quinta-feira, outubro 31, 2013

o troglodita democrata


"Quem baixou a tarifa..." Hoje é batata, como diria mestre Nelson Rodrigues, o mantra de que "quem baixou a tarifa" pode qualquer coisa. Enquanto não assaltam o céu, conseguem pichar de vermelho sangue um dos monumentos mais bonitos da USP, o relógio central do campus. Conseguem tratar como lixo as carteiras arrancadas da sala de aula e amontoadas pelos corredores da USP. Conseguem trucidar um policial que está impedido de levantar a mão contra eles não por ser Cristo -se  bem que cordeiro imolado pela multidão ignara-, mas pela legislação da turma do direito dos manos. Sonhos de violência (mal) disfarçam, desde o tempo das histéricas de Freud,  um pesado tesão sexual pelo marginal temido e no fundo adorado. Hoje, em tempos de uma franqueza sexual nunca antes vista nesse país,  o fetichismo da marginalidade volta com tudo à pauta do tesão coletivo. Tesão pelos bandidos e em ser um deles. É legal ser brutamontes, é legal tratar mal o outro, agredir física e verbalmente violentar e passar a mão nos "pobres adolescentes", vítimas do sistema injusto. É legal exigir "cotas" e não ter vergonha na cara, arrotar anelos de "democracia" (da massa burra?) desde que seja entre os companheiros, calando ou matando quem discorde.
-Unzuhause-

Após grupo interromper mesa, Flica cancela dois debates neste sábado


Após manifestação que interrompeu o primeiro debate da Flica (Festa Literária Internacional de Cachoeira) neste sábado (26), quarto dia do evento, a organização resolveu cancelar duas das mesas. O protesto aconteceu após 15 minutos do início de “Donos da Terra? – Os Neoíndios, Velhos Bons Selvagens” e, segundo os manifestantes, contra a presença de um dos convidados, o sociólogo, colunista e professor da Universidade de São Paulo (USP), Demétrio Magnoli.

A mesa "As Imposições do Amor ao Indivíduo”, em que estariam Jean-Claude Kaufmann e Luiz Felipe Pondé, e estava marcada para as 20h, também não vai mais acontecer. “Foram canceladas porque a organização não conseguiria garantir a integridade física dos dois autores [Luiz Felipe Pondé e Demétrio Magnoli]”, diz um dos organizadores, Emanuel Mirdad.
Protesto
Um grupo formado por cerca de 30 pessoasinvadiu o saguão do Convendo do Carmo logo no início da primeira mesa. A escritora Maria Hilda Baqueiro Paraíso pediu diálogo, o que foi negado pelos manifestantes. Pessoas se pintaram de rosa e alguns ficaram seminus.
Os manifestantes afirmaram repudiar a posição crítica do participante da mesa ao sistema de cotas para ingresso nas universidades, chamando-o de racista. A mesa seria retomada às 13h, segundo o curador do evento, Aurélio Schommer, e depois foi cancelada.
'Vandalismo'
Demétrio Magnoli conversou com o G1. O escritor, cuja obra mais recente é "O Mundo em Desordem - Liberdade versus Igualdade (1914 - 1945)", criticou o fato da manifestação interromper o debate. "O grupinho que fez a baderna, que impediu o debate, eles imaginam que estão impedindo a minha liberdade de expressão, mas estão enganados, porque a minha liberdade de expressão está garantida. O que eles cerceiam é o direito das pessoas de ouvirem um debate, então eles estão contra as pessoas comuns, que vão ouvir um debate. Não estão contra o palestrante, embora eles imaginem que estejam", afirmou.
Na opinião do sociólogo, como não houve diálogo, não há crítica, mas sim vandalismo. "A crítica envolve a articulação de sentenças com começo, meio e fim, com o uso de sentenças subordinadas e principais, isso é o campo da crítica. O vandalismo não deve ser confundido com a crítica, assim como a manifestação não deve ser confundida com a depredação. Eles são vândalos e depredadores do direito das pessoas debaterem, eles não são críticos". Ainda em conversa, Magnoli fala sobre a sua opinião em relação às cotas.
"A minha posição sobre as cotas é porque, justamente como sou um anti-racista convicto, eu sou contra que estados classifiquem as pessoas na lei segundo critérios de raça. Os estados que classificaram as pessoas na lei segundo critérios de raça produziram desastres horríveis, como a África do Sul com o Apartheid, como os Estados Unidos, que no início do século XX criaram leis de segregação racial. Essas leis se baseiam no mesmo critério, que as pessoas são aquilo que a aparência delas diz que elas são. Os anti-racistas acreditam que as pessoas são aquilo que querem ser, que as pessoas são aquilo que pensam, que criam, aquilo que inventam, não são alguma coisa definida pela sua aparência, pela sua cor da pele, qualquer coisa assim. É justamente porque eu sou anti-racista que eu sou contra as cotas raciais", diz.