas e tenho certo desconforto de estar perto de quem o faça. As feridas do corpo humano me incomodam. A saliva alheia que, no beijo, é tempero do amor,  vira na mão roída uma baba que parece que vai me invadir. Todo o afetivo (o que nos afeta) como campo ambíguo em que as palavras e as coisas pairam sempre no limiar do degradante, vide a facilidade com que os órgãos sexuais e seus produtos viram forma de palavrão e ultraje.  
Mas ontem confesso que sucumbi ao velho vício. A merda (lá vem a tal ambiguidade das nossas partes animais especializadas em amor) que fizeram do Corinthians foi longe demais. Que isso, galera? Jogador mais focado em aparecer em campanha da dignidade gay, goleiro pateta, a gente pagando o pato (em euros, em troca de porra nenhuma)bando de perna de pau, jogador bom mas bichado, diretoria em estado de coma. Vida é cíclica, minha gente. Os títulos recentes -deixando de lado a importância relativa desse "Mundial" mequetrefe de joguinho de fim de ano-  nunca me iludiram, sempre assisti com certo tédio e falta de identificação. O heroísmo, os ídolos, cederam lugar desde os tempos de Neto e Marcelinho Carioca à era de jogadorzinho de camisa 217, 830, sem nada representar senão suas próprias vaidades de se distinguir. Mas pelo menos havia raça, entrega, comunhão com a energia da torcida, aliás dis-torcida pela vulgaridade da minoria violenta, que já nos prejudicou tanto na Libertadores e, de novo, no Brasileiro.
Não esperava tão cedo por cenas ridículas, medonhas, palhaças, como esses caras estão nos proporcionando. Porra, a gestão parecia ter melhorado tanto, dirigentes mais eficientes, iniciativas ousadas como o novo estádio, embora eu mais lamente pelo Pacaembu perdido do que vibre pelo Itaquerão. Mas a crise nos ama (e a imprensa nos ama ver em crise, até bagulhos como o programa de meio-dia da Band fica divertido nessas épocas). Céu de brigadeiro é cenário fake para o drama de ser Corinthians.
-Unzuhause-

quarta-feira, setembro 18, 2013

Jesus Cristo em todas as cores

La Teología de la Liberación respira


Los mensajes del Papa sobre la pobreza y el poder avivan el debate sobre la Teología de la Liberación

El cardenal Cipriani tacha de “ingenuo” que el pontífice reciba al fundador de esa corriente


Los pobres, el dinero, el poder eclesiástico: he aquí buena parte de los debates entre eclesiásticos desde que el jesuita Francisco está al frente de la Iglesia romana. En medio, el fantasma de la Teología de la Liberación, un movimiento execrado con severidad durante los pontificados de Juan Pablo II y Benedicto XVI, éste en primera línea de combate cuando fue prefecto de la Congregación para la Doctrina de la Fe, que es como se llama ahora el Santo Oficio de la Inquisición. Todavía en 2009, advirtió Ratzinger sobre los “desastrosos efectos” de esa corriente teológica. “Sus consecuencias, hechas de rebelión, división, ofensa y anarquía aún ahora se hacen sentir, creando gran sufrimiento y grave pérdida de fuerzas vivas”, dijo. Anteayer remachó la execración el cardenal arzobispo de Lima, Juan Luis Cipriani, del Opus Dei.
La teoría sobre la proverbial hostilidad entre la Compañía de Jesús y el Opus colmó de maledicencias la Red cuando fue elegido papa el jesuita argentino Jorge Mario Bergoglio, que tomó el nombre de Francisco, el santo de los pobres. ¿Se resignaría el Opus a perder más poder en el Vaticano, y, para colmo, a manos de sus competidores de antaño ante las altas burguesías católicas? Los pasos aperturistas de Francisco, sobre todo su revolucionaria sencillez y austeridad, además del tono cuasi revolucionario de algunos de sus discursos, empiezan a chirriar en sectores ultras de la Iglesia. No es casualidad que la primera reacción pública proceda del más alto eclesiástico del Opus, el cardenal de Lima. La chispa tampoco es baladí: la audiencia que Francisco concedió el miércoles al teólogo Gustavo Gutiérrez, el fundador de la Teología de la Liberación.
