Friday, October 18, 2013

eu era feliz porque não sabia


Estou me "libertando" aos poucos de uma análise lacaniana que me siderou por longos 7 anos e pouco. Espero pelo seu término para que ela, em certo sentido, possa começar: o sentido de uma análise, como o de toda grande experiência, é sujeito a toda sorte (e azares) de oscilação, se negociando também num "só depois" dela: a perda que dá completude ao que existiu. Lamenta-se muito que a gente só dê valor a alguma coisa quando a perdemos; pra mim isso é da condição humana. Não é que antes não déssemos valor, mas o valor se afigura substancialmente outro quando a experiência a ser valorada acaba, quando o gosto da finitude, antes inconsciente, se explicita no paladar do sobrevivente do tempo que somos como seres de memória, quando o "Ser" aparentemente eterno se revela como  que sempre "foi" e não sabíamos, de tão felizes: estar passageiro, que respira e logo fenece como tudo. O rio heraclitiano do "panta rei", tudo passa. A felicidade se quer e se espera eterna, como disse outro dia o querido professor Clóvis de Barros Filho numa entrevista sensacional no Jô Soares, ponto de partida, provavelmente, de seu estrelato intelectual para além das fronteiras acadêmicas em que seu mérito já era reconhecido. Eu era feliz e não sabia? Não, eu era feliz porque não sabia.
-Unzuhause-