sexta-feira, agosto 07, 2015

o gênio brasileiro


Leio do amigo Ucho Haddad, no facebook,  o seguinte comentário, que vê diferente em comparação com os passionais pólos opostos do debate político brasileiro atual : "A eventual prisão de Lula, tão almejada pela maioria dos brasileiros, pode não ser conveniente para a nação, pois oxigenaria uma pessoa que, na condição de animal político, sabe extrair dividendos de situações adversas. Ou seja, o mais destacado petista certamente seria transformado em mártir." 
Haddad é de oposição, mas mostra coragem em falar às claras o que todos sabem mas nem sempre admitem, ao denegri-lor o líder do PT como ignorante, bêbado etc: o homem é um gênio, uma encarnação do inconsciente coletivo brasileiro, fenômeno que, como sempre no caso dos arquétipos e pessoas arquetípicas, vai além do bem ou do mal, ou deixa esses juízos morais (e afetivos) de bem e mal em aberto para discussão, rixas, fim de amizades de facebook etc e tal. 
Como gênio também é João Santana, o homem do marketing da Dilma. Para os interessados na lógica da guerra eleitoral, e na essência de certo modo de política, por mais que democrática, como uma vestimenta da pulsão agressiva do homem em sociedade, é preciso compreender esse cara e sua visão de marketing contundente, ontem exercitado de novo no programa que mal escutamos por causa do ronco das panelas. Se Lula é o pai, Santana é o parteiro desse bebê de Rosemary que é o governo atual, é o responsável pela eleição de Dilma, que muitos, até de esquerda, não hesitam mais em considerar, com razão, um tremendo estelionato eleitoral. 
É preciso ler o perfil sobre ele, "Um Marqueteiro no Poder", sobretudo a entrevista que ali Santana dá sobre a vitória do ano passado, em condições excepcionalmente difíceis pela ausência de um candidato como Lula, pela mediocridade do produto que tinha a vender (em termos da candidata, mas não da ideologia, poderosa, do partido que, graças à obra de seu chefe supremo, é ainda percebido por muitos como aquele que "resgatou milhões da pobreza" e que, se rouba, é como Hobbin Wood). Verdade que Santana teve a vida facilitada pela falta de concorrência à altura, em termos de personagens e de embalagens. Perto de Lula os políticos de oposição que "temos para hoje" parecem ainda um  boneco de joão-bobo, inflados a cada porrada para voltar e tomar na cara mais uma vez.
 Em coisas de política por vezes é bom ser como Mao Tsé Tung, perguntado sobre que opinião tinha da Revolução Francesa de 150 anos antes: "Não sei, ainda é recente demais". O lulismo não está morto e pode bem viver uma virada gloriosa ao som das panelas que hoje ecoam repúdio mas que amanhã podem fazer coro de coroação, como tudo na massa volúvel que deu hosanas a Cristo para em seguida mandá-lo ao sepulcro.