El cardenal Cipriani calificó de “ingenuo” al prefecto de la Congregación para la Doctrina de la Fe, el alemán Gerhard Müller, por haber promovido ese encuentro y por acoger en Roma a Gutiérrez como si fuese un gran pensador ortodoxo. Añadió el prelado en declaraciones a Radio Programas del Perú (RPP): “Müller es buen alemán y buen teólogo, un tanto ingenuo. Mi lectura es que ha querido acercarse a su amigo Gutiérrez, a quien le tiene cariño, a quien quiere de alguna manera ayudar a rectificar e insertarse en la Iglesia católica. La reunión está siendo utilizada para describir un acercamiento con una corriente teológica que hizo mucho daño a la Iglesia”.
Sostuvo Max Weber que los evangelios tienen la mala costumbre de hablar bien de los pobres y mal de los ricos. Resume esa impresión la parábola del camello y la aguja, que está con ligeras variaciones en los evangelios de Marcos, Mateo y Lucas. “Más fácil es pasar un camello por el ojo de una aguja, que entre un rico en el reino de Dios”. La frase debió hacerse famosa nada más pronunciarla Jesús, el fundador cristiano. Muy pronto iba a ser detenido cerca de Jerusalén, torturado y crucificado por el sistema de poder de su tiempo, también por el sistema religioso.
En sus comienzos, el mensaje cristiano puso el acento en el abismo que media entre los ricos y los pobres, entre los humildes y los poderosos. No siempre ha sido así, y menos cuando el imperio romano es relevado en Roma por el imperio católico. Pero siempre ha habido voces de teólogos y jerarquías en favor de los desheredados de la tierra. Teología para los pobres, no sobre los pobres.
La primera vez que se acuña el programa eclesiástico de “la opción por los pobres” es por boca de Juan XXIII, en 1962. Fue el pontífice que convocó el Concilio Vaticano II. Tenía dos preocupaciones, el diálogo con el mundo moderno y la unidad de las iglesias, pero días antes de la inauguración introdujo una tercera línea de debate: los pobres. “Opción por los pobres”, pidió. Seis años más tarde, en mayo de 1968, el entonces prepósito general de los jesuitas, Pedro Arrupe, pidió a los miembros de la Compañía de Jesús en América Latina que tal opción fuese “preferencial”. Así nació la Teología de la Liberación.
¿Tiene vigencia esta teología tras 40 años de condenas y castigos? La pregunta está en el ambiente, con gran preocupación entre los sectores que empiezan a recelar del discurso y las formas, claras y sencillas, del nuevo papa, jesuita y argentino. La pasada semana, el periódico del Vaticano, L’Osservatore Romano, dedicó gran espacio al libro en italianoDe parte de los pobres, teología de la liberación, teología de la Iglesia, escrito por Gustavo Gutiérrez junto con el arzobispo Gerhard Ludwig Müller, exprelado de Ratisbona (Alemania) y actual prefecto de la Congregación de la Doctrina de la Fe. Gutiérrez, ahora ingresado en un convento de dominicos en Francia, fue quien dio nombre al movimiento con la publicación en Lima, en 1971, del libro Teología de la Liberación.
Una fotografía del teólogo con el arzobispo Müller presentando ese libro en alemán, de hace algunos años, ha dado ahora la vuelta al mundo y ha alarmado a los detractores de esa teología. Müller fue alumno y es amigo del pensador peruano desde que, siendo joven el prelado alemán, acudió a Lima a foguearse entre los pobres. “Ese nombramiento como prefecto de la Congregación que se ocupa de la ortodoxia de la doctrina católica, sumado a la elección de un jesuita y arzobispo de Buenos Aires como obispo de Roma, fueron calificados en algunos ambientes como una revancha de la Teología de la Liberación, criticada por Juan Pablo II y por el cardenal Ratzinger”, escribió en mayo la agencia de noticias Zenit, propiedad de los Legionarios de Cristo.
