Wednesday, April 16, 2014

morte e vida estamira


Um psicótico, ou bebum em estado perpétuo, brada retumbante seu evangelho "gnóstico-estamirano" embaixo da minha janela, neste momento. Ele passeia por aqui de vez em quando. Talvez mais do que eu saiba, quando ele está calado, invisível e inaudível, o que deve ser o terror existencial maior, contra o qual seu delírio se insurge e o faz se expor desse modo triste. Tão triste quanto a cidade que "apaga" assim tantos sonhos, sonhadores e os matamorfoseia em zumbis por reações tóxicas à base de rancor e violência cotidiana. A Estamira barbuda debaixo da minha janela berra seus habituais impropérios pessimistas contra o ser humano -que segundo ele nem urubu come, por ser exigente demais para isso; mas ele, o estamirano, diz que comeria, desde que arriem as calças e fiquem de quatro para ele. Gosta também de se insurgir contra Deus: "Deus não vale nada, é tão ruim quanto o diabo, é farinha do mesmo saco!" Nisso revela o viés gnóstico de suas pulsões religiosas, tão frequentes no delírio psicótico que fizeram a psiquiatria de Jung (ele se distinguia de Freud por lidar mais com psicóticos do que com histéricos, daí talvez outro motivo da dessemelhança epistêmica de suas versões de psicanálise) se converter num novo berço de reinterpretação da própria gênese do fato mental religioso.
Com finura teológica meu profeta bíblico pessimista acrescenta que a diferença é que o Diabo é limitado, e a palavra de Deus se renova todo dia. Satanás, réplica limitada de Deus! Limitado e imitador: fala a mentira, enquanto Deus fala a verdade (nisso o devaneio se aclimata melhor a nossas tradicionais dicotomias ético-religiosas, à hierarquia que faz de Deus sinônimo de Verdade, e do diabo, o pai da mentira, dos tempos bíblicos ao racionalismo cartesiano). E depois falam mal do fechamento dos manicômios! Nossas ruas e nossas vidas citadinas seriam ainda mais P&B sem a cor poética-profética desses insurgentes à margem de tudo, que denunciam, a seu modo doente, que nossas margens, isto é, os mapas supostos como mundo para quem ainda trafega dentro em fila indiana como carneiros rumo ao abate de cada dia,  estão apertadas demais.  
Aproveito o ensejo de compartilhar, para quem não conhece Estamira e sua dimensão gnóstica, meu artigo sobre essa impressionante figuração de nossa tragédia humana e brasileira. Foi escrito quando aluno na escola de psicanálise de Jorge Forbes, nos idos de 2006. Daí a tradução lacaniana que dou, esforço maior daquele período, a minhas ideias, inculturando sob "lumières" parisienses minha mais sombria, germânica e selvagem verve arquetípica na apreensão, filosófica, diagnóstica e terapêutica, das realidades psíquicas tortuosas do indivíduo moderno. 
-Unzuhause-


Estamira: mito, delírio e gnose

CAIO LIUDVIK


"Que Deus é esse? Que Jesus é esse, que só fala em guerra e não sei o quê?! Não é ele que é o próprio trocadilo? Só pra otário, pra esperto ao contrário, bobado, bestalhado. Quem já teve medo de dizer a verdade, largou de morrer? Largou? Quem ando com Deus dia e noite, noite e dia na boca ainda mais com os deboches, largou de morrer? Quem fez o que ele mandou, o que o da quadrilha dele manda, largou de morrer? Largou de passar fome? Largou de miséria? Ah, não dá!"
Nesta que é uma das passagens mais incendiárias e inquietantes de seu depoimento fílmico, Estamira condensa muito de um sistema delirante pessoal dotado de flagrantes homologias, como veremos, em relação a determinadas produções mítico-teológicas  da tradição cultural ocidental.
