terça-feira, julho 01, 2014

os três meninos


Daqui a poucas horas a Argentina entra em campo para jogar seu destino na Copa do Mundo. Antes que lamentos ou exaltações em torno de lances e resultados da partida monopolizem as percepções, queria registrar neste canto sagrado a notícia que divulguei dias atrás no facebook, agora plataforma solitária que me resta, afora este blog,  de contato com o mundo virtual, oficializado que foi o fim do saudoso orkut (não o acesso há séculos, mas guardo com carinho e dor sua memória e sua saudade, pelas comunidades e afetos de que lá desfrutei), destino que espera pelo "face" e por todos os outros divertimentos de manada, como os de balada, que de repente "perdem a graça" e são descartados por algo tão diferentemente idêntico. 
A notícia, ou rumor, do autismo de Messi, segundo o link a seguir (http://www.diariodocentrodomundo.com.br/como-o-autismo-de-messi-o-ajudou-a-se-tornar-o-melhor-do-mundo/) não é de hoje, mas vem a calhar como inspiração em tempos de Copa e de revalorização necessária da meritocracia estritamente individual: fazer dos sintomas um "sim, toma", que é teu este desvio da norma, este caminho próprio e de craque para meter gol. Messi pode não ter o "carisma" que a cultura midiática tanto idolatra nas suas "estrelas", mas ensina o caminho da glória contra o coitadismo e o coletivismo. Sim, toma que és tu essa singularidade, esta consciência anormal, e toda consciência é uma doença, diz o homem do subsolo dostoievskiano, é infecção do mundo pela solidão em que se joga o jogo da criação sem justificaticas, absurda e sublime como um grito e um gozo de gol para arquibancadas vazias por mais que lotadas de ruído e gente. 

Como tudo de decisivo na vida tem dois sentidos, da existência de Deus à dar erva no campo, a genialidade não carismática de Messi se complementa à perfeição com o gol de placa  de David Luiz fora das linhas, ou melhor, na margem delas, no campo de treino, pelo carinho que devotou ao menino fã:

Lembro que o próprio Messi foi muito julgado outro dia por ter, ao que parece, ignorado uma criança que lhe pedia autógrafo, não vi a cena mas ela converge com o retrato psíquico que sua síndrome sugere, e que os julgadores talvez desconheçam ou achem  desprezível para seus padrões circenses sobre o humor obrigatório que celebridades precisam segurando com os mindinhos um sorriso obrigatório para os flashes.

 Um chato oposto poderia impor à cena do zagueirão do Brasil, esse realmente carismático, num sentido autêntico e cativante, a suspeita de se tratar de ação marqueteira. É sempre possível aos medíocres achatar o mundo à medida tacanha de suas sinapses miseráveis. O que importa é que, ganhe "Brasil", ganhe "Argentina" ou quaisquer outras abstrações deste naipe o jogo abstrato da copa mundana,  o jogo que importa tem em Messi, em David e, também, neste terceiro menino, o da corrida apaixonada pelo autógrafo de David, os campeões que me importam, os agraciados por sentido de viver e vibrar e correr no absurdo do mundo.
-Unzuhause-