Monday, September 23, 2013

escravos do espirito que liberta

Como gosto de repetir, somente um catolico muito superficial entra e sai da Igreja segundo suas opiniões pessoais `batam com o santo` do paroco de plantao, em sua propria paroquia ou no longinquo Vaticano. Mas este papa chega a me assustar do tanto que gosto dele. Um post de poucos minutos apos sua posse, no histoirico 13 de marco, aqui no blog, ja atestava pela simpatia inciipiente o amor que foi me avassalando a cada vez que vejo e escuto mais de sua pessoa, de sua trajetoria, dos jesuitas, dos franciscanos. (link para o post aqui: http://unzuhause77.blogspot.com.br/2013/03/jeito-de-sol-nascente-para-igreja.html). E agora la vem ele mexer com a obviedade (mas as verdades mais insuportaveis sao as mais evidentes) de que a Igreja, se quiser fazer frente aos seus rivais no campo evangelico  e  do  secularismo  ateu, precisa  do Gênio  Feminino  liberto da  garrafa da repressão (veja noticia a seguir)

Não me iludo de que `a Historia`esteja mudando nessa ou naquela direcão pomposa e definitiva. Ela è sempre conflitual, polissêmica, cicilica, e não devemos contar com ela como uma Mestra hegeliana do Progresso. Ela não tem a santidade de nossos ideais mais nobres, ela num terremoto absurdo nos leva embora mulheres da nobreza de uma Zillda Arns e nos deixa na mira de escrotos que sò por Deus (minha recente crise de simpatia direitista teve como flanco aberto de atracão meu odio aos canalhas da criminialidade urbana) não fazem a gente se indignar pela inexistência, no Brasil, de pena de morte outra que não as decretadas pelo acaso ou pela Providencia insondavel.  A historia me tirou tambem, rapidamente demais, segundo os criterios de meu amor egoista, o padre pelo qual um adolescente perdido e confuso que eu era  se sentiu abracado por Cristo pela primeira vez, e soerguido de sua miseria para o rito de passagem a um novo estado de ser. A confusao sempre volta, a adolescência não, mas è como se voltasse tambem, por obra deste este velhinho que hoje veste as insignias de Papa, de espirito forte opiniões heterodoxas, que provavelmente ficarao pelo caminho, na maior parte delas (reformas como as que se pedem da Igreja de hoje virao daqui a duzentos, trezentos anos, quando estaremos todos na gloria, assim espero rs). Mas as perdas historicas me fazem conversar com Francisco nao no acodamento novidadeiro das noticias do dia, e sim nas câmaras misticas do supratemporal, onde llhe agradeco todos os dias por ter me tirado do torpor de catolico distante, por ter me contagiado com seu exemplo, e me mostrado o caminho de volta para a pratica, para o Evangelho do dia, isto e, o Dia, o Instante, e nao a Hiistoria, como rasgo de transcêndencia em que rompemos as amarras e cumprimos nosso dever de apostolos e servos. Servos como Kabir, o mistico indiano, que dizia que: 
`È o espirito da busca que liberta
De tal espirito sou escravo`
*Unzuhause*


