Sunday, November 29, 2015

Resenhas para a Folha, novembro de 2015

FOLHA DE S. PAULO
GUIA FOLHA - LIVROS, DISCOS, FILMES
28/11/2015
DRAMATURGIA ELIZABETANA
Em mais um legado deixado pela saudosa rainha da crítica teatral brasileira, Barbara Heliodora (morta em abril), saem suas traduções de autores que foram precursores imediatos e fundamentais de Shakespeare, embora inevitavelmente eclipsados pela glória do Bardo, amor maior da carreira de Heliodora. 
Trata-se de Thomas Kyd ("A Tragédia Espanhola") e sobretudo de Christopher Marlowe, com  "Tamerlão" e "A Trágica História do Doutor Fausto", primeira das grandes versões do mito literário que, de Goethe a Thomas Mann, de Fernando Pessoa a Guimarães Rosa, viria a  sintetizar a aventura existencial do homem moderno, em sua  grandeza e abismos "mefistofélicos". 
O título da coletânea alude ao peculiar teatro renascentista inglês, marcado pela celebração não só da emancipação do homem frente à teocracia medieval, mas também da auto-afirmação política e cultural  do país  durante o reinado de Isabel I,  entre 1558 e 1603.
AVALIAÇÃO - ÓTIMO
BEIJE-ME ONDE O SOL NÃO ALCANÇA 
“A história é um romance verdadeiro”, Mary del Priore gosta de dizer, evocando Paul Veyne. E é o que demonstra com brilhantismo neste seu primeiro romance histórico.  Ela reconstitui imaginativamente,  mas não sem a precisão de pesquisadora (recorrendo a farta documentação de época, sobre este caso verídico), o  triângulo amoroso entre um conde russo, a herdeira de um barão do café no Vale do Paraíba e uma ex-escrava, no Brasil imperial. Afora a riqueza humana dos personagens e do drama em si, o livro nos oferece, com linguagem fluente e fidedigna (até nos palavrões, colhidos na poesia erótica e pornográfica do século 19), uma preciosa chave de acesso às contradições e hipocrisias de um pais que nascia para a era moderna mas ainda “embriagado de escravidão”.
AVALIAÇÃO – ÓTIMO

ROSA CANDIDA

O que seu nome tem de impronunciável, sua escrita tem de deliciosa: vale a pena de deixar embriagar pelas cores, odores e delicadezas desta narrativa da islandesa Audur Ava Ólafsdóttir. Livro que fez dela uma celebridade literária internacional –já foi traduzido em mais de 20 línguas-  trata-se de um “romance de formação” sobre um jovem   apaixonado pelas flores, especialmente por essa variedade rara de rosa de oito pétalas. Um amor em comum com a mãe que acabou de perder num trágico acidente. Aturdido, ele  deixa o pai quase octogenário, o gêmeo autista e a filha recém-nascida de uma relação sexual casual, sai do país para trabalhar no jardim de um mosteiro.  Segue-se um processo de autodescoberta que o fará  florescer de menino em homem.  
ANTÔNIO: O PRIMEIRO DIA DA MORTE DE UM HOMEM
Sexo é filosofia. É arte, é música, é trovão, é tempestade, é harmonia ou caos. Vista grossa: tudo é sexo. Este era o tipo de pensamento que andou relampeando nas cabeças de Manuela, Nádia e Antônio nos quatro dias que eles ficaram dentro do quarto de Nádia. Quatro dias.” A celebração a Eros, não só é tema, mas é motor narrativo  e intensa experiência propiciada por este que é o romance de estreia de Domingos Oliveira, mas repleto de marcas que nos transportam à atmosfera de filmes. Em foco (quase se poderia dizer, em tela) um professor de antropologia sexagenário, escritor frustrado que a mulher troca por um namorado bem mais novo, mas que tem a vida convulsionada por uma “mixture blessing” (bênção ambígua) que tantos de nós homens pedimos aos céus: a paixão tórrida por duas lindas jovens, uma delas ex-aluna.
AVALIAÇÃO – ÓTIMO

