Thursday, September 26, 2013

rumo à arte secreta da Sedução

Mystery (Erik von Markovic) e Style (Neil Strauss)

O post anterior, sobre Neil Strauss, me reabriu a curiosidade sobre sua "Bíblia da Sedução" e sobre os preceitos desta arte secreta. Fui atrás do livro, e do folhear despretensioso do Caio, mais um cidadão engarrafado da metrópole de kriptnonita,  fui sendo arrastado à ferocidade intelectual do Super-Unzuhause, a me exigir o mergulho a sério na Filosofia e Psicologia da Conquista das Mulheres. Decidi então reler "O Jogo", e ir dialogando com ele em comentários que por vezes retomam, outras vezes expandem e transformam as histórias e conceitos deste livro de grande sucesso nos Estados Unidos. 
Não me deterei no lugar de resenhista, como filósofo, psicólogo e "coach" de Sedução considero que é meu dever assumir a voz própria de meus pensamentos a esse respeito. Um Artista da Sedução deve ser tudo, menos matraca dos outros. A subserviência é um dos sintomas de que, ao contrário de mago, se é "trouxa" (no sentido de pessoa não-iniciada no mundo de Harry Potter), loser e aleijão no obscuro mundo das paixões. Muitos infelizes no amor mostram um espírito de subserviência para com a vida que é terrível para este ofício específico, porque faz do coitado um cara legal, bonzinho, demasiado gentil com as mulheres. Sem pegada.
Mystery, um fascinante personagem central em "O Jogo", considerado o maior artista da sedução do mundo, diz, entre outras pérolas: "Eu não ignoro as mulheres feias, eu não ignoro os homens; eu só ignoro as mulheres que eu quero comer". Ele se refere, no caso, à dinâmica que adota em abordagens em boate: escolhe a mulher, normalmente acompanhada de um círculo de amigos, e trata de cativar os amigos dela (com os truques de mágica, já que desde os 11 anos o garotinho canadense corria atrás do sonho de se tornar um novo David Copperfield; seus sucessos não o livraram de uma vida social de isolamento, sendo a  virgindade um estigma até os 21 anos). "Ignora" cuidadosamente a sua vítima, se distingue da maioria dos caras que, num lugar e contexto assim, lambem as botas e comem com os olhos e cospem asneiras sobre as mulheres que nos interessam as de "nota 8 pra cima". O Artista da Sedução deve ser exceção nisto como em tudo. Seu mundo não é o do "todo mundo". 
De olhar penetrante, "aquele brilho insano nos olhos e uma incapacidade absoluta para fazer algo para si mesmo", segundo  Strauss, que tanto testemunhava isso nas estrelas de rock com que convivia; seu corpo de 1, 95m de altura normalmente se mostra impávido e ereto, Mystery usa roupas "de pavão", como ele mesmo denomina um de seus conceitos: trajes propositadamente chamativos e alegres.
 Expressão aberta, sem carranca, postura confiante e positiva. Tom de voz "modelado" (termo da PNL) a partir do famoso palestrante motivacional Anthony Robbins. Vários se proclamavam o melhor. Mystery superava todos, resume Strauss, que nos dois anos de sua "observação participante" no campo adotou, como um neófito de sociedades secretas, um cognome: Style. Todos lá usam cognomes, nunca nomes reais. Como que demonstrando que o mundo da sedução é uma realidade paralela, um videogame em vida, uma brincadeira sem leis de gravidade e demais seriedades debilitantes da vidinha mequetrefe das pessoas comuns.  
Falando de sua vida pregressa, como Neil Strauss, Style se define como um cara profundo, desses que releem Ulysses de tempos e tempos, por diversão. Um "cara legal", que entre os sedutores, eu sinto assim, é pior do que ser chamado de viado. Mas se arrependia de ter se divertido pouco com as mulheres, um defeito de sua biografia, uma ferida de sua auto-estima e um prejuízo para seu desenvolvimento, porque desperdiça tempo demais pensando nas mulheres. Nem mesmo ter chegado ao New York Times, e conviver de perto com o mundo dos rock stars lhe trouxe sorte melhor no amor. Então disse chega! Buscaria pela técnica o que tantos pareciam conseguir por dom natural. E se livraria do estigma que considera a marca dos personagens literários que ele tanto ama, os Leopold Bloom de vida frustrada, crise perpétua, existencialismo na veia e bolsos vazios e camas solitárias.
Vamos ver como se deu essa jornada de autotransformação (Style veio a se tornar um dos caras mais reconhecidos no meio, após o começo loser, bem ao gosto da narrativa norte-americana de fracasso e redenção). 
Nessa odisseia, que teve Mystery por mentor dele e nossa, vamos aprender mais sobre um jogo que, ao contrário do senso comum, não depende de beleza física nem de ser ricaço. Muitos têm esses atributos e ainda assim são um desastre de gente enfadonha, insegura e desinteressante. 
-Unzuhause-