Monday, September 30, 2013

síndicos da Torre de Babel


Para celebrar o Dia do Tradutor, eu proponho um brinde à Palavra, a seus mistérios, a suas potências e reentrâncias, que fazem a graça por exemplo da etimologia; recomendo, a propósito, este site sobre a "origem da palavra":
http://origemdapalavra.com.br/
Síndicos da Torre de Babel, os tradutores nos colocamos numa posição de serviço e de humildade, primeiro para com a língua alheia, depois pelo papel de intermediários, qual Hermes, tentando remediar a bagunça e a discórdia das línguas com regras de convivência agradáveis o bastante para que a língua migre de um lado a outro da ponte sem perder o sentido, sem se desconectar de sua fonte-raiz, que no fundo é a mesma nessa ou naquela florescência fugaz.
E como não sou um, mas dois, como o Nº 1 e o Nº2 de Jung, o solar e o lunar, o racional e o místico, aproveito para dar também a palavra a esta outra dimensão do profundo, além da etimologia profana -e de técnicas de etimologia da alma como a psicanálise-, que é a busca da sabedoria primordial, anterior, segundo Blavatsky, a todas as dogmatizações culturais que não senão formas exteriores, "materializadas", quando não enrijecidas, de uma mesma Fonte que só se pode acessar uma espécie de ver -escutar (vid, em sânscrito), com a mente suficientemente aquietada pela prática meditante a sós, em contato com quem nos soerguemos como tradutores menos traidores da linguagem dos primórdios de nós mesmos, leves como as notas das harpas dos anjos e dos poetas. Humildes como os síndicos que todavia guardam até de si mesmos a identidade secreta de filhos do proprietário do prédio enquanto não retornam ao fim do dia para o Castelo do Pai que kafkianamente "é' porque não existe. 
Tradutor e etimólogo de mim mesmo para o mundo, e do mundo para mim, e de ambos para e em Deus, que no princípio era a Palavra - eis o que somos e o que devemos nos tornar, ao longo das encarnações ou reedições corrigidas, aumentadas, simplificadas (uma amiga me lembrava esse dito espirituoso: "perdão, não tive tempo de escrever um texto mais simples") do Livro aberto de nossa vida.
A esse respeito complemento a oferenda do brinde e do link com a reflexão de uma discípula de Blavatsky, falando a respeito das limitações da língua profana, no caso, do inglês em que HPB expõs a "doutrina secreta", e da necessidade de, dessa falta, fazer brecha de avanço, com humildade e paixão, para além dos sentidos imediatos e dos discursos que oprimem, mais que pelo erro,  pela burrice de pararem antes da hora, caso por exemplo de todo cientificismo que não vê que a razão ceticamente levada ao extremo se volta como uroboros para comer a cauda da própria razão e nos devolver para o grande silêncio, não mais como mutismo catatônico mas como plenitude de intuição.
(...) devemos sempre captar o sentido mais profundo das palavras, perceber o que o termo externo significa. Devemos, a todo momento, buscar a profundidade do sentido. Devemos procurar o que está oculto na palavra. E somente através de uma mudança na consciência, ou seja, uma mudança em que a mente não mais analise, mas passe para uma nova percepção, nós podemos vir a compreender a Doutrina [de Madame Blavatsky]. É demasiado fácil ater-se aos aspectos exteriores, preocupar-se com rondas, raças e globos... Descobrir que cadeia planetária é esta; se Marte e Mercúrio pertencem ou não a esta cadeia. Ater-se àquilo que eu chamo de 'as tecnologias da mente inferior'. E, então, perdemos a essência do que é apresentado (...)
Joy Mills,
O Despertar de uma Nova Consciência - Ideias Centrais de 'A Doutrina Secreta'
-Unzuhause-