ASSIM FOI AUSCHWITZ
Primo Levi (1919-1987) era um químico de 24 anos quando foi deportado para o campo de extermínio nazista que Adorno tomou como lápide da civilização. Da experiência trágica, sobreviveu e  renasceu  como escritor dedicado à denúncia dos horrores que viu e sofreu numa daquelas máquinas de morte e desumanização de agressores e vítimas. Nessa coletânea (entre 1945 e 1986) de testemunhos dele e de outro ex-prisioneiro, o médico Leonardo de Benedettia  indignidade macabra do que têm a relatar é tanto mais impactante porque vertida numa prosa sóbria, sem sentimentalismos, mas com coragem para, detalhando as atrocidades, contrariar a tendência, no pós-guerra, a um certo clima cultural de “deixa disso” e olhemos “para a frente”, de esquecimento e relativização. 
AVALIAÇÃO – ÓTIMO

FORMALISMO & TRADIÇÃO MODERNA
Conforme avança o belíssimo projeto editorial da É Realizações  de relançar José Guilherme Merquior, o leitor tem a oportunidade de matizar uma rotulação ideológica  apressada desta “obra” (para além da soma de seus livros) como a de um mero, por mais que sofisticado, liberal-conservador. Um livro como este, de 1974, mostra a densidade da influência em Merquior de um certo tipo de crítica cultural de esquerda, ao estilo de Adorno e Benjamin. É de lastro frankfurtiano sua crítica  ao kitsch (o mau gosto pretensioso e feito para as massas), embora seja discutível se Merquior é justo em incluir nesse conceito condenatório desde “99% da crítica literária dita estuturalista” ao teatro de Ionesco e Arthur Miller. O genial ensaísta brasileiro, numa linha que faz lembrar Antonio Candido na fina articulação de literatura e sociedade, volta suas baterias também contra a degradação formalista da ideia de “forma”, desconectada das tendências e conflitos histórico-culturais.
AVALIAÇÃO - ÓTIMO 

Thursday, November 26, 2015

ABC de Ayn Rand - Sagrado


"Howard Roark construiu um TEMPLO AO ESPÍRITO HUMANO. Ele viu o homem como sendo FORTE, ORGULHOSO, LIMPO, PURO E DESTEMIDO. Ele viu o homem como UM SER HEROICO. E construiu um templo a isso. Um templo é um lugar onde o homem deve experimentar exaltação. Ele achou que a exaltação vem de NÃO CARREGAR NENHUMA CULPA, DE VER A VERDADE E ALCANÇÁ-LA, DE CONSEGUIR REALIZAR A SUA MAIS ALTA POSSIBILIDADE, DE NÃO CONHECER A VERGONHA E NÃO TER MOTIVO PARA SENTI-LA, DE SER CAPAZ DE FICAR NU EM PLENA LUZ DO SOL. Ele achou que um local construído como um cenário para o homem é um LUGAR SAGRADO. Foi isso que Howard Roark pensou sobre o homem e a exaltação. Mas Ellsworth Toohey disse que esse templo era um monumento a um ódio profundo pela humanidade. Toohey disse que a essência da exaltação é estar morrendo de medo, cair e rastejar. Toohey disse que o ato mais elevado do homem era dar-se conta de sua própria falta de valor e implorar por perdão. Ele disse que era depravado não ter certeza de que o homem é algo que precisa ser perdoado. Toohey viu que essa prédio era do homem e da Terra, e disse que esse edifício tinha sua barriga na lama. Glorificar o homem, disse Toohey, era glorificar os prazeres indecentes da carne, pois o reino do espírito está além do alcance do homem. Ellsworth disse que, para entrar nesse reino, o homem deve vir como um pediente, de joelhos. Toohey é um amante da humanidade. (...) 
Eu não condeno Elllsworth Toohey. Condeno Howard Roark. Dizem que um prédio deve fazer parte de seu local. Em que tipo de mundo Roark construiu esse templo. Para que tipo de homens? Olhe à sua volta. (...) Toohey tem razão, aquele templo é um sacrilégio, embora não no sentido que ele quis dar. (...) Quando você vê um homem jogando pérolas sem receber em troca ao menos uma costeleta de porco, não é contra o porco que você se sente indignado. Você fica indignado contra o homem que DEU TÃO POUCO VALOR ÀS SUAS PÉROLAS A PONTO DE ESTAR DISPOSTO A ATIRÁ-LAS NA LAMA E DEIXÁ-LAS TRANSFORMAREM-SE EM UMA OCASIÃO PARA UM CONCERTO INTEIRO DE GRUNHIDOS, TRANSCRITOS PELA ESTENÓGRAFA DO TRIBUNAL.
(...)
O Templo Stoddard é uma AMEAÇA a muitas coisas. Se fosse permitido que ele existisse, ninguém ousaria olhar para si mesmo no espelho. E isso é algo cruel para se fazer com as pessoas. Peça qualquer coisa a elas. Peça-lhes que alcancem FAMA, FORTUNA, AMOR, ou que cometam atos de BRUTALIDADE, ASSASSINATO, AUTOSSACRIFÍCIO. Mas não lhes peça que alcancem o respeito por si próprias. Elas odiarão sua alma. (...) Portanto, de que adiante ser um mártir para o impossível? De que adianta construir para um mundo que não existe?
(...) Vamos destruir, mas não vamos fingir que estamos cometendo um ato de virtude. Vamos admitir que somos toupeiras e temos aversão a picos de montanhas."
DOMINIQUE FRANCON,
in: AYN RAND, 
A NASCENTE

