quinta-feira, agosto 13, 2015

líder


A uma rodada do fim do primeiro turno, parece um sonho: mas somos LÍDERES do Campeonato Brasileiro! Os horizontes do início eram terríveis, com os ecos da eliminação precoce no Paulista e na Libertadores, a crise financeira levando a atrasos salariais e incapacidade de investimento, a perda de Guerrero. 
Num clube de massas como o Corinthians, a amplificação das notícias boas e ruins tende a ser gigantesca. Por isso temi que acontecesse um replay da tragédia do Botafogo ano passado: do primeiro semestre na Libertadores, foram ladeira abaixo à segunda divisão. Mas o Timão vem, há anos, num processo de fortalecimento de estruturas e de mentalidade organizacional, processo que rendeu frutos dentro e fora de campo, os títulos históricos de 2012 e um organismo mais resistente a fatores irracionais como os humores das arquibancadas e a incerteza das partidas em si. Andrés introduziu, desde o rebaixamento de 2007, uma outra lógica no clube, em que qualidades como o intenso apelo emocional da marca Corinthians passam a funcionar mais a nosso favor do que contra, com virtudes de empresa moderna como o planejamento, resiliência, recusa a imediatismos. 
Além disso, temos um grande craque postado bem na linha fronteiriça entre o dentro e fora de campo: Tite. Nosso comandante na conquista da Libertadores e do Mundial, ele agora contribui de uma maneira espetacular para, senão a mesma trajetória vitoriosa, ao menos nos imunizar dos efeitos mais perigosos da crise do início do Brasileiro, quando o time parecia estar evaporando, cada dia um nome de jogador entrando na prateleira de saldão de venda. O Itaquerão começou a nos cobrar sua pesada conta, depois do glamour da construção, de sediar jogos da Copa, de nos encher a boca, enfim, de uma resposta à zombaria dos adversários (éramos time sem estádio e sem passaporte -de 2012 para cá enfim conquistamos os dois).
Daí a importância da liderança  de seu Adenor. Entre suas muitas virtudes de treinador e líder, ele faz jus a uma máxima do supercampeão do basquete americano John Wooden: nosso time, após o jogo, tem que apresentar no vestiário uma força anímica parecida, na vitória ou na derrota, de modo a dificultar a vida de quem quisesse saber o resultado do jogo sem tê-lo visto, apenas pelo tom das entrevistas. Intensidade de entrega ao combate, mas desapego aos frutos da ação, como o "coach" Krishna, cocheiro mágico de Arjuna,  no Bhagavad-Gita, ensinava seu pupilo na batalha de Kurukshetra. 
Por isso que ontem mesmo Tite tratava de ressaltar que não importava tanto se hoje o Galo perderia (como perdeu), nos confirmando na liderança do certame. Claro que é prazeroso, claro que é promissor. Mas  estamos longe ainda de definições desse "paris dacar" que é um campeonato de pontos corridos. O legal é ver o carro, depois de tão avariado e testado em torrentes e lamaçais, mostrar motor forte e rumo certo.
PS: que a Seleção da CBF não nos venha encher o saco ao tomar nosso líder. Fica Dunga! Única razão para "torcer" por você.