Sunday, June 08, 2014

bizarro domingo


"Matá os polícia é nossa missão", dizia a pichação no muro marrom que fica entre duas das muitas placas/chapas brancas "Itaquera Stadium" do longo percurso que se faz para chegar ao estádio da abertura da Copa, mesmo de carro. Imagina na Copa, ou depois dela, o desconforto de quem vai a pé, descendo do metrô, quando havia autoridade para garantir que isto (metrô) funcionasse na maior cidade da América Latina, ou de jegue ou jumento, como sugeriu, muito a propósito,  nosso eterno presidente. 
O choque semiológico entre pichação e placas, e entre a exuberância do "stadium" e a pobreza do povo refém na guerra dos "policia" e dos marginais, Brasil das fachadas / chapas brancas do conluio governo / fifa e o interno inferno eterno do paìs real,  é só um dos paradoxos que senti na "viagem" que fiz à nova casa do Corinthians, esta tarde. 
Outro paradoxo foi esse, de poder enfim dizer para são-paulinos, santistas, palmeirenses, que enfim temos "casa própria", orgulho `pequeno burguês`, como se dizia antes, e da nova classe mèdia da era petralha, mas nunca ter me sentido, como corintiano, tão desenraizado, na rua da amargura, pela perda do Pacaembu de minhas lágrimas de tristeza e euforia com este time e seu povo, e pela contemplação do "Itaquerão" como monumento de revelação de minha própria transitoriedade, concreto que me espelha feito nuvem. Ele terá 18 aninhos de vida quando eu estarei, com sorte, beirando os 60. O Pacaembu era quarentão quando vim ao mundo, agora sou eu que me aproximo dessa idade no nascer do Itaquerão. Itaquerão,  glória e corte brutal entre futuro e passado, o "progresso" terceiro-mundista, na marcha de desapropriação de pessoas e de lembranças pelo grande capital. Tudo é tempo, todo concreto é nuvem, mas a minha se sente evaporar no céu, como elefante branco se desfazendo, como os elefantes brancos descartáveis que se afastam da manada para agonizar sozinhos, ou deixados para trás como farão com o Pacaembu.
Não foi só esse o único instante de sentimentos estranhos do dia. Saber da cambada sindical pt-pstu-psolista gozando em preparar mais uma semana de catástrofe urbana me encheu de angústia, embora já previsível, dado o calculismo político rasteiro que move essa gente desde sempre e nesta crise ainda mais. Onde está você, Geraldo Alckmin, pra botar ordem na casa? Resta ainda alguma autoridade ordenadora do gozo da pulsão de morte anarquizante que quer destroçar este país?
E, falando em gozar, o auge das bizarrices veio à noite, quando fui ver o estranhíssimo "Riocorrente", no Espaço Itaú da Augusta, sempre tão animado, mas hoje esvaziado pela "luta-continua-cumpanhero" dos petralhas. Volto outra hora ao filme, não foi ele, ao  contrário do que se podia esperar -outro paradoxo- o choque a que me refiro. Estava eu, minutos antes, no banheiro público, e um cara entra e se posta no primeiro vaso, entre mim e a entrada. O banheiro apertado é uma das razões para que eu, nessas situações, espere que as outras pessoas no meu caminho saiam primeiro. Ele não saía. Comecei a escutar um barulho estranho, uma esfregação. O cara simplesmente se masturbava olhando pra mim. Provavelmente algum código de pegação sexual em boate gay que desconheço estivesse em operação. Como me faltava a motivação do tesão e também a de ralhar em nome de algum senso de respeito e recato que seria ingênuo esperar naquele contexto, me ocorreu responder, em código também, me fechando numa das portas internas do banheiro e deixando o tarado sem o estímulo visual da minha "sexy" presença. 
-Unzuhause-