Ha sido una impresión muy extendida. En aquel momento, esto es lo que declaró Müller, según la misma agencia: “Es necesario distinguir entre una teología de la liberación equivocada y una correcta. Un cristiano tiene que encontrarse en su casa en cualquier parte”. Antes, en 2004, había dicho en Ratisbona que “la teología de Gustavo Gutiérrez, al margen de cómo se la considere, es ortodoxa porque es ortopráctica y nos enseña el correcto modo de actuar cristiano, ya que deriva de la fe auténtica”.
Pero la agitación de partidarios y detractores trasciende la famosa fotografía. Esto opina el obispo Pedro Casaldáliga: “Con la llegada del papa Francisco se ha agitado el tema y nos hemos confirmado en la convicción de que la teología es Teología de la Liberación o no es teología, ciertamente no lo sería del Dios de Jesús”. ¿Quién le tiene miedo a la Teología de la Liberación?, se pregunta este prelado catalán, obispo desde 1971 de la diócesis de São Felix do Araguaia, la más extensa del Brasil. Amenazado de muerte por defender a los pobres y a sus combativos teólogos y sacerdotes, salvó la vida cuando Pablo VI advirtió bien alto, para que oyera la dictadura de aquel tiempo: “Quien toca a Pedro, toca a Pablo”. No tuvieron tanta suerte otros mártires de esa teología, como el también obispo Oscar Romero, de El Salvador, ya en tiempos de Juan Pablo II.
Que la primera encíclica escrita en solitario por Francisco vaya a titularseBeati pauperes (Bienaventurados los pobres), no avala a quienes le suponen veleidades con la teología de la liberación. Al contrario, ya expresó su criterio contrario durante el pasado viaje a Brasil, el mes pasado. Nada de experiencias que tengan algo que ver con el marxismo, ha proclamado. ¿Acaso es marxista la Teología de la Liberación? “Si doy limosna a un pobre, me llaman santo; si pregunto por qué hay tantos pobres e intento ayudarles, me llaman comunista”, se lamentaba Hélder Pessoa Cámara, el famoso obispo de Recife (Brasil).
Cuando murió Juan XXIII en pleno concilio, se escuchó a un monseñor de la Curia romana rezar por él. “Que Dios le perdone el daño que ha hecho a la Iglesia con este concilio”. Años más tarde, fue Pablo VI el execrado por la Iglesia tradicional a causa, sobre todo, de su apoyo a los padres de la Iglesia latinoamericana reunidos en Medellín (Colombia), en 1968, para ver cómo podían aplicar el Vaticano II en las realidades de América Latina. De aquel acontecimiento dice ahora Gustavo Gutiérrez: “El problema al que nos enfrentábamos no es cómo hablar de Dios en un mundo adulto, sino cómo anunciar a Dios como padre amoroso y justo en un mundo inhumano e injusto”.
Raúl Vera, obispo de Santillo (México), se suma a esa protesta y devuelve la pelota a quienes creen que Juan Pablo II y Ratzinger hicieron bien persiguiendo a prelados y sacerdotes comprometidos con Medellín y con Pablo VI. “No se corrigió en Puebla la Teología de la Liberación, se corrigió el Evangelio”, dice. Puebla, en México, fue donde el papa polaco tronó más alto contra los teólogos de la liberación. Raúl Vera, que fue prelado auxiliar del mítico Samuel Ruiz en la diócesis de Chiapas, ha estado este fin de semana en Madrid para hablar al congreso de la Asociación de Teólogos Juan XXIIII.
“¡Cómo me gustaría tener una Iglesia pobre y para los pobres!”, dijo Francisco la pasada primavera, nada más ser elegido papa. ¿Suena acaso a teología de liberación? Rodeado de potentados de todo el mundo, había afeado antes, en su primer discurso oficial, las ínfulas de poder de las jerarquías católicas. Raúl Vera, el obispo mexicano, susurró en aquel momento a su compañero de escaño en la basílica de San Pedro: “Oye, qué bien, este Papa viene a por nosotros”. Lo cuenta a EL PAÍS antes de subrayar que Francisco también ha exhortado a los jóvenes a ser revoltosos (“tengan el valor de ir contra corriente”), y a los obispos a oler menos a pastor y más a oveja.
