quinta-feira, setembro 19, 2013

patos e patetas


Deixei de roer as unhas e tenho certo desconforto de estar perto de quem o faça. As feridas do corpo humano me incomodam. A saliva alheia que, no beijo, é tempero do amor,  vira na mão roída uma baba que parece que vai me invadir. Todo o afetivo (o que nos afeta) como campo ambíguo em que as palavras e as coisas pairam sempre no limiar do degradante, vide a facilidade com que os órgãos sexuais e seus produtos viram forma de palavrão e ultraje.  
Mas ontem confesso que sucumbi ao velho vício. A merda (lá vem a tal ambiguidade das nossas partes animais especializadas em amor) que fizeram do Corinthians foi longe demais. Que isso, galera? Jogador mais focado em aparecer em campanha da dignidade gay, goleiro pateta, a gente pagando o pato (em euros, em troca de porra nenhuma)bando de perna de pau, jogador bom mas bichado, diretoria em estado de coma. Vida é cíclica, minha gente. Os títulos recentes -deixando de lado a importância relativa desse "Mundial" mequetrefe de joguinho de fim de ano-  nunca me iludiram, sempre assisti com certo tédio e falta de identificação. O heroísmo, os ídolos, cederam lugar desde os tempos de Neto e Marcelinho Carioca à era de jogadorzinho de camisa 217, 830, sem nada representar senão suas próprias vaidades de se distinguir. Mas pelo menos havia raça, entrega, comunhão com a energia da torcida, aliás dis-torcida pela vulgaridade da minoria violenta, que já nos prejudicou tanto na Libertadores e, de novo, no Brasileiro.
Não esperava tão cedo por cenas ridículas, medonhas, palhaças, como esses caras estão nos proporcionando. Porra, a gestão parecia ter melhorado tanto, dirigentes mais eficientes, iniciativas ousadas como o novo estádio, embora eu mais lamente pelo Pacaembu perdido do que vibre pelo Itaquerão. Mas a crise nos ama (e a imprensa nos ama ver em crise, até bagulhos como o programa de meio-dia da Band fica divertido nessas épocas). Céu de brigadeiro é cenário fake para o drama de ser Corinthians.
-Unzuhause-