 Vem à lembrança, de imediato, a expressão "o mito individual do neurótico" (Lacan, J., 1987), que por sua vez é diretamente inspirada nas reflexões de Claude Lévi-Strauss, nos célebres textos de Antropologia Estrutural em que discute a "função simbólica" do mito e a analogia entre o psicanalista e o xamã (cf. Lévi-Strauss, C., 2003).
Não iremos aqui reconstruir em detalhe toda a complexidade conceitual em jogo. Basta-nos a remissão –importante porque nos guiou, em grande medida,  na leitura dos delírios de Estamira-   à afirmação lévi-straussiana de que "na civilização mecânica, não há mais lugar para o tempo mítico, senão no próprio homem" (apud Cardoso e Cunha, T., in: Lacan, J., 1987,  p. 9).  Ou seja, nas modernas sociedades industriais e científicas, o mito é como que, para nos valer de um signo adequado ao contexto de nosso filme,  jogado no lixo, descartado como mentira, embuste ou mero delírio, destronado da posição anterior de destaque como sistema de representações coletivas dignas de crédito; não morre de todo, mas se vê confinado à crendice ou à atividade fabuladora individual, mais ou menos idiossincrática e incomunicável.
A tragédia pessoal de Estamira é também o destino histórico do mito, numa sociedade que tem canais cada vez mais precários e residuais de religação (religião=religare) dos homens entre si, com eles mesmos e com algum sentido de viver.         "O mito", diz Lacan, "é o que confere uma fórmula discursiva a qualquer coisa que não pode ser transmitida na definição da verdade,, porque a definição da verdade não se pode apoiar senão em si mesma, e é enquanto a palavra progride que ela a constitui. A palavra se não pode apreender a si mesma, nem apreender o movimento de acesso à verdade, enquanto verdade objetiva. Ela apenas a pode exprimir –e isso, de um modo mítico. É neste sentido que se pode dizer que aquilo em que a teoria analítica concretiza a relação intersubjetiva, e que é o complexo de Édipo, tem um valor de mito" (Lacan, J., ibid., p. 47). Logo adiante, Lacan se reaproxima da noção de mito enquanto "representação objetivada de um epos ou de uma gesta, exprimido de forma imaginária as relações fundamentais características de um certo modo de ser humano numa determinada época"; é "a manifestação social latente ou patente, virtual ou realizada, plena ou esvaziada do seu sentido, deste modo do ser", definição que, arremata, faz possível e necessário que admitamos encontrar o mito em plena vigência 'no próprio vivido de um neurótico" (ibid., p. 48-9).
O mito está entre os mais clássicos dispositivos coletivos e pessoais de tamponamento da angústia radical da existência, do buraco inscrito no seio do Real, defesa ante o enigma do Ser, semblante de um ordenamento qualquer para o curso errático de nosso estar no mundo.  Não por acaso reconhecia-se ao mito um valor não apenas epistemológico, mas também prático: ou seja, moral  e até terapêutico, como mostra Lévi-Strauss analisando a cura xamânica de uma mulher que passava por extremas dificuldades de parto. Diferentemente do discurso científico, que por si só não cura, pois funciona numa relação exterior de causa e efeito, o discurso mítico estabelece uma "relação interior ao espírito do símbolo (entes míticos) à coisa simbolizada (a doença) ou, para empregar o vocabulário dos lingüistas, de significante a significado (Lévi-Strauss, apud Cardoso e Cunha, T., in: Lacan, J., 1987, p. 12). 
Mas a civilização que entroniza a "razão" tecnocrática e o individualismo tira de si mesma as bases de sustentação de mitos consensuais; ficamos, como se diz, "cada um por si e Deus por todos" –ou talvez "Deus por ninguém", uma vez que "o homem moderno é aquele para quem Deus está morto –isto é, que julga sabê-lo" (Lacan, J., 2005, p. 30). E nesta medida a função simbólica do mito se esgarça ou se refugia em espaços como o analítico, traduzida ali no esforço do neurótico para reconstruir a própria história, voltar, de certo modo, às suas "origens", criando pra si um mito de criação ou um rito de passagem que resgate o passado, explique o presente e justifique o futuro. Já numa psicose como a de Estamira, o mito, como o inconsciente, perde tais vestimentas puramente individuais e contornos racionais, fica a céu aberto, ganha de volta a praça pública, ainda que num lixão de Caxias. É também um meio de tamponagem, mas não no registro da dúvida neurótica, mas de uma "certeza" semântica que, antes acreditada por muitos, era religião, mas agora reduzida a delírio que fala sozinho diante de olhares atônitos, caridosos ou repressores.