Sunday, November 22, 2015

The Contours, "Do You Love Me?"

You broke my heart
'Cause I couldn't dance
You didn't even want me around
And now I'm back
To let you know
I can really shake 'em down
Do you love me?
(I can really move)
Do you love me?
(I'm in the groove)
Ah, do you love?
(Do you love me)
Now that I can dance
(Dance)
Watch me now, oh
(Work, work)
Ah, work it all baby
(Work, work)
Well, you're drivin' me crazy
(Work, work)
With a little bit of soul now
(Work)
I can mash-potatoe
(I can mash-potatoe)
And I can do the twist
(I can do the twist)
Now tell me baby
(Tell me baby)
Mmm, do you like it like this
(Do you like it like this)
Tell me
(Tell me)
Tell me
Do you love me?
(Do you love me)
Now, do you love me?
(Do you love me)
Now, do you love me?
(Do you love me)
Now that I can dance
(Dance)
Dance
Watch me now, oh
(Work, work)
Ah, shake it up, shake it
(Work, work)
Ah, shake 'em, shake 'em down
(Work, work)
Ah, little bit of soul now
(Work)
(Work, work)
Ah, shake it, shake it baby
(Work, work)
Ah, you're driving me crazy
(Work, work)
Ah, don't get lazy
(Work)
I can mash-potatoe
(I can mash-potatoe)
And I can do the twist
(I can do the twist)
Well now tell me baby
(Tell me baby)
Mmm, do you like it like this
(Do you like it like this)
Tell me
(Tell me)
Tell me
Do you love me?
(Do you love me?)
Now, do you love me?
(Do you love me?)
Now, do you love me?
(Do you love me?)
(Now, now, now)
(Work, work)
Ah, I'm working hard baby
(Work, work)
Well, you're driving me crazy
(Work, work)
And don't you get lazy
(Work)
(Work, work)
Ah, hey hey baby
(Work, work)
Well, you're driving me crazy
(Work, work)
And don't you get lazy
(Work)

Saturday, November 21, 2015

Alan Jackson, I`II Try





"I'll Try"
Here we are
Talkin' bout forever
Both know damn well
It's not easy together

We've both felt love
We've both felt pain
I'll take the sunshine
Over the rain

And I'll try
To love only you
And I'll try
My best to be true
Oh darlin', I'll try

So I'm not scared
It's worth a chance to me
Take my hand
Let's face eternity

Well I can't tell you
That I'll never change
But I can swear 
That in every way

And I'll try
To love only you
And I'll try
My best to be true
Oh darlin', I'll try

I'm not perfect
Just another man
But I will give you
All that I am

And I'll try
To love only you
And I'll try
My best to be true
Oh darlin', I'll try

I'll try
To be true to you
I'll try
I'll try
To always love you
I'll try

Friday, November 20, 2015

aqui é HEXA

Reproduzo abaixo o meu post do já distante 13 de agosto em que, ainda sob o espanto do que parecia impossível, eu comemorava a confirmação do Timão como líder do campeonato, em virtude de uma derrota do Atlético. Não podia imaginar, mesmo com todo o otimismo do mundo (que aliás nunca foi meu forte), que essa liderança JAMAIS seria revertida até o final, e que chegaríamos agora, a três rodadas de antecedência e enormes 12 pontos de distância do mesmo Galo, à consagração como campeões. Obrigado, Corinthians, por ser quem você é e por esta verdadeira jornada do Herói, à la Luke Skywalker, cujas virtudes eu esboçava naquele texto, e que só ficaram mais nítidas com o passar do tempo e dos desafios, nesta campanha impressionante, sintetizada, duas semanas atrás, na verdadeira "final" do certame, nos acachapantes TRÊS A ZERO contra os mineiros na casa do adversário. 

