Thursday, November 26, 2015

ABC de Ayn Rand - Sagrado


"Howard Roark construiu um TEMPLO AO ESPÍRITO HUMANO. Ele viu o homem como sendo FORTE, ORGULHOSO, LIMPO, PURO E DESTEMIDO. Ele viu o homem como UM SER HEROICO. E construiu um templo a isso. Um templo é um lugar onde o homem deve experimentar exaltação. Ele achou que a exaltação vem de NÃO CARREGAR NENHUMA CULPA, DE VER A VERDADE E ALCANÇÁ-LA, DE CONSEGUIR REALIZAR A SUA MAIS ALTA POSSIBILIDADE, DE NÃO CONHECER A VERGONHA E NÃO TER MOTIVO PARA SENTI-LA, DE SER CAPAZ DE FICAR NU EM PLENA LUZ DO SOL. Ele achou que um local construído como um cenário para o homem é um LUGAR SAGRADO. Foi isso que Howard Roark pensou sobre o homem e a exaltação. Mas Ellsworth Toohey disse que esse templo era um monumento a um ódio profundo pela humanidade. Toohey disse que a essência da exaltação é estar morrendo de medo, cair e rastejar. Toohey disse que o ato mais elevado do homem era dar-se conta de sua própria falta de valor e implorar por perdão. Ele disse que era depravado não ter certeza de que o homem é algo que precisa ser perdoado. Toohey viu que essa prédio era do homem e da Terra, e disse que esse edifício tinha sua barriga na lama. Glorificar o homem, disse Toohey, era glorificar os prazeres indecentes da carne, pois o reino do espírito está além do alcance do homem. Ellsworth disse que, para entrar nesse reino, o homem deve vir como um pediente, de joelhos. Toohey é um amante da humanidade. (...) 
Eu não condeno Elllsworth Toohey. Condeno Howard Roark. Dizem que um prédio deve fazer parte de seu local. Em que tipo de mundo Roark construiu esse templo. Para que tipo de homens? Olhe à sua volta. (...) Toohey tem razão, aquele templo é um sacrilégio, embora não no sentido que ele quis dar. (...) Quando você vê um homem jogando pérolas sem receber em troca ao menos uma costeleta de porco, não é contra o porco que você se sente indignado. Você fica indignado contra o homem que DEU TÃO POUCO VALOR ÀS SUAS PÉROLAS A PONTO DE ESTAR DISPOSTO A ATIRÁ-LAS NA LAMA E DEIXÁ-LAS TRANSFORMAREM-SE EM UMA OCASIÃO PARA UM CONCERTO INTEIRO DE GRUNHIDOS, TRANSCRITOS PELA ESTENÓGRAFA DO TRIBUNAL.
(...)
O Templo Stoddard é uma AMEAÇA a muitas coisas. Se fosse permitido que ele existisse, ninguém ousaria olhar para si mesmo no espelho. E isso é algo cruel para se fazer com as pessoas. Peça qualquer coisa a elas. Peça-lhes que alcancem FAMA, FORTUNA, AMOR, ou que cometam atos de BRUTALIDADE, ASSASSINATO, AUTOSSACRIFÍCIO. Mas não lhes peça que alcancem o respeito por si próprias. Elas odiarão sua alma. (...) Portanto, de que adiante ser um mártir para o impossível? De que adianta construir para um mundo que não existe?
(...) Vamos destruir, mas não vamos fingir que estamos cometendo um ato de virtude. Vamos admitir que somos toupeiras e temos aversão a picos de montanhas."
DOMINIQUE FRANCON,
in: AYN RAND, 
A NASCENTE