Thursday, October 17, 2013

as Valquírias de Jung


Toni Wolff, uma das mais brilhantes colaboradoras do círculo íntimo de Jung

Leio uma nota de diário de um homem próximo de Carl Gustav Jung, o famoso psiquiatra e analista suíço; a nota diz que Jung escutava em tom de "objeção" o comentário frequente de que entre seus seguidores a grande maioria era de mulheres.Que isso fosse uma crítica, dá bem a medida dos preconceitos que a mulher sofria (oi? não sofre mais?) na época, para tirar a barriga do tanque, do fogão e do berçário e alçar voos de autonomia, por exemplo, como intelectual. Já o fascínio de Jung junto ao que então eram chamadas suas "Valquírias" tinha uma mescla de razões pessoais e teóricas. O homem era um azougue. Grande, forte, campônio, viril, traços que lhe tornavam o gênio uma potência que atraía, e não intimidava, como no caso de gênios da amargura e da solidão como Nietzsche e Schopenhauer. E , no aspecto doutrinário, sua psicologia é muito generosa com as mulheres, para ele quase que divinas, em sentido pagão, embora Jung pessoalmente se permitisse disparates machistas, típicos de seu tempo e cultura (não no sentido aqui de inteligência aprendida, mas de segunda natureza). Mas a resposta que ele dava aos críticos de suas Valquírias era sensacional. Primeiro, ele se se considerava um pai espiritual delas, meio que em bases de horda primitiva, o Macho-Alfa com monopólio de todas as mulheres, inclusive sexualmente, no caso de uma Sabina Spielrein (que nãoi participou propriamente do elenco das valquírias, é anterior a elas, e talvez mais decisiva ainda, femme inspiratrice do conceito de anima, que discutimos adiante) ou de Toni Wolff, até mesmo quebrando a regra da abstinência terapeuta-paciente. Ele era um fio vital, uma bateria viva que tinha a missão de energizar suas mulheres, assim lhes equipando das condições de irradiar o brilho natural. Uma teoria da transferência radical, transmutada em teoria da presença xamânica de Jung transmissor de "mana" (energia primitiva) para as suas meninas-senhoras guerreiras; a mulher se relaciona com a vida pela mediação de um grande homem, e vice-versa, ponto que o conceito de anima/animus deixa muito explícito. E anima, a feminilidade do homem, era também a feminilidade da própria psicologia, como ele gostava de dizer aos críticos misóginos: "O que se pode fazer? Afinal a psicologia é a ciência da alma e não é culpa minha que a alma seja uma mulher". Jung dependia, respirava por mulheres tanto quanto elas em relação a ele.
-Unzuhause-