Líder
(http://unzuhause77.blogspot.com.br/2015/08/lider.html)

A uma rodada do fim do primeiro turno, parece um sonho: mas somos LÍDERES do Campeonato Brasileiro! Os horizontes do início eram terríveis, com os ecos da eliminação precoce no Paulista e na Libertadores, a crise financeira levando a atrasos salariais e incapacidade de investimento, a perda de Guerrero. 
Num clube de massas como o Corinthians, a amplificação das notícias boas e ruins tende a ser gigantesca. Por isso temi que acontecesse um replay da tragédia do Botafogo ano passado: do primeiro semestre na Libertadores, foram ladeira abaixo à segunda divisão. Mas o Timão vem, há anos, num processo de fortalecimento de estruturas e de mentalidade organizacional, processo que rendeu frutos dentro e fora de campo, os títulos históricos de 2012 e um organismo mais resistente a fatores irracionais como os humores das arquibancadas e a incerteza das partidas em si. Andrés introduziu, desde o rebaixamento de 2007, uma outra lógica no clube, em que qualidades como o intenso apelo emocional da marca Corinthians passam a funcionar mais a nosso favor do que contra, com virtudes de empresa moderna como o planejamento, resiliência, recusa a imediatismos. 
Além disso, temos um grande craque postado bem na linha fronteiriça entre o dentro e fora de campo: Tite. Nosso comandante na conquista da Libertadores e do Mundial, ele agora contribui de uma maneira espetacular para, senão a mesma trajetória vitoriosa, ao menos nos imunizar dos efeitos mais perigosos da crise do início do Brasileiro, quando o time parecia estar evaporando, cada dia um nome de jogador entrando na prateleira de saldão de venda. O Itaquerão começou a nos cobrar sua pesada conta, depois do glamour da construção, de sediar jogos da Copa, de nos encher a boca, enfim, de uma resposta à zombaria dos adversários (éramos time sem estádio e sem passaporte -de 2012 para cá enfim conquistamos os dois).
Daí a importância da liderança  de seu Adenor. Entre suas muitas virtudes de treinador e líder, ele faz jus a uma máxima do supercampeão do basquete americano John Wooden: nosso time, após o jogo, tem que apresentar no vestiário uma força anímica parecida, na vitória ou na derrota, de modo a dificultar a vida de quem quisesse saber o resultado do jogo sem tê-lo visto, apenas pelo tom das entrevistas. Intensidade de entrega ao combate, mas desapego aos frutos da ação, como o "coach" Krishna, cocheiro mágico de Arjuna,  no Bhagavad-Gita, ensinava seu pupilo na batalha de Kurukshetra. 
Por isso que ontem mesmo Tite tratava de ressaltar que não importava tanto se hoje o Galo perderia (como perdeu), nos confirmando na liderança do certame. Claro que é prazeroso, claro que é promissor. Mas  estamos longe ainda de definições desse "paris dacar" que é um campeonato de pontos corridos. O legal é ver o carro, depois de tão avariado e testado em torrentes e lamaçais, mostrar motor forte e rumo certo.
PS: que a Seleção da CBF não nos venha encher o saco ao tomar nosso líder. Fica Dunga! Única razão para "torcer" por você.

