sábado, agosto 15, 2015

o alerta dos sinos


Um apetrecho de celulares que parece estar em moda é uma espécie de som de sino. Acho que é de alerta de recebimento de mensagem. A primeira vez que o escutei foi numa palestra sobre Lacan, e bem no momento em que a colega falava que, para a psicanálise, o momento do triunfo do ego anuncia sua derrota. isso me remeteu ao meu ano novo ao som dos sinos e tigelas do mosteiro zen de Monja Coen, aqui de sampa.Sei que saí muito impactado pela ressonância sincronística, na palavra, no ruído e no silêncio que ali se fundiram, dessa sinalização da ilusão do ego, seu vazio, sua graça (no sentido humorístico e espiritual). Quero mais desses sinos no meu dia-a-dia, mais desses alertas de mensagem, mais dessa lembrança do que faz rir quando as coisas se revelam menores, menos "egoicas", e mais efêmeras do que parecem, triunfo de se reduzirem. Não todas as coisas, claro. Só as verdadeiras. 

Nenhum homem é uma ilha, isolado em si mesmo; todo homem é um pedaço do continente, uma parte da terra firme. Se um torrão de terra for levado pelo mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse o solar dos teus amigos ou o teu próprio; a morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano, e por isso não me perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti.
(John Donne)