Thursday, June 19, 2014

como será o amanhã?


Saiu a primeira pesquisa eleitoral pós-VTNC. E, seguindo a tendência de estreitamento da diferença Dilma / Aécio e reprovação ao governo federal, ela deixou, como se diz, "xatiados" os dilmistas. Calcados mais em "wishful thinking" que em qualquer outra coisa, eles achavam que a vaia e o xingamento da massa teriam efeito contrário ao pretendido: fariam de Dilma uma espécie de mártir "dazelite", vítima inocente dos coxinhas (e o que vós sois, rosquinhas?), os Reinaldos e Olavos malvados da "parte bonita da sociedade", como o genial Molusco do Povo se referiu aos brancos e ricos, num ato falho, puro ressentimento e duplo racismo que estigmatiza brancos e sobretudo absolutiza padrões estéticos contra negros e pobres, peçonhenta moral dos escravos que levaria Nietzsche a gargalhadas insanas. 
Fatídico 12 de junho, dia dos namorados que pode ter sido o fim traumático do lulismo paz e amor que xavecou azelites anos a fio e agora teme que o pé na bunda que está tomando não seja só dazelites, mas de toda uma população que quer um novo ciclo de ideias e práticas para a sociedade. Não sem desmerecer boas iniciativas como o Bolsa-Família, que Lula em momento de rara sinceridade confessava, no dia do lançamento do programa, ser ideia com RG tucano:
O que torna o modus operandi do PT tão odioso é maneira  como, se não dá para destruir o inimigo (que é como consideram o adversário político e ideológico), se apropriam do que ele fez de bom. Vide não só a rede de proteção social articulada pelo governo de Fernando Henrique, dentro do mais puro preceito social-democrata de redução das externalidades (miséria) que impedem o indivíduo de fazer valer seus potenciais na luta da existência e do mercado. Mas também o Plano Real, que os petistas fizeram tudo para inviabilizar, quando oposição, para depois obedecerem quase como um "cristão-novo" xiita, tudo pra não desagradar azelites que agora amaldiçoam como os namorados ressentidos. 
O chamado "duplo padrão" argumentativo é outro de seus dispositivos mentais. Fingem indignação contra o VTNC, mas não é assim que se comportaram na sanha de fazer, como dizia mestre Zé Dirceu, os tucanos apanharem "nas ruas e nas urnas", mandamento devidamente executado pelos crescidos fetos anencéfalos que agrediram o governador Mário Covas. 
Por outro lado, não noto entre os tucanos uma comemoração entusiástica dos números do Ibope. Também por wishful thinking, imaginavam que a população compraria mais depressa a ideia de que é Aécio a resposta para o desejo profundo de mudanças que grita nas ruas desde junho passado. 
Será esse o grande desafio, ao meu ver, para que uma possível derrota de Dilma não seja apenas matéria para alegria de torcida de futebol, quando xingamos o juiz ladrão, secamos o adversário, vemos os nossos jogadores ganharem e voltamos nos sentido campeões para o mais do mesmo de uma existência desoladora.
Não sei se amanhã vai ser maior, como queriam os bordões da revolta pré- black bloc, certamente mais belos que o VTNC (mas que o explicam, de certo modo). Muito esperamos do amanhã, que ele seja música (lendemains qui chantent, na utopia revolucionária versão Paris), que ele seja, simplesmente,e apesar dos tiranos, um outro dia, como queria, outro dia, mas num passado (não tão) remoto,  o gênio da raça que hoje completa 70 anos.

Mas o amanhã chega sempre como um hoje, por isso é melhor começar por um hoje melhor, e maior. Que nós sejamos maiores, na existência pessoal e numa política mais maiúscula, como a pensada por Fernando Meirelles na bela entrevista que vos convido a desfrutar. Leitura indispensável para social-democratas como nós, que em nosso impulso crítico por cidadania e liberdade somos filhos da terceira via, caminho do meio, conjunção dos opostos, não em cima do muro, mas em tensão com o capitalismo que não nos entusiasma e com o socialismo-comunismo que não nos engana. 
http://www.pragmatismopolitico.com.br/2012/09/fernando-meirelles-nossos-sonhos-nao-cabem-capitalismo.html
-Unzuhause-