Voltando à fala de Estamira com que iniciamos este trecho do trabalho, é tempo de pensarmos um pouco o conteúdo "mítico" específico desse sistema delirante. O que chama a atenção de imediato é seu teor de  revolta.  O "Deus" conhecido de nossas tradições culturais ali se transmuta no que Estamira chama de "Trocadilo" (trocadilho).  O termo por si só é muito sugestivo. Diz-nos o dicionário Houaiss que trocadilho significa: "1. Jogo de palavras que apresentam sons semelhantes ou iguais, mas que possuem significados diferentes, de que resultam equívocos por vezes engraçados (...) 2. Uso de expressão que dá margem a diversas interpretações". O dicionário ainda nos remete ao termo espanhol "a la trocadilla", às avessas
A relação entre divindade e linguagem é essencial à tradição religiosa ocidental; lembremos o início do Evangelho de São João: "No princípio era o Verbo / e o Verbo estava com Deus / e o Verbo era Deus. No princípio, ele estava com Deus. Tudo foi feito por meio dele / e sem ele nada foi feito. / O que foi feito nele era a vida, / e a vida era a luz dos homens; / e a luz brilha nas trevas, / mas as trevas não a apreenderam" (Jo 1: 1-5). Conforme nota da Bíblia de Jerusalém, o Antigo Testamento "conhecia o tema da Palavra de Deus e o da Sabedoria existindo em Deus, antes do mundo", por quem foi tudo criado e "enviada à terra para aí revelar os segredos da vontade divina; voltando a Deus, ao terminar sua missão". Ou seja, Deus é Palavra, e a Palavra é a "Verdade".
Na versão às avessas de Estamira,  Deus é palavra, sim, mas palavra ironicamente fraudulenta, enganadora, equívoca –um trocadilho. Um jogo de palavras em que o homem joga pela sua própria ruína, a ruína das esperanças ilusórias e da desgraça inevitável. "A vida é dura. Ela é mal, por mais que a gente peleje"; "Eu, Estamira, não concordo com a vida. Fui visada assim, nasci assim. E não admito as ocorrências que têm ocorrido com os seres sanguíneos, (...) terrestres", afirma nossa profetisa, que diz também:  "Eu revelei quem é Deus. Revelei porque posso quem é Deus e o que significa Deus".
 E quem é Deus? É o autor dessa vida indigna, q faz do homem iludido alguém "pior que os quadrúpulos [quadrúpedes]". O Deus-Trocadilo  é, nos termos de Estamira,  canalha, incompetente;  seduz os homens e joga no abismo. Ataca pedra e esconde a mão. Faz com que quanto menos as pessoas tenham, mais joguem fora. Leva pessoas como João, um dos companheiros de lixão de Estamira, a, mesmo sabendo ler e escrever, passar uma vida de tanta privação. Um Deus estuprador, assaltante de poder, arrombador de casa.
            O filme conta que o episódio de um estupro, em que Estamira suplicou em vão a seu agressor que a poupasse "pelo amor de Deus", foi decisivo a que ela, antes muito religiosa, tenha, segundo o dizer de sua filha, "desistido de Deus". Outra grande amargura de sua vida foram as traições, brigas e separação final do marido, de quem gostava muito, e a quem se dirige, no filme, dizendo "Eu te amo, mas você é indigno, incompetente. Eu te amava, eu te queria, mas você é indigno, incompetente, otário, pior que um porco"; porém, significativamente, ela diz que é ainda "casada", e que por isso não poderia casar com um de seus companheiros de trabalho.
