sexta-feira, abril 24, 2015

Nietzsche na Itália (I) - as ilhas de Zaratustra



"Da varanda de seu quarto, diante de Sorrento, ele avista a ilha de Ischia. Ilha vulcânica, lugar real e imaginário que servirá ao filósofo de modelo para as 'ilhas bem-aventuradas', as ilhas dos discípulos de Zaratustra. As ilhas bem-aventuradas são as do futuro, da esperança, das juventude. E é exatamente isso o que Nietzsche redescobre em meio aos tormentos de sua doença: as visões, os projetos, as promessas de sua juventude. Não como vestígios de um passado já enterrado, mas como vozes que vêm do passado para lembrar àquele que se desespera e que se enganou de estrada qual é o caminho futuro de sua vida. 

Manda Mosher na ilha de Ischia

Ischia não é a ilha de San Michele [ver abaixo], o cemitério da laguna de Veneza que serviu de modelo para a 'ilha dos sepulcros' do Zaratustra: ilha silenciosa de uma cidade decadente, no meio do mar da laguna que conserva e lentamente decompõe tudo. Ischia não representa a lembrança e a nostalgia do passado, mas o lugar onde as forças vulcânicas subterrâneas perfuram o mar do esquecimento e retornam à luz do sol. Não o crepúsculo de uma civilização que morre, mas a alvorada de uma nova cultura que emerge acima de seus 3 mil anos de história".

PAOLO D ´IORIO,
Nietzsche na Itália - A Viagem Que Mudou os Rumos da Filosofia


A "Ilha-Cemitério" de San Michele (São Miguel), Veneza: dedicada aos mortos e ocupada unicamente por igrejas e fileiras de túmulos; cf. http://www.cemiteriosp.com.br/ilha-cemiterio-de-san-michele-em-veneza-italia/