Tuesday, September 24, 2013

auto-ajuda de alto nível: atitudes vencedoras


O ano que já acena seu fim parece, se não acontecer mais nada de mais, muito surpreendente, não na mediocridade novidadeira do dia-a-dia mequetrefe, mas nas placas tectônicas do inconsciente coletivo. Um novo Papa que trouxe novo espírito libertador para a maior Igreja do mundo; no Brasil. o abandono, pelos mais corajosos dentre nós, da farsa do país do futebol, da palhaçada e da pasmaceira, pelo menos do nosso consentimento subjetivo com o mero reproduzir dessas misérias sem padrão Fifa. Ruas de rebeldia se entreabrindo para cidadãos não mais engarrafados. Em nível pessoal, contudo, tudo vai muito mais lento do que eu gostaria, embora com prazeres como poder exibir, em trajes primavera-verão, o troféu em forma de um corpo resgatado, nesses meses de academia e disciplina alimentar. Em termos de discursos teóricos, me afastei da escola de psicanálise (na qual meu desajuste me fazia ter uma irritação equivocada com a própria psicanálise), e engatei namoro com livros de auto-aperfeiçoamento, PNL, marketing e coaching. Um desses livros, dos mais legais, aliás, é o "Atitudes Vencedoras", do renomado Carlos Hilsdorf. Para os interessados, gostaria de compartilhas algumas das formulações que ele, com auto-ajuda de bom nível, bem nutrida de saberes filosóficos e psicológicos latentes, ali apresenta. Pra começar, vejamos essa classificação de nossas formas pessoais de encarar o mundo do trabalho. Onde vc está?
A pessoa-emprego: triste, carrancuda, aborrecida mesmo. Só está porque precisa do emprego. Prazer, satisfação, realização, estilo de vida, nada disso tem a ver com o que ela faz no seu arrastado dia após dia.
A pessoa-função: já tem mais alegria no semblante, certo brilho. Mostra-se concentrada no exercício de sua função, mas só é feliz nesta função, gosta especificamente disto, depende desta rotina, não quer nem pensar na possibilidade de ser removida desse cargo, dessa atividade. Se a própria atividade desaparecer (o que não é muito difícil na atualidade), torna-se forte candidata a desempregado funcional, aquele para quem os empregos e funções acabaram.
A pessoa-carreira: é a que tem o brilho do futuro no olhar. Não está preocupada com o emprego atual, com a remuneração inicial ou a função que terá de exercer; para ela o que importa é o projeto que a move, o "lá adiante" que só ela já enxerga, e em função do qual ela maneja e assimila as oportunidades que a vida lhe oferece.É aqui, evidentemente, que Hilsrdorf situa seu conceito de "atitudes vencedoras", que define como "toda e qualquer escolha que contribua com o nosso crescimento pessoal, com a expansão das nossas possibilidades, com a plena utilização das nossas potencialidades e do nosso talento. São atitudes que nos trazem benefício na esfera da integração do ser, tornando-o pleno, completo, realizado". Seu oposto são as atitudes limitadoras, isto é, formas de exteriorização das nossas escolhas subjetivas marcadas por estagnação, desânimo, desperdício, rendição ao medo. Na ideia de atitude como exteriorização de nossas escolhas mentais, a auto-ajuda aqui se apropria não só das terapias cognitivo-comportamentais, mas de um respeito à pessoa humana, à sua potência positiva, muito difundida, inclusive no senso comum, pelo existencialismo chique dos anos 40 e 50;  não impora o que fazem de nós, mas o que fazemos do que fazem de nós. A psicanálise nessa medida, com sua pregação sobre castração, estruturas psicopatológicas, falta, inconsciente,  infância tirana, complexo de Édipo, seria a esse olhar uma pletora de atitudes limitadoras, na medida em que tira de nós o protagonismo sobre nossas decisões no aqui-agora.

 -Unzuhause-