Como bem sabe e diz Estamira, "quem fez Deus foram os homens". E o Deus de Estamira é feito, desenhado com todas as tintas de suas desilusões pessoais, com que se reapropria da tradição religiosa construindo um "mito individual", idiossincrático, mas de curiosas afinidades com a tradição religiosa chamada de gnosticismo (Gnose é o termo grego para "conhecimento", não um saber meramente intelectual, e sim uma intuição interior).
O gnosticismo, em sua versão mais conhecida, "desenvolveu-se nos primeiros séculos da era cristã, até ser contido pela Igreja organizada"; trata-se de determinadas escolas com traços em comum e que proliferavam no seio do cristianismo primitivo dos séculos II e III, antes da imposição de uma ortodoxia eclesial que as declarou, proscreveu e perseguiu como "heréticas". Embora tenha traços doutrinários comparáveis a outras tradições, como zoroastrismo - em sua ênfase no dualismo cósmico- e hinduísmo e budismo –ao destacar o auto-conhecimento como via de redenção-, historicamente a fonte mais imediata da gnose cristã foram certas linhas heterodoxas do próprio judaísmo, sobretudo a seita dos essênios (cf. Hoeller, S., 2006, p. 46 s).
A todas as grandes religiões universais, uma preocupação é comum – a questão da teodicéia, a justificação do Mal no mundo a despeito da existência da suposta divindade ou de uma ordem cósmica superior e benfazeja. O gnosticismo se singulariza por dizer que o Mal não existe a despeito de Deus, e sim por causa deste. Ao invés do livre-arbítrio humano, quem introduziu o pecado no mundo foi o próprio Criador.  Esclarecendo melhor:  "Na visão gnóstica, existe um Deus verdadeiro, supremo e transcendente, que está além de todos os universos criados, e que nunca criou nada no sentido em que normalmente compreendemos a palavra 'criar'. Embora esse Deus verdadeiro não tenha moldado ou criado nada, Ele 'emanou' ou emitiu de Si mesmo a substância de tudo o que existe em todos os mundos, visíveis e invisíveis" (ibid., p. 51).
Abaixo do Deus supremo ou "Pai silencioso", há, nas diversas variantes gnósticas antigas, outra entidade fundamental, a dos Éons, seres intermediários divinizados que existem entre o Deus verdadeiro e nós. "Esses seres constituem o reino da Plenitude (Pleroma), onde a potência da divindade opera de modo pleno. A Plenitude contrasta com o nosso estado existencial que, por comparação, pode ser chamado de vazio" (ibid.). E, prossegue o mito, um dos seres eônicos, ironicamente Sabedoria ("Sofia"), agiu às avessas do que seu nome sugere, emanando de seu ser uma consciência defeituosa, um ser que se tornou criador do cosmos material e psíquico, que ele criou à imagem e semelhança de sua própria natureza imperfeita. Inconsciente de suas origens e de suas limitações, arrogou-se a condição suposta de Deus supremo e absoluto. É chamado por isso de "Ialdabaoth", palavra bárbara que significa "deus infantil",  ou ainda de "Saclas", termo aramaico  que significa "o tolo" ou "tolo cego" (cf. Hoeller, S., 2005, p. 234-5). E, curiosamente, os gnósticos associam Ialdabaoth a Iahweh,  o deus judaico-cristão, criador deste mundo de misérias e de todo o aparato de regras e moralidades a serviço não da Verdade, mas da alienação e assujeitamento dos homens entre si e ao deus tirano.