Saturday, November 14, 2015

uma cruzada secular


Me sinto inspirado pela energia sagrada que brota de uma CONVOCAÇÃO poético-militar como esta que se me apresentou ao acaso da combinação do espírito cruzadístico da música (marcha templária) e da revolta atéia da "letra", os dizeres incendiários de Camus contra o fascismo de seu tempo. Me sinto em maior prontidão à BATALHA ESPIRITUAL pela frente. Que me toma contornos diferentes de uma simples oposição cristãos versus islã. É mais feurbachiana, ao reconhecer o homem por trás dos seus ideais sobre o que deveria ser o deus (que não é senão sua própria imagem e semelhança aperfeiçoadas). É o combate da razão, da espiritualidade secular, contra os inimigos totalitários de nosso próprio tempo, mesmo que, como no caso do "homem revoltado" camusiano, não haja deuses em quem depositar confiança, mesmo, e sobretudo, que sagrado seja o homem, a vida, o mundo, este mundo, o único, CONTRA os monstros que se arvoram em representantes do outro mundo que só existe em suas mentes delirantes e calhordas. "Numa palavra, vós escolhestes a injustiça, passando-vos para o lado dos deuses. (...) Eu, pelo contrário, escolhi a justiça a fim de permanecer fiel à terra. Continuo a pensar que este mundo não tem qualquer serntido superior. Mas sei que, nele, se alguma coisa tem sentido é o homem, porque é ele o único a exigi-lo. Este mundo possui pelo menos a verdade do homem, e é nosso dever dar-lhe razão contra o próprio destino. E essa razão não é outra senão o próprio homem. É ele que fará com que seja salva, se quisermos, a ideia que fazemos da vida. (...) Vai surgir a alvorada em que sereis finalmente vencidos. Eu sei que o céu, indiferente às vossas atrozes vitórias, será de novo indiferente à vossa justa derrota. Dele continuo a nada esperar. Mas nós ajudamos pelo menos a salvar as criaturas da solidão em que queríeis encerrá-las, Por terdes menosprezado essa fidelidade ao homem, sois vós que ireis morrer sozinhos, aos milhares."

Mireille Mathieu, "La Marseillaise"

Avante, filhos da pátria
O dia da glória chegou
Contra nós a tirania
A bandeira ensaguentada é levantada
A bandeira ensaguentada é levantada
Ouvi nos campos rugirem
Esses ferozes soldados?
Vêm eles até nós
Degolar nossos filhos, nossas mulheres

Às armas cidadãos! Formai vossos batalhões!
Marchemos, marchemos!
Que a terra se sacie de sangue impuro!

Franceses, em guerreiros magnânimos
Levem, carreguem ou suspendam seus tiros!
Poupem essas tristes vítimas
Que contra nós se armam a contragosto
Que contra nós se armam a contragosto
Mas esses déspotas sanguinários
Mas esses cúmplices de Bouillé
Todos esses tigres que, sem piedade
Rasgam o seio de suas mães!

Às armas cidadãos! Formai vossos batalhões!
Marchemos, marchemos!
Que a terra se sacie de sangue impuro!

Amor sagrado pela pátria
Conduza, sustente nossos braços vingativos.
Liberdade, querida liberdade!
Combata com teus defensores
Combata com teus defensores
Sob nossas bandeiras, que a vitória
Chegue logo às tuas vozes viris!
Que teus inimigos agonizantes
Vejam teu triunfo e nossa glória

Às armas cidadãos! Formai vossos batalhões!
Marchemos, marchemos!
Que a terra se sacie de sangue impuro!

sabedoria para tempos de sordidez


O horror e podridão da História voltam a dar as cartas, mostrando a canalhice de que a espécie humana sempre foi, é e será capaz. Nesse mundo em que, além de pretexto da fantasia sanguinária dos monstros, o divino se revela uma ideia vazia; em que contar com deuses,  ajuda divina, falar em "orar pelas vítimas", soa no mínimo à velha pia fraus, é tempo de insistirmos, no silêncio e solidão da consciência, na busca da sabedoria.
 Paciente, perseverante, consciente de que é um ideal transcendente. Não porque "celeste", mas porque tão mais autenticamente humana do que muitas vezes conseguimos ser, como espécie e indivíduos. Porque tão adiante de nós mesmos, superior às nossas possibilidades normais, se não forem trabalhadas, exercitadas no dia a dia. Mesmo nas situações mais desanimadoras, em que a besta-fera sórdida domina. Aliás, sobretudo nelas, tomando-as como a matéria bruta (ou brutal) para nosso esforço, resistência e invenção.
 A sabedoria é um estado, não uma posse, e se define em ações, nego não "nasce" sábio, como não nasce herói nem covarde, nem homem nem mulher (no sentido existencial que madame Simone de Beauvoir postulava). 
O filósofo tem na própria palavra que o define a distância em relação à sua meta. Quem deseja não possui, desejo é falta e busca. Amar a sabedoria é querê-la, não "tê-la". É amá-la, quiçá fazer amor com ela, mas sem fazer dela jamais, como tampouco da mulher que amamos e com que façamos amor, "coisa" nossa. É não o casamento gordo e confortável dos "proprietários", mas a tensão, o risco, a aventura e o sempre querer mais da corte e do namoro. 
De encruzilhadas entre lucidez e estupidez se fazem as provações desta busca, entre as quais a congruência entre o que se pensa, o que se diz e o que se faz: "A um velho homem, que lhe contava que escutava lições sobre a virtude, Platão respondeu: 'E quando começarás a VIVER virtuosamente?'. Não se pode fazer teoria sempre. É bem necessário, uma vez, enfim PASSAR AO EXERCÍCIO. Mas hoje se toma por sonhador aquele que vive o que ensina'" (Kant).