Hay un debate abierto sobre la vigencia de esta teología, o sobre su futuro, al que los obispos españoles no son ajenos. Sus medios de comunicación así lo reflejan, casi siempre con hostilidad. Sin embargo, callan al ser preguntados. Varios prelados se han negado a entrar en el tema, a consultas de EL PAÍS. Es como si estuvieran esperando una señal del Vaticano, aparte la ya enviada por L’Osservatore Romanoacogiendo a Gustavo Gutiérrez en sus páginas.
“Con un papa latinoamericano y, además, jesuita, la Teología de la Liberación no podía quedarse mucho tiempo en la sombra, donde ha estado relegada desde hace años”, dice Ugo Sartorio, teólogo italiano y director del Messaggero di Sant’Antonio, comentando ese hecho. “Se trata de una teología que fue dejada fuera de juego por un doble prejuicio: uno, que todavía no ha metabolizado la fase conflictiva de mediados de los años ochenta, y otro, el rechazo de una teología considerada demasiado de izquierdas y, por tanto, tendenciosa”, añade.
Esto opina Juan Rubio, director deVida Nueva, la gran revista católica española (de la congregación marianista) con ediciones en Hispanoamérica: “La Teología de la Liberación ha ido creciendo en ramas distintas, coincidiendo con los cambios sociopolíticos de América Latina y del Caribe. Los planteamientos son distintos porque las situaciones son distintas. El análisis marxista ya quedó relegado en muchos de los posicionamientos de esta teología, pese a que hay quienes para atacarla aún siguen esgrimiendo injustamente esas razones de método. La pregunta es si esa teología es ya parte de la historia y cumplió su papel, o por el contrario, ha evolucionado y ofrece claves que puedan ayudar a entender la realidad de pobreza, injusticia y opresión, de nuevo cuño, en las que viven inmersos aun hoy aquellos países. Esa es la pregunta que se hacen muchos cristianos que ven en esta teología un compromiso afectivo y efectivo con el Evangelio y con la necesaria conversión de estructuras injustas. Nuevas perspectivas se abren, no hay que estar cerrados a ellas”.
Juan Rubio, que conoce bien a los obispos españoles y ha conversado durante horas en el reciente pasado con el papa Francisco (la edición argentina de Vida Nueva fue apadrinada por el actual pontífice, entonces arzobispo de Buenos Aires), sostiene que “la Teología de la Liberación, como una más, no la única y exclusiva, ayudará a aquellas iglesias a entender mejor aquellas realidades. Pueden ser más o menos discutibles algunos de sus puntos, pero lo que nunca puede hacer la Iglesia es amordazar e impedir el sano y libre ejercicio de la teología, así como la propia misión magisterial de la Iglesia. Un diálogo parece abrirse ahora de la mano de los seguidores de Gustavo Gutiérrez con un papa que, si bien no es considerado seguidor de esa teología, si está en condiciones de entenderla mejor. Se abre una etapa de dialogo en la que primará, sin duda, el reconocimiento a tantos hombres y mujeres que siguiendo estas líneas teológicas han dado su vida testimonialmente en defensa de los más pobres”.
En cambio, Juan José Tamayo, reelegido el sábado pasado secretario general de la Asociación de Teólogos y Teólogas Juan XXIII, duda que la Iglesia institucional pueda asumir la Teología de la Liberación, pese a que a la vista de no pocos de los gestos, palabras, actitudes y opciones de Francisco, la respuesta pueda parecer afirmativa. Añade: “Así lo creen importantes sectores religiosos y laicos, incluidos los progresistas y hasta algunos teólogos —no así las teólogas— de la liberación. Yo creo, sin embargo, que una teología de la liberación que hace de la opción por los pobres su imperativo categórico es difícilmente asumible por la institución eclesiástica por el lugar social en el que se ubica —los pobres, los movimientos sociales—, la radicalidad de sus opciones —interculturalidad, pluralismo y diálogo interreligioso, diversidad sexual—, la revolución metodológica que implica y la crítica del poder eclesiástico y de sus instituciones”.