As homologias são grandes entre essas afirmações gnósticas e o "mito individual" engendrado por Estamira. Assim como Ialdabaoth e o "Trocadilo", temos outros termos possíveis de comparação dos dois sistemas, como: Pleroma e o "além dos além", ou ainda os Éons e os "astros positivos e negativos" de que fala a profetisa goiana. E quanto à figura gnóstica do Pai silencioso ou Deus verdadeiro? Menos explícita do que a face iconoclasta, parece ainda assim haver no discurso de Estamira a apologia de certa divindade superior, representada, obscuramente, por um ser nomeado como "aquele que revelou o homem como o único condicional". Veja-se um exemplo, quando Estamira defende o "comunismo superior": "Todos homens têm que ser iguais, têm que ser comunistas. Comunismo. Comunismo é a igualidade. Não é obrigado todos trabalhar num serviço só, não é obrigado todos comer uma coisa só, mas a igualidade é a ordenança que deu quem revelou o homem o único condicional, e o homem é o único condicional seja que cor for". Assim também, uma das últimas falas do filme remetem a uma espécie de teologia apofática ou negativa, de grande peso na mística cristã: o discurso sobre Deus afirmando-o através daquilo que ele não é: "Esse Deus desse jeito, deles, sujo, estuprador, assaltante, arrombador de casa, com esse Deus não aceito, nem picadinha".
A própria Estamira concede para si um papel que, na gnose, é desempenhado pelos "Mensageiros da Luz", entre os quais Set (o terceiro filho de Adão), Jesus e o profeta Mani; eles acompanham o drama humano e de tempos em tempos intervêm, trazendo apoio e inspiração para os que buscam dentro de si resgatar a centelha divina, oprimida pelas trevas da matéria e das paixões,  e assim alcançar a redenção espiritual (entendida mais como saída da ignorância, da sujeição a Ialdabaoth, e chegada ao "conhecimento" de si, do cosmos e de Deus, do que como purificação dos pecados). Ora, Estamira nitidamente se dá tal papel de mensageira luminosa, a começar do simbolismo de seu próprio nome, que ela faz questão de ressaltar: "Eu Estamira sou a visão de cada um. Ninguém pode viver sem mim. Ninguém pode viver sem Estamira". E ainda: "A minha missão, além d’eu ser Estamira, é revelar a verdade, somente a verdade. Seja mentira, seja capturar a mentira e tacar na cara, ou então ensinar a mostrar o que eles não sabem, os inocentes… Não tem mais inocente, não tem. Tem esperto ao contrário, esperto ao contrário tem, mas inocente não tem não". Embora se distinga dos gnósticos pela recusa de Cristo, ela acaba por se identificar com o papel de redentor e mártir associado a ele, quando diz que aceitaria passar pelos sofrimentos que ele passou, ou por uma variante deles: "Se for para o Bem, a Verdade, a lucidez de todos os seres, podem me queimar nesse minuto. Eu agradeço ainda".
Tradição ela própria jogada na lata de lixo da História pela Igreja hegemônica, o gnosticismo reabre os olhos pelos olhos de Estamira, despertando no lixão de Caxias, claro que numa criação discursiva particular, tratada não com a reverência de adeptos e irmãos de seita, mas com internações e medicações. Estamira é também a mira do mito, que, foracluindo os ditames da razão moderna, faz bricolagem –atividade tão precípua ao mito, segundo Lévi-Strauss- dos restos de nosso mal-estar mais atual e de nossas frustrações e utopias mais ancestrais. 


BIBLIOGRAFIA 
A BÍBLIA DE JERUSALÉM. S. Paulo: Paulus, 2005.
HOELLER, Stephan, Gnosticismo – uma Nova Interpretação da Tradição Oculta para os Tempos Modernos. Rio de Janeiro: 2005, ed. Nova Era.
HOELLER, Stephan, "A Busca da Liberdade Espiritual: a Cosmovisão Gnóstica", in: KINNEY, Jay (org.), Esoterismo e Magia no Mundo Ocidental. S. Paulo: ed. Pensamento, 2006.
LACAN, Jacques, O Mito Individual do Neurótico. Lisboa: Assírio & Alvim, 1987.
LACAN, Jacques, O Triunfo da Religião. Trad. André Telles. Rio de Janeiro: 2005, ed. Jorge Zahar.
LÉVI-STRAUSS, Claude, Antropologia Estrutural. Trad. Chaim Samuel Katz e Eginardo Pires. Rio de Janeiro: ed. Tempo Brasileiro, 2003.