Thursday, November 12, 2015

Annie Lennox, No More "I Love You's"

No More "I Love You's"

Do be do be do do do oh
Do be do be do do do oh

I used to be a lunatic from the gracious days
I used to feel woebegone and so restless nights
My aching heart would bleed for you to see
Oh, but now
I don't find myself bouncing home
Whistling buttonhole tunes to make me cry

No more I love you's
The language is leaving me
No more I love you's
Changes are shifting
Outside the words

The lover speaks about the monsters

I used to have demons in my room at night
Desire, despair, desire
So many monsters

Oh, but now
I don't find myself bouncing around
Whistling my consence to make me cry

No more I love you's
The language is leaving me
No more I love you's
The language is leaving me in silence
No more I love you's
Changes are shifting
Outside the words

And people are being real crazy
But we will only come
And you know what mommy?
Everybody was being real crazy
The monsters are crazy.
There are monsters outside

No more I love you's
The language is leaving me
No more I love you's
The language is leaving me in silence
No more I love you's
Changes are shifting outside the words
Outside the words

No more I love you's
The language is leaving me
No more I love you's
The language is leaving me
No more I love you's
Changes are shifting outside the words

Do be do be do do do oh
Do be do be do do do oh
Outside the words


Link: http://www.vagalume.com.br/annie-lennox/no-more-i-love-yous.html#ixzz3rLK4GaET

ABC de Ayn Rand- Propósito da vida


Monday, November 09, 2015

Saturday, November 07, 2015

Thursday, November 05, 2015

a ovelha perdida


Beato Charles de Foucauld (1858-1916), eremita e missionário no Saara 
Retiro em Nazaré, Novembro de 1897


À procura da ovelha perdida
Ia-me afastando mais e mais de Vós, meu Senhor e minha vida, e a minha vida começava a ser uma morte, ou antes, era já uma morte a vossos olhos. E neste estado de morte me conserváveis ainda. [...] A fé tinha desaparecido por completo, mas o respeito e a estima haviam permanecido intactos. Concedíeis-me outras graças, meu Deus, mantínheis em mim o gosto pelo estudo, pelas leituras sérias, pelas coisas belas, a repugnância pelo vício e pela fealdade. Fazia o mal, mas não o aprovava nem o amava. [...] Dáveis-me essa vaga inquietação de uma má consciência que, por adormecida que esteja, nem por isso está morta.

Nunca senti esta tristeza, este mal-estar, esta inquietação, senão nessa altura. Era, pois, um dom vosso, meu Deus; que longe estava eu de suspeitar de que assim fosse! Que bom sois! E, ao mesmo tempo que impedíeis a minha alma, por essa invenção do vosso amor, de se afundar irremediavelmente, preserváveis o meu corpo: pois se tivesse morrido nessa altura, teria ido para o inferno. [...] Os perigos da viagem, tão grandes e tão numerosos, de que me fizestes sair como que por milagre! A saúde inalterável nos lugares mais malsãos, apesar de tão grandes fadigas! Ó meu Deus, como tínheis a vossa mão sobre mim, e quão pouco eu a sentia! Como me protegestes! Como me abrigastes sob as vossas asas, quando eu nem sequer acreditava na vossa existência! E, enquanto assim me protegíeis, e o tempo ia passando, parecia-Vos que tinha chegado o momento de me reconduzir ao cercado.

Desfizestes, apesar de mim, todos os laços maus que me teriam mantido afastado de Vós; desfizestes mesmo todos os laços bons que me teriam impedido de ser, um dia, todo vosso. [...] Foi a vossa mão, e só ela, que fez disto o começo, o meio e o fim. Que bom sois! Era necessário fazê-lo, para preparar a minha alma para a verdade; o demónio é excessivamente senhor de uma alma que não é casta, para nela deixar entrar a verdade; não podíeis entrar, meu Deus, numa alma onde o demónio das paixões imundas reinava como senhor. Queríeis entrar na minha, ó Bom Pastor, e fostes Vós que dela expulsastes o vosso inimigo.