Papa Francisco pode nomear uma mulher cardeal

Juan Arias
http://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/el-pais/2013/09/23/papa-francisco-pode-nomear-uma-mulher-cardeal.htm
Não se trata de uma brincadeira. É algo que passou pela cabeça do papa Francisco: nomear uma mulher cardeal. Quem o conhece, dentro e fora da Companhia, antes de chegar à cátedra de Pedro, afirma que o primeiro papa jesuíta da igreja está destinado a surpreender a cada dia, não só com suas palavras mas também, e sobretudo, com seus gestos. E ele o está fazendo nos primeiros seis meses de pontificado.
Os que pensam que Francisco, com sua simplicidade de pároco de interior, sua linguagem plana e seu sorriso sempre nos lábios, seja um simples ou um ingênuo se equivocam. Este papa, que não parece papa, chegou a Roma da periferia da igreja com um programa bem concreto: mudar não só o aparelho enferrujado da máquina eclesiástica como também ressuscitar o cristianismo das origens.
O simbolismo de seus gestos começou desde que apareceu na sacada central da Basílica de São Pedro, vestido de branco e dizendo-se "bispo", pedindo que as pessoas na praça o abençoassem. Não perdeu desde então um minuto para semear de gestos inesperados seus primeiros meses de pontificado, para espanto de muitos, dentro e fora da igreja.
E o continuará fazendo. Por exemplo, com esse plano de tornar cardeal uma mulher. Ele sabe que o tema feminino dentro da igreja não está resolvido e não pode esperar. Ele o deixou claro com duas frases lapidares em sua última entrevista a "Civiltá Católica": "A igreja não pode ser ela mesma sem a mulher". Não é só uma afirmação. É uma acusação. A frase também pode ser lida assim: "A igreja ainda não está completa porque nela falta a mulher".
Como introduzir na igreja essa peça essencial, sem a qual a igreja "não pode ser ela mesma"? Foi o que disse na mesma entrevista: "Precisamos de uma teologia profunda da mulher".
E essa teologia, o papa dá a entender, não pode ser construída no laboratório do Vaticano, apadrinhada pelo poder. Está sendo construída pelas mulheres dentro da igreja: "A mulher está formulando construções profundas que devemos enfrentar", diz.
Francisco quer resolver esse problema durante seu pontificado porque está convencido de que a igreja hoje está manca e coxa sem a mulher no lugar que lhe corresponderia, que seria nem mais nem menos o que já teve no início do cristianismo, onde exerceu um enorme protagonismo. Pelo menos até que Paulo cunhou sua teologia da cruz e hierarquizou e masculinizou a igreja.
O papa sabe que para levar a cabo a revolução que tem em mente precisa "escutar" a igreja, não só a de cima, mas também a de baixo, onde estão se realizando, por parte da mulher, "construções profundas".
Poderia, entretanto, abrir caminho ele mesmo com alguns gestos que obrigariam a colocar com urgência o tema da mulher sobre o tapete, ou, se se preferir, sobre "o altar". E um desses gestos seria nomear uma mulher cardeal. É impossível? Não. Hoje, segundo o direito canônico, pode haver cardeais que não sejam sacerdotes, basta que sejam diáconos.
Mas, alguém poderia dizer, hoje a mulher ainda não pode ser diaconisa, como o foi há 800 anos e sobretudo nas primeiras comunidades cristãs. Pois essa é também uma das reformas que Francisco tem na cabeça. Não se trata de um dogma. A mulher poderia ser admitida ao diaconato amanhã mesmo.
Como escreveu Phyllis Zagano, da Universidade de Loyola em Chicago, a maior especialista da igreja nesse tema, "o diaconato feminino não é uma ideia para o futuro. É um tema do presente, para hoje". E conta que teria abordado o tema com o cardeal Ratzinger, antes de ser papa, que lhe respondeu: "É algo em estudo". Para Bento 16 ficou na ideia, mas o papa Francisco poderia acelerar o processo. Hoje, as igrejas Apostólica Armênia e Ortodoxa Grega, ambas unidas a Roma, já contam com diaconisas.
Chegada a mulher ao diaconato, o papa já pode, sem mudar o atual direito canônico, tornar uma mulher cardeal com o título de diaconisa. Mais ainda, bastaria mudar a atual norma para permitir que um laico, e portanto uma mulher, possa ser eleita cardeal, já que houve pelo menos dois casos na igreja em que foram nomeados cardeais dois laicos: o duque de Lerma em 1618 e Teodolfo Mertel em 1858.
O cardinalato não pressupõe a consagração presbiterial nem episcopal. Os cardeais são conselheiros do papa, e sua função principal é eleger o novo sucessor de Pedro. Há algum inconveniente em que uma mulher possa dar seu voto no silêncio do conclave? Seu voto valeria menos que o de um homem?
Um jesuíta me dizia: "Conhecendo este papa, não lhe tremeria a mão tornando cardeal uma mulher, e até lhe encantaria ser o primeiro papa que permitisse que a mulher pudesse participar da eleição de um novo papa".
Quando Francisco, em sua longa entrevista, insiste em que não quer fazer as mudanças precipitadamente e que prefere "escutar" a igreja, é porque essas mudanças, algumas surpreendentes, já estão em sua mente, talvez bem enumeradas. Quer apenas apresentá-las com o aval não só da hierarquia, como do povo de Deus.
Com este papa, como dizia Federico Fellini, "la nave va". Com Francisco, os pilares da igreja começam a se mover. E muitos começam a tremer. De medo. Dentro, e não fora da igreja. Fora começam a ressoar as notas do estupor e até da incredulidade. "Com este papa quase está me dando vontade de me tornar católica", escreveu ontem uma leitora neste jornal.
Algo se move, e talvez irreversivelmente na igreja, justamente no momento em que no mundo laico e político, no campo da modernidade, os relógios parecem ter parado, todos ao mesmo tempo.
Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves