Sunday, June 15, 2014

a nova coalizão


Reinaldo Azevedo comentou, com a perspicácia que o faz tão indispensável para o Brasil (ou, o que dá no mesmo, tão intragável para os esquerdopatas), que a Convenção de ontem, em São Paulo, mostra um PSDB coeso em torno de Aécio Neves. Unido como não esteve desde 1998, coincidentemente a última vez que venceu a corrida presidencial (reeleição de Fernando Henrique em primeiro turno). Mais um bom sinal sobre as chances concretas da oposição de mandar pra casa essa turma do ódio hidrófobo  que devora o Estado nacional há mais de década, que se locupleta com nunca antes na história deste país, massacra a classe média (esta contra a qual a filósofa oficial do petismo declarou explicitamente seu ódio e sua guerra) e joga ao povo mais humilde os ossos secos da política compensatória conformista mirrada, de resto uma cópia bolivariana das iniciativas de dona Ruth e de Fernando Henrique Cardoso num governo cujo legado crucial, o fim da inflação milenar e cavalar, està de novo a perigo graças à política da incompetência e da demagogia. País com fome de decência, de liberdade, de prosperidade, de segurança e de rumo. 
O evidente desgaste da coalizão lulista, patente no vexame de Dilma vaiada e xingada no Itaquerão, cresce por pressões de fora (a crescente pujança e atratividade do conservadorismo cultural e filosófico, com Olavo de Carvalho à frente, é sintoma disso) e de dentro do esquema petralha - nada mais idiota útil, só que a serviço de uma nova coalizão, conservadora e social-democrata, do que os estragos causados na ordem pública e na imagem dos governantes que os insuflam pelos xiitas sindicais e movimentos sociais totalitários.
Aécio, inteligente, jovem, simpático, tem ainda o lastro do avô Tancredo, largamente utilizado ontem, por exemplo na bela recitação por Ferreira Gullar da carta-poema que fez, em 1985, quando da morte do homem que se imolou pela nascente redemocratização, ao se recusar a ser internado antes, com receio de um retrocesso institucional. Esta narrativa mítica, de tipo sacrificial, que se esboçou na Convenção tucana, deve ser mais explorada na campanha, evocando no povo o afeto não só por Tancredo, mas pela democracia que os petralhas e nosso sistema corrupto tanto fazem força para que cada vez maiores setores da população odeiem e queiram abolir. 
-Unzuhause-