Saturday, August 01, 2015

Scruton, Cecil e o conservador imbecil


Que lixo a performance de alguns "conservadores" brasileiros ao tratar do episódio do matador imbecil do Cecil. Precisam com urgência ler "Como Ser um Conservador", de Roger Scruton, que acaba de ser lançado no Brasil. Com sabedoria e elegância de um lorde, em contraste com a vontade de aparentar macheza babaca, coisa de tupiniquim washington, se debruça com atenção para escutar, conversar com e reler da ótica conservadora -redimensionando os termos a superando equívocos- os "momentos de verdade" que correntes antagônicas podem abrigar: os capítulos falam da "verdade no socialismo", da "verdade no liberalismo", da "verdade no multiculturalismo" e, claro, da "verdade no ambientalismo": esta, no caso, a necessidade óbvia de se incluir a sustentabilidade ecológica da Terra no grande pacto entre os vivos, os mortos e os que estão por nascer (Burke). oras, estamos falando aqui de "conservação" da vida, meta conservadora por excelência, e sem a fantasia imbecil (matriz da mentalidade que mata ou celebra a morte de cecil) de que o "deus" que achamos o único criou as milhões de galáxias e espécies pra que o bípede implume que somos nós viesse e se sentasse no trono no lugar Dele, fazendo do "resto" do cosmos armazém de utensílios e brinquedos para sua estupidez devoradora. O conservadorismo "advém de um sentimento que toda pessoa madura compartilha com facilidade: a consciência de que as coisas admiráveis são facilmente destruídas, mas não são facilmente criadas" , diz Scruton. Além do pluralismo racional típico da inteligência não intimidada por velharias dogmáticas, ele se vale de uma estratégia essencial de um Alister McGrath para a defesa da genuína religiosidade cristã: a atenção aos "pontos de contato" que a liberdade, a autonomia, as aflições e anseios do homem moderno, em crise existencial pelo decreto castrativo do "eclipse de Deus", podem oferecer ao re-anúncio do evangelho, que por definição e etimologia é "boa notícia", alegria, generosidade, defesa da sacralidade da vida, humildade de criatura com discernimento para se ver e se comportar com decência, dignidade entre seus irmãos sol, lua, água e leão, como tem pregado papa Francisco, que nisso também honra a memória do outro Francisco, e não excludência, estupidez, falácia e infantilismo imbecil, matador de Cecil.